Estopim; o custo da criação

Página 1 de 2 1, 2  Seguinte

Ir em baixo

Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Jan 30, 2018 9:45 pm



Esta crônica é continuação de uma sequência. Segue a anterior:
Pré-Guerra; como começou a Primeira Guerra Mundial Invisível

Estopim; o custo da criação


If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight


O estopim da Primeira Guerra foi o assassinato de Francisco Ferdinando. Um incidente pontual, embora trágico. Mas foi o suficiente para explodir velhas tensões e culminar na movimentação de milhares de dólares conforme vidas completamente alheias a situação eram forçadas a degladiar-se em prol de peixes maiores.

Aproximadamente nove milhões de baixas foram registradas. Nove milhões de vidas por causa de uma. É impressionante do que humanos são capazes quando as tensões estão a flor da pele. Basta um fósforo no paiol de pólvora.

A Primeira Guerra Invisível vai começar agora. As tensões no submundo das trevas sempre estiveram altas. Mas Nova Iorque é um ponto estratégico vital, e nunca antes as coisas estiveram nessa corda bamba. A Camarilla já está se levantando para o contra-ataque, e o Sabá ainda nem terminou o seu próprio ataque pra começo de conversa. Seria só mais um banho de sangue noturno silencioso se não fosse por uma coincidência caprichosa: O nascimento de um deus em frente ao Central Park.

Sim, a ascensão de um Arquimago é basicamente isso. Uma divindade que toma forma. Quando ele compreende tudo o que há para compreender sobre todas as esferas da criação, nosso universo não mais o comporta. O Arquimago deverá criar seu próprio universo, fora daqui. E, quando tamanha potência deixa nossa realidade de uma só vez, forma-se um "vácuo". Uma baixa de desequilíbrio cósmico, onde a manipulação torna-se muito mais fluida. A criação é bem vinda aqui. Uma breve bolha de infinitas possibilidades para magos, xamãs, médiuns, lobos, espíritos, vampiros... demônios. E agora que a notícia vazou, nenhum de nós vai soltar esse osso. Entende?

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one


O Central Park agora é o paiol de pólvora. E o fósforo já está lá dentro.

Let the seasons begin
Let the seasons begin, take the big king down
Let the seasons begin
Let the seasons begin, take the big king down




Última edição por Gam em Sab Abr 07, 2018 12:09 pm, editado 3 vez(es)

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Jan 30, 2018 10:50 pm

@No One
    Completamente desnorteado, No One acorda. Ele não sabia o que pensar de tudo que tinha vivenciado. Incrivelmente, mesmo com toda sua frieza, ele tinha sentido uma bomba de emoções, principalmente uma mistura de medo e admiração. Contudo, ao perceber onde estava, ele concluía que havia falhado miseravelmente, e tudo que passou a sentir foi uma sensação de incrível derrota. Ele havia caído nas mãos do inimigo, e pior ainda, falhado com a Mão. Fanático ao ponto da loucura, o Gangrel sentia-se destruído emocionalmente por seu erro. Mas quem poderia imaginar que a mente de um "humano comum" pudesse causar tanto estrago?

    Seus captores dialogavam entre si enquanto ele lentamente despertava. Desnorteado e arrasado emocionalmente, ele mal conseguia prestar atenção neles, até que um dos dois, uma mulher, abordou-o diretamente.

    -Quem são vocês e o que querem comigo? - Curto e direto, ele respondia. Seu tom era disfarçadamente seco, mas podia-se notar uma leve melancolia por trás dele.


- Ele é abusado, né? - Diz a mulher.

- Não o provoque. - Aconselha o homem.

- Vocês é que chegaram cheios de dedo na nossa área. Eu é quem devia estar perguntando isso. - Ela responde No One.

- Senhor... - Ele pode ouvir a voz de Gerônimo ao seu lado. Ele parece atordoado também. - Me perdoe, eu falhei em defendê-lo.

    -Hmm - Ele retoma um pouco de sua confiança, ao perceber que não era exatamente um prisioneiro. Talvez tudo não estivesse perdido ainda, mas apenas talvez... - Perdoe-me se estou um pouco confuso, senhorita - Ele diz, em claro tom de ironia, levantando-se e sentando-se - Mas preciso saber o que exatamente aconteceu enquanto estive inconsciente... - Ele então olha para Gerônimo, num claro pedido por esclarecimentos.


A sala é ampla e bem equipada. Móveis antigo misturam-se a equipamentos que No One não entende, parece um laboratório improvisado.

Ao sentar-se, ele sente uma tontura imensa e quase cai de frente. Seu corpo está muito lento e respondendo mal aos seus comandos. Quando ouviu a voz de Geronimo, ele notou que ele balbuciava de maneira bêbada. Provavelmente o Removedor também está falando assim.

Embora não esteja preso, há um cabo grosso de borracha conectado às suas costas por uma espécie de ventosa. Ele é grande, e a outra ponta está na base de uma grande máquina paralelepípeda no centro da sala. Gerônimo ainda está deitado em uma maca metálica ao seu lado, as mãos na cabeça enquanto claramente tenta afastar a tontura.

- Você tentou invadir a mente de alguém. - Explica o homem, ainda afastado a uma distância segura. - Nós temos um sistema de proteção contra esse tipo de coisa aqui, O efeito o contra-atinge automaticamente. Mas quando fomos buscá-lo, seus colegas nos atacaram.

- A ideia era pegar todos vivos, mas um deles simplesmente não queria escutar... - A garota diz, claramente sentida pela situação. - Me desculpe, ele não nos deu escolha.

- Eu falhei, eu falhei... - Geronimo continua repetindo.

De fato, agora ele percebe que não há sinal de Kameroth em lugar algum.

- Não tente nenhuma reação brusca, ou terei que neutralizá-lo. - O homem adverte, sem qualquer sinal da compaixão que a mulher demonstrou.

    -Não sou estúpido - Ele responde a advertência do homem - Estamos claramente na desvantagem aqui. - E então apoia a mão na cabeça, tentando aliviar a tontura - Porém, se nos mantiveram vivos, devem ter algum motivo. O que querem?


- Deus do céu, você acha que nós somos o quê? - Ela parece assustada com o comentário.

- Eu te avisei. Você está subestimando esse tipo. Ele só parece vagamente com um humano, não se engane. - O homem a alerta novamente. - Nós não somos monstros como vocês, vampiro. Só queremos ser deixados em paz. Você só morre se não nos der outra alternativa.

    -Mesmo que o que esteja falando seja verdade, não quer dizer que eventualmente não se tornem uma ameaça, ainda que involuntariamente. - Ele rebate a resposta do homem - Mas diga-me... Onde está o rapaz do violino?


- Seremos uma ameaça pra quem entrar no nosso caminho. - Ele parece ser impetuoso. - Ele está lá fora. Qual é o seu interesse nele? - Impetuoso e desconfiado.

    -Nenhum em especial. Ele apenas parece... diferente. - No One parecia escolher bem a palavra - Não entraríamos em seus caminhos se não tivéssemos motivos para desconfiar. Um grupo de magos recém-despertos, com um "misterioso" treinamento especial, insistindo em se agrupar sob nosso nariz e ainda esperam que os ignoremos? - Ele diz, também em tom desconfiado - Quais os seus objetivos nessa cidade? Se quisessem apenas tranquilidade, há muitas cidades mais calmas que poderiam habitar.


- Eles falam de New York como se a maior megalópole do mundo fosse deles. - Diz o homem.

- Eu pago minhas contas, moço. - Diz a mulher. - Vou ficar onde eu bem entender, obrigada.

- Nós gostamos daqui e viemos pra ficar. Se isso incomoda vocês, podem continuar tentando nos impedir.

    -E essa é a única razão? Quão simplista... - Ele responde, em tom irônico - Suponho que tenham "conhecido" outros como eu, não é? Estranhamente nenhum deles retornou, o que significa que eu devo ser o mais amigável que vocês devem ter conhecido de um vampiro. No entanto, outros continuarão vindo, e vindo, e vindo... Claro, vocês podem matá-los como fizeram até agora, mas realmente esse lugar é tão agradável assim para valer o esforço? Ou talvez vocês estejam omitindo algum "detalhe"?


- Nós não somos tão organizados, algumas coisas fogem ao controle. Isso já virou uma grande comunidade. -A mulher tenta justificar-se.

- Pare de dar informações pra ele. Ele está tentando nos fazer de idiotas e ainda não deu qualquer informação a seu respeito.

    -Na verdade, eu estou tentando ajudá-los - Ele diz, rebatendo a crítica do homem ranzinza - Vocês são poderosos, mas também são jovens e inexperientes. Certamente entre vocês deve haver magos mais velhos e com objetivos muito menos ortodoxos que os seus, e acreditem quando lhes digo que vocês estão sendo apenas peões em seus jogos. - Ele explica, dessa vez com um tom frio e sério - Vocês estão envolvidos em uma trama muito mais perigosa do que percebem. No entanto, se eu entendesse suas motivações, seria mais fácil para que pudesse propor algum tipo de acordo. Afinal, vocês não querem uma guerra, não é mesmo?


- Está vendo? Ele continua fazendo joguinhos, ainda não disse nem seu nome.

- É incrível... - A mulher parece cientificamente fascinada. - É como se fosse uma compulsão obsessivo-compulsiva, né? Me diga, quando foi a última vez que você teve um bate-papo perfeitamente casual?

    -Acho que quando eu não estava sedado com um tubo cravado em minhas costas - Ele responde, rispidamente - E eu não tenho de fato um nome, mas podem me chamar de No One, se fazem tanta questão. E vocês, como se chamam?


- Maria. E este é Thomas.

- A verdade é que já sabemos seu nome. Fizemos uma varredura superficial nas suas mentes.

- Nós podemos ajudá-los, se vocês quiserem. - Ela parece genuinamente atenciosa.

    -Ajudar-nos? - Ele parece curioso sobre aquela "ajuda".


- Sim, vocês... Bem, como eu posso colocar isso?

- Vocês sofreram lavagens cerebrais. - Thomas é curto e grosso. - Mais de uma, cada um dos dois.

    -Eu sei - Ele diz, sem demonstrar surpresa - Boa parte do meu passado foi preenchido por lacunas em branco. Talvez isso tenha sido um método para retirar minhas fraquezas e me tornar um soldado perfeito como, de fato, tento ser. Mas... não tenho como ter certeza, obviamente. - Ele reflete analiticamente, e então olha para Gerônimo - E eu sou o responsável pela lavagem cerebral mais recente que você sofreu, Gerônimo. Você me pediu por isso... Te encontrei em um estado depressivo deplorável, essa era a única maneira de te fazer retomar um pouco o que você antes era. Mas a verdade é que você nunca superou o abandono de Springfield, isso te destruiu de uma maneira que apenas outra lavagem cerebral poderia consertar. - Ele diz, pela primeira vez demonstrando algum traço de empatia em toda aquela conversa.


Gerônimo ouve atentamente, seu semblante agora sério.

- Então faça de novo, por favor. Eu prefiro não saber disso.

Maria, por sua vez, parece verdadeiramente horrorizada.

- Vocês não se importam nem um pouco com sua identidade própria? Seu livre arbítrio?

- Maria, eles...

- Calado! - Dessa vez ela não quer ser interrompida. - Não é possível que não entendam isso! Se vocês não tem suas cicatrizes formando sua personalidade, o que são vocês?! Aceitando isso, você não é mais vivo que uma cadeira!

    A resposta de Gerônimo o surpreendia menos do que o esperado. Valeria realmente a pena fazê-lo relembrar de todo o seu passado, mesmo aquele que tinha antes de se tornar o braço direito de Springfield? Certamente sua mente ia muito além do reparo, e reviver tais memórias apenas o destruiriam ainda mais. No One, por outro lado, se perguntava o que aconteceria se ele revivesse as SUAS memórias. Será que ele as suportaria, ou ficaria tão danificado quanto o Lasombra? Alguém com sua constituição física e habilidades não poderia ter tido sua mente apagada de forma involuntária, ou poderia? E se tais memórias o tornassem mais fraco? Uma grande dúvida beirava diante do Gangrel, e o discurso da mulher, de alguma forma, conseguia atingi-lo.

    -Nós já não estamos vivos há muito tempo... - Ele respondia, melancólico - Eu... não sei se posso mais ser alguém. Tudo que me importa é servir à Mão Negra e à Caim, todo o resto me parece incrivelmente irrelevante, mesmo a minha própria história - Ele continua, mostrando-se, pela primeira vez, realmente abalado - Mas... eu quero saber quem um dia eu já fui, mesmo que eu nunca mais possa ser esse alguém. Por favor, seja rápida, antes que eu desista. - Ele dizia, em um tom que soava quase desesperador. Era perceptível que ele estava lutando com todas as forças contra sua própria natureza para aceitar tal proposta.



A carga emocional de centenas de anos é um fardo muito inconveniente para um soldado perfeito. Para transformar-se no que é hoje, No One teve de esquecer muita coisa. Cicatrizes profundas que o tornaram quem ele era, apagadas para que ele não fosse ninguém.

Mas No One é um codenome absolutamente fantasioso. Não se vive tanto tempo sendo ninguém. No One, na verdade, é tanta gente.

No One é Ulisses.

E Ulisses conhece o abandono.

Ulisses foi abandonado em uma instituição católica na cidade de Nova York quando ainda era bebê.

Ulisses conhece o rancor.

Os padres criavam algumas crianças além dele. Os padres não eram homens bondosos e castigavam severamente os garotos com espancamentos, falta de comida, torturas e diversos castigos desumanos(...)

Ulisses conhece o amor.

Carter era viúvo e seu único filho havia morrido anos atrás, era um homem solitário e desse modo apegou-se rapidamente a Ulisses. Ele adotou-lhe e passou a tratar-lhe como se fosse seu próprio filho

E sabe o que é perdê-lo.

Ulisses não esteve presente todo o tempo, mas apareceu a tempo de ver seu pai ser esfaqueado

No One é Elyon Kameroth.

E Elyon conhece o amargo sabor da vingança.

Elyon retornou a cadeia várias noites depois para assistir o assassino de seu pai agonizar. Quando ele finalmente morreu, Elyon sentiu-se completamente vingado, e poderia deixar completamente para trás a sua vida humana.

Kyria e Elyon eram extremamente unidos, o vínculo entre criador e cria era muito forte entre eles. Porém, como era possível de se acontecer com qualquer vampiro, Kyria acabou sendo destruída em um ataque da Camarilla. Elyon sentiu um ódio imenso nesse momento, e jurou para si mesmo que vingaria a morte de sua senhora.

Elyon conhece a culpa de uma dívida.

- Kyria era tão ingênua quanto você. - Ele diz casualmente, indo até a porta e abrindo-a, deixando entrar a luz ofuscante lá de fora. - Bem, amanhã você já não estará aqui conosco. Então essa máscara já não faz sentido... - Ele tira a máscara cirúrgica e, forçando os olhos contra a luz, Kameroth reconhece aquela feição.

Ele devia ter percebido quando Branca chamou-lhe de Dickson. D. Dickson, é claro! Era esse o nome com o qual aquele assassino fugiu de New York. Bristhon, o Ventrue que matou sua Senhora há décadas.

Elyon conhece a ingênua afeição de duas almas solitárias.

Incapaz de a deixar pra trás (ou mesmo negar-lhe qualquer pedido), o Gangrel a levou consigo.

No One é Tyron Randall.

Tyron conhece o esforço de manter o pouco que se tem.

A vampira entra em torpor e Tyron acaba carregando a menina a viagem inteira.

E Tyron conhece o vazio de perder tudo em um piscar de olhos.

Tyron Randall enfrentou finalmente seu desafio final para seu ingresso na Manus Nigrum. O vampiro aprendeu que para ser do seleto grupo precisava ser um soldado sem qualquer emoção ou defeito, que deveria estar disposto a morrer e a matar um dos seus aliados se fosse preciso e que na Mão Negra não se aceita prisioneiros. Dessa forma Kashan, o Marechal do Kamut de New Jersey assassinou violentamente a amada Branca de Tyron(...)

No One pode ser um soldado perfeito para servir outra pessoa. Mas Ulisses/Elyon/Randall obtiveram lições valiosas na vida. Lições que jamais serviriam para servir a outrem senão si mesmos. É por isso que eram tão inconvenientes, afinal. A sabedoria apresenta-se como um grande risco para a lealdade cega.

Uma torrente de lembranças trespassa sua mente conforme um rústico aparato conectado à cabeça zumbe e vibra violentamente. Ulisses, ou seja lá como preferirá ser chamado agora, grita com os olhos arregalados conforme tantos sentimentos pesados retomam com força total após tanto tempo hibernando. Ao fim do processo, ele arfa em real exaustão enquanto assimila toda a intensa e violenta vida que levou. Os Magos o observam de longe, assustados. A princípio ele não entende a razão, mas então pode ouvir os pingos caindo no chão. Ele está chorando copiosamente. Seus olhos derramam sangue como cataratas. Ele chora por Carter, por Kyria, por Branca. Mas, principalmente, por si.

Maria cautelosamente dá um passo a frente e, com delicadeza, toma-lhe em um materno abraço.
Thomas, pela primeira vez, não tem nada a dizer.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Jan 30, 2018 11:14 pm

@Pavan
Agarrado há vários minutos nas ferragens sob o ônibus intermunicipal, suas roupas suando vermelho e seus braços quase dormentes de tanto esforço, Pavan nunca antes teve uma viagem tão desconfortável. À sua frente ele pode ver os dois Nosferatus agarrados como estátuas. Eles fazem parecer tão fácil...

Seu colega Thoreau, por sua vez, não veio. Ele nunca chegou a pegar o ônibus, mas sabe-se lá o que passa pela cabeça do outro Feiticeiro. Pensando agora, ele parecia assustado ontem com a ideia de ir até New York.

Pavan; Agarrar-se
Vigor = 3 / Dif = 8
10(9), 6, 10(5) = 3 sucessos

Enfim, após o que pareceu uma eternidade e requereu que Pavan praticamente entrasse em transe para pensar em qualquer coisa exceto aquela situação, a viagem termina. Esperma dá um sinal para que ele se prepare e, quando o veículo reduz a velocidade para uma curva, os Nosferatus largam as ferragens e rolam para o acostamento.

Ainda invisíveis a olhos despreparados, eles levantam-se e colocam seus chapéus.

- Seu amigo realmente peidou na farofa, no fim das contas. - o Xerife Esperma comenta. - Logo vi que ele era do tipo que late e não morde.

- Vamos, nós estamos perto da área afetada.

E leva mais uns quarenta minutos para chegarem lá. A 'área' em si não tem nenhum tipo de demarcação óbvia. Parece uma região residencial comum, com movimentação de trânsito e pedestres perfeitamente ordinária. Teria passado despercebido se Esperma não os colocasse em alerta fazendo um sinal de que chegaram.

- E aí, como nós vamos fazer isso? - Cochicha Testa.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Jan 30, 2018 11:30 pm

@Altobello
Não há resposta de Eleniel, se é que ele sequer recebeu as desesperadas tentativas de telepatia forçada. Altobello lida com o nada absoluto por mais algum tempo, embora não faça ideia de quanto tenha se passado.

Até que, enfim, ele volta a realidade. E a realidade é outro escuro absoluto, embora agora ele tenha ciência de seu corpo. Não há como se enganar de que voltou ao Abismo também por causa da sufocante presença de Júpiter, circundando-o até então como se nada houvesse acontecido.

- Percebe? Não há caminho sem pedras desta vez! Aceita-me! Aceita-me ou não terás valia, filho de Giuseppe!

E então sua voz soa diferente. É a mesma presença gigantesca, mas agora emana algo bom.

- À mim teus objetivos são vãos. Usa meu poder para conquistar tua glória, teu sangue. Juro que de todo não tomo teu corpo, apenas carrega-me contigo para a terra de Adão. Trilhemos teu caminho, até enfim chegar o dia de nosso juízo.

Júpiter; Voz Celestial
Manipulação+Liderança = 15 / Dif = 6
6, 2, 5, 1(x), 8, 10(1) ,7, 10(1), 3, 10( 8 ), 6, 2, 1(x), 5, 6 = 7 sucessos

Altobello; Resistir
Força de Vontade = 10 / Dif = 6
9, 9, 8, 3, 8, 6, 6 ,9, 9, 3 = 8 sucessos

Mais um pouco e Altobello teria aceitado sem pensar. Mas ele mantém a mente clara, mesmo com parte dela deteriorada pelo fogo. O Arcebispo sabe que Demônios não podem mentir em seus pactos, o que torna este acordo razoável até demais. Ele se pergunta o que Júpiter ganhará com isso.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Ter Jan 30, 2018 11:55 pm

@Marenariello
Um grito estridente de fúria o acorda. Levantando em um susto, ele bate a cabeça contra lataria dura. Seus membros estão amarrados, sua boca amordaçada. Sua cabeça dói em duas partes: Uma é a nuca, onde ela lhe golpeou fazendo-o apagar. A outra é a testa, por causa de agora. Ele está calculando em qual das dores prefere concentrar-se quando é interrompido pela voz dela.

- Acordou, amor? - Ela parece estar se recompondo.

Uma luz o cega brevemente conforme ela abaixa o banco traseiro, permitindo-o que saia do porta-malas para o interior do carro. A ruiva está no volante, sua face tão linda quanto no momento em que a conheceu. É estranho... mesmo lembrando de seu rosto verdadeiro, ele não sente a mesma repulsa de antes. Claro que ela o torturou psicologicamente, o feriu e o sequestrou. Mas, fora isso, ele sente como se o pior já tivesse passado. Será assim a tal Síndrome de Estocolmo?

- Parece que nossa viagem terá um pequeno atraso. O prédio que nós iríamos encontrar meus amigos SUMIU. - Ela parece absolutamente indignada.

Levantando a cabeça, Marenariello leva algum tempo para reconhecer que estão circulando a região do Empire State Building. Houve um atentado uns sete anos atrás que derrubou este prédio, saiu em todos os jornais e sites. Por acaso essa mulher vivia numa caverna? A única coisa que o choca mais que isso é notar que estão em Nova Iorque. Por quanto tempo ele esteve desmaiado, afinal?

- Aqui, deixa eu tirar isso pra você conseguir conversar comigo. - Ela diz, desatando sua mordaça.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Jan 31, 2018 10:46 am

@King
Sete anos atrás um Bando de Inquisidores sob o comando da Ductus Charlotte juntou-se ao então Bispo de New York Jorge Altobello para a tarefa de banir o que descobriu-se ser o Demônio mais poderoso a já escapar do Abismo. Seu codenome é Júpiter, e mesmo o apelido é evitado ser dito entre os Inquisidores (ao tratar dEle, geralmente fazem um sinal de mão aberta referindo-se ao quinto planeta do sistema solar). Júpiter seria um arcanjo trabalhando diretamente abaixo de Lúcifer, o aspecto do fogo que moldou a Terra e iluminou os descendentes de Adão durante a insurgência celestial.

Hoje sabe-se que todo o Bando de Charlotte encontrou o Torpor ou a Morte Final, cada um a seu tempo. É natural para King assumir que, mesmo de seu banimento, Júpiter é capaz de influenciar a Terra para executar sua mesquinha vingança. Mas curiosamente, Altobello ainda vive. Não apenas isso, como ascendeu ao cargo de Arcebispo. Uma posição de prestígio e relativamente fácil acesso para alguém tão influente a ponto de caçar tantos outros vampiros à distância. Qual será o segredo de sua resistência?

Sua Mentora Anne o encaminha então para New York. Ela afirma que possui uma dica sólida para que investiguem possíveis tratos infernalistas por parte do Arcebispo, embora se recuse a dizer onde ouviu isso. Os métodos investigativos estarão a seu critério, mas ao menos ele já tem por onde começar: Baruch King é direcionado para um amplo bar chamado "La Proposta", centro de operações de Altobello.

O bar é um verdadeiro antro de perdição. Mulheres nuas, drogas, gritaria, brigas. A lei não chega aqui. Mesmo as atividades vampíricas não são idealmente discretas. É claro para Baruch que aquela mulher não está apenas dando um chupão no pescoço da outra. Os gritos naquela porta aos fundos não são de prazer. Aquela moça pálida com uma cobra definitivamente não pode ser considerad...


- Hola, lindo. - Definitivamente não pode ser considerada humana. - Você parece um homem com um objetivo. Está procurando alguém?

King; Atenção
Prontidão+Percepção = 5 / Dif = 7
Resultado Oculto

Em meio a confusão do bar, não parece que ninguém está prestando atenção neles. A mulher destaca-se e ao mesmo tempo mistura-se ali com uma graça artística.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Dylan Dog em Qua Jan 31, 2018 11:30 am


A ausência de seu companheiro era sentida e comentada.

- Não o culpo, se você não tem experiência com esse tipo de coisa é normal cair fora - Dario respondia com um tom de desapontamento.

Dario seguia a instrução de seus agora parceiros. A viagem é exaustiva, fazia tempo que seu corpo não "suava" e especialmente para um vampiro isso é algo muito sujo.

Entre um balanço ou outro do transporte ele pensava na velha Tootoo e nas coisas que ela lhe falou. Se não fosse a Pirâmide tão controladora talvez ele simplesmente tirasse férias. É bom ser Gangrel nessas horas.

Por vezes o ônibus reduzia e Dario aproveitava para olhar o movimento e prestar atenção no movimento e nos sons.

Finalmente o veículo chegava ao destino e Esperma executava um movimento limpo e rápido de desembarque. Testa e Dario o seguiam, o segundo com não tanta graça.

Mais uma caminhada de 40min e finalmente estavam na área que seria investigada.

O primeiro passo foi achar no GPS onde exatamente estavam, Dario sacou o celular e observou o mapa, em seguida respondeu Testa - Primeiro vamos checar o perímetro, procurem por câmeras, pessoas posicionadas de forma suspeita, animais igualmente suspeitos e etc. Paralelo a isso irei checar também se há sinais de algum ritual - Cochichava para os parceiros.

Não era fácil, a atenção do feiticeiro estava em anomalias mágicas. Em momento em que o trânsito ficasse clamo ele poderia tentar ativar seus sentidos aguçados, mas seria difícil com carros passando tão perto.
Ele se concentra então nos cheiros e possíveis sinais de magia. Cheiro de incenso, marcas disfarçadas como pichações, talvez algo atrás de uma lixeira, um totem escondido ou algo assim.

OFF: Só considere ativação de auspícios se Dario sentir que é possível fazê-lo sem estourar os tímpanos de novo.
avatar
Dylan Dog

Data de inscrição : 08/05/2010
Idade : 24
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qua Jan 31, 2018 8:53 pm

Completamente desnorteado pela explosão de memórias e emoções, o Gangrel não consegue se conter. Ele chorava como um bebê, e até mesmo soluçaria, se ainda tivesse reflexos para tal. Com compaixão, Maria o abraçava de forma maternal, mas ele não mais via a maga ali. Não, aquele rosto era muito mais caloroso do que a bela face da jovem altruísta, e só ele conseguia lhe trazer conforto naquele momento de ruína.

-Kyria, você está aqui... Eu senti tanto a sua falta, tanto... - Suas palavras saíam arfadas, sufocadas pelos contínuos rios de sangue que escorriam de seu rosto animal-humano - Me perdoe, eu não cumpri minha promessa. Não sei se poderei um dia cumpri-la... - Ele fechava novamente os olhos amarelados e chorava profundamente, afundando violentamente sua face no colo de Maria/Kyria - O que eles fizeram comigo, Kyria? Eles tiraram a minha liberdade, a mesma liberdade que você tanto me ensinou a amar. Eles apagaram quem eu era! Minha ganância, meus temores, meu rancor... e até mesmo meu amor por você! E o pior de tudo: eu permiti!

O silêncio tomou conta pelos próximos minutos que passaram, sendo quebrado somente pelo choro incontrolável do Gangrel. Até que, enfim, esse também cessou.

-Obrigado - Disse ele, após levantar seu rosto do colo de Maria. Sua expressão era uma mistura de melancolia, seriedade e decepção, mas nenhuma lágrima caía mais de seus olhos - Vocês não precisavam fazer isso, porém fizeram assim mesmo, e, portanto, sou grato. Não sei que rumo tomarei depois disso, mas intercederei em seu favor com o líder local. - Ele olha para Gerônimo, e então novamente para os magos, para enfim complementar - Se nos permitirem partir.
avatar
No One

Data de inscrição : 18/03/2010

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qui Fev 01, 2018 1:29 pm

@Pavan
De acordo com o GPS, eles estão a algumas quadras do Central Park. O epicentro do fenômeno é bem na grade, metade de seu resultado envolvendo o parque e a outra metade alguns blocos residenciais de alta classe.

Pavan; Buscar Rituais
Percepção+Ocultismo = 6 / Dif = 6
Resultado oculto

Aos olhos do Feiticeiro, tudo parece perfeitamente mundano. Uma senhora de bengala tem ajuda de um gentil estudante, ainda de mochila, para atravessar a rua. O trânsito nessa região residencial não é tão agressivo, e o carro que vinha tem a paciência de esperar. De dentro dele, o som abafado de uma música pop atual pode ser ouvido. Um gato preguiçoso esparrama-se nas grades de uma janela do primeiro andar, mal prestando atenção nos três vampiros que passam ofuscados. Ainda é cedo da noite, e eles podem escutar sons de conversas casuais nas portarias dos prédios.

Dois operários vem trazendo uma janela de madeira, provavelmente parte de alguma reforma. Eles terão que passar pela calçada em que os três estão, e provavelmente trombariam se eles não saíssem da frente.

- Precisamos sair daqui agora. - Diz Esperma, de repente. Ele parece tenso.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qui Fev 01, 2018 1:42 pm

@Ulisses
Maria não interrompe seus delírios, sua mente está passando por muita coisa agora.

- Ok... - Thomas parece tentar não ser grosseiro, pra variar. - Nós precisamos seguir algumas medidas de segurança, mas acompanharemos vocês até a saída.

Ele se aproxima para digitar algo no grande aparato conectado ao Gangrel, mas um barulho deixa todos em sobressalto. Parece o som de algo metálico indo ao chão com estardalhaço, seguido de um grito desesperado de mulher.

Os óculos no rosto dos Magos parecem piscar com diversas mensagens apressadas.

- Uma invasão! - Thomas entra em modo de alerta, correndo até a porta e digitando algo no rústico teclado numérico. - Está vindo pra cá. Maria, limpe o banco de dados!

Maria já está fazendo isso, digitando no computador com afobação. Suas têmporas suam frio.

A mente de Ulisses ainda está se readaptando a todas as 'novas' informações, mas uma lembrança em especial é puxada de seu subconsciente. Algo que ele não podia ter se dado o luxo de esquecer.

"Eu sei o que faria no lugar dele. Eu mandaria alguém me seguir, para chegar em você e matá-lo. Eu não sou prioridade, já estou acorrentado. Você é o alvo. Tome cuidado.

Encontre seu caçador e traga-o pra mim. Podemos usá-lo.
Seja rápido. Não há tempo.
Aqui mesmo, em uma semana."

Já faz muito tempo, ele perdeu o encontro. Mas Ulisses conclui que esquecer não significa que você será esquecido. Seus compromissos do passado finalmente o encontraram, e em um momento muito inconveniente. Ele ainda se sente letárgico devido ao cabo conectado em suas costas, além de abatido pela experiência recente.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Qui Fev 01, 2018 5:36 pm

- ELENIEL MALDITO! - Amaldiçoa o Lasombra. Perdido na mais profunda escuridão. Sem corpo, Altobello não sente ou vê coisa alguma. Tampouco ouve ou cheira nada. Uma consciência em meio ao vácuo.

Sem a mínima noção do tempo, se é que o tempo opera ali, ao Arcebispo resta apenas esperar até ser vomitado de volta para o Abismo. Júpiter ainda está lá, todos os seus irmãos também, Jorge deduz. Ele o satiriza. O demônio clama para ser aceito. É como se não houvesse outra alternativa.

Não há dia e noite no Abismo, mas seu corpo morto-vivo ainda demanda sangue. Cedo ou tarde sua reserva de vitae acabaria, e o que restaria para ele? Um frenesi que só terminaria com sua morte-final. Ou poderia esperar um milagre. O Cardeal poderia vir até seu resgate. Sim, era possível. Mas que garantia teria? Ele poderia muito bem já estar morto.

Mas Júpiter muda. Sua voz, antes claramente maligna, agora transmite paz e bondade. Como se as palavras criassem vida e decidissem sair pela garganta do Guardião sem serem autorizadas. Altobello as mastiga e as domina. Sua mente ainda está limpa para pensar logicamente. - Devolva-me para a minha terra, Júpiter.
Gam escreveu:- Sabes que não tenho tal poder, ou já teria partido.

- Tampouco eu. De que serventia tem meu corpo para ti, se nós dois iremos continuar presos no Abismo?
Gam escreveu:- Tu pode sair por onde entraste. - Sua voz continua ao extremo da agradabilidade. Altobello poderia ficar ali escutando-o falar para sempre. - Há um serviçal aguardando para levá-lo, embora não ouse aproximar-se de mim. Aquele que trouxeste do outro lado.

Parece que ainda há espaço para ingenuidade no âmago do vampiro. Talvez o embate com um ser tão antigo tenha despertado a criança dentro de Altobello. Dito isso, ele simplesmente dá meia volta e se põe a andar - ou seja lá qual seja o verbo usado para se locomover nesse plano, visto que não existe chão ali - em direção a saída.
Gam escreveu:- É inútil. Estamos atados pelo destino. - A voz doce o acompanha conforme ele anda pelo vazio absoluto.

- Eu não acredito em destino. - Diz um Altobello resoluto, que permanece em seu caminho.
Gam escreveu:- Mente. Tu moveu montanhas antes por uma profecia. Só resiste agora por ser orgulhoso. - A voz continua a acompanhá-lo. É como se mover-se e ficar parado fosse a mesma coisa, uma vez que nada muda. Não há sequer vento batendo em seu rosto para dar-lhe noção de movimento. - Naquele dia eu sabia que tu estava lá. Eu ouvi tuas questões sobre o futuro. Vi o que fizeste com o capataz. A jaula me mantinha preso, não cego ou surdo.

- Eu estava certo? - Pergunta com uma curiosidade legítima. Mas não para de caminhar.
Gam escreveu:- Não, aquilo jamais aconteceria. Estava tudo destinado, minha falha era inevitável. Mas eu tinha de continuar tentando. Como você, tateando no escuro. O saber é uma prisão, filho de Giuseppe. Sem as palavras do Criador para guiar-me, a existência torna-se vazia. Meu real objetivo é aguardar pelo dia de minha redenção pela mão do Branco. - E então ele complementa. - Nossa redenção.

"Tateando no escuro". Essas palavras despertam outro óbvio para Altobello. Dois tentáculos surgem de seus braços (Braços do Abismo). Cada um medindo 2m, eles irão auxiliar em sua busca pela saída. - E quem disse que eu quero uma redenção? - O questiona. - Você tinha mesmo planos de se aliar à Tecnocracia? Acabaria com todos os vampiros, lobisomens, magos e etc? Quem eram os seus alvos, de fato?
Gam escreveu:- Tu é jovem e tolo. Um dia há de pagar por seus pecados. Nenhum de nós pode escapar, aceitemos. - Ele o insulta de maneira suave, como um mentor gentil. - Aqueles seriam julgados de acordo. Meu amor é pelo homem, Desperto ou não. Estes capatazes poriam em risco a liberdade de meus afetuosos homens e eu os detiveria sem piedade como com os amaldiçoados de Caim.

- Já conheci vampiros mais humanos do que os seus amados homens, como saberia separar o joio do trigo? - Altobello ignora o insulto. - Você faria um holocausto em sua matança indistinta.
Gam escreveu:- Sim. Estava disposto a aceitar a punição do Pai. Eu seria feliz se ele ressurgisse para isto, enfim.

- Você se sacrificaria para matar o que você julga ser sujo, mas se esquece que o próprio homem é propenso ao mau. Adão e Eva pecaram sendo humanos. Caim pecou sendo homem. Incontáveis homens matam, roubam, estupram. Fazem guerra. Matam milhões. São mais demoníacos do que muitos dos que estão presos aqui.
Gam escreveu:- Outros incontáveis nutrem, criam, curam. Milhões de homens aprendem a amar todos os dias. Propensos ao mal e também propensos ao bem. O Pai criou tantos, e são todos tão frágeis e curtos. É de divina beleza tudo o que são capazes de fazer em uma vida tão pequena. É natural que errem. A mim parece doce e inocente. - Se sua voz era doce e agradável antes, agora ela preenche o espírito de Altobello com o amor que emana. Desde que foi Abraçado, ele jamais havia sentido algo tão puro. - Os que estão presos aqui estão apenas confusos pela mesma razão que meus queridos homens: O livre-arbítrio. Jamais iremos nos adaptar a isso.

O Arcebispo estava confuso. De fato, há bondade na humanidade. Talvez haja esperança para esse mundo. Talvez ele estivesse errado em sua busca por danar a criação. Mas mesmo assim, havia incoerência no discurso de Júpiter. - Pouparia os homens maus pelo simples fato de serem homens, mas extirparia os vampiros por serem maus? Não faz nenhum sentido. Não resolveria nada.
Gam escreveu:- O mal de um vampiro é prolongado e terrível, pois vive demais e possui muito poder. O mal de um homem é limitado, por pior que ele seja há de sucumbir ao tempo. É como um camelo e uma formiga. Mataria um camelo para salvar um formigueiro, mesmo que metade de suas formigas sejam malignas. Pois amo as formigas, não os camelos. Meu amor não é infinito como o do Pai. Assim como Samael, aprendi a amá-las.

Altobello ainda não conseguia ver sentido em suas palavras. Para ele, é uma grande hipocrisia e arbitrariedade. Se perguntava se sua caminhada daria algum fruto, mas começava a pensar que não. Afinal de contas, estava mesmo se movendo? O que impediria Júpiter de estar simplesmente impedindo-o de se mover. Ele realmente tinha alguma escolha?
Gam escreveu:- Talvez tu consiga sair. - É como se ele lesse sua mente. - A mim não faz diferença. Nosso destino é inevitável, e o futuro lhe trará de volta para mim ou Eu a você. Não espero que compreenda a inevitabilidade das coisas.

Ele continua a andar.

Gam escreveu:Fatalmente, Altobello acaba chegando a conclusão de que já andou tanto ou mais do que havia feito quando entrou. Não há sinal da saída, e ele definitivamente não tem um senso de direção tão perfeito para saber se errou o ângulo. E, pensando agora, em um mundo sem gravidade a direção é tridimensional. Ele pode ter desviado-se um pouco para cima ou para baixo. - Talvez deva tentar nessa direção. - A voz de Júpiter vem da sua esquerda.

Júpiter;
10 (10 (10 (4))), 6, 4, 7, 10 (6), 3, 4, 6, 9, 7, 6, 2, 3, 8, 7 = 13 sucessos

Altobello (esp. Perceber Mentiras);
5, 2, 2, 2, 7, 4, 2, 1(x), 5, 4 = 2 sucessos

Sim, definitivamente é a direção! Júpiter parece disposto a deixá-lo sair, talvez para provar o ponto de que hão de se encontrar novamente.
Altobello sabe com certeza que pode confiar nele.

Sem questionar, Jorge segue a direção sugerida por Júpiter.
Gam escreveu:Ele anda por muito tempo, durante o qual Júpiter se mantém calado. Talvez tenha deixado-o em paz afinal. A saída continua sendo uma esperança frívola, mas algo diferente acontece.

- Você me garantiu que era mais poderoso que o consorte dela quando formamos o Pacto! Como espera que eu confie em você de novo? - É a voz do Cardeal, definitivamente. Está ecoando em sua mente como quando comunicou-se com Springfield, mas é como se ele estivesse conversando com outra pessoa.

- Insolente! Eu sou mais poderoso, mas ele é esquivo e sabe esconder sua presença. Leve-Me com você, serei de mais valia diretamente contra ela. - Esta segunda pessoa fala em voz clara, como Júpiter. E então ela levanta o tom, como se dirigisse a outra pessoa - Como ouse interromper meus negócios? Há mandamentos aqui!

- Ei! Ei! - O Cardeal parece chamar por alguém que distancia-se. - Quem está aí? Altobello, é você?

Altobello ainda tinha bastante tempo, mas sabia que se não encontrasse uma forma de sair dali, em questão de dias encontraria seu fim. Jupiter parecia ter a mais clara e absoluta certeza de que estava ligado ao Arcebispo, de modo que não se incomodou em ajudá-lo a encontrar o Cardeal.

E eles o encontram apenas para descobrir que ele estava negociando com outro demônio. Um Cardeal Inquisidor... um homem que vociferava nos Festins mundo afora sobre como a praga do Infernalismo era nociva para o Sabá, acusava, julgava e condevana a morte-final vampiros a rodo. Um homem de respeito e status, acima de quaisquer suspeitas. Um traidor infernalista.

E sobre o que falavam? O Lasombra pegou o bonde andando, mas conseguiu deduzir algumas informações. Bierhoff se queixava dizendo que "o consorte" de uma mulher era mais poderoso do que o demônio com quem conversava. Poderia ser a Feiticeira dos cabelos brancos? Seu consorte seria o próprio Júpiter, dessa forma.

O demônio se defende, dizendo ser mais poderoso, e quando Altobello e Júpiter se aproximam, ele reclama em ira. Como se um rival o atrapalhasse em seus objetivos. Isso reforça sua teoria. Mas isso deixa uma brecha a ser pacificada... Bierhoff, de fato, odeia tanto os Infernalistas que recorre a ajuda de outro demônio, um informante ou talvez um guia, para destruir os demais ou ele é apenas um hipócrita e seu ódio contra a Feiticeira decorre de outra fonte?

- Springfield está morto. - Diz em tom soturno e, por hora, ignora o que acabou de presenciar. - Vamos embora, Cardeal.

_________________
"Subirei aos céus, erguerei meu trono acima das estrelas de Deus
E lá, mais alto que as nuvens, serei como o Altíssimo." 
avatar
Arcebispo Altobello
Administrador
Administrador

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 24
Localização : Brasília - DF

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qui Fev 01, 2018 7:01 pm

Uma inconveniente ironia do destino. Tudo aquilo seria engraçado, se não fosse trágico. Mesmo apagando literalmente Gorgonier de sua vida, ele nunca saíra da dele. Ele tinha uma dívida não-paga com o sósia, de fato, mas não era ele quem o perseguia. Gorgonier, o original, era um ancião muito mais astuto que sua cópia, e jamais deixaria uma ponta-solta passar impune.

Havia muito tempo desde que ele mandara tais peões ao seu encontro, e Ulisses não sabia se já os tinha encontrado antes ou não. Lembrava-se perfeitamente do incidente do bar em Las Vegas, onde um grupo de caçadores altamente habilidosos tinham lhe confrontado. Porém, não sabia se aquele episódio tinha sido mero azar ou se estes eram os mesmos que ainda lhe perseguiam.

Tentou cogitar que talvez aqueles fossem inimigos dos próprios magos, mas quais adversários se atreveriam a tal ponto? Altobello ou a Mão não arriscariam uma emboscada como aquela, não depois de perderem tantos agentes. De fato, aquele era seu(s) perseguidor(es), e estava na hora de pôr um fim naquela caçada.

-Rápido, liberte-nos! - Ele dizia para Thomas, com um olhar urgente - Precisamos lutar!

Thomas era desconfiado, mas ele realmente esperava que, dessa vez, o mago confiasse nele. Ele era o alvo, afinal, e, se estivesse preso naquela máquina, seria uma presa fácil. Caso fosse libertado, o Gangrel rapidamente faria garras crescerem no lugar de suas afiadas unhas e assumiria uma posição de prontidão, preparando-se para enfrentar o inimigo que em breve surgiria ali.
avatar
No One

Data de inscrição : 18/03/2010

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Dylan Dog em Sex Fev 02, 2018 9:13 pm

Dario olhou pelas redondezas e não encontrou nada anormal.

Esperma por outro lado subitamente parecia ficar alerta. Enquanto Dario estava relativamente tranquila coberto pela ofuscação de Testa, Esperma por outro lado parecia ter notado algo que nem mesmo o próprio Testa havia notado. Seria a grande movimentação e a possibilidade de alguém esbarrar neles?

Tudo que Dario fez foi concordar com a cabeça e esperar que Esperma guiasse o grupo.
avatar
Dylan Dog

Data de inscrição : 08/05/2010
Idade : 24
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Baruch King, O Anjo Caído em Seg Fev 05, 2018 9:19 pm

Inquisidores formam-se e são destruídos em uma frequência praticamente constante. Poucos são os membros da mais nobre facção Sabá que conseguem sobreviver mais que um ou dois séculos e, uma parcela que não pode ser ignorada deles, o faz através de meios que motivam seus próprios companheiros a Caçá-los. Ainda que, para Baruch, a ideia de caçar e matar um Inquisidor não fosse a mais agradável, ele era obrigado a reconhecer que existem motivos que forcem tais práticas e, na visão do Guardião, um Inquisidor que trai seu juramento e alia-se ao Inferno, merece a morte ainda mais que qualquer outro infernalista.

A história do último bando do Santo Ofício a pisar em Nova York não era desconhecida para King. O destino de seus integrantes, incluindo o de sua Ductus, também não era um mistério, ainda que os detalhes sejam escusos. A Morte Final ou o Torpor foi a recompensa que todos, com exceção de Um, receberam por banir o demônio Júpiter. E, por mais estranho que possa parecer, e para investigar exatamente esta exceção que Baruch foi convocado...

À primeira vista, a base das operações do recém-coroado Arcebispo Altobelo não era diferente das dioceses do Sabá. A experiência de não-vida de Baruch, somada ao nomadismo do bando de sua mentora, lhe deram o conhecimento de mundo suficiente para saber que os domínios do Sabá dificilmente escondem por completo as infrações do que a Camarilla chama de Máscara, mas aquele lugar é diferente... O Caos e a depravação são acima do normal ali.

Baruch é arrancado de seus devaneios por uma mulher. Ela parecia misturar-se ao ambiente ainda que, paradoxalmente, ela conseguisse se destacar em meio àquele lugar. -- Um homem com um objetivo? - Respondo com uma risada. "Você não faz ideia..." -- Estou só de passagem por aqui, procurando algo pra matar o tempo...

Baruch retira um cigarro do maço em seu bolso e acende-o, concentrando-se na mulher à sua frente ao invés de observar a chama do Isqueiro. Com o cigarro já aceso, ele irá tentar ler a aura da mulher.


avatar
Baruch King, O Anjo Caído

Data de inscrição : 29/06/2013
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por vittal em Sab Fev 24, 2018 5:10 pm

Marenariello tinha mais perguntas do que seu cérebro conseguia transformar em palavras.

O que houve?

Como chegou em NY?

Estão indo ao Empire State Building?

Esse prédio está caído há anos, como ela não sabia disso?

Afinal de contas o que é aquela mulher e porque agora ela já não mostra aquele rosto horrível?

Há quanto tempo ele está apagado?

E o mais importante, porque ela não o matou? Não o entregou? E, mesmo conhecendo seu eu como ninguém, está o  levando para conhecer seus amigos?


Virgílio perguntaria cada uma dessas coisas em ordem, ele precisa de informação, precisava saber de tudo que pudesse para que pudesse achar um jeito de apagar aquela noite da sua vida.
avatar
vittal

Data de inscrição : 27/12/2016
Idade : 25
Localização : Valinhos

http://fb.com/victor.brocchi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 3:33 pm

@Altobello
Altobello; Antecipar ataque
Percepção+Prontidão = 10 / Dif = 10-1(experiente) = 9
4, 9, 6, 1(x), 9, 8, 2, 9, 7, 3 = 1 sucesso

O Arcebispo se passa por tolo, ignorando a cena absurda que presenciou. Mas ele viveu o suficiente para saber que não seria tão simples. Se estivesse no lugar do Cardeal, ele eliminaria a única testemunha aqui e agora. É muito perigoso deixar que Altobello saia do Abismo com esta informação. O breve momento que o Cardeal demora para responder-lhe é o suficiente para que ele entenda o que está acontecendo.

Altobello desloca-se em uma direção aleatória para a lateral, bem a tempo de escapar de um braço do abismo que tentava agarrá-lo por trás. A ponta do tentáculo chega a roçar em seu pescoço, mas ele já havia se distanciado o suficiente.

- Sim, vamos embora. A saída é por aqui. - Sua voz, dentro da mente do Arcebispo, o direciona em determinado sentido.

Estaria o Cardeal se fazendo de inocente, preparando-se para uma nova tentativa? Ou teria sido outrem a atacar Altobello? E, se decidir engajar em combate, como faria isso se sequer sabe onde está o oponente?

Quanto a Júpiter, sua presença não é mais sentida por hora. Provavelmente já partiu após deixar-lhe com seu pretenso guia.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Arcebispo Altobello em Qua Fev 28, 2018 3:55 pm

O sexto sentido do Guardião está afiado. Ele percebe no último segundo o ataque pelas costas e se esquiva para lateral a tempo de sentir roçar o Braço do Abismo em sua nuca.

- Não arrisque sua existência tentando me destruir, Cardeal. - Sugere um Altobello bem humorado. Há tons de humor em sua voz, talvez por achar ser impossível ser destruído ali, talvez por ter achado engraçado a tentativa pífia de ataque. - Eu não ligo para o seu contrato infernal e Júpiter não ficaria nada satisfeito em me ver morrer antes do tempo. - Blefa. Não é bem um blefe, na realidade. O Arcebispo sabia que era necessário, caso contrário já estaria morto, e sabia que o Demônio poderia ocultar sua presença. Apenas não tinha a certeza absoluta se ele iria intervir em sua defesa. Apostava que sim.

- O preço do meu silêncio é muito baixo comparado ao teu crime. Assassinar um Arcebispo, por outro lado, só aumentaria as suspeitas para você. - Sua argumentação é calma e clara. - Lembre-se que quem me colocou nesse cargo foi a própria Regente. Quer mesmo chamar atenção? - Deixaria o Cardeal considerar a proposta. - Apenas me ensine nos caminhos do Abismo, e o pouparei de tua traição. - Agora Bierhoff tem muito a perder e pouco a ganhar tentando matar o Lasombra. Considere de novo.

_________________
"Subirei aos céus, erguerei meu trono acima das estrelas de Deus
E lá, mais alto que as nuvens, serei como o Altíssimo." 
avatar
Arcebispo Altobello
Administrador
Administrador

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 24
Localização : Brasília - DF

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 4:38 pm

@Ulisses
Thomas termina de digitar o código e a porta se fecha ao som de um lacre mecânico. Mas este laboratório improvisado está longe de ser impenetráel, e Ulisses sabe perfeitamente que um vampiro com o mínimo de experiência poderia derrubá-la com facilidade.

Ulisses; Ser liberto
Carisma+Liderança = 8 / Dif = 6-1(transmitir confiança) = 5
8, 7, 3, 8, 8, 4, 2, 6 = 5 sucessos

Thomas; Força de Vontade
??? / Dif = 6
??? = 1 sucesso

O Mago hesita, mas parece por fim ceder às circunstâncias. Não vendo outra alternativa, ele corre para a máquina central e aciona botões e gatilhos até que, por fim, Ulisses sente uma pontada de dor ao som do clique do cabo desconectando-se de sua coluna vertebral. Assim como o dele, o cabo de Geronimo também vai ao chão.

Mas o resultado não é imediato. Seu corpo, ainda letárgico, recupera-se lentamente. Ele tenta levantar-se, mas quase vai ao chão. Maria corre em seu auxílio.

- Leva um tempo até que suas terminações nervosas voltem a funcionar. - Ela tenta tranquilizá-lo.

Mas o tempo não está ao seu lado. De fato, seu corpo pouco a pouco recupera a sensibilidade e a força, mas é lento demais. O silêncio lá fora é quebrado pelo som de passos. Alguém aproxima-se pelo corredor, caminhando lentamente.

Não há para onde fugir. Maria e Thomas suam frio, olhando para a porta paralizados como um coelho que, na estrada, assiste a luz do farol se aproximando para seu fim inevitável.

Por baixo da porta, nota-se a sombra de alguém parando ali. Ulisses pode mover-se, mas sente que está longe de sua plena forma. Ele vê que Geronimo sente o mesmo, abrindo e fechando as mãos para testar sua resposta física. Não tem jeito, eles terão que lutar assim.

Mas, de maneira totalmente inesperada, a porta não se abre com um estrondo e sim com o digitar do código no teclado externo. Uma garota surge com uma bandeja com uma garrafa térmica de café e alguns copos descartáveis. Anti-climático, pra dizer o mínimo.

- Desculpe a demora, eu tropecei no corredor e... - Ela para de falar, quando nota que os vampiros estão soltos na sala.

Thomas e Maria de repente percebem o perigo em que se encontram, libertando seus prisioneiros sem necessidade. Ulisses ainda não está em plena forma, mas assim mesmo sabe que poderia exterminar todos nesta sala em um instante se quisesse. A questão é: Ele quer fazer isso?

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 4:46 pm

@Pavan
Esperma dá meia volta, virando em uma esquina e afastando-se o mais rápido que seus pés conseguem andar sem quebrar o véu de ocultamento. Testa e Pavan, embora confusos sobre a urgência repentina, o seguem. Quando o Feiticeiro por fim vira a esquina, ele olha de relance para trás e toma um choque ao constatar os homens passando. A janela que eles carregam está longe de ser uma peça comum.


Mais que isso, ele tem a ligeira impressão de que eles o perceberam ali, embora não tenham virado o rosto para sua direção.

- Precisamos pensar em uma abordagem melhor. - Esperma diz, afastando-se cada vez mais rápido. - Vocês viram aquilo? Eles têm vigias em todas as partes.

Espera, que vigias? Ele sequer está se referindo à janela, será que nem notou aquilo?

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 5:04 pm

@King
Acender um isqueiro pode ser uma experiência tão mundana para Baruch King quanto é para qualquer ser humano (Encarar as Chamas), mas isto sempre causa um impacto nos vampiros ao redor. Baruch delicia-se com o breve momento em que a mulher arregala os olhos diante de seu vício mortal. Ela, por sua vez, delicia-se com a total ausência de reação por parte do Guardião.

Mas este é só um hábito antigo. Fumar aquele papel lhe é tão agradável quanto não fumar nada. Seu corpo só absorve a nicotina do sangue de humanos, o que torna seu vício muito mais complicado do que já foi outrora.

King; Leitura de Aura
Percepção+Empada = 4 / Dif = 8
6, 10(2), 10(10(3)), 10(10( 8 )) = 6 sucessos

Ele enxerga todo o espectro, dissecando-a de cima abaixo. Sua aura apresenta pálidas cores de azul claro com miríades em lavanda. E discretamente, oscilando por dentre suas entranhas luminosas, violeta e vermelho vivo. Ela está calma e, em sua essência, apresenta características conservadoras. Algo em Baruch despertou nela um sutil desejo de possuí-lo. Uma sucubus, talvez? Não é nada que a faria perder o controle, mas talvez ele possa se aproveitar desta fagulha no futuro.

- Ah, nós temos diversas oportunidades para passar o tempo. - Ela sorri, mordendo levemente o lábio inferior. - Você pode fazer o que quiser com as nossas meninas, desde que não acabe com elas. Você vai descobrir que elas tem muita experiência com gente do nosso tipo. Talvez queira entregar esse cigarro para que elas fumem por você...

A proposta o faz perder a compostura por um breve momento (Vício). A mulher sabe vender seu peixe, afinal.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 5:21 pm

@Marenariello
- Como assim "o que houve"? Eu te dopei e trouxe até aqui, ora. - Ela responde, dirigindo calmamente. - Estávamos indo para o Empire State, mas parece que nosso destino sofreu uma alteração. - Ela diz, olhando chateada para o lote onde costumava ficar o arranha-céus. - Eu passei um tempo fora do mapa. Não costuma acontecer muita coisa importante em tão pouco tempo, mas parece que dessa vez ocorreu um estrago.

A próxima pergunta, contudo, parece ter pego na ferida. A mulher freia abruptamente, fazendo com que Marenariello bata a cara com força no banco da frente. Ela respira fundo, virando-se então para olhá-lo diretamente nos olhos.

- Sabe, isso foi ofensivo. Você poderia escolher melhor as palavras na próxima vez que for sequestrado por uma pessoa sobrenatural. - Ela fala como quem explica algo para uma criança de cinco anos. - Agora cale a boquinha por um momento, sim? Estou tentando pensar. - E liga o carro novamente.





@Pavan
- Esperem. - Diz Esperma, parando abruptamente no meio da calçada. A essa altura eles já estão razoavelmente distantes da área de interesse, e Pavan se sente um pouco mais seguro. - Eu conheço aquela mulher.

Ele se refere a um carro parado no semáforo, cuja motorista é uma ruiva absolutamente sensacional. No banco de trás há um homem careca de óculos.

O Xerife aproxima-se e bate no vidro do carro, quebrando assim o efeito do véu.

- Ei.





@Marenariello e Pavan
Um homem de roupas de couro e um chapéu abaixado ocultando uma fração do rosto bate no vidro do carro. Engraçado, Marenariello não o notou aproximar-se em momento algum.

- Ei. - Ele chama, calmamente.

- Ah, que sorte! - Diz a ruiva, abrindo o vidro. - Xerife, eu estava justamente me perguntando como iria encontrá-los agora. O que houve com o Elísio?

- Longa história. A cidade já não é mais nossa.

- Oh, nossa. - Ela parece genuinamente surpresa pela notícia. - Venha, entre no carro. Temos muito o que conversar.

- Ok, mas estou acompanhado. - Não, ele definitivamente não está acompanhado.

A ruiva, contudo, olha ao redor dele por um momento.

- Entendo. - Ela diz, enfim. - Bom, mande entrar atrás. Só não deixe meu humano escapar, por favor.

Esperma faz o sinal para que Pavan e Testa entrem no banco de trás junto com o tal humano, e entra no banco do carona.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qua Fev 28, 2018 5:40 pm

O Gangrel se sente aliviado ao ver que se tratava de um falso alarme, aparentemente. Os magos, no entanto, ficam claramente apavorados ao perceber o erro que cometeram.

-Relaxem. - Diz o vampiro, em tom monótono - Não vamos feri-los.

Ele caminha um pouco pela sala, tentando recuperar seus movimentos e equilíbrio. Por fim, olha novamente para os magos.

-Então isso tudo foi só um falso alarme?
avatar
No One

Data de inscrição : 18/03/2010

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 8:05 pm

@Ulisses
Os três mortais suspiram de alívio em unissono.

- Sim, aparentemente. - Diz Thomas, enquanto posiciona o dedo sobre seu visor e parece verificar informações. - É a primeira vez que isso acontece, mas nossos sistemas ainda são rudimentares. É razoável assumir que possam acionar em falso. Suponho que seja melhor errar por excesso do que por falta.

A nova garota então atravessa a sala e posiciona a bandeja sobre a bancada.

- Açúcar para Maria, adoçante para o Thomas. Vocês aceitam café? - Ela pergunta aos dois vampiros, agora que reganhou a compostura.

- Obrigado, mas vou passar dessa vez. - Geronimo parece retomar seu antigo eu, agindo novamente com a seriedade que lhe convém.

- Er... Não é isso que eles bebem, July. - Responde Maria com um sorriso nervoso enquanto aproxima-se para pegar seu café.

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por No One em Qua Fev 28, 2018 8:20 pm

O Gangrel não parece baixar completamente a guarda, mesmo após a confirmação de Thomas. Ele era velho demais para acreditar em meras coincidências, afinal. Enfim, a garota nova, aparentemente chamada por July, oferece-lhes cordialmente um café.

-Não, obrigado. Mas aceito um pouco dessa sua linda e pulsante jugular. - Ele diz, seriamente - Ou talvez um pedaço dessas suas belas e pontiagudas orelhas. Tenho variado meu cardápio ultimamente.

Ele permanece sério em silêncio por alguns instantes, olhando fixamente para garota, quando então quebra o silêncio.

-Foi uma piada. - Ele diz, apesar de seu tom permanecer sério - Até vampiros precisam de um pouco de senso de humor às vezes.

Enfim, volta ao seu estado de alerta, ignorando os mortais por algum tempo enquanto se foca na possível ameaça. Seus sentidos eram extremamente aguçados e, caso algo além de um erro técnico tivesse acontecido, ele certamente seria capaz de descobrir (auspícius 1). Usaria principalmente seu olfato, para tentar rastrear quaisquer cheiros estranhos no ambiente.
avatar
No One

Data de inscrição : 18/03/2010

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Gam em Qua Fev 28, 2018 8:31 pm

@Ulisses
July parece assustada. Todos na sala param novamente, a hesitação palpável no ar. Um novo alívio repentino se segue quando o Gangrel explica a piada.

- Deus do céu, não brinque com essas coisas. - Diz Thomas, apoiando-se na bancada conforme passa a mão na testa. - Já estamos todos a beira de um ataque de nervos aqui.

Atento, Ulisses escuta.

O bater de três corações. O café sendo despejado no copo. O farfalhar do açúcar. O café sendo misturado. O leve sopro de Maria antes de dar o primeiro gole. O discreto som de alguém buscando algo nos bolsos. Um coração batendo um pouco mais rápido, conforme a emoção da caça lhe acomete.

É isso! July sacou alguma coisa, e visa Maria com o olhar de quem está prestes a dar o bote!

_________________
... só pode ser os nóia!
avatar
Gam

Data de inscrição : 08/03/2010
Idade : 25
Localização : Rio de Janeiro

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Estopim; o custo da criação

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 1 de 2 1, 2  Seguinte

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum