Um mundo mais escuro - parte II

Página 4 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Ter Nov 07, 2017 2:02 pm

-- Peço desculpas pela brincadeira. Em tantos anos brincando sobre tudo com você, não imaginei que houvesse algo que te irritasse. Acho que nunca o vi irritado.


O pedido de desculpas claramente acalme Tao, que recolhe o indicador acusador que apontava para o rosto de Jeong.


-- Engoliu seco novamente e apertou um pouco os olhos. O olhava fixo e respirava um pouco mais pesado. Devagar voltou a falar -- Eu retiro o que disse. Mas eu vou te avisar antes que vire uma constante. Aquela Jeong que chorava pelos cantos morreu. Eu não brinco impropriamente e você não aponta dedo na minha cara. Não avança. Você pode ser nervoso com os outros, não comigo, não dentro de casa. Não tem necessidade disso. Na minha família começou assim, ameaças pequenas, até você começar a me bater igual meu pai batia na minha mãe. Ou apertar meu pescoço como apertou aquela maçaneta no meu quarto. - Se levantou com certa dificuldade. Em pé, olhando para cima, continuou - Eu posso ser deficiente agora, mas ainda não sou e nem vou ser mulher que apanha do homem. -- Virou e saiu andando devagar -- Não esperava isso de você. Estou decepcionada. Parece que ambos conhecemos o limite do outro, não é mesmo. Eu vou respeitar você, e você? Vai controlar essa raiva? -- Olhou para ele virando para trás.


-Eu. Eu acho que me excedi. Me perdoe, pequena, eu não percebi que você estava apenas brincando. Achei que estava falando sério. Não é desculpa, eu sei. Por favor me perdoe por ter perdido a cabeça. Eu acho que ando um pouco stressado por conta de algumas coisas no trabalho.

No dia seguinte Tao enviou uma cesta de café da manhã para Jeong com um cartão com um desenho fofo.

{Por favor informe como Jeong viu o incidente. Se como um ato isolado, se como um farol amarelo, etc.}

*******


Aceitou a ideia. Conversou sobre como fariam para pegar o dinheiro, como fariam para sumir com esse dinheiro, provavelmente passando de nome falso e conta falsas até algum paraíso fiscal. Gastou boa parte de seu tempo pesquisando sobre isso. Antes de fazer qualquer documentação, tinham de ter certeza de como iam fazer. Todas as manhas conversa sobre isso, pesquisava por golpes similares, principalmente o que havia de errado para não fazer o mesmo e também sobre paraísos fiscais


@badmotherfucker propôs que os documentos falsos que ele iria precisar fossem enviador para uma caixa postal indicada por ele. Ele faria o pagamento dentro de uma semana a contar de quando recebesse os documentos. Ele não tinha sugestões particularmente criativas de como enviar o dinheiro, contudo. Ele sugere depósitos anônimos na conta bancária de Jeong ou enviar o dinheiro dentro de livros, em um buraco cavado nas páginas por correio.

{Com finanças 1 e direito 0 vc não consegue bolar um esquema elaborado de lavagem de dinheiro em um paraíso fiscal. Por favor diga qual das propostas do seu comparsa você quer seguir ou se vai propor algo diferente, considerando as limitações da ficha já indicadas}

****

Fez questão de ressaltar

-- Pois leve meu nome de novo. Ou pelo menos meus serviços. Posso demorar um pouco mais, mas vou fazer alguns testes e entender o quanto tempo demoro para não falar que vou fazer o que não posso. No entanto, essa vaga é minha. Esse é meu serviço, eles sabem disso, mesmo que não saibam que eu sou. Eles sabem? Nunca perguntei. De qualquer forma, ficou muito claro que eles não vão conseguir outro que faça tão bem quanto eu, ou vão matar toda Chinatown até achar? Eu ainda quero mais do que só os passaportes. Minha habilidade é rara e eu sei disso, só não estava nem eu mesma dando o devido valor.

-O problema com seu substituto foi que ele garantiu o resultado. A Tríade é bem razoável e sabe que eventualmente alguns negócios dão errado, mas eles não suportam que alguém não entregue o que prometeu, que foi o caso do infeliz. Eles não sabiam quem era meu contato falsário não. Tem muita coisa que eles preferem não saber os detalhes. Chamam de compartilhamento de informação. Se alguém não sabe de algo não tem como dar com a língua nos dentes. Você tem certeza que quer que eu revele sua identidade para eles?

****

Ficou feliz por ter descoberto um novo hobby. Pediu a Tao que comprasse uma arma para deixar em casa, pois iria se sentir mais segura. Caso ele lhe negasse, arrumaria como comprar na internet. Hoje em dia, não havia mais nada que não pudesse comprar. As vzes pedia para Tao lhe trazer um pouco de maconha, para deixar guardado e fumar nos dias de ansiedade, que não eram muito comuns, mas as vzes se sentia agitada e com muita energia, fumar a acalmava.

{Por favor esclareça se quer uma arma legal com registro ou se quer que Tao obtenha uma no submundo. Fechamos essa parte no próximo post}
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Ter Nov 07, 2017 2:48 pm

-Eu. Eu acho que me excedi. Me perdoe, pequena, eu não percebi que você estava apenas brincando. Achei que estava falando sério. Não é desculpa, eu sei. Por favor me perdoe por ter perdido a cabeça. Eu acho que ando um pouco stressado por conta de algumas coisas no trabalho.

-- Vou relevar, Tao. Mas não mudo o que eu falei. Eu espero que essa não seja sua real natureza, pois nunca me pareceu que fosse.


A raiva permaneceu durante todo aquele dia. Tentou lembrar de outros incidentes, mas  nunca havia o visto dessa maneira, era muito provável que fosse apenas stress. Ela mesma havia gritado com o irmão mais de uma vez e as coisas sempre voltavam a ficar bem. Não gostava, porém, de se sentir assim, acoada, ainda mais agora com sua deficiência, parecia que tudo tinha o dobro de peso, incluindo as sensações.
Se acalmou quando recebeu o café da manhã com o bilhete. Não precisava ficar com raiva a vida inteira por causa de uma ação, ainda mais agora que havia deixado claro que não deixaria que aquilo ocorresse, era esperar para ver se tudo voltaria ao normal. Pelo menos ele a desculparia quando ela fizesse alguma merda, o que era bem provável. Acabou mandando uma mensagem carinhosa, dizendo para que ambos seguissem em frente sem tocar mais no assunto e desejando a ele um bom dia.



---

Com o colega que também não entendia nada de finanças, achou melhor a ideia do depósito, no entanto descobriria com o irmão ou sozinha, como declarar que estava vendendo as artes, assim, todo dinheiro que entrasse em sua conta, teria a desculpa de ser comércio de seus quadros. Começou a preparar os documentos para falsificar

----


-O problema com seu substituto foi que ele garantiu o resultado. A Tríade é bem razoável e sabe que eventualmente alguns negócios dão errado, mas eles não suportam que alguém não entregue o que prometeu, que foi o caso do infeliz. Eles não sabiam quem era meu contato falsário não. Tem muita coisa que eles preferem não saber os detalhes. Chamam de compartilhamento de informação. Se alguém não sabe de algo não tem como dar com a língua nos dentes. Você tem certeza que quer que eu revele sua identidade para eles?

-- Agora que você falou eu não tenho certeza. Eu quero receber os créditos apropriados por meus serviços, mas talvez seja ainda muito cedo e muito perigoso. Quem sabe quando eles estiverem usando mais ainda meus serviços, então não ficarão com raiva de ser uma mulher ou deficiente nem nada disso -- Suspirou e olhou para ele, balançando a cabeça negativamente -- Eu sei que não deveria me importar, mas passar tanto tempo nas sombras, estou querendo sair dela. Sabe, mas talvez seja melhor mais adiante. Melhor mesmo meu silêncio, fiz pouca coisas para eles. Mas traga sim mais trabalhos, não os que precisam ser feito em algumas poucas horas, o tempo não é mais meu amigo, mas os que podem ser feito com mais calma ou precisam de uma maior precisão, podem contar comigo. Inclusive, quando eles acharem que é hora de voltar a trazer as meninas, podem me avisar -- Abriu os olhos um pouco surpresa -- Das meninas que ficaram retidas, uma delas era a irmãzinha da Ming? Por que ... eu queria poder ajudar a trazê-la para cá. Eu sei que tem todo um caso complicado, tudo funciona como a engrenagem de um relógio, mas...Ming é uma mulher legal, uma quase amiga -- Deu de ombros --Eu sei o que é querer ajudar o irmão mais novo


-----

{Por favor esclareça se quer uma arma legal com registro ou se quer que Tao obtenha uma no submundo. Fechamos essa parte no próximo post}

Uma das armas, que andaria com ela, seria registrada, não gostaria de ser parada pela polícia e explicar como a havia comprado. Seria para proteção, não atiraria em ninguém por raiva ou briga, apenas queria andar com alguma coisa que a fizesse sentir a potência de sua juventude novamente. Outra arma, porém, ficaria em casa, escondida, se precisasse se defender ou por algum outro motivo, teria aquela arma para reagir.
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Sex Nov 10, 2017 4:12 am

Com o colega que também não entendia nada de finanças, achou melhor a ideia do depósito, no entanto descobriria com o irmão ou sozinha, como declarar que estava vendendo as artes, assim, todo dinheiro que entrasse em sua conta, teria a desculpa de ser comércio de seus quadros. Começou a preparar os documentos para falsificar


Os documentos solicitados não eram particularmente difíceis de se forjar e Jeong consegue preparar a primeira leva, que seria suficiente apenas para dois golpes, em alguns dias.

Passados 8 dias de quando ela fez a remessa U$3.000 são depositados em sua conta, oriundos de um caixa eletrônico em Oklahoma City. @badmotherfucker transmite para ela os dados de 2 novas pessoas e pede para ela fazer a falsificação, pedindo para que ela lhe envie as contrafações o quanto antes.

Jeong termina essa segunda leva de falsificações e informa seu contato que irá enviá-las para ele no dia seguinte pouco antes de Pierre lhe mandar uma mensagem de que a visitaria naquela noite.

****


-- Agora que você falou eu não tenho certeza. Eu quero receber os créditos apropriados por meus serviços, mas talvez seja ainda muito cedo e muito perigoso. Quem sabe quando eles estiverem usando mais ainda meus serviços, então não ficarão com raiva de ser uma mulher ou deficiente nem nada disso -- Suspirou e olhou para ele, balançando a cabeça negativamente -- Eu sei que não deveria me importar, mas passar tanto tempo nas sombras, estou querendo sair dela. Sabe, mas talvez seja melhor mais adiante. Melhor mesmo meu silêncio, fiz pouca coisas para eles. Mas traga sim mais trabalhos, não os que precisam ser feito em algumas poucas horas, o tempo não é mais meu amigo, mas os que podem ser feito com mais calma ou precisam de uma maior precisão, podem contar comigo. Inclusive, quando eles acharem que é hora de voltar a trazer as meninas, podem me avisar


Tao dá de ombros e concorda com a decisão de Jeong.

Tao: -É, acho que é mais seguro para você permanecer anônima mesmo.



-- Abriu os olhos um pouco surpresa -- Das meninas que ficaram retidas, uma delas era a irmãzinha da Ming? Por que ... eu queria poder ajudar a trazê-la para cá. Eu sei que tem todo um caso complicado, tudo funciona como a engrenagem de um relógio, mas...Ming é uma mulher legal, uma quase amiga -- Deu de ombros --Eu sei o que é querer ajudar o irmão mais novo


-Não, a irmã da Ming teve sorte de não ser uma das meninas que teve a entrada bloqueada na Inglaterra. Como as duas primeiras que tentaram não conseguiram eles suspenderam a viagem dela até que novos papéis fossem providenciados. Eu vou avisá-los que meu 'antigo contato' está disponível de novo. Acredito que eles irão ter interesse em seus serviços.

****


Uma das armas, que andaria com ela, seria registrada, não gostaria de ser parada pela polícia e explicar como a havia comprado. Seria para proteção, não atiraria em ninguém por raiva ou briga, apenas queria andar com alguma coisa que a fizesse sentir a potência de sua juventude novamente. Outra arma, porém, ficaria em casa, escondida, se precisasse se defender ou por algum outro motivo, teria aquela arma para reagir.


Para obter a arma legal Jeong se dirige a um WalMart e escolhe um discreto revólver Smith & Wesson M640 para chamar de seu. Ela tem de preencher alguns documentos e não pode sair com a arma na hora até que as informações apresentadas sejam verificadas. O processo, contudo, não demora muito e 3 dias depois de dar entrada no pedido ela sai da loja com sua arma registrada. A América era mesmo a terra da liberdade, não é verdade?

Quanto à arma ilegal, Tao se mostra um tanto quanto resistente à ideia de obter uma para Jeong, pois sabia que a pena para o posse de uma dessas era pesada e ela já teria sua arma legalizada. Ele fica de pensar no pedido dela, contudo.

Quanto ao pedido de maconha, a princípio Tao diz que não acha uma boa ideia ela ficar fumando. Jeong conhecia Tao de longa data e sabia que ele nutria aversão por drogas ilícitas, mas ela acaba convencendo-o depois de fazer algum charminho e dizer que era bom para relaxar os músculos depois da fisioterapia.

****

Na hora combinada Pierre chega ao prédio de Jeong. Ele toca o interfone e a garota sente seu coração bater mais rápido ao ouvir sua voz e pedir para ele subir.

Logo ele aparece na porta, trajando calças jeans, uma camisa polo e com uma mochila nas costas. Ele parece um pouco mais despojado do que das outras vezes, mas isso em nada diminui seu charme. A visão dele faz Jeong esquecer de todo o mundo e assim que ela abre a porta ela permanece em silêncio por longos segundos, contemplando-o, até perceber que está agindo de maneira estranha. A garota então lhe da um abraço que ela gostaria que durasse para sempre e o convida a entrar.

Pierre: -Minha querida, eu sinto muito por não ter vindo vê-la antes. Eu fui visitá-la algumas vezes no hospital, mas tive que sair do país a negócios bem no dia que você acordou e voltei apenas hoje. Como vão as coisas?


{Se eu deixei passar alguma coisa que vc queria preparar e que declarou em Macro por favor me avise. Caso contrário, voltamos a interpretar a cena corrente por enquanto, ok?}
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Sex Nov 10, 2017 9:33 am

(Acho que está tudo resolvido por hora. Depois voltar ao assunto sobre a falsificação com a Tríade, mas além disso...tudo certo)

***

Pierre era um homem maravilhoso, era certo de que todos gostavam de tê-lo por perto. Ela, por sua vez, havia tido a sorte de se tornar sua amiga. Ajeitou a casa para deixar tudo em perfeito estado pois sabia que ele era um homem fino, embora ela estivesse simples, havia se arrumado, como agora era seu costume. Vestia uma calça legging que lembrava couro e uma blusa Rosa queimado, que caia sobre seu ombro. Estava descalça por conta do costume de casa.

Havia algo nele que a encantava. Quando o olhava buscava por esse sentido, mas se perdia em sua imagem, nos pequenos detalhes. Sabia de cabeça como era seu sorriso, como pequenas rugas surgiam próximas ao olho e a linha do nariz que surgem e fazem a bochecha apertar os olhos, que azuis brilham como céu. Se não tivesse apaixonada por Tao, diria que estava apaixonada por Pierre.

Desviou o olhar para baixo, um pouco sem graça, no entanto o corpo inconscientemente foi para frente ao soltar uma pequena risadinha e logo em seguida o abraçar. Era o toque que procurava. O soltou à contragosto, deixando sua mão de leve escorregar pelo seu braço, até virar e começar a andar com sua habitual dificuldade. Entrou e o deixou se acomodar no sofá, insistindo que ele bebesse ou comesse:


-- Não será incômodo algum te preparar algo. Seria bom poder te servir.


Pensou em pegar algo para si, mas apenas ficou entre a cozinha e a sala, as vezes não tinha vontade de fazer certas coisas por conta dos movimentos limitados, ainda mais na frente do Pierre, queria se movimentar o mínimo possível.

-Minha querida, eu sinto muito por não ter vindo vê-la antes. Eu fui visitá-la algumas vezes no hospital, mas tive que sair do país a negócios bem no dia que você acordou e voltei apenas hoje. Como vão as coisas?

-- Meu irmão disse que você foi Pierre. Fiquei feliz em saber. Embora preferisse que não tivesse preocupado todo mundo por tanto tempo.
-- Deu de ombros e sorriu, mas desviou o olhar -- No final das contas, tive sorte. --Balançou a mão como se jogasse o assunto para longe -- E os meninos disseram que alguns quadros foram vendidos, o que é ótimo. Deixei até mesmo alguns separados ali. Quando quiser olhá-los,  são novos. Depois do incidente -- Inclinou o rosto para cima sutilmente e o olhou --Por incrível que pareça, parecem até mesmo melhores.
De resto, estou me adaptando. Não é a melhor das situações, mas, o ser humano se adapta à qualquer coisa, até às merdas que a vida proporciona
-- Disse a o palavrão fazendo uma sutil expressão de desprezo e raiva, pesando um pouco mais na palavra vida. Olhou para ele e balançou a cabeça negativamente -- Me desculpe, saiu sem querer o palavrão.-- O sorriso desabrochou em seu rosto, mas seu olhar parecia mais duro, ainda sim, estava encantada por ele e não conseguia disfarçar quando seus olhos se encontravam com os dele e quase a fazia esquecer o que estava falando
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Nov 12, 2017 9:50 am

Desviou o olhar para baixo, um pouco sem graça, no entanto o corpo inconscientemente foi para frente ao soltar uma pequena risadinha e logo em seguida o abraçar. Era o toque que procurava. O soltou à contragosto, deixando sua mão de leve escorregar pelo seu braço, até virar e começar a andar com sua habitual dificuldade. Entrou e o deixou se acomodar no sofá, insistindo que ele bebesse ou comesse:

-- Não será incômodo algum te preparar algo. Seria bom poder te servir.

Pensou em pegar algo para si, mas apenas ficou entre a cozinha e a sala, as vezes não tinha vontade de fazer certas coisas por conta dos movimentos limitados, ainda mais na frente do Pierre, queria se movimentar o mínimo possível.


-Eu agradeço, mas almocei agora pouco. Super tarde e não é bom para a saúde, eu sei, mas meu dia hoje foi tão corrido que simplesmente não tive tempo de comer na hora certa. Mas pelo menos foi produtivo, então acho que não posso reclamar. Por favor não se preocupe em me fazer algo.


-- Meu irmão disse que você foi Pierre. Fiquei feliz em saber. Embora preferisse que não tivesse preocupado todo mundo por tanto tempo. -- Deu de ombros e sorriu, mas desviou o olhar


-As pessoas que se importam com você sempre irão se preocupar, não tem como evitarmos.


-- No final das contas, tive sorte. --Balançou a mão como se jogasse o assunto para longe -- E os meninos disseram que alguns quadros foram vendidos, o que é ótimo. Deixei até mesmo alguns separados ali. Quando quiser olhá-los,  são novos. Depois do incidente -- Inclinou o rosto para cima sutilmente e o olhou --Por incrível que pareça, parecem até mesmo melhores.
De resto, estou me adaptando. Não é a melhor das situações, mas, o ser humano se adapta à qualquer coisa, até às merdas que a vida proporciona -- Disse a o palavrão fazendo uma sutil expressão de desprezo e raiva, pesando um pouco mais na palavra vida. Olhou para ele e balançou a cabeça negativamente -- Me desculpe, saiu sem querer o palavrão.-- O sorriso desabrochou em seu rosto, mas seu olhar parecia mais duro, ainda sim, estava encantada por ele e não conseguia disfarçar quando seus olhos se encontravam com os dele e quase a fazia esquecer o que estava falando


-Sim, claro, vou querer dar uma olhada neles sim. Mas daqui a pouco. - Pierre tira gentilmente um cabelo da frente do rosto de Jeong, fazendo uma carícia em sua face. Ela pode perceber que ele provavelmente irá lhe dar um beijo a seguir.

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 8 para autocontrole que resultou 8, 2, 4, 10 - Total: 2 Sucessos
Serão necessários 5 sucessos para ter a possibilidade de tentar resistir à tentação de deixá-lo avançar (caso queira fazê-lo, claro)
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 12, 2017 11:42 am

-Sim, claro, vou querer dar uma olhada neles sim. Mas daqui a pouco. - Pierre tira gentilmente um cabelo da frente do rosto de Jeong, fazendo uma carícia em sua face. Ela pode perceber que ele provavelmente irá lhe dar um beijo a seguir.

O coração disparou na hora que seu dedo encostou em seu rosto. Uma ansiedade gostosa tomou conta de seu peito, no entanto, Tao, foi a primeira coisa que passou em sua mente. Estagnada no mesmo lugar, olhava para ele, mas disse disfarçando


-- Não contei a novidade. Eu e Tao estamos... Namorando. Apostando em um relacionamento. Depois de tanto tempo ele agiu e parece ser a coisa certa.


Sorriu para Pierre, mas o coração ainda estava disparado. Havia uma parte de si que o queria ardentemente, mas não gostaria de ser infiel com Tao.

Alguns segundos depois desviou o olhar com muita dificuldade e sentiu o sangue em suas bochechas, corou. A sensação de desejo e a ansiedade de suas possíveis ações era algo bom de se sentir. Era bom se sentir desejada, ainda mais depois de como estava e o que havia lhe acontecido, mais ainda sendo um homem como Pierre.... Pierre... Ouviu ecoar em sua mente, como se alguém falasse o nome dele constantemente


-- Eu agradeço de novo por você ter feito o que fez. Tudo que você faz por mim, inclusive



Achava estranho que tentava continuar fiel à Tao, mas as palavras pareciam puxar Pierre para perto, dando espaço para ele. Queria o próximo, mesmo que não o quisesse. Estava confusa. Virou o rosto ligeiramente.

Se ajeitou, depois de ter conseguido juntar forças, se distanciando ligeiramente para trás.


avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Nov 12, 2017 12:13 pm

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 8 para autocontrole que resultou 3, 8, 5, 5 - Total: 1 Sucessos
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 8 para autocontrole que resultou 8, 8, 5, 7 - Total: 2 Sucessos
5 sucessos obtidos


O coração disparou na hora que seu dedo encostou em seu rosto. Uma ansiedade gostosa tomou conta de seu peito, no entanto, Tao, foi a primeira coisa que passou em sua mente. Estagnada no mesmo lugar, olhava para ele, mas disse disfarçando

-- Não contei a novidade. Eu e Tao estamos... Namorando. Apostando em um relacionamento. Depois de tanto tempo ele agiu e parece ser a coisa certa.

Sorriu para Pierre, mas o coração ainda estava disparado. Havia uma parte de si que o queria ardentemente, mas não gostaria de ser infiel com Tao.


-Mas que coisa boa! O Tao é um sujeito super legal. E ele ficou absolutamente morto de preocupação quando você estava no hosptal, sabia?


Alguns segundos depois desviou o olhar com muita dificuldade e sentiu o sangue em suas bochechas, corou. A sensação de desejo e a ansiedade de suas possíveis ações era algo bom de se sentir. Era bom se sentir desejada, ainda mais depois de como estava e o que havia lhe acontecido, mais ainda sendo um homem como Pierre.... Pierre... Ouviu ecoar em sua mente, como se alguém falasse o nome dele constantemente


-- Eu agradeço de novo por você ter feito o que fez. Tudo que você faz por mim, inclusive


Achava estranho que tentava continuar fiel à Tao, mas as palavras pareciam puxar Pierre para perto, dando espaço para ele. Queria o próximo, mesmo que não o quisesse. Estava confusa. Virou o rosto ligeiramente.

Se ajeitou, depois de ter conseguido juntar forças, se distanciando ligeiramente para trás.


Pierre abre um sorriso para a garota, aparentemente recuando.

Spoiler:
Teste oculto - Total: 4 Sucessos
Considere que Jeong está absolutamente fascinada por ele até o fim do mês

O coração de Jeong dispara ao vê-lo se afastar um pouco. O que ela estava fazendo rejeitando ele daquela forma? Pierre por sua vez parece perceber esse momento de agitação e volta a se aproximar, mas ele avança para os lábios da menina, mas sim para seu pescoço, dando-lhe um chupão.

Qualquer resquício de vontade de afastar o homem desaparece no momento em que sua boca toca o pescoço da garota. Um prazer imenso a toma de assalto, afastando imediatamente de sua mente qualquer preocupação com fidelidade ou lembrança de seu namorado. Como era possível que o simples toque dele causasse tudo aquilo?

Após alguns momentos Pierre para com aquilo e se senta em uma poltrona próxima, como se nada tivesse acontecido. Jeong por sua vez sente as pernas um pouco bambas e se senta no sofá, sem saber perfeitamente como reagir. Suas emoções estavam confusas, mas duas parecem se sobrepor às demais: a certeza de que Pierre era o homem mais perfeito do mundo e a culpa de ela ter provocado ele e, por conta disso, gerado aquele incidente.

Tomando a iniciativa Pierre volta a falar como se o contato físico de alguns segundos atrás jamais tivesse acontecido.

-Eventos traumáticos frequentemente desencadeiam nossa melhor veia artística. Sabe, eu conheço um artista que só consegue mover o pé esquerdo. Ele tem obras absolutamente fantásticas! Eu com minhas duas mãos não sou capaz de produzir nada que nem chegue perto aos trabalhos dele. Você está fazendo fisioterapia?

{Resposta em Micro. Considere que a seguir Pierre pergunta como está seu dia a dia, puxando a conversa para descobrir quais tem sido suas atividades. Caso deseje falar tudo abertamente, pode interpretar. Caso queira omitir ou mentir me avise para rolarmos dados}
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 12, 2017 1:09 pm

Pierre por sua vez parece perceber esse momento de agitação e volta a se aproximar, mas ele avança para os lábios da menina, mas sim para seu pescoço, dando-lhe um chupão.

A ansiedade de vê-lo se aproximar saiu com um ligeiro gemido ao tê-lo dando seu beijo. Não havia espaço para dúvidas enquanto ela o sentia. Era um prazer que queria repetir por toda vida. Não havia nada no mundo que fosse tão prazeroso quanto isso.

Pierreeee...pierreeee...

Após alguns momentos Pierre para com aquilo e se senta em uma poltrona próxima, como se nada tivesse acontecido. Jeong por sua vez sente as pernas um pouco bambas e se senta no sofá, sem saber perfeitamente como reagir.

Sentia o coração batendo mais apressado e a respiração ofegante. Não fez questão de disfarçar por saber que seria impossível. Encostou as costas no sofá e olhou para ele, queria sentir mais do que havia sentido. Se um dia fosse morrer, queria que fosse desse forma.


Suas emoções estavam confusas, mas duas parecem se sobrepor às demais: a certeza de que Pierre era o homem mais perfeito do mundo e a culpa de ela ter provocado ele e, por conta disso, gerado aquele incidente.

Quando um pouco da razão tomou conta, sentiu um pouco de culpa, como podia ter se afastado ele e ao mesmo tempo desejava que ele trespassasse as barreiras, assim não carregados a culpa e poderia falar que havia sido ele quem cometera o ato e não ela. Mas nem fizeram nada, como ele poderia, apenas com um beijo em seu pescoço, lhe proporcionar tanto? Um beijo assim não parecia ser uma grande traição, buscava uma desculpa, no entanto, nem com Tao sentira tamanho estase. Pierre era a perfeição que a literatura descrevia, o personagem que os grandes autores aumenjavam..e lá estava ele.

-Eventos traumáticos frequentemente desencadeiam nossa melhor veia artística. Sabe, eu conheço um artista que só consegue mover o pé esquerdo. Ele tem obras absolutamente fantásticas! Eu com minhas duas mãos não sou capaz de produzir nada que nem chegue perto aos trabalhos dele. Você está fazendo fisioterapia?

Pensou no que ele falou enquanto afastava os seus pensamentos. Era difícil voltar a se concentrar e balbuciou antes de começar a respondê-lo. "Porcaria, porque você não consegue ser normal?" Se repreendeu


-- Estou fazendo fisioterapia sim. No entanto os médicos dizem que é difícil que eu tenha alguma melhora. Vou tentar msmo assim. Eu... Eu não gosto de ficar como eu estou, mas não posso dizer que não há um lado positivo. Ou eu tenho extraído esse lado positivo. Ando... Fazendo as coisas por mim mesma. Estou aprendendo computação, continuo pintando e melhorando mais. Até estou aprendendo a atirar, tem se revelado uma atividade muito boa. Uma sensação de...poder.. coisa que eu não sentia muito antes. Desejava ter o domínio sobre minha própria vida, mas isso nunca acontecia, agora, eu sinto um pouco mais... provavelmente vou comandar mais a minha vida, como eu sempre quis.
Falava sem olhar para ele. Parecia que olhá-lo iria a distrair e seria difícil de falar. No fim não resistiu e olhou-o nos olhos... Achou-o lindo -- Eu dedico meu tempo aos estudos e as práticas artísticas. Mas também faço terapia e as aulas de tiro. Na verdade tem sido um pouco difícil apesar de libertador. Saber que agora, mais do que antes, estou longe de fazer parte da sociedade. O que posso dizer? Todos querem fazer parte da sociedade, parte de alguma coisa. Você... você também se sente assim? Distante? O olhou com certa tristeza no olhar, buscou por reciprocidade. Suspirou enquanto pensava em si mesma, o que havia acontecido, estava agora apenas no fundo da sua mente..

Pierre... Pierre...

avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Nov 12, 2017 1:59 pm

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 6 para perc+empatia que resultou 1, 4, 5, 10 - Total: 0 Sucessos


-- Estou fazendo fisioterapia sim. No entanto os médicos dizem que é difícil que eu tenha alguma melhora. Vou tentar msmo assim. Eu... Eu não gosto de ficar como eu estou, mas não posso dizer que não há um lado positivo. Ou eu tenho extraído esse lado positivo. Ando... Fazendo as coisas por mim mesma. Estou aprendendo computação, continuo pintando e melhorando mais.


-Uhum. Sei.

Provavelmente por ainda estar arrebatada por sua experiência recente Jeong não presta muita atenção às reações de Pierre naquele começo de conversa.

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 6 para perc+empatia que resultou 6, 5, 9, 4 - Total: 2 Sucessos


Até estou aprendendo a atirar, tem se revelado uma atividade muito boa. Uma sensação de...poder.. coisa que eu não sentia muito antes. Desejava ter o domínio sobre minha própria vida, mas isso nunca acontecia, agora, eu sinto um pouco mais... provavelmente vou comandar mais a minha vida, como eu sempre quis. Falava sem olhar para ele. Parecia que olhá-lo iria a distrair e seria difícil de falar. No fim não resistiu e olhou-o nos olhos... Achou-o lindo


-A atirar? Não imaginava que você tinha esse gosto. Eu também gosto de dar uns tiros de vez em quando, sabia?

Jeong pode perceber que aquele assunto despertou certo interesse em Pierre. Era algo inesperado. Não encaixava com o perfil que ela tinha dele.


-- Eu dedico meu tempo aos estudos e as práticas artísticas. Mas também faço terapia e as aulas de tiro. Na verdade tem sido um pouco difícil apesar de libertador. Saber que agora, mais do que antes, estou longe de fazer parte da sociedade. O que posso dizer? Todos querem fazer parte da sociedade, parte de alguma coisa. Você... você também se sente assim? Distante? O olhou com certa tristeza no olhar, buscou por reciprocidade. Suspirou enquanto pensava em si mesma, o que havia acontecido, estava agora apenas no fundo da sua mente..

Pierre... Pierre...


-Suponho que todos nós queiramos pertencer a algo maior. Acho que faz parte da natureza humana.

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 6 para perc+empatia que resultou 10, 10, 3, 6 - Total: 3 Sucessos

Jeong tem a terrível impressão de que está entediando Pierre ao falar de suas angústias. Ela se sente muito mal com essa ideia e começam a lhe ocorrer na mente outras linhas de papo para que seu querido Pierre a achasse mais interessante. Antes que ela posso mudar sua linha de ação, contudo, ambos ouvem o som da porta do apartamento se abrindo. Era Tao que chegava.

Tao: -Pierre! Que bom te ver por aqui, meu amigo. Eu pretendia chegar antes de você, mas acabei ficando um pouco enrolado no trabalho. Oi, Jeong.


O homem aperta a mão de Pierre e lhe dá um abraço e a seguir dá um beijinho rápido de "oi" nos lábios de Jeong.
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 12, 2017 2:31 pm

-A atirar? Não imaginava que você tinha esse gosto. Eu também gosto de dar uns tiros de vez em quando, sabia?

-- Podemos ir ao estande de tiro que vou. Quando estiver com alguma folga. Eu comecei a pouco tempo, mas gosto muito. O ruim é colocar os projéteis com facilidade.
Sorriu animada em ter descoberto algo que pudesse fazer com Pierre.

Jeong tem a terrível impressão de que está entediando Pierre ao falar de suas angústias. Ela se sente muito mal com essa ideia e começam a lhe ocorrer na mente outras linhas de papo para que seu querido Pierre a achasse mais interessante.

Provavelmente não tocaria mais nesse assunto. Não sabia como havia escapado de sua boca, talvez por antes ele tê-la ouvido com o caso de sua mãe, mas não era mais assim e nem queria. Era bom que ele não tivesse mesmo gostado, não o incomodaria mais. Passou a fazer uma lista mental do que ele havia gostado e o que não havia. Iria moldar uma maneira de conversar com ele e o deixar feliz para que voltasse mais vezes.


Era Tao que chegava.

Tao: -Pierre! Que bom te ver por aqui, meu amigo. Eu pretendia chegar antes de você, mas acabei ficando um pouco enrolado no trabalho. Oi, Jeong.

Olhou de sobressalto quando Tão entrou. Sorriu ao vê-lo, agiu naturalmente, mas pensou se falaria a verdade ou não sobre Pierre, ainda mais o vendo tão amigo do homem. Passou a pensar na amizade dos dois, mas lembrou de como Tao havia reagido ao seu comentário sobre Pierre. Deixou o pensamento ir embora se esvairindo como neblina

-- Oi Tao. Que bom que chegou.


Respondeu ao selinho e olhou tão nos olhos com certa alegria em vê-lo, mas logo desviou o olhar e de canto olhou para Pierre, como se buscasse sua aprovação. O que o homem pensaria? Eles eram amigos, no entanto, ele a havia dado tanto prazer em instantes. Tao ficaria nervoso novamente ou curioso?.. perdeu-se em pensamentos por um instante e depois falou, a voz saiu um pouco alta, depois se controlou


-- TAO, QUER COMER... desculpa, quer comer alguma coisa? Pierre pode olhar os quadros enquanto esquento algo para você. Quer?


Fez um certo esforço para se levantar, mas não pediu ajuda. Em pé, esperou a resposta dele enquanto o olhava e as vezes de canto para Pierre. Começou a sentir um ligeiro desconforto e se adiantou em ir a cozinha. Ao menos ela comeria algo, se sentia um pouco cansada por algum motivo
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Nov 12, 2017 2:45 pm

-- TAO, QUER COMER... desculpa, quer comer alguma coisa? Pierre pode olhar os quadros enquanto esquento algo para você. Quer?

Fez um certo esforço para se levantar, mas não pediu ajuda. Em pé, esperou a resposta dele enquanto o olhava e as vezes de canto para Pierre. Começou a sentir um ligeiro desconforto e se adiantou em ir a cozinha. Ao menos ela comeria algo, se sentia um pouco cansada por algum motivo

-Eu aceito sim. Estou morrendo de fome. Obrigado, pequena.


Jeong não pode deixar de estranhar um pouco o comportamento do namorado. Por mais que ela sempre recusasse ele tinha o hábito de sempre se oferecer para ajudá-la nos afazeres domésticos. Hoje, contudo, não houve qualquer sugestão nesse sentido.

Sem que nenhum dos dois de muita bola para ela os homens começam a conversar.

Pierre: -Dia agitado no trabalho?

Tao: Mais ou menos. Um rapaz ficou doente e então não pudemos montar duas equipes de 3, aí demoramos mais para terminar as coisas do dia.

Pierre: As coisas? Alguma tarefa desagradável?

Tao: Ah, nada demais. Passamos em algumas lojas da região para receber a taxa semanal de proteção que eles deviam.

Pierre: Entendo. Alguém criou problemas?

Tao: Nada. Os comerciantes daqui já estão acostumados. Eu poderia até ir sozinho na certeza de que estaria tudo bem, o que por sinal nos permitiria cobrir todo o território muito mais rápido. Mas o Sr. Han insiste para que sempre façamos a coleta em pelo menos 3 para demonstrar força aos nossos protegidos.

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 6 para perc+empatia que resultou 10, 10, 10, 9 - Total: 4 Sucessos

Tendo sido deixada de lado Jeong consegue prestar atenção ao papo como se fosse invisível. Pierre parece incrivelmente interessado em ouvir sobre a máfia e Tao não parece sentir qualquer embaraço em falar a respeito dela para ele.
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 12, 2017 2:58 pm


Por um momento se sentiu até mesmo mal. Mas alguns minutos quieta em seu canto não era tão ruim, mas estranho. Fez as coisas com sua lerdeza habitual. Mas não deixou de prestar atenção ao que conversavam.

Era por isso que não havia achado ruim que contasse para Pierre, ele mesmo estava fazendo isso. Achava estranho que Tao, um homem cuidadoso, estivesse tão solto em sua fala. Logicamente que Pierre não era um homem perigoso ou mal, mas mesmo assim, sempre pensava em Ling nessas horas, o que aquele carrancudo diria se soubesse? Sempre pensava que ele bateria em sua cara antes de queima-la viva por ter falado. Mas, ela sabia sobre a máfia antes de entrar no ambiente. Tao queria subir de posição, era prudente contar seus passos?

Pensou em tudo que falavam e no que ela começou a não contar para ninguém. Poderia até representar um risco para Pierre, a própria máfia tinha seu código, de quanto menos soubessem, mais seguro era. Então essas conversas eram um perigo até mesmo para Pierre, assim como era para ela e Tao.

Era o mesmo que soubesse de seus novos serviços, alguém poderia facilmente dar com a língua nos dentes mesmo que sem querer. Lembrou de como Pierre havia sido tão bajulador com o homem de terno que havia pedido o quadro. Se havia alguém nesse mundo que encantadas o homem mais encantador do mundo, significava que havia alguém para ouvir os segredos dele também. Sempre haveria alguém para ouvir alguém.

Terminou de esquentar a comida, um prato para si e outro para Tão. Serviu três copos e enxeu dois com vinho.vo terceiro deixou vazio



-- Está aqui Tão. Pierre, se quiser vinho, deixei uma taça para você. Mas se não quiser, não vou insistir
Sorriu gentil para ele e se sentou na cadeira daquela cozinha americana, com os pratos no balcão.

Voltou a ficar em silêncio e ouvi-los. Estava curiosa sobre o que eles falaram, até onde Tao iria. Pois sempre que falava tudo para Pierre, não se sentia bem depois, mas com ele, parecia ser diferente. Haviam ficado tão amigos assim? Começou a comer enquanto os olhava

avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Nov 12, 2017 3:31 pm

Jeong mantinha os ouvidos atentos enquanto Tao cantava como um canário. Seu namorado parecia não ter qualquer ressalva em falar sobre os negócios da Tríade para Pierre. Aquilo era muito estranho.

Pierre por sua vez parecia muito curioso sobre o assunto máfia. Ele fez diversas perguntas, sempre pegando os ganchos que Tao ia deixando ao falar. Em dado momento logo antes de Jeong voltar eles chegam no tema "ingresso clandestino de imigrantes".

(...)

Tao: -A Família está prestes a fazer uma operação grande de entrada de estrangeiros aqui por sinal.

Pierre: -De mexicanos, tipo o que os tais coiotes do cartel de drogas fazem?

Tao: -Não, nada disso. Aqueles caras são uns animais grosseiros. O nosso negócio é muito mais sofisticado.


-- Está aqui Tão. Pierre, se quiser vinho, deixei uma taça para você. Mas se não quiser, não vou insistir Sorriu gentil para ele e se sentou na cadeira daquela cozinha americana, com os pratos no balcão.


Pierre: Eu vou aceitar um golinho. Mas bem pouquinho, por favor. -Pierre volta novamente sua atenção para Tao, deixando Jeong enciumada com como ela era deixada de lado enquanto ele estava completamente concentrado em seu namorado -Como que a entrada de vocês é diferente da deles?

A conversa prosseguia, agora regada a vinho.

Tao: -Ah, aqueles caras simplesmente pegam os mexicanos que querem entrar, colocam eles em uma van e se aproveitam a fronteira na esperança de não serem encontrados. No fundo os mexicanos mal precisam dos coiotes. Eles não trazem segurança nem ajudam pra valer na travessia. Com a Família é tudo diferente. Além disso, aqui nós não temos a fronteira com o México como eles tem lá. Tudo tem que ser feito com mais inteligência.

Pierre: Fascinante... Mas como exatamente?

Tao: Bem, depende. Há mais de uma maneira. A mais lenta e grosseira é colocar o povo em navios cargueiros. O pessoal mais pobre e desesperado costuma entrar assim. Com os contatos certos um container pode não ser devidamente fiscalizado na entrada do porto.

Pierre: Acho que faz sentido. Tem um esquema diferente para os mais abastados?

Tao: Ah sim. Isso me lembra de algo, Jeong, eu conversei com o pessoal. Teremos 12 encomendas para entrega assim que possível.

Pierre: Encomendas?
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 12, 2017 3:56 pm

Deixou transparecer um pouco do incomodo. Tanto por não ter a atenção de Pierre quanto pela boca aberta de Tao. Estava inconformada em como ele podia nem sequer cogitar a segurança de Pierre.

Quando ele deixou escapar sobre as encomendas fechou o rosto e sentiu o coração palpitar. As narinas abriram com um pouco de raiva, mas se conteve. Viraram para Tão falou


-- Não precisamos conversar sobre essas coisas agora Tao. Com todo respeito ao Pierre, sei que ele é um homem de ouro, mas é a segurança dele? Você mesmo havia dito que quanto menos uma pessoa souber, melhor.
-- Olhou para Pierre, mas logo abaixou os olhos desviando o olhar e acalmou o tom de voz --Eu sei que você pode se cuidar Pierre e que jamais passaria essas informações à ninguém, mas se um dia alguém nos ouvir conversando. Seja por uma escuta ou passando pelo corredor. Eu nao sei. Você, eu e Tao provavelmente morreríamos. Temos que ter mais cuidado com esse tipo de conversa. Para sua própria segurança. Eu te estimo muito e não gostaria de vê-lo machucado, da forma que fosse Disse falando amorosa, com a mão pousada no peito. Olhou para Tao em seguida, franziu o rosto -- Você não quer nada se mal acontecendo à ele, quer? Ele é muito bom para sofrer como aquele homem que caiu doze vezes em cima de uma faca. Homem desastrado


Olhou de canto de olho para Pierre e depois para Tao. Como que ele não pensava na segurança daquele homem?

Levou a mão para a testa como se quisesse tirar as aflições de sua mente. Suspirou fundo e desejou que Tao finalmente falasse a boca. Mas era possível que eles conversasse depois sem a presença dela. Se sentia sem muita escapatoria. Será que ele acharia bom saber que ela era uma falsificadora? Sentiria orgulho? Mas não queria que ele se machucasse
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Ter Nov 14, 2017 4:51 pm

Deixou transparecer um pouco do incomodo. Tanto por não ter a atenção de Pierre quanto pela boca aberta de Tao. Estava inconformada em como ele podia nem sequer cogitar a segurança de Pierre.

Quando ele deixou escapar sobre as encomendas fechou o rosto e sentiu o coração palpitar. As narinas abriram com um pouco de raiva, mas se conteve.

Embora a garota não tentasse disfarçar sua expressão de incômodo nenhum dos homens prestava atenção suficiente nela para reparar. Era como se ela fosse invisível ali. Curiosamente a falta de atenção de Pierre para incomodá-la mais do que a do próprio namorado

Viraram para Tão falou

-- Não precisamos conversar sobre essas coisas agora Tao. Com todo respeito ao Pierre, sei que ele é um homem de ouro, mas é a segurança dele? Você mesmo havia dito que quanto menos uma pessoa souber, melhor. -- Olhou para Pierre, mas logo abaixou os olhos desviando o olhar e acalmou o tom de voz --Eu sei que você pode se cuidar Pierre e que jamais passaria essas informações à ninguém, mas se um dia alguém nos ouvir conversando. Seja por uma escuta ou passando pelo corredor. Eu nao sei. Você, eu e Tao provavelmente morreríamos. Temos que ter mais cuidado com esse tipo de conversa. Para sua própria segurança. Eu te estimo muito e não gostaria de vê-lo machucado, da forma que fosse Disse falando amorosa, com a mão pousada no peito. Olhou para Tao em seguida, franziu o rosto -- Você não quer nada se mal acontecendo à ele, quer? Ele é muito bom para sofrer como aquele homem que caiu doze vezes em cima de uma faca. Homem desastrado

Tao em um primeiro momento parece aborrecido por Jeong estar lhe dizendo o que fazer na frente de seu convidado, mas quando ela começa a falar sobre a segurança de Pierre a expressão dele logo muda.

Um tanto sem jeito ele começa a dizer

Tao: Bem, eu...

Pierre: Se é um assunto sensível, deixemos ele para lá. Não quero causar preocupações em minha anfitriã. - Ele sorri para Jeong e então cruza um olhar de cumplicidade com Tao.

O artista então abre sua mochila e tira uma garrafa de vinho de lá de dentro

-Jeong, eu havia prometido ao seu irmão uma garrafa de vinho para ele impressionar uma paquera dele da faculdade. Você poderia entregar para ele oportunamente, por favor?

{Micro}

-Agora, se você não se incomodar, eu gostaria de ver suas telas.

{Por favor descreva o que Jeong pintou nos três quadros. Não há necessidade de enviar imagens}
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Ter Nov 14, 2017 8:12 pm

Pierre: Se é um assunto sensível, deixemos ele para lá. Não quero causar preocupações em minha anfitriã.

-- Desculpe Pierre. É apenas receio de sua segurança. As pessoas sempre acabam abusando do seu lado bom. [color:c5a5=cc66cc] Soltou o ar suspirando, como se tivesse realmente com um peso grande do preocupação em seus ombros.


- Ele sorri para Jeong e então cruza um olhar de cumplicidade com Tao.
Notou o olhar de cumplicidade, como alguém que sempre tentou cuidar da segurança daqueles que gostava, sentiu um incômodo grande no peito. Tal qual adolescente buscando atenção, misturou os sentimentos e disse, não se importando com qualquer Careta que Tao viesse a fazer.
-- Eu não sou besta. Não adianta não conversar agora é conversarem quando eu não estiver. Disse com dureza na voz e olhou afiado para Tao. Suavizou o olhar ao voltar-se à Pierre -- Ah Pierre, no fundo você gosta de grandes emoções Sorriu um pouco preocupada ao olhá-lo, havia falado com carinho, com a mesma apreensão que demonstrava ao cuidar do irmão. Depois sorriu abertamente por encontrar em seu olhar alguma alegria que dispertava a mais pura energia em seu peito.

[Quote]-Jeong, eu havia prometido ao seu irmão uma garrafa de vinho para ele impressionar uma paquera dele da faculdade. Você poderia entregar para ele oportunamente, por favor?


Fez uma cara de surpresa ao ouvi-lo. Esticou a mão e com cuidado pegou a garrafa e deixou em um local seguro -- Pierre. O que fizemos para merecer você? Meu irmão é um abusado. E também um galanteador Riu de leve o olhando e comentou que entregaria à ele o quanto antes. Fez uma reverência no lugar do irmão por conta da gentileza do homem.

-Agora, se você não se incomodar, eu gostaria de ver suas telas.
Fez uma feição de surpresa, havia esquecido naquele momento das telas. O coração palpitou ansiosa. Engoliu seco assentiu com a cabeça. Não havia terminado a comida e a deixou de lado para ir até onde as telas estavam. As palavras que soltou começaram tímidas, mas embriagaram-se de orgulho ao longo da fala. Ela retirava as telas e as deixava exposta para ele.as olhá-la

-- Eu tentei aprimorar algumas técnicas. Mas a verdade é que as técnicas ficaram em segundo plano pois minha mão, solitária no serviço, juntou forças para exprimir tudo que eu sentia no peito. Depois de tudo que aconteceu. À algumas sensações que jamais vou esquecer. A dor de perder quem se ama, sentir-se no mais profundo abismo dentro de você mesmo, a incapacidade de se mover... A sensação de poder domar o mundo, ter forças para enfrentar qualquer pessoa e ou problema. O companheirismo e mais do que tudo... A auto suficiência. Tudo isso é interno, e o mundo.. ele é mais escuro à cada vez que respiro. Ele não é bonito, é agressivo e engole quem se aconchega... Mesmo que haja beleza, e eu acredito que sim, há, o mau parece habitar em cada canto escuro de uma rua iluminada pelo movimento humano. Cada bueiro tem escondido um monstro à expreita, esperando que tropecemos. Ele te agarra pelo calcanhar e o que resta é continuar forçando contra, ele nunca vai te largar, mas você pode avançar, nem que seja se arrastado e então se afastar para receber um pouco de luz. Mesmo que ela luz não seja o calor do sol quente e gostoso, mas sim a iluminação artificial da rua, que finge que nos acolhe, enquanto fingimos que estamos bem e vitoriosos, mesmo que presos pelas sombras de nossos próprios monstros.

Terminou e deu uns passos para trás. Levou a mão direita para o braço esquerdo, cruzando--o sobre o peito, como se estivesse se resguardando e se contendo depois de se abrir. Abaixou a cabeça por um momento, mas o olhou de canto de olho, procurando sua aprovação pelas palavras e pela tela. Transbordava a incerteza, havia feito seu melhor. Havia? Esperava a aprovação de Pierre como havia esperado a aprovação de seu pai. Não se mexeu enquanto ele analisava as obras. Mal respirava tamanha ansiedade.

A primeira tela era uma mulher de costas, ligeiramente virada, com um pouco do seu próprio rosto aparecendo, cima de seu ombro, o espelho refletia suas feições. Pelo espelho, seu rosto era nítido assim como o reflexo das luzes da cidade atrás. O sorriso parecia contente à primeira vista, mas logo se via a apreensão em algumas partes do rosto, demonstrando o sorriso falso. Apesar da tela ser escura, representando a noite, havia bastante luz dentro do espelho, até mesmo com típicas propagandas chinesas dos prédios onde viviam. De fora do espelho, eram impressões de prédios que se misturavam com a escuridão das sombras. Até mesmo seu rosto parecia que a pele, o pouco que se via, estava se desgrudando. Os dedos que segurava mais o espelho, magros e aguniantes. Quase toda a tela era amarelo bem escuro, quase preto, havia um pouco de marrom em alguns pedaços. Em destaque algum vermelho dentro do espelho, as luzes das propagandas. O batom do rosto. Era uma tela pesada, desconfortável depois de perceber o olhar da figura principal, que parecia fora do contexto onde estava.

A segunda tela o rosto de uma mulher oriental. Enquadrado cortado o lado direito, que parecia querer sorrir enquanto o lado esquerdo tinha no olhar o temor. Estava no canto direito na tela, sem o formato inteiro do rosto, cortado também embaixo. De fundo, a visão de uma rua em noite a chuvosa. Muito reflexo no chão e as luzes iluminando o local em um amarelo alaranjado. Mas o que refletia na mulher, era o tom de luz vermelho. Procurando a fonte da luz, um pedaço de propaganda iluminada de vermelho, também cortada de forma brusca no ângulo e incomoda. As pessoas eram borroes amarelo escuro, quase negro, olhando mais de perto, entre o que parecia um beco, uma das figuras era um borrão vermelho que parecia olhar na direção do quadro, era o único de frente. O quadro todo e as figuras pareciam um pouco inclinados, como se quem olhasse estivesse torto e não o local.

O terceiro quadro tinha as cores extremamente fortes. Novamente era uma das ruas de Chinatown, parecia um dia nublado e chuvoso por conta do reflexo no chão que refletia os prédios altos. Esses prédios eram, nas partes melhor desenhadas, preto e amarelo, o fundo, no céu eram espaços vázios, com azul claro e branco que as vezes avançava e tomava o espaço do prédio que não tinha muita forma se olhar rápido. No chão, os reflexos eram do mesmo tom amarelo laranja dos prédios na partes que pareciam ser luzes e propagandas fixadas nos predios e toldos. Muito cinza para representar a rua e azul para ajudar na sensação de reflexo pela chuva. As pinceladas eram fortes, violentas, mais do que as outras. Não havia ninguém olhando para tela, apenas semblante de pequenas pessoas caminhando e dividindo a rua com carros. Parecia uma tela abstrata, mas em segundos os olhos entendiam o que viam.

As três telas eram grandes.

Olhou para as telas e para Pierre. O olhava curiosa e apreensiva. Não movia um músculo, mas sentia o coração pulsar frenético




avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Sab Nov 18, 2017 8:22 pm

Notou o olhar de cumplicidade, como alguém que sempre tentou cuidar da segurança daqueles que gostava, sentiu um incômodo grande no peito. Tal qual adolescente buscando atenção, misturou os sentimentos e disse, não se importando com qualquer Careta que Tao viesse a fazer.
-- Eu não sou besta. Não adianta não conversar agora é conversarem quando eu não estiver. Disse com dureza na voz e olhou afiado para Tao. Suavizou o olhar ao voltar-se à Pierre -- Ah Pierre, no fundo você gosta de grandes emoções Sorriu um pouco preocupada ao olhá-lo, havia falado com carinho, com a mesma apreensão que demonstrava ao cuidar do irmão. Depois sorriu abertamente por encontrar em seu olhar alguma alegria que dispertava a mais pura energia em seu peito.


Pierre abre um sorriso que se transforma em uma risada e então em uma gargalhada. A risada dele era gostosa de escutar para Jeong. Tao acaba acompanhando o artista e ri também.

Pierre: Apanhados no flagra!

Tao: Os homens sempre serão homens, pequena. Não dá para mudar nossa natureza.


Fez uma cara de surpresa ao ouvi-lo. Esticou a mão e com cuidado pegou a garrafa e deixou em um local seguro -- Pierre. O que fizemos para merecer você? Meu irmão é um abusado. E também um galanteador Riu de leve o olhando e comentou que entregaria à ele o quanto antes. Fez uma reverência no lugar do irmão por conta da gentileza do homem.


Pierre: Seu irmão é um cara legal. E super preocupado com você, embora eu ache que ele tente disfarçar. Quanto a ser galanteador, poxa, você quase faz parecer que isso é uma coisa ruim falando assim! - risadas


Fez uma feição de surpresa, havia esquecido naquele momento das telas. O coração palpitou ansiosa. Engoliu seco assentiu com a cabeça. Não havia terminado a comida e a deixou de lado para ir até onde as telas estavam. As palavras que soltou começaram tímidas, mas embriagaram-se de orgulho ao longo da fala. Ela retirava as telas e as deixava exposta para ele.as olhá-la

-- Eu tentei aprimorar algumas técnicas. Mas a verdade é que as técnicas ficaram em segundo plano pois minha mão, solitária no serviço, juntou forças para exprimir tudo que eu sentia no peito. Depois de tudo que aconteceu. À algumas sensações que jamais vou esquecer. A dor de perder quem se ama, sentir-se no mais profundo abismo dentro de você mesmo, a incapacidade de se mover... A sensação de poder domar o mundo, ter forças para enfrentar qualquer pessoa e ou problema. O companheirismo e mais do que tudo... A auto suficiência. Tudo isso é interno, e o mundo.. ele é mais escuro à cada vez que respiro. Ele não é bonito, é agressivo e engole quem se aconchega... Mesmo que haja beleza, e eu acredito que sim, há, o mau parece habitar em cada canto escuro de uma rua iluminada pelo movimento humano. Cada bueiro tem escondido um monstro à expreita, esperando que tropecemos. Ele te agarra pelo calcanhar e o que resta é continuar forçando contra, ele nunca vai te largar, mas você pode avançar, nem que seja se arrastado e então se afastar para receber um pouco de luz. Mesmo que ela luz não seja o calor do sol quente e gostoso, mas sim a iluminação artificial da rua, que finge que nos acolhe, enquanto fingimos que estamos bem e vitoriosos, mesmo que presos pelas sombras de nossos próprios monstros.


Embora Pierre mantenha uma expressão cordial Jeong suspeita que no fundo ele está um tanto quanto entediado com a conversa dela. Era quase como se ele não se importasse com o que ela dizia, o que não podia ser verdade. A garota acaba por se convencer de que era apenas impressão e continua com a exposição, afinal seu querido Pierre certamente se importava em saber o que se passava em sua alma. Apenas quando ela termina de falar é que Pierre finalmente começa a olhar para as obras.

Como de costume Pierre fica um longo tempo em silêncio. Depois de cerca de dois minutos Tao diz alguma coisa, mas ele faz um gesto com uma das mãos sem tirar os olhos da tela e o homem se cala imediatamente. Depois de muito tempo olhando para a primeira tela Pierre simplesmente diz:

-O próximo.

E volta a fazer sua imersão de costume. O processo se repete no terceiro quadro.

Quando ele finalmente terminar ele olha com seriedade para Jeong, aparentando estar genuinamente em dúvida sobre o que iria falar a  seguir. Para a garota parece que ele pode não ter gostado dos quadros a princípio, mas o que ele diz a seguir parece sugerir que se trata de outra coisa.

-Jeong, você era uma artista de qualidade quando veio me encontrar da primeira vez e eu não fiz segredo disso. Quando você pintou aquela obra por encomenda sua produção foi ainda melhor, mas isso aqu
i - ele aponta para as telas - está claramente em um outro nível.

Pierre passa uma das mãos pelos próprios cabelos, uma vez mais revelando um momento de hesitação.

-Eu acredito que seu acidente tenha liberado em você um talento que você não tinha antes. E um talento que eu acho que nunca vi, e ouso afirmar que isso não é pouca coisa. Essa habilidade maravilhosa muito provavelmente não permanecerá em um caso de recuperação completa. Eu quero que você escute com muita atenção o que eu vou te perguntar. Não me pergunte como ou porque eu pergunto. A resposta a isso pode mudar radicalmente sua vida. Se você tivesse que sacrificar esse seu talento excepcional para se curar das sequelas de seu acidente, o que você escolheria?
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Nov 19, 2017 8:21 pm

Como de costume Pierre fica um longo tempo em silêncio. Depois de cerca de dois minutos Tao diz alguma coisa, mas ele faz um gesto com uma das mãos sem tirar os olhos da tela e o homem se cala imediatamente. Depois de muito tempo olhando para a tela

Sente a ansiedade crescente. Havia pintado com a alma e queria que ele visse. Queria que ele entendesse sua dor e como as coisas eram. Sempre tivera uma vida difícil, mas nunca se importou em expressar esse lado até conhecê-lo e queria que ele a sentisse. Queria que outros também sentissem. Havia ficado tantas horas e era tão difícil fazer tudo com uma mão só, que se emocionou enquanto dividia os olhares a tela e Pierre. Sentia o coração batendo tão forte que poderia atravessar o peito e cair em suas mãos que continuaria pulsando.


E volta a fazer sua imersão de costume. O processo se repete no terceiro quadro.


Todo seu nervosismo aumenta e se alastra pelo corpo. Tentava não fazer barulho ao respirar, mas conseguia puxar o ar para o peito. As narinas de abriam para compensar. O olhava tentando descobrir o que ele pensava e as vezes olhava para a própria obra.

Olhou para ele com receio. Sentiu que ia desabar e a perna parecia falhar, se apoiou na bengala fazendo força na mão que tremeu um pouco pelo peso, logo voltou a se manter ereta. Vidrou o olhar nos olhos de Pierre e enfrentou seu medo da falha. O ouviu com atenção e o olhava com adoração, em súplica esperava por sua graça.

As palavras ditas entraram em seus ouvidos e atingiram seu íntimo. Nunca havia recebido nenhum tipo de reconhecimento tão forte quanto ele. As lágrimas escorreram e o rosto de contorceu assim como o corpo. A perna não aguentou e mole estremeceu, Jeong sentou no chão e largou a bengala que bateu no piso em um som abafado. Estava tão emocionada e confusa que de imediato não conseguiu responder. Estava à tanto tempo sem chorar na frente de ninguém que tudo que guardou saiu naquele momento e disse retomando um pouco do controle.


-- Eu não tinha mais esperanças de que um dia alguém entendesse minha dor. Desde pequena eu vi e vivi tanta maldade e nunca pude expressar essas emoções. Você viu? Você viu com seus olhos o que vejo com os meus? Olhou para cima procurando os olhos dele. Limpou as lágrimas com uma mão só, já acostumada a mover apenas o braço direito Eu não sei Pierre. Eu gosto de quem eu sou agora. De como sou forte e determinada. Mas, eu mal consigo ficar em pé. Se eu ainda tivesse como me locomover com mais facilidade, que se foda o lado esquerdo. Mas eu também não quero depender de ninguém. Porqu..? Ia perguntar exatamente o que ele havia pedido para não perguntar. Suspirou tremidamente e parou de chorar. O rosto endureceu, como as vezes ficava sua expressão, diferente  de antes. -- Mesmo andando sobre as duas pernas, eu sempre fui invisível. Eu sempre... Fui deixada de lado. Se levantou com certa dificuldade, mas força-se sem dó das dores que sentia e não alterava a feição fechada. -- Se essa habilidade é assim tão grande, eu não quero perder. Tampouco minha vontade de vencer que se alojou aqui. Mas eu quero me locomover melhor, por que assim fica difícil. De que adianta pensar isso. Não vai acontec... Bem. São só desejos de nosso interior. Me diga. Me diga o que viu nas telas. Estava ansiosa por sua análise
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Seg Nov 20, 2017 10:35 pm

Pierre: Você não respondeu a pergunta.

Enviado pelo Topic'it
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Sab Nov 25, 2017 4:13 pm



Olhou para ele como se olhasse através de um olho mágico em uma porta desconhecida que levava à lugar algum. Sentiu o peito pulsando o coração fraco. Oscilou a boca. Pensou sobre o assunto como não havia pensado antes. Havia duas escolhas ali, embora não fosse, para ela, escolhas táteis, era possível ver duas de sí. Em sua cabeça, girava as realidades.

Havia duas delas em pé, de fundo uma janela que mudava a vista dependendo para qual Jeong seu olhar ia. Eram iguais, mas opostas, pelo olhar, conseguia diferenciá-las. Uma delas tinha sua cabeça inclinada para cima, altiva, boca estreitada e olhar firme, a postura ereta e o braço reto ao lado do corpo, a mão direita na cintura. A outra, um sorriso no rosto, a cabeça levemente abaixada e o olhar amendoado, os dedos entrelaçados e as mãos frente ao corpo, a perna esquerda como perna de apoio. Uma então suspira triste e sobe os ombros, a outra sorri de canto e joga o cabelo para trás girando a cabeça.





Era um pensamento inquietante, de que teria que abdicar de um pedaço seu para que pudesse se sentir completa. Por mais que quisesse o físico, nada era mais importante do que quem era por dentro. Chegou a sorrir ao pensar na brincadeira de mal gosto que era sua vida. Qualquer escolha que faria, iria assombrá-la para sempre, haveria uma outra de si à quem mataria com essa escolha. É difícil pensar nas consequências e o que morreria ao longo dias.

Seria seu lado esquerdo a orelha de Van Gogh e poderia então pintar sua própria noite estrelada? O braço direito o único pulso firme que com o dobro de dureza compensava o outro lado? O coração petrificado deixaria de lado a auto piedade? Eram os ganhos dessa nova vida, mais valiosos do que o que tinha antes? Agoniante escolha.

No entanto, parecia certo, por mais que pensasse, era uma das poucas vezes que havia sentido que poderia finalmente controlar sua própria vida. Talvez seu lado esquerdo fosse morada de suas inseguranças e perdido ele, poderia pisar com o pé firme no chão arenoso e caminhar devagar, mas constante, no caminho tortuoso. Certamente estava próxima do resto de seus dias. Havia enterrado sua mãe e seu lado esquerdo à sete palmos. Havia, porém,
renascido.

Viu então, em suas fantasias, uma de suas imagens virar-se devagar para a outra. O lado esquerdo ocultado pela figura agora de lado, sacou uma pistola das costas e esticou o braço reto, apertou o gatilho e a bala correu em camera lenta pelo ar, atravessando a testa da outra que desesperada chorava e aos poucos sumia, pintando de sangue toda a parede atrás de si. A figura em pé sorri e vê a outra desaparecer.



-- Oh meu querido Mefistófeles. --  Sorri olhando para Pierre, mas finalmente desviou o olhar -- À quanto tempo estou pensativa? Estava olhando em seus olhos, mas na verdade estava olhando para minha alma. Engraçado como a noção de tempo é relativa. Mas eu matei a mim mesma nesse curto espaço. Culpada do acidente e culpada na escolha de manter-me assim. Sabe -- Dizia devagar -- Sempre tive grilhões que me prendiam -- Voltou a olhá-lo nos olhos -- As vezes tenho a impressão de que o que falo é ignorado pelos que ouvem -- Desviou o olhar -- Pois eu escolheria estar como estou, pois é somente assim que tenho voz e o braço direito a firmeza que sempre quis ter. Nesse momento, que mais dependeria dos outros, é quando menos dependo. Faço tudo sozinha e não preciso que ninguém cuide de mim. Minha perna esquerda é minha muleta -- Engoliu seco e riu nervosa -- Que escolha estou de fato fazendo? Se eu tivesse com os dois lados saudáveis e então surgisse um demônio caído e me oferecesse esse dom ao troco de minha alma, eu teria vendido? Ou é mais fácil dizer à mim mesma que escolhi tal posíção por não ter outra? De qualquer forma, parece que estou bem como estou. Mais do que bem, estou fantástica. -- Virou-se para Tao e o olhou por um momento e depois para Pierre. Fitou o chão -- O único incomodo é ser metade de uma mulher, difícil fazer crescente o desejo dos homens com metade de seu corpo. -- Deu de ombro -- Mas não é e nunca será minha maior preocupação. Embora essa aflição esteja alí, no canto da sala em minha mente, à espreita -- Suspirou. Voltou a olhar para cima. Olhou para Pierre -- Respondi sua pergunta, disse que preferiria continuar assim, mas você não respondeu a minha -- Se aproximou dele devagar, com audácia encostou em seu peito com a palma aberta, deixou a mão pousada enquanto sentia seu próprio peito bater rápido com a ansiedade, lembrando de como ele olhava para a arte e de como ele havia beijado seu pescoço em instantes atrás, todas as sensações se misturavam e soltou as palavras com energia -- Me diga o que viu, o que te tocou quando olhou para os quadros. O que sentiu aqui? Fez teu coração saltar?



avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Seg Nov 27, 2017 12:02 am


Olhou para ele como se olhasse através de um olho mágico em uma porta desconhecida que levava à lugar algum. Sentiu o peito pulsando o coração fraco. Oscilou a boca. Pensou sobre o assunto como não havia pensado antes. Havia duas escolhas ali, embora não fosse, para ela, escolhas táteis, era possível ver duas de sí. Em sua cabeça, girava as realidades.

Havia duas delas em pé, de fundo uma janela que mudava a vista dependendo para qual Jeong seu olhar ia. Eram iguais, mas opostas, pelo olhar, conseguia diferenciá-las. Uma delas tinha sua cabeça inclinada para cima, altiva, boca estreitada e olhar firme, a postura ereta e o braço reto ao lado do corpo, a mão direita na cintura. A outra, um sorriso no rosto, a cabeça levemente abaixada e o olhar amendoado, os dedos entrelaçados e as mãos frente ao corpo, a perna esquerda como perna de apoio. Uma então suspira triste e sobe os ombros, a outra sorri de canto e joga o cabelo para trás girando a cabeça.




Era um pensamento inquietante, de que teria que abdicar de um pedaço seu para que pudesse se sentir completa. Por mais que quisesse o físico, nada era mais importante do que quem era por dentro. Chegou a sorrir ao pensar na brincadeira de mal gosto que era sua vida. Qualquer escolha que faria, iria assombrá-la para sempre, haveria uma outra de si à quem mataria com essa escolha. É difícil pensar nas consequências e o que morreria ao longo dias.

Seria seu lado esquerdo a orelha de Van Gogh e poderia então pintar sua própria noite estrelada? O braço direito o único pulso firme que com o dobro de dureza compensava o outro lado? O coração petrificado deixaria de lado a auto piedade? Eram os ganhos dessa nova vida, mais valiosos do que o que tinha antes? Agoniante escolha.

No entanto, parecia certo, por mais que pensasse, era uma das poucas vezes que havia sentido que poderia finalmente controlar sua própria vida. Talvez seu lado esquerdo fosse morada de suas inseguranças e perdido ele, poderia pisar com o pé firme no chão arenoso e caminhar devagar, mas constante, no caminho tortuoso. Certamente estava próxima do resto de seus dias. Havia enterrado sua mãe e seu lado esquerdo à sete palmos. Havia, porém, renascido.

Viu então, em suas fantasias, uma de suas imagens virar-se devagar para a outra. O lado esquerdo ocultado pela figura agora de lado, sacou uma pistola das costas e esticou o braço reto, apertou o gatilho e a bala correu em camera lenta pelo ar, atravessando a testa da outra que desesperada chorava e aos poucos sumia, pintando de sangue toda a parede atrás de si. A figura em pé sorri e vê a outra desaparecer.


A maconha fumada mais cedo provavelmente estimulara o lado imaginativo do cérebro de Jeong, que é praticamente capaz de enxergar o confronto entre seus dois possíveis "eu" diante de seus olhos. Ao final o "eu" de corpo quebrado se revela mais impiedoso do que o mais saudável. Na verdade talvez se livrar dele jamais tivesse sido uma opção que ela poderia fazer de verdade.


-- Oh meu querido Mefistófeles. --  Sorri olhando para Pierre, mas finalmente desviou o olhar -- À quanto tempo estou pensativa? Estava olhando em seus olhos, mas na verdade estava olhando para minha alma. Engraçado como a noção de tempo é relativa. Mas eu matei a mim mesma nesse curto espaço. Culpada do acidente e culpada na escolha de manter-me assim. Sabe -- Dizia devagar -- Sempre tive grilhões que me prendiam -- Voltou a olhá-lo nos olhos -- As vezes tenho a impressão de que o que falo é ignorado pelos que ouvem -- Desviou o olhar -- Pois eu escolheria estar como estou, pois é somente assim que tenho voz e o braço direito a firmeza que sempre quis ter. Nesse momento, que mais dependeria dos outros, é quando menos dependo. Faço tudo sozinha e não preciso que ninguém cuide de mim. Minha perna esquerda é minha muleta -- Engoliu seco e riu nervosa -- Que escolha estou de fato fazendo? Se eu tivesse com os dois lados saudáveis e então surgisse um demônio caído e me oferecesse esse dom ao troco de minha alma, eu teria vendido? Ou é mais fácil dizer à mim mesma que escolhi tal posíção por não ter outra? De qualquer forma, parece que estou bem como estou. Mais do que bem, estou fantástica. -- Virou-se para Tao e o olhou por um momento e depois para Pierre. Fitou o chão -- O único incomodo é ser metade de uma mulher, difícil fazer crescente o desejo dos homens com metade de seu corpo. -- Deu de ombro -- Mas não é e nunca será minha maior preocupação. Embora essa aflição esteja alí, no canto da sala em minha mente, à espreita -


Tao faz jeito de quem iria falar algo, mas Pierre estende um mão, de forma gentil, mas claramente passando a ele a orientação de não interromper. Ele então permanece calado e deixa a garota terminar.


- Suspirou. Voltou a olhar para cima. Olhou para Pierre -- Respondi sua pergunta, disse que preferiria continuar assim, mas você não respondeu a minha -- Se aproximou dele devagar, com audácia encostou em seu peito com a palma aberta, deixou a mão pousada enquanto sentia seu próprio peito bater rápido com a ansiedade, lembrando de como ele olhava para a arte e de como ele havia beijado seu pescoço em instantes atrás, todas as sensações se misturavam e soltou as palavras com energia -- Me diga o que viu, o que te tocou quando olhou para os quadros. O que sentiu aqui? Fez teu coração saltar?


Pierre segura a mão de Jeong por um segundo e então, elegantemente, se desvencilha de contato corporal direto ao começar a gesticular. Ele passa longos minutos falando sobre alguns aspectos relativamente tecnicos da obra e a seguir elogia como o quadro conseguia transmitir algo que vinha da alma. Ele definiu como beleza verdadeira. Ao final de tratar disso ele diz:

-E foi engraçado você falar em Mefistófeles. Eu sempre me vi mais como Fausto. Acho que a depender do momento revezamos esses papeis ao longo de uma existência longa.

Depois de jogar um pouco mais de conversa fora Pierre diz que tem outros compromissos e se despede. Àquela altura Tao já havia terminado de jantar e ele aproveita a deixa para também partir. Os dois homens vão embora do apartamento juntos.

****

A menos que Jeong decida sair ela {se for o caso informe e prossiga daí em Macro.}, mais tarde ela encontra o irmão em casa {Caso queira interagir com ele, Micro. Caso contrário considere apenas que ele chegou, perguntou pela garrafa de vinho, jantou e foi para o quarto dele sem falar nada de relevante}

***

A garota acorda na manhã seguinte e tem de decidir o que fará no dia {Macro, por favor}
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Seg Nov 27, 2017 12:18 am

-E foi engraçado você falar em Mefistófeles. Eu sempre me vi mais como Fausto. Acho que a depender do momento revezamos esses papeis ao longo de uma existência longa.


-- Talvez tivesse sido antes. Mas com certeza hoje em dia tem muito mais a oferecer do que a receber.


Deixou que ambos saíssem e comeu sozinha em casa. Estava começando a se acostumar em ver as pessoas partir e ficar acompanhada de seus pensamentos e somente. Antes de Tão partir, pediu as encomendas das quais ele havia comentado mais cedo na frente de Pierre, pedindo novamente que ele tomasse cuidado com o que falasse.

**

Com o irmão em casa, pergunta sobre seu dia e oferece alguma coisa. Conta que os dois estiveram ali e chega a indagar sobre a garrafa de vinho, mas sabendo que provavelmente o irmão não falaria muita coisa.
Fez questão de ficar um pouco próximo à ele, mas o deixou ir para o quarto com um pequeno beijo em sua bochecha e a mão pousada em seu antebraço. Se retirou também para seus aposentos e voltou a trabalhar com suas falsificações. Um pouco mais tarde, dormiu

**
Passou parte da manhã fazendo as falsificações, as da máfia e as para o @bad para as falcatruas das contas.
Na hora do almoço resolveu sair um pouco de casa e tomar um ar. Se banhou e saiu arrumada, com uma calça preta lisa e solto, uma blusa de de alça fina, branca, sem sutiã e um casaquinho aberto preto. Usava maquiagem que a deixavam bonita e cabelo alinhado, foi comer em um bom restaurante na região. Posteriormente, iria para o estande de tiro e então a tarde passaria em casa, novamente voltando a falsificar. À noite pintaria
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Seg Nov 27, 2017 12:36 am

-- Talvez tivesse sido antes. Mas com certeza hoje em dia tem muito mais a oferecer do que a receber.

Deixou que ambos saíssem e comeu sozinha em casa. Estava começando a se acostumar em ver as pessoas partir e ficar acompanhada de seus pensamentos e somente. Antes de Tão partir, pediu as encomendas das quais ele havia comentado mais cedo na frente de Pierre, pedindo novamente que ele tomasse cuidado com o que falasse.


Tao retira um envelope de um bolso interno do casaco e entrega para Jeong com uma piscadinha.

***



Com o irmão em casa, pergunta sobre seu dia e oferece alguma coisa. Conta que os dois estiveram ali e chega a indagar sobre a garrafa de vinho, mas sabendo que provavelmente o irmão não falaria muita coisa.
Fez questão de ficar um pouco próximo à ele, mas o deixou ir para o quarto com um pequeno beijo em sua bochecha e a mão pousada em seu antebraço. Se retirou também para seus aposentos e voltou a trabalhar com suas falsificações. Um pouco mais tarde, dormiu


O irmão realmente é evasivo quanto a detalhes de seu dia.


***


Passou parte da manhã fazendo as falsificações, as da máfia e as para o @bad para as falcatruas das contas.


Spoiler:

Jeong rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 6 para int+prontidão que resultou 9, 6, 7, 3, 9 - Total: 4 Sucessos

Jeong se lembra na hora do almoço de que havia prometido enviar uma leva de falsificações já pronta o @badmotherfucker quanto antes e não tinha ido se desincumbir disso ainda.


Última edição por Ignus em Seg Nov 27, 2017 12:41 am, editado 2 vez(es)
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Seg Nov 27, 2017 12:39 am

OFF: A citação a Fausto foi bem legal e te parabenizo por ela como player, mas para esse tipo de sacada culta me parece que seria melhor bombar um pouco a habilidade respectiva da personagem. Eu recomendaria vc gastar um pouco de sua XP para aumentar seus acadêmicos para vc ter liberdade de fazer esse tipo .
avatar
Ignus

Data de inscrição : 12/03/2011
Localização : São Paulo

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Seg Nov 27, 2017 12:43 am


Volta para casa  com certa pressa. Pediu um Uber com o celular para se locomover mais rapido possível, chegou até mesmo a levar a comida do restaurante para casa.

Em casa vai direto para onde trabalha, retira a calça e fica à vontade, nem tira a maquiagem. Tenta fazer rápido, mas sem deixar de fazer o mais perfeito que podia.
Assim que ajeitou tudo, enviou o que havia feito para se sentir segura e avisou o @bad sobre o enviou.

Tranquila, aproveitou e foi para o estande atirar um pouco depois voltaria para a casa, fazer os documentos pedido pela máfia, aproveitando o pique de trabalho.
avatar
DaniEaston

Data de inscrição : 30/05/2017
Idade : 31
Localização : Santos / SP

https://www.artstation.com/artist/danipanhozi

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 4 de 7 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7  Seguinte

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum