Sangues & Rosas

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Re: Sangues & Rosas

Mensagem por Samuka em Sab Maio 26, 2018 5:57 pm

Nottelo

Nottelo aceitava a proposta, mas quebrava o protocolo de um clássico tipo de acordo do mundo antigo, aquele verbal que se firmava com um simples aperto de mãos. É verdade que a mão do sujeito estava toda trêmula e ensopada, mas ainda assim… Se foi proposital partindo da idéia ‘onde já se viu cainita apertar mão de carniçal’ não podemos saber. Esconderia Nottelo por trás daquela tranquiladade um espírito soberbo? Será que no fundo é um objetor de consciência? O fato é que o 'vacuus’ de Nottelo deixou o delegado meio sem graça.

Nottelo conhecia bem seu carniçal graças seu laço de sangue com ele. Por isso, ao concordar em ir imediatamente à Michaela, Lorenzo mostrava certa inquietação e Nottelo poderia traduzir cada fuga dos olhos ou fisionomia de Lorenzo muito bem sob as luzes das velas d’onde se encontrava. O delegado, porém, ficou ainda mais eufórico ao ouvir de Nottelo que seria um prazer e dando entender que poderia ser naquela noite mesmo.

-Ótimo. Vamos passar primeiro lá então, quem sabe a Mãe não nos atende? E dizendo isso ele selava um papel de título 'certificado de estrangeiro’ e lhe dava.

Os três saem da sala. De volta ao cais, ele caminha na frente enquanto Nottelo e Lorenzo sussurram algo.

-Sim, Mestre Dandallo.Não quero contender com vossas idéias, só acho que deveriamos armar nossas tendas antes de entrar em terreno estranho do inimigo, mas... Respondia Lorenzo.

À frente, o delegado gritava com os estaleiros e provavelmente não ouviu o cochicho.

-Ainda estão colocando essas sacas? … Larguem isso, peguem as bagagens deste homem e me acompanhem.

Naquela noite, o mar estava meio revolto. As ondas batiam com força contra o cais. O céu estava vermelho e uma fina garoa caía. Então, o delegado parava numa espécie de galpão. Abriu a porta. Muitos objetos, provavelmente da tal carga que ele havia comentado, e uma carruagem muito bem trabalhada,entalhada em alguma madeira de lei, confortável. O seu interior armado com uma cama de seda e cortinholas. Ouro era o segundo material utilizado, seja em pregos ou em ornamentos. Algo, contudo, chamou atenção de Nottelo. Dizeres dourados e em latim entalhado num marmore emperador negro colocado à vista de quem se deitava na sedosa cama.

“E no princípio as trevas reinavam”.

Obumbratio era algo que Nottelo conhecia bem. Um dos estaleiros vinha trazendo dois puro sangues brancos, belos cavalos. Os roçinantes trotavam pelas ruas de Constantinopla até pararem numa enorme mansão, cuja entrada havia um portal de ouro ao estilo clássico. Belas esculturas, até parecem pessoas grisalhadas. O delegado sai e bate num sino. Ele bate outra vez. Nottelo via, apesar da escuridão da noite, a casa em perspectiva que pelo design do jardim dava impressão de estar milhas de distância. Como ouviriam a porra de um sino? Como saberiam que vocês estavam ali? A verdade é que, de repente, um sujeito com um grande sobretudo e encapuzado apareceu segurando uma tocha. Aquelas chamas brilhavam e despertavam certo temor em Nottelo, mas era só uma tocha. Os olhos do sujeito brilhavam como olho de gato, como os olhos do delegado brilharam. O delegado se debruçava nas grades do portal e dizia.

-Trouxe visita, cainita da Capital, eu o encontrei hoje no cais, diga a Mãe, anda Apolo!

O sujeito respondia firme por debaixo daquele sobretudo com seus brilhosos

-Demetrios, a Mãe não deseja ser importunada…

O delegado tentava agarrar o sujeito através das grades, estava furioso

-Desgraçado, eu preciso vê-la, já me sinto fraco!

O sujeito vira para Nottelo e questiona

-Como devo apresenta-lo? Qual seu clã?

O portão abria. A carruagem entra mansão bizantina. O sujeito também sobe na carruagem. Antes de parar à frente da casa, ele disse à Nottelo.

-Não sei se sabes, mas aqui em Constantinopla a sociedade é diferente da Capital. É Pai, Filho e Espírito. Espero que não esteja à serviço da Inconnu para nos manter sob jugo de Roma.

Os portões da casa abrem revelando uma enorme piscina de cerca de 25m com sangue, candelabros e um corredor de colunas de pórfiro vermelho. Mulheres seminuas caminhavam até a beira da piscina, então, algo parece emergir. Uma mulher de corpo sinuoso. Longos cabelos negros. Olhos de cigana oblíqua e dissimulada. As mulheres a secaram com a língua e por toda parte de seu corpo. Lorenzo olhava ora para elas, ora para seu amo, completamente constrangido e mais ruborizado do que o escarlate sanguineo na psicina de sangue. O sujeito só foi até ela depois que a vestiram, Nottelo via ele conversando com ela e apontando para sua direção. Quando ela se virou e olhou diretamente para Nottelo, seus joelhos fraquejaram e sentia seu sangue arder como um caldeirão dentro dele. O sujeito acenava chamando-os, menos o delegado que ficou como um cachorro bebendo agua na beira da.piscina. Então, num cômodo adjacente, entraram com ela perguntando ao sentar num sofa de Venus de pórfiro vermelho, ouro e sedas escarlate s

-Você é Nottelo, Lasombra, da Capital… Muito encantada, sou Michaela, irmã de Michael, o Pai. Permita-me perguntar o que que um Capitalista faz aqui? Veio ajudar em nosso Sonho ou nos trazer pesadelos?

Michaela:
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Re: Sangues & Rosas

Mensagem por Zed em Dom Maio 27, 2018 12:23 am

Pontos de Sangue: 5/12
Força de Vontade: 6/6
Caminho: 5
Vitalidade: 7/7


Ignorando a mão do delegando seguia com a meu falatório até acidentalmente empolga-lo demais. – Bem, não esperava ir até lá necessariamente agora, eu só estava sendo educado... Mas um pequeno desvio não fará mal. – Lorenzo por outro lado não parecia nem um pouco feliz com minhas decisões.

- Ele já ta muito empolgado, e parece frenético pela falta de sangue... – Estalava os lábios. – Acabou tendo uma reação contrária no final das contas. Mas tudo bem, eu dou um jeito nisso. Não se preocupe. – Conversávamos em sussurros enquanto a cabine era aprontada. Queria pensar que conseguia realmente lidar com tudo, mas ainda não sabia com quem estava lidando.

Entrava na luxuosa carruagem que tinha até mesmo uma cama. Durante o caminho acabei por descansar as costas na cama e notar dizeres no mínimo interessantes. “No princípio.. as trevas?.... Como estás? ” – Sorria enquanto evocava as sombras herdadas pelo clã. As comandava a minha vontade, fazendo com que as sombras assumissem formas de humanoides distorcidos dançantes enquanto cantarolava. Ao ouvir o cavalo parar da mesma forma dispersava as sombras. (-1 PDS/Tenebrosidade 1)

Demetrios interagia com aquele que ouvia se chamar Apolo. E então uma introdução era requisitada. – Nottelo Dandallo, La Sombra. – Respondia com uma cordial reverencia. E então palavras de aviso durante o caminho. – Inconnu? Não se preocupe quanto a isso. – Apenas mexia os ombros sutilmente. O nome me parecia familiar apesar de não conhecer sobre o assunto.

Seguindo até a piscina notava de cara a quantidade de cor vermelha existente na paisagem. “Chamativo eu diria... Mas as garotas acabam sendo ainda mais. ” Enzo estava tímido, já eu apenas observava silenciosamente e atento enquanto a figura emergia e era lambida até ficar limpa. Depois de uma pequena conversa privada com seu lacaio minha presença era requisitada. Alguma coisa parecia estar em moção, talvez um poder semelhante ao utilizado ao carniçal, mas ainda mais intenso. “Onde está as boas maneiras desse pessoal? ” Era uma visita mas estava parecendo um completo intruso. A sociedade cainita parecia mais rígida do que a humana em vários aspectos.

Acompanhando-a até outro como finalmente tinha a oportunidade de conversar com a tal vampira. – Sonhos? Pesadelos? – Era uma linguagem um tanto quanto poética. – Eu posso afirmar que não pretendo causar nenhum tipo de problemas. Eu conheço a existência de organizações e seitas dentre nós Cainitas, mas infelizmente eu não possuo nenhum tipo de afiliação a grupo algum, se é isso que quer saber. – Permanecia de pé naquela sala, observando a decoração enquanto caminhava vagorosamente pelo cômodo sem nenhum destino aparente. – Mas justamente o propósito de minha viagem é para encontrar com outros do meu tipo. Você diz ter sonhos, mais quais são eles exatamente? Talvez possamos compartilhar pensamentos semelhantes, não seria ruim ter uma ‘amiga’ como você... Alias, adorei a piscina, muito impressionante, agora quanto aquele delegado... Ele parecia um tanto quanto desesperado e tremulo. Talvez ele não seja bem a melhor escolha... Não que eu possa julgar muito, claro. – Mantinha uma expressão amigável apesar de tudo. Realmente estava sendo sincero em minhas palavras, mas claro, dependendo das causas dela.
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Re: Sangues & Rosas

Mensagem por Samuka em Seg Maio 28, 2018 2:20 pm

Nottelo

Pontos de Sangue: 5/12
Força de Vontade: 6/6
Caminho: 5
Vitalidade: 7/7
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Nottelo falava enquanto seu carniçal era arrastado por duas lindissimas mulheres. Os pés dele seguiam elas, mas sua cara não. Ele ia mas olhando para seu amo, como uma criança pedindo apenas com um gesto permissão para “brincar.

Michaela, por sua vez, o escutava deitada em seu sofá porférico e escarlate. Nottelo percebeu que longe do raio de visão dela, ele não mais sentia aquela sensação de cedação (obs.: é iintencional, o verbo é ceder e não sedar) nem aquele calor, como se fosse entregar espontaneamente toda sua vitae pra ela.

O cômodo devia ser um pouco maior daquele em que tinha a piscina. Muitos candelabros de pedestal, telas monocromaticas cujas cores eram rubras e muitas correntes, as quais nas extremidades havia um gancho bem pontiagudo. Nottelo passeava pelo cômodo se desviando delas. O chão refletia um tom avermelhado incomum e que não era provocado pelas velas.

Pelo jeito, o magistrado das sombras era daqueles retraídos-oportunistas que só falam quando surge uma oportunidade por temerem... O quê? O próprio membro ‘nerístico’ capaz de incendiar uma cidade? É, veja o que a língua fez com Nero.

-Demetrios? Não é de todo inútil, pelo menos o conheço. Sei que não ousaria obstruir meu caminho. Disse Michaela e parece uma indireta.

-Como explicar um sonho? … Prosseguia ela enquanto se levantava e caminhava até uma mesa próxima do sofá sobre qual havia uma jarra de bronze negro. Michaela estava de costas e através da seda que a vestia se podia contemplar a traseira de seu belo corpo… -Constantinopla é uma grande obra de arte, isso faz algum sentido para um Capitalista como você?

Ela questionava enquanto bebia o conteúdo da jarra, o qual aparentava ser sangue, pois podia se ver o brilho rubro do fluído que escorria pela boca e descia por entre seus lindos seios manchando a seda de vermelho.

-Sua boa vontade, porém, me admira. Quanto a piscina, se quiser pode se banhar. Disse ela sorrindo e exibindo suas presas.

Nottelo parava de frente pra uma janela. No horizonte o ceu avermelhado com muitas nuvens, agora levemente chuviscava, o mar meio revoltado, inclusive a coca já estava estacionada no porto, e Constantinopla. Não havia lua, então, não se podia determinar o polo. Mas, seu breve conhecimento sobre aquela cidade sugeria que observava a banda oriental, pois era possível ver a Hagia Sofia e o porto que leva seu nome. A voz sedutora Michaela interrompe sua contemplação.

-Se queres mesmo ser nosso amigo, há algo que pertuba meu irmão e, talvez, você possanos ajudar. Algo está fazendo o rebanho de Michael diminuir. Há muitos rumores. Eu tenho minhas próprias suspeitas, por exemplo suspeito que seja obra dos Baali. Afinal, quem mais gostaria tornar Constantinopla de um paraíso em um inferno? Não quero mandá-los para lá sem antes saber se há dedos dos infernalistas nisso realmente. Você e seu lacaio podem investigar o que está acontecendo nos bastidores da Hagia Sofia. Faça isso e, quem sabe, podemos nos chamar de “amigos. O que me diz, são capazes?

O delegado, então, parecendo um pele vermelha, entrava e interrompia brevemente a conversa. Ele se atirava aos pés de Michaela e os beijava. Ela, por sua vez, puxando seus cabelos rudemente disse

-Fez um bom trabalho, espero que tenha se saciado. Agora leve seu mais novo amigo daqui. E dizendo isso ela olhava para Nottelo e sem querer era  sedutora.

Lorenzo também reaparece completamente desarrumado, descabelado, mas extasiado. Os três sobem a carruagem. O delegado perguntava para onde Nottelo queria ir, este indicou a casa de Días. No caminho, o falatório sem cessar do delegado, o qual abraçava Nottelo e o agradecia por… Pelo o que mesmo?

-Sem você, não conseguiria ver Michaela nem teria mais sua vitae! Dizia ele eufórico.

O céu vermelho escuro se tornava num indigo fraco, era sinal que logo iria amanhecer. A carruagem parava na frente da mansão de Días. O que sucedeu depois, bem, isso já sabemos.

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Segunda noite em Constantinopla (-1 de PdS).

Nottelo despertava, caminhava pelos corredores da mansão e descendo as escadas avistava Días, o qual estava de costa para Nottelo e no pé da escada conversando com um dos vários serviçais que possui. Ele, então, virava e vendo Nottelo descer a escada de mármore polido dizia com aquele sorriso encantador o abraçando pelos ombros:

-Aí está Nottelo e em minha casa. É um sonho? Temos muito o que conversar agora. Aliás, o que está achando de Constantinopla? É muito cedo pra dizer que está gostando?
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