Estopim; o custo da criação

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qua Fev 28, 2018 8:45 pm

Ulisses escutava atentamente cada som, farejava cada cheiro e sentia tudo que acontecia nos arredores, mesmo que parecesse despreocupado. Foi então que percebeu que July talvez não fosse uma mera humana serviçal, mas talvez algo mais...

-Não se mexa - Ele diz friamente, com as garras em seu pescoço. Um simples movimento do Gangrel, e a garganta da garota seria facilmente estraçalhada - Afaste-se, Maria. Ela não é quem você pensa ser.

Mesmo após ter mudado de personalidade tantas vezes, uma coisa jamais mudaria em Ulisses: seu instinto animalesco. Seu olhar era como o de um leão que estava prestes a devorar sua presa, e a intenção era realmente a de intimidá-la (olhar aterrorizante).

-Chega de teatrinhos - Ele diz em seco - Quem é você, realmente? Fale depressa, ou nunca mais falará de novo.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qui Mar 01, 2018 12:10 pm

@Ulisses
Ulisses; Olhar Aterrorizante
Carisma+Intimidação = 8 / Dif = ???
??? = Falha

July não vê mais porque esconder sua verdadeira face. Ela olha para os olhos do Gangrel com tom zombeteiro, totalmente diferente da doce garota que entrou aqui. Lentamente, ela levanta a mão e solta o que segurava, deixando ir ao chão com um som metálico: Um pequeno - embora mortal - bisturi.

- Deu sorte por recuperar sua mente, Animal! - Até seu tom é um pouco mais grave, como se outra pessoa falasse através de suas cordas vocais. - Mas esse é só o começo. Eu vou transformar sua vida em um inferno, e quando estiver sozinho e confuso no escuro irá implorar para que eu termine logo com você! - Seus olhos vidrados são de uma completa psicótica, e seu sorriso assustador chega a fazer barulho conforme range os dentes. - O que está esperando? Mate-me!

- Não! Por favor, No One! - Maria implora. - Ela é inocente, nós podemos achar um jeito de tirar isso dela!

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qui Mar 01, 2018 5:45 pm

@Altobello
- Hahaha, vejo que sua ascenção rápida não foi um mero golpe de sorte, Arcebispo. - Ele se abre, enfim. - Muito bem, parece que temos um trato.

- Os alto escalões do Sabá sempre estiveram diretamente envolvidos com os habitantes daqui, Arcebispo. Se você pensar bem, perceberá que era inevitável. Afinal, nosso clã lida diretamente com a dimensão deles. Felizmente pra você, seu contato infernal é superior ao da Regente. Vejo grandes conquistas no seu futuro.

E, apesar da conversa aparentemente aberta do Cardeal, Altobello sente o primeiro tentáculo roçar-lhe o tornozelo. Ele estava apenas ganhando tempo enquanto tateava em sua procura, o infeliz. Parece que, nos jogos de blefe, o Arcebispo não é o único perito. Em pouco tempo mais outro tentáculo o pega pelo braço. E outro, e outro. São cinco, todos incrivelmente fortes.

... Mas Altobello é mais forte.
Nenhum dos cinco tentáculos é poderoso o suficiente para segurá-lo, e agora um Arcebispo furioso se livra do último deles puxando com força seu pulso no escuro. O Cardeal sabe que não foi capaz de agarrá-lo, mas agora já é tarde para voltar atrás.

Spoiler:
Altobello; Blefar
Manipulação+Lábia = 10 / Dif = 6-1(meias-verdades) = 5
3, 1(x), 2, 1(x), 8, 2, 8, 6, 2, 5 = 2 sucessos

Bierhoff; Ver através
Percepção+Empatia = 10 / Dif = 6-1(perceber mentiras) = 5
8, 10(9), 2, 7, 4, 2, 3, 6, 6, 10(4) = 7 sucessos

Birhoff; Blefar
Manipulação+Lábia = 11 / Dif = 6-1(mentiras impecáveis) = 5
3, 10(5), 6, 5, 8, 5, 9, 4, 3, 7, 6 = 9 sucessos

Altobello; Ver através
Percepção+Empatia = 10 / Dif = 6-1(perceber mentiras) = 5
3, 9, 6, 10(10(1)), 5, 3, 1(x), 6, 5, 8 = 7 sucessos

Birhoff; Braços do Abismo
Manipulação+Ocultismo = 11 / Dif = 7
6, 3, 10( 8 ), 6, 5, 2, 7, 9, 5, 5, 7 = 5 sucessos

Braços do Abismo; Agarrar
Força = 9 / Dif = 6
9, 8, 3, 8, 1(x), 7, 6, 4, 8 = 5 sucessos
4, 2, 2, 9, 3, 9, 1(x), 6, 6 = 3 sucessos
2, 3, 7, 3, 6, 8, 6, 2, 10(5) = 5 sucessos
6, 9, 7, 2, 10(6), 7, 1(x), 5, 7 = 6 sucessos
5, 3, 4, 6, 4, 10(4), 3, 8, 1(x) = 2 sucessos

Altobello; Soltar-se
Força = 3 / Potência 5 (1 pds) / Dif = 6
Sucesso
Sucesso
Sucesso
2, 7, 8 = 2+5 = 7 sucessos
Sucesso

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qui Mar 01, 2018 6:17 pm

-Eu posso ao menos conversar, ou você vai me fazer apagar de novo? - O Gangrel dizia, olhando de relance para Maria. A vagueza de suas palavras era intencional: ele queria conversar, mas não com July, e nem com palavras sonoras. No entanto, não queria que aquela "coisa" percebesse isso, então esperava que Maria fosse inteligente o bastante para captar sua mensagem.

- Não fui eu, aquilo foi uma defesa automática. - Ela pensa, seu rosto completamente estático. - Você não pode extrair informações da mente de ninguém, mas enviar é permitido.

-Mas então, "July" - Ele dizia, com ironia e desprezo - Quem é você e por que escolheu justo a mim para atormentar? Você é alguma das minhas antigas vítimas que se tornou uma assombração, um demônio ou o quê?

Ao mesmo tempo em que falava para distrair a criatura, sua mente era voltada para Maria.

"Maria, eu não vou matar a July, mas também não quero libertá-la agora. Precisamos que essa 'coisa' permaneça onde está, até que possamos aprender mais sobre ela e como matá-la de verdade. Você é capaz de aprisioná-la na July?"

- Por que eu te diria qualquer coisa? Este sequer é meu corpo, idiota!

Ulisses; Reagir a tempo
Raciocínio = 5 / Dif = 8
5, 2, 8, 6, 1(x) = Falha

E então, antes que Ulisses pudesse reagir, July dá um súbito impulso com o pescoço para frente, cortando a própria jugular em sua garra.

- NÃO! - Maria grita.

July cai de joelhos, seu pescoço vazando sangue profusamente enquanto seus olhos perdem o brilho psicótico e assumem uma expressão de desespero. Maria a segura, mas não há nada que ela possa fazer.

July tenta segurar-lhe pelas roupas e dizer algo, mas está se engasgando no próprio sangue e não consegue sequer puxar o ar. A maga chora copiosamente, em suas vestes vastas manchas de sangue e lágrimas.

"Merda", era tudo que Ulisses podia pensar naquele momento. Seu plano de prender a criatura naquele corpo havia falhado antes mesmo de começar. Agora July, que provavelmente sequer era uma maga, era sua única chance de obter alguma informação sobre aquele ser.

-Afaste-se, Maria! - Diz ele, em tom urgente.

Com a garra de seu dedo indicador, ele corta seu próprio pulso e leva-o até a boca de July.

-Beba, rápido! - O Gangrel parecia realmente preocupado e, de fato, estava. Não pela vida da garota, obviamente, mas sim pelas informações que ela poderia ter.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Qui Mar 01, 2018 10:08 pm

O Cardeal muda sua postura, parece aceitar a proposta do Arcebispo. Altobello não compra a ideia. É desconfiado. Prefere manter os três pés atrás. O outro Lasombra elogia sua astúcia e revela que a própria Regente tem um contato infernal. Isso choca o Guardião, que procura em sua memória por quaisquer pistas que corroborem ou confrontem essa alegação. Enquanto tenta juntar as peças, sente algo tocar-lhe o tornozelo. Sabia que Bierhoff não estava sendo sincero, mas quando compreendeu seu plano já era tarde demais.

Os tentáculos do Cardeal são poderosos, seu aperto é incrivelmente forte. Mas, como Altobello descobriu da pior maneira, é relativamente simples quebrar seu Abraço se valendo do Dom de Caim da força sobrenatural. Um a um, eles se soltam.

- Eu poderia simplesmente pedir e você seria instantaneamente incinerado, Cardeal. - A voz bem-humorada dá lugar a um tom de sermão. Novamente, Jorge aposta que Júpiter estaria do seu lado. - Mas não faz sentido desperdiçar esse seu sangue antigo. - A verdade é que o Arcebispo ainda não está disposto a fazer um pacto infernal. Além disso, independente da Geração, é dito que o sangue ancião tem um sabor único e indescritível. - Apenas carregue essas palavras para a tua tumba: "Jorge Altobello lhe deu a oportunidade de viver, e você a jogou fora."

Dito isso, o Arcebispo avança na direção em que aposta ser onde o Cardeal está - seguiria na mesma direção apontada por Júpiter quando começou a ouvir as vozes telepáticas. O sangue corria em seu corpo para deixá-lo mais veloz [-2ps Destreza] ao passo que abria os braços e esticava os tentáculos que saíam de suas mangas, de forma que cobriria aproximadamente 6m. A intenção era se chocar contra o Cardeal e agarrá-lo [Nesse caso, ativaria Potência].

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Dylan Dog em Sab Mar 03, 2018 6:54 pm

Um tanto desorientado, Dario acompanha Esperma e Testa.
Enquanto Esperma parecia notar mais a movimentação do que Dario, Dario notava algo que provavelmente os nosferatus não notaram. Sim, eles sabiam que os vampiros estavam ali, mais do que isso, o vidro da janela que carregavam, era um portal? Era nítido para o feiticeiro o cosmos refletido no vidro, aquela região era um ponto forte de interesse e ele estava determinado a retornar.

Dario nem sentiu seu corpo fazer o caminho automaticamente até o veículo e entrar no mesmo. A conversa dos nosferatus estava ali ao fundo dos seus pensamentos como quando as vozes são abafadas pela água enquanto se está no fundo de uma piscina.

Dario entra de um lado e Testa do outro, os dois vampiros forçam o mortal para o meio do banco, Dario mais especificamente força o mortal mentalmente - Sente ali - ele aponta o assento do meio para o mortal.

*DOMINAÇÃO*
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Sex Mar 09, 2018 3:24 pm

@Ulisses
Maria está completamente horrorizada com o que vê, mas afasta-se. July não tem opção senão permitir que a vitae lhe seja derramada na boca. Ela tosse e engasga mais, o chão já uma grande e suculenta poça de sangue arterial.

Leva algum tempo, durante o qual o Gangrel não tem certeza se funcionou, mas a garota instintivamente começa a fechar a ferida com a vitae que lhe foi fornecida.

Pálida e catatônica após a experiência ela inspira, aliviada. E, conforme suspira, vai ao chão.

- July! - Maria grita, correndo até ela de novo.

Thomas corre até as duas e checa o pulso da garota.

- Está viva. Mas ela perdeu muito sangue, vamos precisar de uma transfusão. Vá na frente e avise a equipe médica, eu vou levando ela!

Maria levanta para correr para fora da sala, enquanto Thomas levanta esforçando-se para aguentar a garota no colo. Ele olha para Ulisses.

- Obrigado. - Diz, com seriedade. Então dirige-se para a saída também.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Sex Mar 09, 2018 3:46 pm

@Altobello
- Não seja tolo, Arcebispo! Lutar contra mim é inútil!

Altobello; Agarrar
Força+Briga = 3 / Potência 5 / Dif = 6+2(cadê ele?) = 8
10(2), 10(10(4)), 4 = 3+5 = 8 sucessos

O Arcebispo corre na direção em que supunha estar o Cardeal. Ele estaria certo, mas seu oponente astutamente trocou de posição quando o atacou. Isso, porém, não foi o suficiente. Ele não contava com os longos membros adicionais de Altobello, que o capturaram para si em um forte abraço da morte.

O Arcebispo sabe, contudo, que isso não será o bastante. O Cardeal é de uma geração menor e, portanto, muito forte. Ao menos ele sabe que se afastou o bastante dos tentáculos que ele evocou há pouco.

- Pare com isso! Eu não irei lhe matar! - Ele insiste, enquanto é envolto em braços e tentáculos de trevas.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por vittal em Sex Mar 09, 2018 7:38 pm

Marenariello já tinha visto muita coisa estranha na vida em seus tempos de morador de rua, mas nada era tão medonho quanto aquela noite.

O que ela disse mesmo? "Pessoa sobrenatural", "Xerife", "Elísio"...

Nenhuma dessas coisa fazia sentido algum na cabeça de Virgílio e agora, como se não pudesse piorar, a pessoa sobrenatural acaba de encontrar com seus amigos sobrenaturais dentro do carro para que eles possam conversar.

No entanto, agora não era a hora de fraquejar, Virgílio precisava se concentrar no que eles estão dizendo e tentar arquitetar um meio de conseguir a liberdade daquele pesadelo.

Nada o deixava mais preocupado com o que aconteceria com aquele humano caso ele não sumisse de lá o mais rápido possível.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Sex Mar 09, 2018 8:16 pm

Logo quando o Gangrel estava prestes a interrogar a garota, ela desmaia novamente. De fato, por mais que a ferida criada por suas garras houvesse sido curada, a perda sanguínea era demais para uma humana suportar. Os magos dirigiam-se de imediato para a equipe médica com July, mas pelo menos tiveram a consideração de lhe agradecer.

-Espere! - Ele diz, caminhando na direção de Thomas - Eu preciso falar com July o mais rápido possível, não vou perdê-la de vista até então. Irei com vocês.

Ele se aproxima dela, observando o estado de saúde da garota.

-E se tudo der errado, eu ainda tenho um último recurso para salvá-la.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Dom Mar 11, 2018 8:01 pm

Cardeal Bierhoff escreveu:- Pare com isso! Eu não irei lhe matar!

As palavras de um homem que acabara de mentir e o atacar pelas costas não valem de nada. Altobello sabe que o Cardeal teria os recursos necessários para limpar a lembrança que o incrimina de sua memória, mas também sabe que o Dominação não poderia ser realizada ali, no escuro absoluto. Tantas respostas passaram pela mente do Lasombra... "Mas eu irei."; "Nem mesmo se você se esforçasse."; "Pare de chorar e morra com alguma dignidade.". Por fim, decidiu que dialogar com um homem que logo deixaria de existir seria uma completa falta de tempo.

Todo o seu corpo se concentrava na missão de manter o Cardeal em seu abraço mortal. Carne, osso e principalmente sangue. A vitae agia para aumentar sua força natural [-2ps em Força] e sobrenatural [-1ps em Potência]. Antes que pudesse sentir falta da preciosa fonte da vida vampírica, cravou as presas no pescoço de sua presa, passando a sugar seu sangue ancião. Dava-se início à Diablerie.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Abr 04, 2018 3:09 pm

@Marenariello & Pavan
O fedor que empesteia o carro é escruciante. Marenariello tem a impressão de que os homens vestidos de couro molhado estão com aquelas vestimentas para ver se o cheiro forte mascara os seus próprios odores pútridos, mas o que eles conquistaram é uma fascinante amalgama de sensações profundamente perturbadoras.

- Então? - Começa a mulher, depois que o carro já recomeçou a andar.

- Foi um ataque sincronizado, eles já sabiam de muita coisa. O Sabá atacou o Elísio com lupinos e uma porcaria de um avião, não tinha como esperar por aquilo. - Fala o mais imponente dos fedorentos.

- Aquela Lasombra, com certeza. Gorgonier foi um estúpido por confiar naquela vadia.

- Bom, ela morreu no ataque. Se a usaram, foi descartada. Gorgonier foi um dos poucos sobreviventes, aliás.

- E agora, o que ele é?

- Porcaria nenhuma, na teoria. Na prática, continua sendo o mesmo Gorgonier de sempre. Está sempre colado com Fausto. New Haven, por sinal, está uma bagunça.

- Fausto sempre foi um frouxo. Aquela cidadezinha perdida lhe coube bem. - E então ela percebe a gafe que cometeu. - Sem querer ofender.

- O Sabá nunca derrubou sequer um prédio nosso. - O Xerife parece achar graça. - E se não fosse por nós esperando para agir de babás, a Camarilla teria perdido um braço inteiro com a tomada de NY.

- E o que vocês estão fazendo aqui, afinal?

- Colhendo informações. - Ele desconversa. - Aliás, o seu amigo... - Ele começa a dizer, olhando de soslaio para Marenariello.

- Não, nem comece.

- Você me deve uma. Não quero ter de lembrá-la do que eu tive de fazer em noventa quando...

- Sim, mas isso não tem nada a ver! Sabe quanto tempo eu levei pra achá-lo? Você não pode fazer isso comigo!

- Claro que posso. Não esqueça que você ainda está se dirigindo ao Xerife, enquanto tecnicamente vocês de New York não são nada.

- Xerife de merda de uma cidade de merda! - Ela estoura.

Um silêncio pesado toma conta do carro, interrompido por um brusco movimento que a ruiva faz para parar na lateral da pista.

- Saiam! Saiam daqui, todos vocês. - E, para Marenariello. - O que está esperando? Você também! Inferno!

- E agora eu não te devo mais nada, seu...! - Ela aponta para o Xerife, uma vez que os quatro estão fora do carro. - AAAAH! - E acelera, atropelando suas palavras com um grito histérico. Dá para notar claramente que ela está socando o painel do carro enquanto dirige.

- O que lhe parece, feiticeiro? - O Xerife finalmente dirige-se a Pavan, uma tranquilidade contrastante com a histeria de sua colega. - Um humano não levantaria suspeitas, ele parece um presente dos céus para nosso intento aqui.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Abr 04, 2018 3:25 pm

@Ulisses
É um processo delicado e demorado. Com lapsos de consciência enquanto é transportada, July busca pelo Gangrel com suas mãos. Para muitos poderia ser um súbito afeto por seu salvador, mas ele sabe bem do que se trata. O laço de sangue estabelecido, embora frágil, é o suficiente para influenciá-la em um momento em que a mente está amortecida. Será que, ao fim de tantos anos, tudo sempre se resume a reações lógicas e frias?
Mas, se é tudo tão simples, porque Ulisses chorou há tão pouco?

Eles pedem para que ele e Thomas esperem do lado de fora, abrindo espaço para que a equipe médica faça as trnasfusões necessárias. A porta possui janelas transparentes, por onde ele pode acompanhar todo o procedimento. Exceto um ou outro detalhe excêntrico que seus olhos treinados podem notar (De onde saiu aquela bolsa de sangue? Porque há um homem sentado a um canto com uma ovelha no colo? Que língua é essa que falam?), parece ser uma equipe médica normal reavendo um humano normal.

- Nós nos metemos com coisa grande dessa vez, não foi? - Thomas finalmente parece se abrir, deixando-se cair exausto sobre uma cadeira no corredor.

Maria, sentada na cadeira do lado oposto do corredor, parece concentrar-se em recuperar a calma. Ela respira lentamente com as mãos no rosto, claramente abalada.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Sex Abr 06, 2018 4:24 pm

@Altobello, filho de Giuseppe

A sede arde no Arcebispo. Ele aposta alto na possibilidade de abocanhar o Cardeal, e urrando junto com sua Besta nos silêncio da escuridão tenta fincar-lhe os dentes.

Mas sua boca não alcança nada.

Bierhoff é ágil demais. Girando o corpo e realocando o cotovelo, consegue afrouxar o braço de Altobello e girar-lhe por baixo do seu, em uma efetiva manobra onde o agarrador torna-se o agarrado.

Girando no vácuo tenebroso por entre tentáculos e o que soam como berros bestiais que parecem torcer ao longe, eles debatem-se caindo para direção nenhuma. Altobello sente-se imobilizado por braços extremamente musculosos, e pode jurar que eles aumentam em tamanho a cada segundo. A situação não parece otimista.

- Sabes que posso dar-lhe a salvação se aceitar o trato. Tu só precisas pensar uma palavra. - A voz de Júpiter fala mansamente em sua cabeça. - Uma palavra, filho de Giuseppe.

Spoiler:

Iniciativa
Bierhoff 12+2 = 14
Altobello 10+2 = 12

Força
Altobello 10+5 = 15
Bierhoff 9+9 = 18

Bierhoff; Agarrar
Força+Briga = 6 / Potência 5 / Dif = 6
6, 2, 2, 7, 10(10(4)), 2 = 4+5 = 9 sucessos

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Sex Abr 06, 2018 5:53 pm

@Graham
Julliete Graham é a promessa do sucesso. Em sua cabeça, isso não passa de sua obrigação. É claro, ela foi literalmente criada pra isso. Moldada desde o berço para ser uma vencedora. Uma líder impiedosa, mesmo entre humanos. Mas, recentemente, passou a almejar os muito mais perigosos e delicados jogos dos imortais. Se cada detalhe de sua vida é como uma pequena parte de uma ampla orquestra, seu maestro atual chama-se Johan Petrucci; um digníssimo Sangue Azul de oitava gração.

Seu agoge, o teste derradeiro que separa as crianças da noite dos Ventrue formados, foi realizado há pouco tempo. Após dois anos de tutoragens sobre os básicos da sociedade cainita e as desventuras clássicas do mundo das trevas, Graham foi emprestada.

- Pouco importa quão antigo eu seja, uma formação nunca será completa sob os olhos de apenas um mestre. A partir de amanhã você estará em New Haven sob a guarda de D. Bristhon, um irmão de meu sire. Se me tratas com último respeito, espera-se que faça o dobro por ele. - Foram as últimas palavras que ouviu de Petrucci.

Depois disso, não mais se encontraram. Todos os preparativos da viagem foram feitos por criados. Nem mesmo uma despedida foi realizada.

New Haven, como viria a saber, é um diamante esquecido. Uma cidadezinha pequena nos arredores de New York. Um olhar perspicaz lhe revelaria que a corte da Camarilla é grande demais para cidade tão pequena, e um olhar mais perspicaz lhe mostraria porquê. New Haven foi pensada desde o início para agir como o último bastião. Se um dia o pior acontecesse à Torre de New York, seria lá a derradeira resistência. Bristhon, com suas maneiras misteriosas e sagacidade lendária, agiu como um impecável investidor. Como primógeno, ele representava o clã na pacata cidadezinha de New Haven onde nada acontecia.

Mas agora, New York caiu. E, por bem ou por mal, New Haven ascendeu.

Há muito tempo não se ouvia de uma cidade da Camarilla com tantos membros, principalmente tão importantes e poderosos. E, dentre o caos e o fervilhar dos novos jogos de poder, D. Bristhon ergue-se como uma das personalidades mais importantes do Novo Mundo.

Tudo isso ela ouviu de seu novo tutor.

- Este é um cenário perfeito para que você aprenda a entender e moldar a sociedade dos membros. Aqui, terá liberdade e autoridade para mover-se. Conheça a tudo e a todos, experimente. Se lhe convir, busque seu próprio pedaço do bolo em meio à confusão que se instaurou na cidade. - ele lhe disse. - Aja como bem entender, mas quero que ao fim da noite me relate tudo o que fez. Eu lhe darei conselhos e respostas conforme se provarem necessárias. Amanhã, se apresentará ao Príncipe Fausto.

E, com efeito, na noite seguinte ela está no Elísio.


Trata-se de uma mansão em uma pequena área luxuosa nos limites da cidade. No passado, grandes fazendeiros detinham estas propriedades, hoje são relíquias do tempo detidas por milionários excêntricos, vampiros centenários ou mesmo alugadas como casas de festa para playboys da cidade grande. Dois humanos engravatados, presumivelmente carniçais, estão parados na entrada como estátuas de concreto.

- Um momento, senhora. - Um deles a barra antes de entrar.

Graham; Notar algo
Percepção+Prontidão = 3 / Dif = 7
2, 8, 8 = 2 sucessos

Graham está atenta. Os carniçais não recebem ordens pelo comunicador. Mesmo por trás de seus óculos escuros típicos de segurança, ela pode reparar para onde estão olhando. Por cima de seu ombro sobre a mansão menor do outro lado da rua, há um vulto. Ela não percebe que tipo de sinal o vulto fez, mas parece que declarou sua passagem segura.

- Obrigado pela paciência, senhora. - Diz o outro segurança.

Ambos então lhe abrem a porta, permitindo que passe. Lá dentro, no grande hall de entrada da mansão, ela pode notar que a casa está relativamente cheia. Uma porção de faces que ela só veria em uma noite especial em cidades grandes da Camarilla. De fato, a situação de New Haven parece estar beirando o descontrole total.

Logo na porta, alguém já a espera. É um homem amedrontado e encolhido, que age com pavor em tudo o que diz ou faz. Ela já o conheceu, é o servo pessoal mais estimado de Bristhon. Sabe Deus o que o Ventrue fez a este homem para deixá-lo assim. Oliver é seu nome.

- S-se-senhorita Graham. - Ele gagueja, claramente esforçando-se muito para ser formal. - Q-queira me acompanhar.

Ele a guia pela grande escada do hall, passa por um luxuoso e amplo corredor, vira em outro um pouco menor (o que significa que passariam quatro pessoas lado a lado com tranquilidade) e finalmente bate em uma porta tão comum quanto outra qualquer, abrindo-a quando ouve a ordem lá de dentro.

Há dois seres de pé ali. Um homem que pode muito bem ser a criatura mais linda que ela já viu na vida, e uma besta nua que parece-lhe ser a aberração mais estranha que já viu. Há uma grande poltrona atrás da escrivaninha, mas nenhum deles está sentado nela.


- A se-se-senhorita Graham. - Ele a apresenta, dolorosamente devagar. - O-o-o Pri-Pr-Prí...

- Tudo bem, Oliver. - Diz com doçura o homem, cuja gentileza se compara a sua beleza. - Respire, isso não é tão importante quanto parece.

Oliver toma um instante para retomar a compostura.

- O Príncipe Fausto e o senhor Gorgonier. - Ele apresenta, por fim. E, com uma torta e penosa mesura, parte fechando a porta atrás de si.

Os dois a observam, como que esperando que tome a palavra. O homem sorri. A besta, não.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por JosephineRaven em Sex Abr 06, 2018 11:05 pm

Juliette havia desembarcado novamente em terras estadunidenses havia uma semana e nas últimas noites não tinha tido tempo nem para respirar, se bem que ela não fazia isso desde que se tornara imortal. Os negócios dos quais havia se apoderado nos EUA, enquanto passava pelo agoge, estavam indo de vento em popa, e seu telefone não parava de apitar. Antes de entrar no carro, a Ventrue dava mais uma última vasculhada na mansão de Petrucci… e nada… nem uma carta, nem uma mensagem, nem uma frase escrita na parede acima da lareira.. Isso era típico dele, ir embora sem se despedir. Julliette apenas pensava consigo mesma: “mas que bom exemplo de cortesia do clã…”

No caminho para New Haven, ela repassava tudo que Petrucci havia explicado sobre Dr. Bristhon. Na verdade não queria estar ali, naquela confusão que os vampiros americanos sempre causavam. Se estes tivessem o mínimo respeito pelas tradições, não deixariam Nova York chegar ao ponto onde chegou. De qualquer maneira, seu Sire havia lhe chamado ali para uma missão, provavelmente ajudar a mediar os conflitos da Camarilla, para que NY fosse retomada aos poucos.

De qualquer forma, uma cidade pequena com muita gente anciã e imponente não lhe daria espaço para crescer muito, ainda assim seria uma chance de se mostrar útil ao clã e ganhar a tão sonhada independência Sangue-Azul que vem construindo desde o início de seu agoge.

O encontro com Dr. Bristhol havia se desenrolado de maneira suave e previsível. Ao pé da lareira e com uma taça de vitae na mão, Juliette começara a entender o contexto da Camarilla local.

- Este é um cenário perfeito para que você aprenda a entender e moldar a sociedade dos membros. Aqui, terá liberdade e autoridade para mover-se. Conheça a tudo e a todos, experimente. Se lhe convir, busque seu próprio pedaço do bolo em meio à confusão que se instaurou na cidade. - ele lhe disse. - Aja como bem entender, mas quero que ao fim da noite me relate tudo o que fez. Eu lhe darei conselhos e respostas conforme se provarem necessárias. Amanhã, se apresentará ao Príncipe Fausto.

- Conte-me mais sobre o Príncipe Fausto. - retrucava a neófita.
----------------------

Na noite seguinte, nada além do previsível. De certa maneira, New Haven lembrava um pouco Exeter, sua cidade natal. Grandes casarões rurais que por fora tinham o ar rústico mas por dentro exalavam a opulência dos grandes senhores de terra. Era um alívio para Juliette, que ficava deveras incomodada com o exagero e o barulho da Big Apple. Ainda assim, ser barrada por dois indivíduos na porta da mansão a incomodava. Como eles ainda não sabiam que a cria de Petrucci já estava pela cidade? Como um bom Ventrue e pseudo-mentor, era papel do Dr. Bristhol já deixar sua visita anunciada. A falta do tapete vermelho incomodara de leve a srta. Graham, que apenas revidava:

-Paciência é o meu forte senhores, tenham uma excelente noite.

Julliette ficara surpresa com o tanto de gente ao seu redor, novamente se mostrara incomodada em não ter uma apresentação formal ao Príncipe de maneira exclusiva e reservada. Mas logo em seguida pensava também que este era provavelmente o pior (ou o melhor) momento que a cidade estava passando, e enquanto andava pelos corredores acompanhada por Oliver, ela tentava gravar todos os rostos e traços que poderia ligar com algo que Bristhol havia mencionado no dia anterior.

Ao entrar na sala, o contraste era grande entre os dois seres, mas Juliette logo de cara já reconhecera quem seria o Príncipe da cidade, sua aura exalava poder, assim como a opulência daquele recinto.


- O Príncipe Fausto e o senhor Gorgonier. - Ele apresenta, por fim. E, com uma torta e penosa mesura, parte fechando a porta atrás de si.

-Grata pela sua atenção, meu caro - dizia ela e logo em seguida se virava de costas para a porta.

Face a face ao príncipe, Juliette calmamente recitava o que a tradição mandava:

- Boa noite caríssimo Príncipe Fausto, sou Lady Juliette Louise Graham, progênie de Johan Bartolo Pretrucci, progênie de Jan Pieterzoon, progênie de Hardestadt o jovem, progênie de Hardestadt, o ancião, progênie de Veddartha, progênie de Ventrue. De acordo com as tradições de nosso honradíssimo clã, rogo pela hospitalidade do senhor assim como me disponho para o que for necessário durante a minha estadia em vosso domínio - respondia Juliette inclinando levemente a sua cabeça e, em seguida, fazendo o mesmo gesto de referência para o ser ao lado.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Seg Abr 09, 2018 10:31 pm

A não-vida tem dessas coisas. Em um momento estava por cima, com a Sétima Geração nas mãos. Não haveria necessidade alguma de vender sua alma para uma entidade ancestral que planeja destruí-lo em um futuro próximo. Com o poder do sangue do Bierhoff, colocaria em prática o conhecimento que o próprio Cardeal o passara e cairia para fora do Abismo sozinho.

Contudo aquele degrau que o traria mais próximo de Caim não iria se entregar tão fácil. É claro que o Arcebispo sabia que estava caçando um tubarão branco em alto-mar, mas por um breve instante acreditou piamente de que seu golpe de sorte não poderia ser revertido. Morte certa.

Não poderia estar mais enganado. No momento seguinte estava por baixo. Antes que pudesse tocar seus lábios no pescoço de sua vítima, tornou-se ele próprio a caça. A essa altura, já sentia sua Besta rugir de fome e de medo. Altobello estava no limite. Não poderia se dar ao luxo de perder o controle. Isso custaria sua não-vida naquele momento crítico.

Como a serpente sorrateira, Júpiter esperou o momento correto para tornar a tentá-lo. "E a serpente disse para Jorge: se comeres do fruto, certamente não morrerás." Sabia que se o guiasse até o Inquisidor, haveria um embate entre os Guardiões. Sabia que Phoenix Khan teria a vantagem no confronto. E sabia que Altobello não suportaria se subjulgar ao seu irmão de clã. Não acreditaria em suas palavras de misericórdia, tampouco aceitaria morrer daquela forma miserável.

- SIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIM!!!

- O Infernalista grita a plenos pulmões. - "Me dê o sangue desse miserável, Júpiter!" - Jorge Altobello aceita a proposta. - "Me dê o seu sangue, e eu o carrego para fora daqui!"

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Seg Abr 09, 2018 11:36 pm

@Graham
Sob outras circunstâncias, ela provavelmente teria cometido uma gafe constrangedora. Felizmente, sua astúcia em conhecer o terreno com antecedência lhe valeu bem. O Príncipe Fausto, como lhe disse seu novo tutor, é um Gangrel bestial. Tão bestial que não sobrou qualquer traço de sua aparência humana exceto, talvez, o fato de ainda andar sobre duas pernas. Isso é uma clara indicação de seu temperamento difícil, coisa que seria fácil notar mesmo se não estivesse escrita na sua cara.

Alguns pensam que Fausto tornou-se Príncipe com a ajuda de peixes grandes que lhe deviam muito, mas isso não poderia estar mais longe da verdade. Ele foi escolhido a dedo devido a sua completa falta de interesse no cargo. Seu ódio mortal em lidar com pessoas, seu completo desapego a títulos ou bens materiais e, principalmente, sua lealdade incontestável para com a Torre de Marfim lhe tornaram o mais indicado para manter uma cidade pequena, mas cuja importância é inversamente proporcional a seu tamanho. "Um caseiro condecorado", foram as exatas palavras de Bristhon.

O tutor também lhe alertou sobre Gorgonier. O ex-Príncipe de New York, que sobreviveu ao ataque graças à competência lendária de sua equipe de algozes. Ele representa exatamente o que tentaram evitar ao elevar Fausto ao cargo. O Toreador gruda em poder como um sanguessuga, tomando e criando oportunidades e alianças com aquele sorriso interminável. Desde que chegou em New Haven não sai da companhia de Fausto nem por um instante. Uma relação que o Príncipe deve achar muito conveniente, visto seu completo desinteresse em liderar a Camarilla em estado tão frágil neste instante.

Ao fim, a primeira dica de Bristhon possuía um resumo: Dirija-se a Fausto, ouça Gorgonier.

E, com efeito, aqui está Graham recitando toda a sua linhagem a uma besta peluda. O desinteresse do Príncipe em sua longa linhagem é bem óbvio, conforme ele tamborila na mesa e respira fundo enquanto a espera terminar. Gorgonier, por outro lado, lhe dá toda a atenção que ela merece.

- Sim, sim. - Fausto faz um meneio desinteressado quando ela termina sua apresentação. - Mais um membro para tumultuar isso aqui, é exatamente o que precisávamos.

- Ora, nesses tempos difíceis toda a ajuda é bem vinda. - Gorgonier ameniza.

- Que seja. O que você sabe fazer, Lady Julliete Louise Graham? - Ora, ao menos ele prestou atenção.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Abr 10, 2018 12:17 am

@Altobello

I've been a man of brutal means
Dealing out my business, it's so obscene


O primeiro sinal é a Besta, calando-se como um poodle assustado.

E então, quase que instantaneamente, ele se sente mais completo. Mais que isso, sente-se a ponto de explodir. Não é bem uma sensação física. Mas ao mesmo tempo é como um inchaço em cada poro de seu corpo. Como se ele fosse ceder a qualquer momento, mas com a plena consciência de que está bem sólido. Como uma esponja encharcada de ferro líquido e então resfriada nessa posição incômoda.

Talvez a sensação seja temporária. Talvez ele se acostume com isso. Talvez não. Mas qual era a outra alternativa? Uma morte estúpida em meio de lugar nenhum? Não, isso não tem a cara do Arcebispo Altobello.

A hero's end is still the end


Ele pode sentir um sutil alívio dentro de si, mas sabe que não é seu. Só lhe resta supor que Júpiter também sente o que ele sente agora. Ele se pergunta se o Demônio também pode ouvir seus pensamentos.

Sim, eu posso.

Let the right one in
Ya gotta go with the devil you know
It's a goddamn sin
Ya gotta go with the devil you know
I'm ready, ready to begin
You bastard
Let the right one in
Ya gotta go with the devil that you know

Mas Altobello não escuta nada que Júpiter não queira que ele escute. Talvez ele devesse ter conversado mais sobre os detalhes do trato antes. Bom, poderia ser pior. Ao menos ele tem a certeza de que o Demônio trabalhará com ele até que a famigerada profecia venha-se a cumprir.

Another right that I made wrong
Another I don't belong
Of all the thing I said that stick
Nothing good can ever come of this


Ele sente sua força elevando-se vertiginosamente. Os braços imensos do Cardeal parecem feitos de pano agora, tão leves. O Arcebispo o pega pela nuca, sem muita certeza se essa ação foi ideia sua ou de Júpiter. Será que ambos controlam este corpo? Ele espera que não, seria uma sensação de impotência humilhante demais.

Enquanto pensa nisso, seus dentes já estão perfurando a carne frágil de um Cardeal horrorizado.

- O que você fez? - A mensagem chega em sua mente na forma do puro horror.

O sabor é delicioso. Não leva muito tempo para que ele extinga o sangue do vampiro, denotando que ele já havia queimado uma boa porção. Uma pena, pois Altobello poderia passar um dia inteiro bebendo dessa fonte.

Diablerie
Altobello / Força+Potência = 10 / Potência = 5 / Dif = 9
5, 9, 5, 1(x), 8, 2, 2, 6, 5, 1(x), 7, 10(7), 9, 3, 9 = 2+5 = 7 sucessos
3, 9, 5, 5, 8, 5, 1(x), 2, 3, 2, 2, 8, 3, 8, 1(x) = Falha Crítica+5 = 5 sucessos

It's just the devil in me
There's no hypocrisy
What you see is what you see
What you get is what you get

Está feito. O sangue de Ancião circulando em suas veias é ótimo, fica óbvio para Altobello que ele foi feito para sustentar vitae potente. Conforme ele sente a carne esfarelar-se em cinzas e as roupas penderem vazias sobre seus dedos, o Arcebispo percebe que sua Besta continua contida. Ele agora tem tanto poder que ousa perguntar-se se o próprio Caim teria alguma chance contra si. Era para sua Besta interior estar eufórica. Mas não, ela nem ousa reagir. É um pouco decepcionante, até. Ele diria "anti-natural", caso toda a sua existência não fosse assim pra começo de conversa.

A direção da saída lhe é revelada, e agora é como se fosse óbvia o tempo inteiro. Mas o que realmente lhe chama a atenção não é o que ele vê ou sente. É a ausência de algo que estava ali até então. Demora um pouco até o Arcebispo entender o que é, mas a constantação lhe bate como um martelo.

Os outros Demônios. Finalmente, estão todos calados.


Última edição por Gam em Seg Abr 16, 2018 3:07 pm, editado 1 vez(es)

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Ter Abr 10, 2018 11:38 pm

O acordo está feito.

Dor. Audível ou não no vácuo de escuridão, um berro escapa pela garganta do Infernalista. Nos braços do Cardeal, Jorge se contorce enquanto Júpiter adentra o seu ser. É como se sua alma queimasse em sofrimento. Não pensou que sentiria algo parecido tão cedo. Talvez depois do juízo final. Mas leva apenas alguns instantes e, conforme o demônio encontra seu lugar, a agonia se transforma em desconforto. Rezou para que essa sensação fosse daquelas que se acostuma.

Uma vez que a possessão estava completa, percebeu que compartilha os sentimentos do caído, bem como teve a confirmação de que sua mente permanece aberta para o demônio, mas a recíproca não é verdadeira. Isso não o satisfez e, em momento oportuno, iria confrontá-lo acerca disso. Não agora.


Agora, com o poder fluindo por todo o seu ser, tinha assuntos mais imediatos a serem resolvidos. Nos lábios, que até então estavam contorcidos por conta do esforço físico e em seguida por causa da dor espiritual, surgiu um sorriso. As presas à mostra para quem quer que enxergasse naquele breu. Uma risadinha sacana de quem acabou de perceber o xeque-mate. Sem esforço algum, o Arcebispo rompe o abraço de seu algoz. - Deveria ter me escutado, Cardeal. Sua desobediência me forçou a tomar uma medida drástica.

"Posso imaginar a sua indignação
Não é só a discussão que vai perder"

Como quem pega um filhotinho, Jorge segura o Inquisidor pela nuca e crava suas presas no ombro do vampiro. Estupefato, Bierhoff segue sem ter a mínima ideia do que está acontecendo. Qual foi o movimento que ensejou o seu fracasso... e a sua morte. Altobello, contudo, está ocupado demais saboreando seu sangue antigo e delicioso. Cada gota é um troféu. Não há pressa. Não é como se sua presa pudesse sair dali. Sua Vitae, porém, acaba antes do esperado. Então segue tragando até sorver a própria alma de sua caça. Mais poder!

"Estive sob sua mira e acabou sua munição
Pra você ver que o jogo vira, não sou eu nesse caixão"

Embriagado pelo poder, o Arcebispo não consegue conter as gargalhadas. - Boa sorte na descida, Cardeal. - Lançando os trapos que uma vez vestiu Bierhoff para o lado. E então, como se sempre estivesse ali, a saída. Como se brilhasse. Antes que saísse, porém, algo lhe chamou atenção. Primeiro, sua besta acoada. Questiona-se sobre a lendária Golconda. Seria isso? Alcançou a Golconda por intermédio de Júpiter? E os demais demônios... simplesmente sumiram? Ou entraram junto?

Altobello não aguenta mais esse lugar. Ele simplesmente atravessa a saída e espera que algo fantástico ou catastrófico aconteça. Após alguns instantes, decide questionar os termos do contrato e as capacidades de Júpiter.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Seg Abr 16, 2018 3:05 pm

@Altobello
A passagem pelo portal é confortavelmente anti-climática. Nada estupendo acontece, nenhum efeito espetacular ou sensação angustiante. Ao contrário, é bastante cômodo sentir o peso da gravidade agindo sobre seu corpo novamente. Mortal ou não, umas centenas de anos conectado ao chão criam uma espécie de dependência. Mais que isso, seu sentido auspicioso parece acalmar-se quando ele deixa aquela terra sombria. Não de todo, contudo, e é fácil imaginar o porquê.

À sua frente, a criatura de sombras o aguardava prostrada na sala. A visão de Altobello parece causar-lhe um certo alívio, e sua forma se desfaz conforme ela relaxa com sua missão cumprida.

Atrás de si, a parede é sólida novamente. Exceto, naturalmente, pelo portal de sangue pintado sobre ela.
E então, como que prevendo a série de perguntas que o Arcebispo inevitavelmente faria, Júpiter começa um discurso explicativo. É um tanto desagradável ouvir as respostas para questões que ele ainda nem articulou, e ao fim fica-lhe a orgulhosa impressão de que poderia ter perguntado melhor se tivesse a chance. O que provavelmente não é verdade.

O tempo, do que foi ao que será, se revela para mim como formas na névoa. Formas maiores e bem definidas podem ser vistas à distância. Algumas são menos importantes e possuem formas confusas mas, quando aproximam-se, tornam-se claras como sob a luz do Sol. Não sou, assim, onisciente. Isto está reservado ao Pai, e apenas a Ele.

Quando meu eu era próximo do infinito e minha argúcia viajava grandes distâncias, meu saber também o era. Agora que estou confinado a tua frágil casca, assim confina-se também meu saber. Matar teus inimigos é uma tarefa ínfima. Encontrá-los, no entanto, requer trabalho.

Sim. É impossível ocultar-me em esconderijo tão pequeno e frágil. Minha presença grita dentro de ti.

Teu corpo, tua mente, tua alma. Dobrar-te é simples como dobrar a grama.

Não posso saber quanto tempo temos. Mas sei que ele diminuirá se chamarmos o Branco para nós agindo sem parcimônia.


A voz trovejante de Júpiter é intimidadora, mas de alguma maneira isso não atrapalha a percepção de Altobello dos sons do ambiente ao redor. Bom, ou a falta deles. O apartamento destruído está vazio, e tudo o que ele ouve é o som sibilante do vento entrando pela grande janela quebrada. Uma paz confortável, e ele sente que momentos como esse serão raros a partir de agora.

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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Baruch King, O Anjo Caído em Seg Abr 16, 2018 8:32 pm

"Interessante. Cuidado com as coisas que cobiça, minha cara..."

Uma breve anotação mental era feita pelo Inquisidor. O semblante da mulher, bem como sua aura, entregavam informações úteis ao Guardião, indícios de que ele - talvez - conseguisse usa-la em sua missão. Voltando-se, mais uma vez, à mulher, o Vampiro mergulhava em outros pensamentos, achando no mínimo divertido que aquela pequena chama tivesse um efeito tão impactante nos demais representantes da espécie. Algo que o Inquisidor nunca conseguira entender: O efeito tão devastador que pequenos corpos flamejantes causam na maior parte dos cainitas...

-- Aceita um? - Pergunta King, estendendo o fino bastonete preto, com um leve cheiro de menta misturado ao tabaco, para a mulher, depois de dar uma tragada. O ato permanecia apenas pela força do hábito, os efeitos daquele objeto, assim como o gosto do cigarro não eram mais sentidos, desde que o Cainita fora abraçado. O Inquisidor mantinha um tom neutro, de certo modo distante, até que a mulher sugeria que ele desse o cigarro para que uma das humanas do local fumasse. Se estivesse vivo naquele momento, Baruch estaria salivando com a simples suposição... -- A ideia soa como música... Me mostraria suas meninas, Senhorita...?

O Inquisidor estenderia o braço direito, ao se levantar, como se esperasse que a mulher se apresentasse, para que pudesse saudá-la como um cavalheiro. Suas duas mãos, como de costume, estavam cobertas por um grosso par de luvas negras de couro, que estendiam-se até os cotovelos, por baixo das mangas do casaco que o Lasombra vestia.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por vittal em Seg Abr 16, 2018 10:14 pm

@Pavan e @Marenariello

Pavan olha para o Xerife - Não sei, precisamos avaliar melhor a situação, na verdade achei pouco prudente perder a carona. - Ele olha pro mortal e depois olha para o xerife - Sério, precisamos de um local seguro pra avaliar essa proposta, nem sei o que esse aqui faz.

- Me parece um humano comum. Mas a Ruiva parece já ter amaciado ele. - Diz o Xerife, dando uma pancadinha no ombro de um assustado Marenariello. A pancada é muito mais forte do que ele esperava.

- Temos uma missão. - Finalmente o segundo fedorento fala e, a despeito de sua aparência e cheiro, é uma belíssima voz de locutor. - É melhor que terminemos o quanto antes, até para evitar sermos detectados.

- Aqui estamos relativamente longe, podemos conversar sem sermos incomodados. Testa, por favor. - Diz o Xerife.

Testa não faz nenhum movimento aparente, mas em um instante todos parecem estar mais sombrios. É como se as cores lhes fossem parcialmente roubadas, e até Marenariello sabe instintivamente que está oculto em plena vista, de alguma maneira.

- O que você acha, Feiticeiro? Avaliamos o local e enviamos o humano na frente? Ou, quem sabe, avaliamos o local através do humano? - Sugere o Xerife.

Virgílio não faz ideia de como reagir àquela sequência de fatos que está acontecendo. Ele fica estático, quieto e torce pelo melhor.

- Acho melhor avaliar o local através dele - o Tremere dá ênfase no "através" - Só não tenho domínio tão avançado do dom da dominação. Por outro lado, eu poderia ir junto, eu pareço um mortal (rubor de saúde) e eu sei por quem perguntar.

- Alguém pode me explicar o que está acontecendo? - diz Virgílio, tentando trazer algum sentido pra toda aquela loucura.

Os dois Nosferatus não se dão ao trabalho de responder o humano. É como se ele fosse um cachorro parado ali.

- Não parece, não. - O Xerife o corrige Pavan, encarando-o além do óbvio.

- Você pode enganar um humano mediano, mas é tudo. - Testa o explica. - Uma pessoa mais perceptiva bastaria para desmascará-lo, imagine um bando de Magos.

- Que lhe parece, humano? - O Xerife cutuca Marenariello de novo. - Esse parece um cara normal pra você?

Marenariello; Notar Imortalidade
Percepção+Ocultismo = 2 / Dif = 10
7, 10(4) = 1 sucesso

A princípio era óbvio que aqueles dois fedorentos não são humanos. Eles lhe passam a impressão horrenda e anormal que a ruiva lhe passou quando 'mostrou a outra face'. O outro lhe parecia um humano, embora seja claramente tratado como um deles. Mas a bem da verdade, agora que eles falaram... Há algo de errado no homem. Algo de... estático. Ele não sabe bem explicar o quê.

- Eu preciso de uma abertura, tenho certeza que consigo fazê-los me ouvir e no mínimo me deixar sair ileso - Ele tenta ganhar certa confiança

- Ele me parece bem mais humano que vocês - diz Virgílio, o mais sério que conseguia.

O Xerife abafa uma risada.

- Sim, até uma pedra parece mais humana que a gente. Mas isso não é o bastante. Precisamos de um humano completo, e você tem talento pra isso. - E agora, para Pavan. - Podemos enviar o humano na frente para apresentá-lo, Feiticeiro. Testa pode acompanhá-lo de perto.

Ditas estas palavras, Testa abaixa-se e parece chamar por algo. Em poucos instantes, como que atendendo ao seu chamado, um pequeno rato sai de um bueiro de rua e vem a ter com ele. Testa pega o animal com cuidado.

- Vamos sentar ali atrás daquela banca fechada. - Lidera o Xerife.

Quando todos se acomodam naquele canto escuro, Testa encosta-se sentado a um canto e parece focar os olhos no pequeno ratinho. Monstro e animal se encaram por longos momentos, até que por fim Testa parece desmontar como um saco de batatas.

- Pronto, pronto. - O Xerife segura seu corpo e o acomoda esparramado no canto. - Não reaja, humano. Você vai levar nosso pequeno espião com você, para termos certeza de que não vai tentar nada ousado.

O rato agora parece muito mais astuto. Diria-se até mais... 'consciente'. Ele caminha até Marenariello e, após esperar que ele o tenha a sua vista para não assustá-lo, começa a subir-lhe pela barra da calça. O ratinho escala sua roupa com habilidade até chegar a um bolso, onde se enfia e ali fica escondido.

- Você será nosso batedor, ouviu? - Xerife o dá as ordens. - Irá até a área que determinarmos e encontrará algum encarregado, para quem vai anunciar a visita pacífica de... - E então dá a deixa para que Pavan escolha o nome pelo qual será apresentado.

- Um conhecido de Mama Too Too, Josh Lewis - O Tremere encerra a frase curta.

Quando saberei quando encontrei o tal encarregado? - diz Marenariello.  Ele seguirá para a área que seus novos mandantes designarem, ele precisa encontrar o tal encarregado, seja lá o que ele for.

- Eles vão te encontrar. - E ele se aproxima, lembrando Marenariello que não, não há limites para o quanto uma pessoa pode feder. - Me empreste seu celular. Eu vou entrar em contato com você através dele quando estiver quente. - Ele estica a mão para o telefone.

Virgílio entrega o celular e da um passo pra trás em busca de ar puro.

O Xerife pega seu número, devolvendo o aparelho.

- Siga por três quadras nessa direção. Eu estarei de olho. - Ele fala mais em tom de instrução que de ameaça.

- O efeito de Testa se dissipou. Cuide do corpo dele, eu vou acompanhar o humano pelos telhados. - Ele instrui a Pavan, conforme suas unhas crescem de maneira grotesca e claramente paranormal. - Te avisarei quando estiver limpo para se aproximar.

Marenariello se concentra nos possíveis movimentos estranhos ao seu redor e segue na direção estabelecida pelo Xerife

- Afirmativo - concorda Pavan enquanto aguarda o sinal do Xerife. O Tremere aproveita pra verificar se a posição do corpo era evidente, se não seria melhor oculta-lo melhor e se fosse preciso ele observaria melhor o beco

É alta madrugada, uma hora com pouco movimento. No mais, um punhado de pessoas a um canto escuro da rua é uma visão corriqueira, com poucas chances de alguém incomodá-los.

Marenariello caminha duas quadras com o sujo rato no bolso, sentindo-se desconfortavelmente vigiado. Quando atravessa a segunda rua, não pode deixar de notar absolutamente nada de diferente. Talvez um pouco mais de movimento que o normal para um bairro residencial. Um gato curioso na janela. Um velho sonolento sentado em uma cadeira de plástico na calçada. Um grupo de moleques fumando maconha em uma pequena pracinha na esquina. O barulho de uma televisão ligada em som alto em algum dos apartamentos.

Marenariello da um cutucão no rato, da forma mais sutil que conseguiu, como quem diz: pra que lado eu vou agora?

Infelizmente, o rato parece não entender o sinal de Virgílio que segue mais uma quadra no sentido que lhe foi apontado, aguçando ao máximo os sentidos.
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Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Seg Abr 16, 2018 10:32 pm

-Provavelmente - ele responde, sem tirar os olhos de July - Alguma ideia sobre o que era aquilo?

- Eu achei que você saberia. - Ele parece confuso, talvez até desconfiado. - A coisa falou diretamente com você, como se te conhecesse.

-Não sei quem ou o que é aquilo, apenas que foi enviado por um ancião poderoso que eu pretendia matar algum tempo atrás - Ele comenta, como se falasse de algo casual - Mas... - E de repente, o óbvio que tinha lhe passado despercerbido no momento de tensão vinha à tona - Eu acho que sei quem ele pode ter enviado... Existe um outro ancião que tem uma história antiga comigo, o qual eu teria imensamento prazer em matar, porém nunca o fiz em quase um século, pois o desgraçado é realmente poderoso. Ele poderia facilmente ter possuído a July.

-... - Há um momento de silêncio apreensivo. - Acha que ele pode voltar atrás da gente?

-É possível. - Ele diz, analiticamente - Tudo que a July sabe sobre vocês, podemos ter certeza de que ele também sabe agora, então seria relativamente fácil para ele fazer o que quer que queira com vocês. - Ele olha para Maria - Vocês são magos, afinal, e ele já provou que não simpatiza muito com o seu tipo. Vocês também devem ter algumas coisas valiosas por aqui, e podem ter certeza que esse maldito é da pior espécie de gananciosos possível.

- É um vampiro? - Ele parece estar se recompondo diante da fria realidade.
-Sim - ele diz, friamente - é a única pessoa que eu consigo pensar que ele possa ter mandado até mim, visto que os dois se conheciam. Porém, ainda precisamos confirmar com a July.

Com efeito, em pouco tempo a coisa ali dentro parece estar estabilizada. Um dos enfermeiros sai para falar com os três. Ele parece claramente desconfortável com a presença de Ulisses e Geronimo ali, mas não diz nada a respeito.

- Ela vai ficar bem, mas precisa descansar. Deve acordar amanhã.
-Precisamos falar com ela - Ele diz, com um olhar nada amistoso para o enfermeiro - agora!

- Ela passou por um forte trauma e uma transfusão arcana sem precedentes registrados. - Ele se mantem firme. - Vocês podem falar com ela amanhã.

- As informações que ela tem podem definir se vamos todos sobreviver até amanhã. - Thomas intervem.

- A transfusão foi um sucesso, ela está bem. - O estranho homem que estava no canto da sala com o carneiro sai agora, o animal agora morto dependurado em seu ombro.

O enfermeiro olha de um a outro em resignação, mas por fim abre espaço sem dizer palavra.

-July é uma maga também? - Ele questiona para Thomas enquanto se aproxima da garota - Estou um pouco confuso com essa "transfusão" - Complementa olhando para o carneiro.

Por fim, já próximo à garota, Ulisses toca e sacode levemente seu ombro.

-July, acorde! - Ele diz, em um bom tom - Precisamos falar com você!

Caso isso não fosse suficiente, ele pediria ao enfermeiro para dar um jeito de acordá-la. Ordenaria, para ser mais preciso.
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Data de inscrição : 18/03/2010

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Re: Estopim; o custo da criação

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