Um mundo mais escuro - parte II

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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Seg Out 23, 2017 12:40 pm

(vou não atender)


Viu i telefone tocar e apesar de sentir vontade de falar com Pierre, ficou decepcionada que não fosse o irmão ligando. Havia cometido o erro de deixar algumas coisas para depois com sua mãe e não faria isso novamente com sua família.
Desligou o celular para que não ficasse tentava a nada antes de falar com Tao e talvez, até mesmo naquela noite, falar com o irmão. Iria morar longe, estava decidida, mas não queria ir brigada, apesar da raiva, o amor sempre transbordava. Seu irmão era mais importante do que qualquer coisa no mundo, talvez até mais que sua mãe.

Tocou a campainha da casa de Tao e automaticamente olhou para baixo, cruzou os braços enquanto passava a mão no antebraço. Em coreano recitou um de seus poemas que mais gostava, fazia isso quando estava nervosa. Passou a andar de um lado para o outro, caso o homem não estivesse ali, sentaria na frente de sua porta e o esperaria, como ele já teve paciência com ela ao longo da vida.



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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Seg Out 23, 2017 3:51 pm

Viu i telefone tocar e apesar de sentir vontade de falar com Pierre, ficou decepcionada que não fosse o irmão ligando. Havia cometido o erro de deixar algumas coisas para depois com sua mãe e não faria isso novamente com sua família.

Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 6 para autocontrole que resultou 3, 2, 10, 3 - Total: 1 Sucessos

Jeong decide não atender o telefonema. Estranhamente, contudo, ela fica olhando para o nome 'Pierre' na tela enquanto o telefone toca longamente, sentindo uma grande ânsia por atender. Finalmente quando o aparelho para de tocar ela consegue reunir coragem para desligá-lo, mas não sem antes seus pensamentos vagarem para a imagem do artista.


Tocou a campainha da casa de Tao e automaticamente olhou para baixo, cruzou os braços enquanto passava a mão no antebraço. Em coreano recitou um de seus poemas que mais gostava, fazia isso quando estava nervosa. Passou a andar de um lado para o outro, caso o homem não estivesse ali, sentaria na frente de sua porta e o esperaria, como ele já teve paciência com ela ao longo da vida.


Ninguém atende na pequena casa de Tao, mas Jeong estava decidida a não arredar o pé dali até vê-lo. Ela espera ali por cerca de 3 horas até finalmente ver o carro de Tao virando a esquina. O homem parece não ter notado que a garota estava ali quando desce do veículo para abrir o portão. Jeong vai então falar com ele.

Assim que ela lhe dirige a palavra ele lhe responde sem o carinho que lhe era peculiar.

-O que você quer, Jeong? O momento não é bom, eu tenho companhia.

Spoiler:
Jeong rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 6 para percepção+pront que resultou 7, 7, 8, 5, 6 - Total: 4 Sucessos

Jeong consegue perceber cheiro de álcool no hálito de seu amigo. Ela também consegue dar uma boa olhada dentro do carro e notar que há uma mulher no banco do passageiro. Era uma menina oriental muito parecida com uma das meninas das fotos destinadas às falsificações dos passaportes, porém não parecia se tratar da mesma pessoa. Suas proporções corporais eram semelhantes às dela própria.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Seg Out 23, 2017 4:22 pm

-- Eu...

Começou a falar e olhou para a moça. O que poderia fazer naquele momento, brigar com o amigo novamente? Chorar? Sempre que tentava fazer alguma coisa piorava ainda mais. Tao estava nervoso e bêbado, ela estava cansada e arrependida. Os lábios tremerem querendo chorar ao olhar para o amigo com doçura no olhar. Se conteve.

-- Eu apenas vim pedir desculpas. Então me desculpe. A gente...eu não vou atrapalhar sua noite.

Apesar da fala ter saído devagar e pausado, estava agitada por dentro, colocou a mão pequena sobre o peito do rapaz e de inclinou para beijar seu rosto. Disse baixo -- Eu te gosto muito de você Tao, sinto muito por tê-lo magoado.

Escorregou a mão pelo braço do amigo e puxou o dedinho com o seu dedinho, como as vzes faziam quando mais novos e o deixou, era bom deixa-los ir aos poucos. Olhou para os olhos dele e esperou uma reação qualquer que não fosse grosseira, embora soubesse que era possível que o amigo estivesse mais nervoso do que antes.

-- Você entortou a maçaneta -- Disse com um sorriso amarelo, triste. Desceu os degraus devagar, queria ficar, mas não achava nem ao menos que merecia de verdade.. andou ate a casa que dividia com o irmão.

Pensou nos homens de sua vida e no que fazia com eles, estava exausta, talvez devesse parar de tentar e apenas pintar, criar, vender suas telas. A casa vazia a faria lembrar dos fantasmas de sua vida, era terrivrl. Tomaria um remédio para dormir e dia seguinte iria retirar dinheiro do banco e iria dar entrada no outro apartamento.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Ter Out 24, 2017 1:13 pm

-- Eu apenas vim pedir desculpas. Então me desculpe. A gente...eu não vou atrapalhar sua noite.

Apesar da fala ter saído devagar e pausado, estava agitada por dentro, colocou a mão pequena sobre o peito do rapaz e de inclinou para beijar seu rosto. Disse baixo -- Eu te gosto muito de você Tao, sinto muito por tê-lo magoado.


Spoiler:
Jeong rolou 4 dados de 10 lados com dificuldade 7 para carisma + expressão - derreter o coração que resultou 6, 2, 2, 10 - Total: 1 Sucessos

A fúria que podia ser notada nos olhos de Tao parece se dissipar um pouco. Agora ele parece mais hesitante do que com raiva.


Escorregou a mão pelo braço do amigo e puxou o dedinho com o seu dedinho, como as vzes faziam quando mais novos e o deixou, era bom deixa-los ir aos poucos. Olhou para os olhos dele e esperou uma reação qualquer que não fosse grosseira, embora soubesse que era possível que o amigo estivesse mais nervoso do que antes.


Tao permite que os dedinhos se toquem por alguns segundos daquela forma meiga e inocente e então muda a pegada para segurar a mão de Jeong entrelaçando todos os dedos, como faria ao segurar a mão de uma namorada ao andar pela rua. Ele passa o outro braço por trás do pescoço de Jeong e a puxa para um beijo na boca.

A reação toda é rápida e surpreendente e o "puxão" firme. Quando Jeong dá por si os lábios de Tao já estão tocando os seus.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Ter Out 24, 2017 1:52 pm

Foi embora com o puxão e sentiu os corpos se tocando assim como os lábios. O coração saltou, lembrou de seu irmão dizendo que Tao era apaixonado, talvez ela também fosse, mas não sabia. Havia estado com ele por tantos anos, sentando ao seu lado , se tocando em brincadeiras, olhares. Respondeu ao beijo levando a mão solta ao seu rosto.

Era diferente com ele, era seguro, confortável. Parecia o certo. Sua vida estava uma bagunça, mas não havia perdido o laço com o amigo e talvez tenha até mesmo se aproximado. Apertou sua mão com carinho e ficou um tempo no beijo até que saiu devagar e com o rosto ainda próximo, disse baixo:


-- Eu nunca devia tê-lo magoado -- Suspirou e ainda olhando para ele -- Você...eu preciso falar com você direito, mas eu não acho que você possa conversar agora. Você vai dispensar sua companhia? -- Disse apontando para o lado com a cabeça -- Podemos ficar a sós, próximos -- Deu de ombros -- Juntos e quietos, amanhã de manhã conversamos. Eu quero te explicar tudo o que aconteceu, tudo pelo que eu passei, por que eu estou agindo assim estranho. Essa comunicação pela metade tem nos feitos perder contato, antes que eu perca vocês dois de vez. -- Passou a mão em seu rosto novamente. Não soltou as mãos dadas  
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Ter Out 24, 2017 3:26 pm

Em certa medida Tao parece bastante surpreso por seu beijo ter sido correspondido. Talvez todos aqueles anos na friendzone fizessem ele supor que seria rejeitado caso desse um passo além.

-- Eu nunca devia tê-lo magoado -- Suspirou e ainda olhando para ele

-Deixa isso pra lá, o que importa...

A menina que estava no carro havia saído e se aproximado do casal.Ela gentilmente coloca a mão na cintura de ambos e fala, em chinês:

-Mas você é mesmo um garanhão, Tao. E sua amiga é tão linda. Nossa festa vai ser a três?

Spoiler:

Aumentei a dificuldade em 2 porque é uma mulher tentando seduzir outra sem histórico de gostar disso e reduzi em 1 por conta da libido que vem com a condição de carniçal

Oriental rolou 7 dados de 10 lados com dificuldade 7 para apa+exp que resultou 10, 5, 10, 4, 7, 2, 6 - Total: 3 Sucessos

Jeong pode sentir um perfume de jasmim emanando dela. Embora ela usasse uma maquiagem que a garota considerava um tanto exagerada era inegável que ela era bem bonita {aparência 4} e, para dizer a verdade, Jeong não podia negar para si que se sentia atraída por ela. Mas a situação não era simples. Além da estranheza de admitir que estava atraída por outra mulher havia ainda o elemento Tao na equação. Qual era a relação dele com ela? Como ele reagiria a tudo aquilo?
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Ter Out 24, 2017 6:32 pm

A menina que estava no carro havia saído e se aproximado do casal.Ela gentilmente coloca a mão na cintura de ambos e fala, em chinês:


Virou o rosto de imediato para ela, não havia nem percebido sua aproximação. Olhou para ela e para ele, voltou a visão para ela quando essa falou

Se sobressaltou e corou olhando novamente para Tao. Não era intenção fazer nada à três. Sua vida já era muito complicada para inserir coisas mais novas, no entanto, ela era tão bonita. Não tinha visto ainda uma mulher tão atraente. Não que se sentisse atraída por ela, mas como era bonita para os padrões normais. Sentiu seu rosto cotando ainda mais.
Seu perfume de jasmim inundou seu nariz e pensou no toque de sua mão em sua cintura, desejou proximação do corpo. Desviou o olhar e franziu o rosto, era tudo muito estranho.


-- Eu devo deixá-los à sós? -- Era para ser uma frase afirmativa, mas soou mais como uma interrogação. Sentiu um pouco de insegurava por ter caído no meio da situação dos dois. Talvez ela fosse mais do que uma mulher para aquela noite. Mas se fosse mais do que uma mulher para aquela noite, por que Tao a beijaria? Ele não seria indelicado com ela, provavelmente. -- Eu estou atrapalhando vocês, provavelmente. -- Abaixou a cabeça desviando o olhar. Pensou nos desejos que ultimamente sentia. Que fogo era esse que havia surgido? Sempre fora uma mulher tranquila e nesses dias tem de sentido no cio, atraída por todos. Talvez seja uma forma de fugir da vida comum, teria sentido fazer tudo que o corpo deseja ou a mente é o pensamento antigo que devia ser o guia? Nunca havia de importado com costumes, reconheceu. --. O mais irritante no amor é que se trata do tipo de crime que exige um cúmplice. Sorriu de leve, mas sentiu o sorriso sair aos poucos, corou e falou -- Eu não devo ser rude com vocês e nem quero. Mas nem ao menos sei que é -- A olhou de canto. Desceu os olhos para pontos específicos, lábios, pescoço, seios. Não se deu conta que o fazia -- Talvez devesse deixá-los à sós. Devo, não Tao? -- Demorou para voltar a olhá-lo. Estava corada. Prendeu os olhos nos olhos do amigo de infância. O coração saltou. Apertou sua mão com vontade, mas aos poucos soltou. Estava confusa e havia caído no meio da situação. Engoliu seco, visivelmente nervosa. --Melhor deixá-los. As vezes algumas coisas não acontecem mesmo quando devem acontecer. Talvez devesse ter me beijado antes Tao, não agora acompanhado Sorriu sem graça e foi soltando sua mão. Se sentia desejando ficar, mas uma parte queria sair e parar de ter complicações. Olhou de canto para a moça e novamente para Tao enquanto devagar começou a se afastar
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Qua Out 25, 2017 11:33 am

Sentiu seu rosto cotando ainda mais. Seu perfume de jasmim inundou seu nariz e pensou no toque de sua mão em sua cintura, desejou proximação do corpo. Desviou o olhar e franziu o rosto, era tudo muito estranho.


A oriental parece perceber Jeong corando, o que apenas poderia ser interpretado como um bom sinal para ela naquela situação.


-- Eu devo deixá-los à sós? -- Era para ser uma frase afirmativa, mas soou mais como uma interrogação. Sentiu um pouco de insegurava por ter caído no meio da situação dos dois. Talvez ela fosse mais do que uma mulher para aquela noite. Mas se fosse mais do que uma mulher para aquela noite, por que Tao a beijaria? Ele não seria indelicado com ela, provavelmente. -- Eu estou atrapalhando vocês, provavelmente. -- Abaixou a cabeça desviando o olhar. Pensou nos desejos que ultimamente sentia. Que fogo era esse que havia surgido? Sempre fora uma mulher tranquila e nesses dias tem de sentido no cio, atraída por todos. Talvez seja uma forma de fugir da vida comum, teria sentido fazer tudo que o corpo deseja ou a mente é o pensamento antigo que devia ser o guia? Nunca havia de importado com costumes, reconheceu.


Tao em um primeiro momento parece um pouco desconcertado com a situação. A seguir ele se volta para a outra menina. Jeong pode notar que ele não tinha a mesma ternura que demonstrava ao olhar para ela ao se dirigir para a outra garota.


--. O mais irritante no amor é que se trata do tipo de crime que exige um cúmplice. Sorriu de leve, mas sentiu o sorriso sair aos poucos, corou e falou -- Eu não devo ser rude com vocês e nem quero. Mas nem ao menos sei que é -- A olhou de canto. Desceu os olhos para pontos específicos, lábios, pescoço, seios. Não se deu conta que o fazia -- Talvez devesse deixá-los à sós. Devo, não Tao?


Tao: -Ming, eu acho que é melhor...

A outra menina leva o indicador aos lábios de Tao com gentileza, interrompendo-o.

-Shhhh,  meu grande homem. Nenhum problema aqui.. - A menina então se volta para Jeong e se aproxima dela, sedutora. Uma de suas mãos acaricia de leve o rosto de Jeong antes de ela lhe dar um beijo na boca, o que ao mesmo tempo que a surpreende aflora ainda mais sua libido, que já andava alta.

A seguir ela a pega pela mão e puxa em direção à casa. -Venha. Eu quero te conhecer melhor, princesa de jade! Podemos ir entrando enquanto você para o carro, Tao?

Tao está com um sorriso bobo no rosto, do tipo que homens fatalmente dariam ao ver seu crush beijando outra menina e concorda com um aceno. Dentro da casa as carícias da menina continuam. Logo Tao aparece e se junto a elas. A roupa de nenhum dos três dura muito tempo em seus corpos. Segue-se uma experiência fantástica de  sexo a três em que a outra menina em grande medida conduz o show. O vigor físico de Tao também se revela digno de nota durante o ato.

Pouco mais de uma hora depois os três finalmente se deitam para apenas repousar, cansados e satisfeitos. Tao fica no meio, abraçando uma menina em cada braço com uma expressão feliz no rosto. E assim Jeong adormece.

Algum tempo Jeong acorda com vontade de ir ao banheiro. Ela gentilmente sai do abraço em Tao e segue para o banheiro da casa do amigo, cujo caminho já lhe era conhecido. Ao chegar à porta ela pode ouvir um choro baixinho vindo de lá de dentro. Considerando que a outra menina não estava no quarto não era difícil presumir que era ela que estava ali chorando.



{Considerei que com 3 sucessos ela te seduziu o suficiente para ser irresistível nessas condições}
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Qua Out 25, 2017 11:34 am

Ming
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Qua Out 25, 2017 11:37 am

PS: Com exceção da primeira frase, que foi dita em chinês no post anterior Ming passou a falar em inglês dali para frente.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Qua Out 25, 2017 3:18 pm

Saiu do braço de Tao e o olhou por um momento, sorriu de canto de boca. Na ponta dos pés andou até o banheiro, estava pensando na noite anterior e no que haviam feito. Mas seus pensamentos foram cortados ao ouvir o choro da moça, seu semblante mudou, ficou um pouco triste, talvez por ter pensado que a moça tinha algum problema difícil de se resolver. Nos tempos atuais, não havia nada que pudesse oferecer além de companhia.
Encostou na parede ao lado da porta e disse em chinês. Sua voz era suave e baixa, recitou pausadamente, de forma bela:


-- Diante da cama; Brilha o luar; Que mais parece; Gelo no chão; Se levanto a cabeça; Contemplo a Lua; Ao baixá-la; Sonho com a terra natal.


Ficou um tempo em silêncio e cruzou os braços e as pernas em pé, um pouco apertada para se aliviar. Voltou a falar:


-- Não sei de seus problemas. Mas se quiser desabafar. Eu não tenho muita coisa, além de um ombro amigo para oferecer.

Ficou se sentindo um pouco mal por achar que talvez ela fosse ou foi uma mulher de vida difícil. Bonita como era, podia ser qualquer coisa que quisesse, achou melhor pensar que ela apenas uma mulher com algum problema qualquer. Era difícil imaginar que a mesma mulher que a seduziu tão bem tivesse seu lado frágil.


-- “Como o lótus nascido do silêncio. O monge medita as transições da lua, a transparência do vidro. O nada ser, para encontrar o sempre.”  Gosta de poesia? Há sempre uma poesia para cada momento.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Sab Out 28, 2017 10:36 pm

Saiu do braço de Tao e o olhou por um momento, sorriu de canto de boca. Na ponta dos pés andou até o banheiro, estava pensando na noite anterior e no que haviam feito.


Jeong não sabia bem o que pensar. Várias sensações diferentes passavam por sua cabeça. Por um lado sem dúvida a experiência fora muito agradável, por outra ela se sentia envergonhada por ter tido um contato íntimo com outra mulher. Ficar com Tao depois de todos aqueles anos parecia muito certo, mas por outro lado a ideia de estar traindo Pierre era incômoda ao ponto de mal poder ser racionalizada. Uma reflexão maior sobre aquilo, contudo, teria de ficar para depois.


Mas seus pensamentos foram cortados ao ouvir o choro da moça, seu semblante mudou, ficou um pouco triste, talvez por ter pensado que a moça tinha algum problema difícil de se resolver. Nos tempos atuais, não havia nada que pudesse oferecer além de companhia.
Encostou na parede ao lado da porta e disse em chinês. Sua voz era suave e baixa, recitou pausadamente, de forma bela:

-- Diante da cama; Brilha o luar; Que mais parece; Gelo no chão; Se levanto a cabeça; Contemplo a Lua; Ao baixá-la; Sonho com a terra natal.


Pouco depois a garota sai porta afora, de calcinha e carregando sua pequena bolsa. Ela se permite um pequeno soluço e uma pequena fungada antes de recitar, também em chinês:

Enfim, por que razão estou aqui? Fiz meu retiro na aldeia de Shaqiu
Ao pé das muralhas, apenas árvores seculares
Nelas, dia e noite, a voz do outono.
O vinho de Lu não consegue me deixar bêbado
e os cantos comoventes de Qi não tocam mais meu coração.
Minhas saudades de voce são como as correntes
do rio Wen que, sem fim, se precipitam para o sul.


Ming sorri agora enquanto passa os dedos sob os olhos e abre um sorriso.

-Você também aprecia Li Bai, princesa de Jade?


Ficou um tempo em silêncio e cruzou os braços e as pernas em pé, um pouco apertada para se aliviar. Voltou a falar:


-- Não sei de seus problemas. Mas se quiser desabafar. Eu não tenho muita coisa, além de um ombro amigo para oferecer.


A garota parece um pouco surpresa com aquela oferta de um ombro para chorar. Um pouco indecisa ela responde:

-Mas que cortesã seria eu se levasse meus problemas aos que vem a mim em busca de beleza e felicidade? Não precisa se preocupar comigo.

Spoiler:
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Jeong pode perceber que a negativa se dava mais por etiqueta e que no fundo sua interlocutora precisava desabafar, mas se continha. Se ela insistiria na oferta ou se aceitaria a saída honrosa de não se meter ficava por conta dela.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Out 29, 2017 12:25 am

Seu semblante demonstrou surpresa enquanto ela recitava o poema. O sorriso se abriu, orgulhoso daquela mulher. Admirando-a. Chegou a se emocionar e olhar para baixo, não triste, mas comovida pelas palavras e por quem o proferia

-Você também aprecia Li Bai, princesa de Jade?

-- Sim. Você o conhece também, que foda. Além de tudo é uma mulher culta. Eu dificilmente conheço pessoas que apreciam a literatura de um modo geral, ainda mais algum autor específico, quanto mais recitar. Se pudesse escolher, meu mundo seria um misto de cores e palavras.

-Mas que cortesã seria eu se levasse meus problemas aos que vem a mim em busca de beleza e felicidade? Não precisa se preocupar comigo.

-- Eu não sei. Do tipo humana? Você pode ter essa profissão, mas ainda tem sentimentos. Eu sei que me seduziu apenas por que deve ter achado que era seu trabalho. Na verdade isso me deixa até um pouco confusa e envergonhada, já que nunca tinha tido nada com mulher alguma. Mas... Eu costumo respeitar todas as pessoas independente do que fazem para ganhar a vida. Não sou melhor do que você, apenas tive sorte em ter um rumo diferente. Embora todos nós tenhamos azar de não termos nascido ricos. A vida não deve ter sido gentil com você, ela nunca foi gentil comigo também. Se quiser, podemos comer alguma coisa enquanto você me conta.


Passou pela cabeça quantas outras mulheres viviam da mesma forma para fortalecer homens como o Tao, como seu próprio irmão. Talvez devesse formar a própria Tríade de mulheres, lucrar sobre os corpos dos homens, assim como eles o faziam. Mas ela tinha sua parcela de culpa, falsificava documentos que faziam toda a engrenagem  continuar rodando. Se não fosse ela, havia um outro falsificador no lugar? A ideia se perdeu nos olhos de Ming.
Por fim disse.


-- Pode até não querer falar, mas eu vou mijar e depois vou comer. Pode me acompanhar depois, não há necessidade de voltar para lá
-- Apontou de qualquer jeito para o quarto.

Esperou alguns segundos para ela decidir e depois foi ao banheiro, já apertada. Enquanto se aliviava, pensava que Ming seria uma excelente modelo para pintar. Talvez ela pudesse desenhar e dar de presente à ela. Assim como Pierre iria fazer.. Pierre.. ele jamais poderia saber o que aconteceu ali, não o havia traído, havia? Que terrível era ela, dois homens e uma mulher, sua mãe mal havia perdido a pele do osso. Era uma pessoa horrível. Devia arrumar logo a vida. Suspirou, depois de ficar olhando a água amarela no vaso. Deu descarga, lavou a mão e saiu.
O semblante estava mudado, como se estivesse concentrada em pensamentos, mas ao olhar Ming soltou a expressão e voltou a sorrir gentil. Havia muita coisa em sua cabeça, ouvir o problema das outras pessoas era uma forma de não pensar nos seus, grandes os suficiente para não caber em sua cabeça. Foi em direção à cozinha, mas apanhou uma folha e um lápis da mesa de Tao, coisas que ela mesma já havia deixado no lugar. Acendeu a luz e pediu a Ming


-- Se importa se eu desenhar você? Pode fazer qualquer bosta para comermos. Tem uns cupnuddles no armário da cozinha. Nem precisa ficar parada posando, minha memória é boa. Só quero sentar aqui. Eu não tenho uma companhia à algum tempo.


Sentiu estar abusando do estado emocional de Ming, tentando se conectar com ela e assim ajudar à si mesma, embora ainda fosse conversar com Tao, mas pintar era uma de suas paixões e assim ficaria um pouco mais em paz consigo mesma, não deixando alguns de seus sonhos morrer enquanto ela morria por dentro e devagar. Uma certa melancolia tomou seu rosto, um sorriso cansado e triste, mas o olhar carinhoso. Sentou na mesa e se pois a desenhar com vontade.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Out 29, 2017 12:52 am

-- Sim. Você o conhece também, que foda. Além de tudo é uma mulher culta. Eu dificilmente conheço pessoas que apreciam a literatura de um modo geral, ainda mais algum autor específico, quanto mais recitar. Se pudesse escolher, meu mundo seria um misto de cores e palavras.


A garota abre um sorriso um tanto quanto tímido que parece sincero. Sem dúvida ela era muito elogiada por sua aparência, mas era bem provável que não o fosse por sua cultura com grande frequência.


-- Eu não sei. Do tipo humana? Você pode ter essa profissão, mas ainda tem sentimentos. Eu sei que me seduziu apenas por que deve ter achado que era seu trabalho. Na verdade isso me deixa até um pouco confusa e envergonhada, já que nunca tinha tido nada com mulher alguma. Mas... Eu costumo respeitar todas as pessoas independente do que fazem para ganhar a vida. Não sou melhor do que você, apenas tive sorte em ter um rumo diferente. Embora todos nós tenhamos azar de não termos nascido ricos. A vida não deve ter sido gentil com você, ela nunca foi gentil comigo também. Se quiser, podemos comer alguma coisa enquanto você me conta.

Passou pela cabeça quantas outras mulheres viviam da mesma forma para fortalecer homens como o Tão, como seu próprio irmão. Talvez devesse formar a própria Tríade de mulheres, lucrar sobre os corpos dos homens, assim como eles o faziam. Mas ela tinha sua parcela de culpa, falsificava documentos que faziam toda a engrenagem  continuar rodando. Se não fosse ela, havia um outro falsificador no lugar? A ideia se perdeu nos olhos de Ming.
Por fim disse.

-- Pode até não querer falar, mas eu vou mijar e depois vou comer. Pode me acompanhar depois, não há necessidade de voltar para lá -- Apontou de qualquer jeito para o quarto.


Ming concorda com um aceno e diz que realmente estava com fome. Pouco depois as duas mulheres entram juntas na cozinha, seguindo a direção dada por Jeong.


Foi em direção à cozinha, mas apanhou uma folha e um lápis da mesa de Tao, coisas que ela mesma já havia deixado no lugar. Acendeu a luz e pediu a Ming

-- Se importa se eu desenhar você? Pode fazer qualquer bosta para comermos. Tem uns cupnuddles no armário da cozinha. Nem precisa ficar parada posando, minha memória é boa. Só quero sentar aqui. Eu não tenho uma companhia à algum tempo.


-Não tem uma companhia há tempo? Caso você queira acredito que isso irá mudar em breve. Eu vi a forma como Tao olha para você. Aquele tipo de ternura é incomum de ser vista. Falando nisso, você tem certeza que o Sr. Tao não vai se incomodar se assaltarmos a geladeira dele?. - Ming abre a geladeira e dá uma olhada em seu interior. Não havia muito coisa lá além de cerveja, mas ela encontra alguns ovos. -Eu já fui vista nua mais de uma vez, mas acho que jamais posando para um desenho. Se você quiser pode me desenhar sim. Você prefere omelete ou ovos mexidos?

Ming logo começa a preparar os ovos. A princípio ela parece reticente em falar sobre sua vida pessoal, mas em alguns minutos ela começa a se soltar. Logo ela conta um pouco sobre sua história enquanto Jeong desenha, dando uma olhadela ocasional para o corredor de onde vieram para verificar se Tao estava se aproximando. A garota diz que veio para os EUA há cerca de 2 anos, trazida pela Tríade do interior da China. Para pagar sua dívida ela passou a trabalhar como garota de programa para eles, sob supervisão da Lótus Vermelha, que é a responsável por esse segmento da organização. Ela acreditava que conseguiria pagar sua dívida em cerca de um ano e meio e depois disso estaria livre para fazer o que bem entendesse, mas as coisas não correram tão bem e na verdade hoje ela deve mais para a Tríade do que quando chegou aos EUA.

{Micro: por favor interaja com ela interpretando as falas. Eu optei por colocar as informações fora de um diálogo apenas para agilizar a cena. Sintia-se livre para perguntar detalhes sobre o que ela falou, perguntar algo novo ou mudar de assunto}
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Out 29, 2017 1:44 am

-Não tem uma companhia há tempo? Caso você queira acredito que isso irá mudar em breve. Eu vi a forma como Tao olha para você. Aquele tipo de ternura é incomum de ser vista. Falando nisso, você tem certeza que o Sr. Tao não vai se incomodar se assaltarmos a geladeira dele?. -

-- Se ele se incomodar, pau no cu dele. Eu e Tao nos conhecemos à muito tempo, não sei se ele é apaixonado, mas no mínimo somos muito amigos, apesar dos problemas da vida.


Se você quiser pode me desenhar sim. Você prefere omelete ou ovos mexidos?



-- Seus traços são tão harmônicos. Qualquer tipo de ovo. Eu como qualquer coisa, não tenho muita preferência, por tanto que eu coma.

Sorriu, embora olhasse para a folha

-- Não sei como é a China, mas vir para os Estados Unidos sempre parece uma boa ideia. Mas não acho que essa bosta seja melhor do que a bosta de lá. Assim como toda merda, aqui também fede...

-- Eu não entendo uma coisa, como você pode estar devendo mais? Eu sei que eles ... Bom.. mas qual a justificativa? Seja lá com o que você gaste, com certeza não daria uma dívida grande. Quer um conselho de alguem perdida na vida? Você é inteligente, linda, não é possível que continue como está. Você não deveria ser uma cortesã qualquer. Seduza um homem rico e poderoso. Ajude a Lotus com sua inteligencia. Se faça insubstituível, é assim que sobrevivemos. Se você não se destaca na multidão, qualquer um pode tomar seu lugar, o que significa que você é só mais uma. Não quero te magoar, mas te dar uma força, porque só você pode mudar sua vida. Tem que agarrar as rédeas e puxar com força, caso contrário, escolherão o caminho por você. Mas eu sei que falar é fácil, difícil é fazer. Só não faça alguma loucura, como se matar ou tentar matar o chefe da Tríade... De resto, toda tentativa é valida. Quem sabe sua história não derrete o coração de um figurão.

-- Essa Lotus, é tão cruel quanto dizem ser?



Mal tirava os olhos do desenho, tentava acertar cada traço da mulher é toda sua beleza. Assim que começou a desenha-la, só descansados atingindo o que achava ser perfeito.




---------------------------------------
(To levando em consideração que pela natureza sobrevivente, ela sempre vai alertar os outros sobre sobrevivência... -O comportamento vou continuar como Perfeccionista como havíamos decidido)
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Dom Out 29, 2017 2:33 am

-- Não sei como é a China, mas vir para os Estados Unidos sempre parece uma boa ideia. Mas não acho que essa bosta seja melhor do que a bosta de lá. Assim como toda merda, aqui também fede...


-Passar fome é uma coisa terrível. Por mais que os poetas digam o contrário, é melhor ser um passarinho em uma gaiola do que um passarinho que morreu de fome. Eu não me arrependo de ter vindo. Se eu não tivesse vindo provavelmente eu e minha irmão teríamos morrido de fome na China. Ou no máximo estaríamos nos vendendo por lá, em troca de pratos de arroz.


-- Eu não entendo uma coisa, como você pode estar devendo mais? Eu sei que eles ... Bom.. mas qual a justificativa? Seja lá com o que você gaste, com certeza não daria uma dívida grande.


-Nós temos que pagar por nossa alimentação, moradia, roupas e tudo o mais que pedimos. Muitas meninas dizem pelas costas da Sra. Lótus Vermelha que os preços são inflados, mas pra ser sincera com você eu não acho que sejam. Do jeito deles eu acho que a Tríade é muito honesta. Eles cumprem o combinado. Sempre. O complicado é quando o combinado tem um preço alto... Além disso, eu precisei mandar dinheiro para minha irmã ano passado. -Ela olha para baixo com tristeza - A colheita do ano todo se perdeu em uma enchente e eu não podia deixar ela morrer de fome lá. Mas esse gasto não deve se repetir, esse ano minha irmazinha completa 16 anos, então eles aceitaram que eu fizesse um novo empréstimo para financiar e vinda dela para cá também. Ela deve chegar dentro de algumas semanas.


Quer um conselho de alguem perdida na vida? Você é inteligente, linda, não é possível que continue como está. Você não deveria ser uma cortesã qualquer. Seduza um homem rico e poderoso. Ajude a Lotus com sua inteligencia. Se faça insubstituível, é assim que sobrevivemos. Se você não se destaca na multidão, qualquer um pode tomar seu lugar, o que significa que você é só mais uma. Não quero te magoar, mas te dar uma força, porque só você pode mudar sua vida. Tem que agarrar as rédeas e puxar com força, caso contrário, escolherão o caminho por você. Mas eu sei que falar é fácil, difícil é fazer. Só não faça alguma loucura, como se matar ou tentar matar o chefe da Tríade... De resto, toda tentativa é valida. Quem sabe sua história não derrete o coração de um figurão.


Ming parece um pouco surpresa com o conselho honesto de Jeong.

-Eu agradeço pela sinceridade. Sabe, é um pouco estranho fazer uma amizade. Eu não posso sair desacompanhada por aí e a maioria dos meu clientes não está exatamente interessado em ouvir o que eu tenho a dizer. -A garota abre um sorriso para Jeong que faz com que ela pare de desenhar por um momento para admirar o belo rosto dela -Muito obrigada por me ouvir.


-- Essa Lotus, é tão cruel quanto dizem ser?


A pergunta direta sobre a Lótus Vermelha parece incomodar um pouco a garota.

-A Sra. Lotus é... exigente conosco. Ela gosta que as regras dela sejam respeitadas e não hesita em se assegurar de que isso ocorra. - Ming se aproxima, falando em voz mais baixa -As meninas que se mostram insolentes são disciplinadas de maneiras capazes de ensinar a todas nós a agir adequadamente. Com as que tentam fugir é pior.  Eu já vi ela arrancando a pele do rosto de uma garota que cometeu esse erro com um ferro de passar roupa quente. Mas acho que há um lado bom em tudo. Nenhum homem tem coragem de ser violento conosco dentro do Jardim. Pelo menos nenhum que não pertença à Tríade.

Logo Jeong anuncia que terminou o desenho e deixa Ming olhar. Sendo bastante autocrítica Jeong é capaz de reconhecer que as proporções estão corretas e a tecnica foi bem desempenhada, mas parece faltar algo nele para que ela o considere verdadeiramente artístico. Ming, por sua vez, fica fascinada com ele.

-Seu desenho é muito mais bonito do que eu sou de verdade.

Ao ser informada que o desenho era um presente, Ming continua:

-Estou sem palavras. Acho que é o primeiro presente que ganho sem segundas intenções desde... desde sei lá quando. Eu não sei como agradecer... Ou melhor, sei sim. Um presente por outro.

A garota abre sua bolsa e tira uma pequena cápsula de dentro dela, ela rapidamente derrama um pouco de seu conteúdo, um pó branco, e estica duas linhas dele sobre a mesa com a ajuda de um cartão. A seguir ela rapidamente enrola um pedaço de papel que também retira de sua bolsa para formar uma espécie de canudo e aspira a primeira delas com a narina esquerda. Ela então estende o "canudo" para Jeong fazendo um gesto com a mão para que ela se sinta à vontade para fazer o mesmo com a segunda.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Dom Out 29, 2017 9:09 am

-Passar fome é uma coisa terrível. Por mais que os poetas digam o contrário, é melhor ser um passarinho em uma gaiola do que um passarinho que morreu de fome. Eu não me arrependo de ter vindo. Se eu não tivesse vindo provavelmente eu e minha irmão teríamos morrido de fome na China. Ou no máximo estaríamos nos vendendo por lá, em troca de pratos de arroz.

-- Claro que entendo. Uma pessoa deve fazer o que for para sobreviver. Com o tempo aprendemos a nós virar. No final da noite, a sensação de ter feito as escolhas certas apesar de tudo. Cada um com seus demônios.


Por um instante pensou no que ela mesma dizia e como seria a visão de seu irmão. Talvez o medo da falta de controle fosse muito mais gritante do que o real medo de perde-lo. No entanto, não fazia parte da maturidade? Sair das asas da mãe? Uma mãe que nem mãe era. Voltou ao desenho.


-Nós temos que pagar por nossa alimentação, moradia, roupas e tudo o mais que pedimos. Muitas meninas dizem pelas costas da Sra. Lótus Vermelha que os preços são inflados, mas pra ser sincera com você eu não acho que sejam. Do jeito deles eu acho que a Tríade é muito honesta. Eles cumprem o combinado. Sempre. O complicado é quando o combinado tem um preço alto... Além disso, eu precisei mandar dinheiro para minha irmã ano passado. -Ela olha para baixo com tristeza - A colheita do ano todo se perdeu em uma enchente e eu não podia deixar ela morrer de fome lá. Mas esse gasto não deve se repetir, esse ano minha irmazinha completa 16 anos, então eles aceitaram que eu fizesse um novo empréstimo para financiar e vinda dela para cá também. Ela deve chegar dentro de algumas semanas.


-- Bom, então está indo pelo caminho certo. Um caminho difícil, mas certo, já é bem mais reconfortante. Sobre sua irmã, eu entendo. Meu irmão também é mais novo, nem tanto, mas é. Passei a vida cuidando dele é faria de tudo para vê-lo bem. De tudo mesmo. Vê-lo crescer e seguir seu próprio caminho tem sido muito difícil. Mas eu e você, devemos nos orgulhar, nem todo mundo é tão leal assim, nem todos chutam os obstáculos para longe. Se eu pudesse, não deixaria meu irmão sofrer nunca, mas isso  o não existe, a vida é  cheia de sofrimento, ainda mais  e para nós, que vivemos nesse meio. Eu tenho feito tudo errado.....Essa conversa está me fazendo ver outros aspectos. Quem precisava conversar afinal?


Sorriu de canto e balançou a cabeça negativamente. Pegou um pano e tirou a sujeira do grafite enquanto olhava para o desenho. Ainda havia muito o que melhorar. Assim como à si mesma.

-- Sua irmã deve ser muito grata e deve te amar muito.

Disse com sinceridade, como se repetisse para si mesma. Sorriu carinhosa, olhando para baixo, lembrou do sorriso do irmão. Não havia mais nada no mundo que amasse mais do que ele, tinha que aceitá-lo como ele fosse. Era um homem agora. Pensou que apesar de cuidar dele, o menino estava sempre um degrau acima e ela sempre lutava para alcançá-lo. Nunca ficaria estagnada na vida e nunca teria medo de enfrentar nada pois tinha que correr atrás dele. Ele era um espírito livre, nunca havia notado isso, ela era apenas sua seguidora. Por tanto tempo segurou as rédeas da vida do irmão, ele finalmente se soltou e corre os verdes pastos. Sorriu abertamente, sentia orgulho e medo ao mesmo tempo, uma certa euforia, a mesma que sentia quando faziam as coisas escondidas de seu avô, a mesma adrenalina que sentia enquanto tentava escapar das surdas, o mesmo medo de quando era trancada no quarto escuro sem comida e sangrando. Suspirou soltando o ar.


-Eu agradeço pela sinceridade. Sabe, é um pouco estranho fazer uma amizade. Eu não posso sair desacompanhada por aí e a maioria dos meu clientes não está exatamente interessado em ouvir o que eu tenho a dizer. -A garota abre um sorriso para Jeong que faz com que ela pare de desenhar por um momento para admirar o belo rosto dela -Muito obrigada por me ouvir.



-- Não me agradeça. Ter uma conversa com alguém deveria ser algo normal. Ainda mais com alguém inteligente e interessante
-- A viu sorrir e olhou por um tempo. Sorriu em seguida, admirada. --E tão bonita também. Mas acho que já sabe disso.--Riu de leve, sem graça --Desculpe. É que quando desenhamos, vemos os traços em detalhes, a simetria do rosto, a falta dela. Há certas coisas difíceis de ignorar.


-A Sra. Lotus é... exigente conosco. Ela gosta que as regras dela sejam respeitadas e não hesita em se assegurar de que isso ocorra. - Ming se aproxima, falando em voz mais baixa -As meninas que se mostram insolentes são disciplinadas de maneiras capazes de ensinar a todas nós a agir adequadamente. Com as que tentam fugir é pior.  Eu já vi ela arrancando a pele do rosto de uma garota que cometeu esse erro com um ferro de passar roupa quente. Mas acho que há um lado bom em tudo. Nenhum homem tem coragem de ser violento conosco dentro do Jardim. Pelo menos nenhum que não pertença à Tríade.



Chegou mais perto para ouvi-la, como duas amigas do colegial conversando sobre garotos. Arregalou os olhos e abriu a boca de leve. Ainda perto dela respondeu também baixo

-- O medo é talvez a maior das armas que os poderosos tem. Eu não sei se teria coragem de fazer algo assim, mas imagino que se ela não fosse pulso firme, não estaria onde está. Sinceramente, uma parte de mim admira a força dela, se impondo assim, não esse ato em si, mas sabe, saber ser justa e respeitada pelo jeito que for.
Eu não posso negar a educação dos membros da Tríade, ao mesmo tempo, sei que alguns deles acham que mulheres são um pouco mais fracas. Talvez emotivas de mais? Talvez tenham certa razão. Acho que teria mais medo de encontrar com a Lotus do que com os outros lideres




-Seu desenho é muito mais bonito do que eu sou de verdade.



-- Não, não pegou metade do que você é. Mas obrigada.




-Estou sem palavras. Acho que é o primeiro presente que ganho sem segundas intenções desde... desde sei lá quando. Eu não sei como agradecer... Ou melhor, sei sim. Um presente por outro.




-- Mas como esses caras não te presenteiam? Onde está o cavalherismo. Eu daria tantos desenhos quanto pudesse, sua companhia é boa. Homens são mesmo uns tapados, não dão valor para as coisas certas.


Ficou olhando para o que ela iria fazer. Apoiou os cotovelos na mesa e segurou a cabeça com as mãos. Arregalou os olhos e sorriu ao vê-la fazendo uma carreira. Riu de leve, ansiosa e nervosa. Olhou o pó e pensou em como nunca foi de usar drogas, talvez por causa da mãe sempre presente. Pegou o canudo e riu uma risada gostosa, olhando para Ming. Fechou os olhos e suspirou, estava em."casa", seria seguro. Fechou uma das narinas com o dedo e cheirou com a outra. Sentiu um pouco de ardência e fez uma careta para ela. Coçou o nariz e riu de leve, parecia mais jovem, diferente da postura que andava nos últimos dias.

-- Eu acho que não vai fazer diferença na minha concentração, porque eu naturalmente sou boa de memória, lembro tudo que vejo na verdade, mas na energia...

Deu um prato a ela para que comesse enquanto a própria comida da frigideira. Aproveitou e esperou que a droga fizesse efeito enquanto comiam. As vezes sorria para Ming como uma adolescente. Deixou as coisas na pia e sentiu o peito acelerar. Riu um pouco mais alto, começando a sentir os efeitos. A euforia, a libido aflorada, o foco.  

-- Eu me sinto muito bem. Parece que estou em uma montanha russa, mas só a parte da descida.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Ter Out 31, 2017 11:15 am

-- Sua irmã deve ser muito grata e deve te amar muito.

-Minha irmazinha é a alma mais doce desse mundo. Eu tenho muita sorte pelo destino ter me dado ela de presente. Vou fazer de tudo para ela ter uma vida melhor do que a minha.

***

Chegou mais perto para ouvi-la, como duas amigas do colegial conversando sobre garotos. Arregalou os olhos e abriu a boca de leve. Ainda perto dela respondeu também baixo

-- O medo é talvez a maior das armas que os poderosos tem. Eu não sei se teria coragem de fazer algo assim, mas imagino que se ela não fosse pulso firme, não estaria onde está. Sinceramente, uma parte de mim admira a força dela, se impondo assim, não esse ato em si, mas sabe, saber ser justa e respeitada pelo jeito que for.
Eu não posso negar a educação dos membros da Tríade, ao mesmo tempo, sei que alguns deles acham que mulheres são um pouco mais fracas. Talvez emotivas de mais? Talvez tenham certa razão. Acho que teria mais medo de encontrar com a Lotus do que com os outros lideres

-É verdade. A maioria das meninas não consegue perceber como a Sra. Lótus precisa ser cruel apenas para estar onde está. Eu sei que homens e mulheres tem papeis diferentes, infelizmente é a ordem natural das coisas e nós estamos abaixo nela, mas para a Tríade essa diferença é ainda maior do que eu via até nos campos da China em que eu cresci. Mulheres são quase que indignas para eles. Se a Sra. Lótus não fosse tão implacável ela jamais seria um membro efetivo, quanto mais uma cabeça branca. Mas eu acho que tanta crueldade acaba viciando um pouco. Sinto que ela adquiriu gosto em causar dor e medo.

***

Sentindo-se protegida naquele ambiente conhecido Jeong decide experimentar a cocaína que lhe era oferecida.

A primeira coisa que ela sente ao aspirar é uma a ardência na narina utilizada. O incômodo faz ela cheirar o resto da carreira rapidamente em uma tentativa inconsciente de fazer o desconforto ir embora rápido. Fora diferente do que Ming fizera, que dera uma aspirada longa, contínua e relativamente lenta.

O desconforto que a entrada do pó em suas vias respiratórias causava poderia ser classificado como dor, mas seria uma definição pouco precisa. Não era uma 'dor' de todo desagradável. De um jeito estranho era até prazerosa por si só.

A segunda coisa que Jeong percebe é um gosto amargo dominar seu paladar. Novamente, a sensação tinha ao mesmo tempo um que de desagradável misturada com prazerosa. Enquanto está sentindo o gosto e pensando em se demoraria para sentir os efeitos da droga Ming corre com seus dois polegares pela extensão de onde as carreiras estavam até poucos segundos atrás, capturando com o dedo o pouco que sobrara ali. Ela sorri e leva um dos polegares à própria boca, encostando a substância na gengiva acima dos dentes superiores. O outro dedo ela leva à boca de Jeong fazendo o mesmo.

Assim que o polegar da mulher toca sua gengiva Jeong sente imediatamente os efeitos. Lembra um pouco uma anestesia aplicada por um dentista, mas muito mais leve e sem qualquer limitação no controle motor. Seus dentes próximos da região parecem engraçados na boca quando ela passa a língua por eles, de um jeito gostoso. Enquanto ela assimila a experiência Ming logo lhe dá um beijo na boca, permitindo que ela tenha a experiência de beijar alguém naquela condição inédita para ela.

Assim que o beijo termina e a meninas voltam a conversar Jeong já estava sentindo os efeitos da cocaína começarem a se mostrar. Ela logo nota que está falando mais rápido que de costume,bem como respirando em um intervalo de tempo ligeiramente menor do que o usual. Mas para além de efeitos físicos, os efeitos psicológicos parecem maiores. Seria difícil explicar. Euforia talvez? Não era exatamente isso, embora fizesse parte do quadro. O certo era que ela se sentia bem. De certa forma é como se ela fosse invencível. O mundo inteiro estava a sua frente para ser tomado. Além disso o corpo seminu de Ming a sua frente volta a chamar sua atenção. Ele parecia mais voluptuoso do que há dois minutos atrás.

Deu um prato a ela para que comesse enquanto a própria comida da frigideira. Aproveitou e esperou que a droga fizesse efeito enquanto comiam. As vezes sorria para Ming como uma adolescente. Deixou as coisas na pia e sentiu o peito acelerar. Riu um pouco mais alto, começando a sentir os efeitos. A euforia, a libido aflorada, o foco.  

-- Eu me sinto muito bem. Parece que estou em uma montanha russa, mas só a parte da descida.

-Essa é da boa, não acha? Fico feliz por estar com um pó de qualidade hoje, assim tive como te dar um presente bom em troca desse seu desenho lindo.

Ming parece em dúvida por alguns momentos

-Embora seja contra as regras eu pedir algo assim para um cliente, eu tenho a impressão de que fiz uma amiga hoje. Queria saber se você gostaria de me dar seu telefone. Nem sei como eu faria para poder manter contato, mas eu gostaria de te ver de novo se eu tiver uma oportunidade.


{Se quiser fazer micro entre os parágrafos, fique à vontade}
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Ter Out 31, 2017 4:39 pm

-Minha irmazinha é a alma mais doce desse mundo. Eu tenho muita sorte pelo destino ter me dado ela de presente. Vou fazer de tudo para ela ter uma vida melhor do que a minha.

-- Eu entendo perfeitamente, sinto o mesmo pelo meu irmão. Embora ele não seja um anjo, tá mais para um garoto encapetado. Ou homem, agora.. agora ele é homem. Um dia sua irmãzinha vai crescer também. Espero que ela não seja tão teimosa quando o idiota do meu irmão. --Sorriu de leve, lembrando do rosto do irmão quando ficava bravo e as vzes apertava os lábios.

-É verdade. A maioria das meninas não consegue perceber como a Sra. Lótus precisa ser cruel apenas para estar onde está. Eu sei que homens e mulheres tem papeis diferentes, infelizmente é a ordem natural das coisas e nós estamos abaixo nela, mas para a Tríade essa diferença é ainda maior do que eu via até nos campos da China em que eu cresci. Mulheres são quase que indignas para eles. Se a Sra. Lótus não fosse tão implacável ela jamais seria um membro efetivo, quanto mais uma cabeça branca. Mas eu acho que tanta crueldade acaba viciando um pouco. Sinto que ela adquiriu gosto em causar dor e medo.


--Chines ou não, da mafia ou não. As vzes me cansa essa posição de inferioridade, minha mãe viveu isso por muito tempo e se mudou para sair disso, é impressionante como eu segui os passos dela da pior forma possível. Eu nem sei se eles sabem do meu talento. Eu posso fazer tanto com as mãos. Me sinto aquelas autoras de livros que tinha que assinar com nome de homem. --Revirou os olhos e lembrou do olhar de Líng. Fez uma careta de nojo por um milésimo de segundo e disfarçou. Voltou a prestar atenção à conversa Suspirou se inclinando levemente à ela -- Eles não entendem como é. Há muita força no espírito da mulher, ainda mais com família em jogo. Sobre a crueldade, eu não duvido. Nós nos acostumamos à muita coisa, incluindo à máscara vigorosa que ela deve ter vestido no começo, hoje já faz parte dela. Acontece com quase todo mundo, não? Quando você acredita ser aquilo que finge ser.  

*****
Seguiu o caminho da neve.



Recebeu e devolveu o beijo e sentiu vontade de sorrir por conta da diferença. Seu rosto todo oscilava entre o engraçado e o incômodo. Pensou se continuaria sentir as sensações estranhas com as boas ou se ficariam apenas as boas. Quando seu por si, estava mais enérgica. As vezes tocava o braço de Ming, conversando ao seu lado ali em pé. Aos poucos percebeu que sua mão ia muito mais constante tocar a pele de Ming, embora não tivesse intenção da malícia até o momento em que pensou em tal. Achou graça de como tudo progredia. De como seu peito inflava a confiança adormecida em seu íntimo. Se pudesse seria assim sempre, disposta à dominar o mundo e mostrar à eles o tamanho de sua força e de seu talento, o que pudesse mostrar primeiro, mas mostraria. Pintaria a Capela Sistina e ficaria absolutamente perfeito.





-Essa é da boa, não acha? Fico feliz por estar com um pó de qualidade hoje, assim tive como te dar um presente bom em troca desse seu desenho lindo.

-- Não sei. Me diz você haha. Um dia posso fazer um desenho melhor do que este que vai levar, não faz jus. Quer levar um para a Sra.Lotus? --Sorriu e balançou a cabeça negativamente. -- Acho que ela ia arrancar minhas mãos, para nunca mais pintar o rosto da chefe, ou algo assim. Mas farei outro para você. Um melhor.




-Embora seja contra as regras eu pedir algo assim para um cliente, eu tenho a impressão de que fiz uma amiga hoje. Queria saber se você gostaria de me dar seu telefone. Nem sei como eu faria para poder manter contato, mas eu gostaria de te ver de novo se eu tiver uma oportunidade.

-- Claro que posso. Espero, que não de nada sabe, nenhum problema, talvez você possa esconder o número do telefone atrás do desenho ou não sei, então pode dizer que não sabia que eu coloquei ai. Coloca, coloca, 5555-5555. Marcou? Sinceramente, eu não sei se quero pintar a melhor tela que sei que posso fazer agora. Se corro, gosto muito de correr. Se acordo Tao, gosto de dividir experiências que tive com ele. Sempre foi assim.

E o carisma natural de Jeong havia aumentado, sua auto confiança e desprendimento que já era visível, havia se tornado até mesmo um atrativo. A pequena garota parecia ter subido em um salto agulha de cocaína. Se aproximou de Ming e a beijou, os sentidos mais aguçados, o cheiro doce da garota inebriando suas narinas. Mas a deixou, sorriu para ela, a respeitava e a deixou escolher falando

--Vou acordar Tao, se quiser se juntar, será um prazer. Se não, pode ficar à vontade, se somos amigas, não vou te forçar a nada. Mas uma boa estocada de um pau depois de uma cheirada, essa é nova.  

A garota riu e depois sorriu um malicioso convite. Virou-se e foi ao quarto. Energética o foi tocando e acordando Tao. Disse em seu ouvido a frase que havia dito alguns momentos antes. Deleitou-se com a nova experiência.
Tudo havia mudado, melhorado, era mais eufórico, forte. Não havia barreiras nem nada que a impedisse de nada. Que fossem todos para o caralho, ninguém jamais teria seu talento para falsificação, muito menos sua memória.


-- Vocês deviam usar minha memória. Há uma galera que vai em lançamento de novas tecnologias é transcreve ali mesmo para falsicar. Eu decoraria e ninguém nem veria. Você é um idiota. Eu sou tão talentosa Tao --Disse a última frase em alto tom. O arranhou com força e se deixou levar na euforia.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Qua Nov 01, 2017 4:34 pm

-- Claro que posso. Espero, que não de nada sabe, nenhum problema, talvez você possa esconder o número do telefone atrás do desenho ou não sei, então pode dizer que não sabia que eu coloquei ai. Coloca, coloca, 5555-5555. Marcou? Sinceramente, eu não sei se quero pintar a melhor tela que sei que posso fazer agora. Se corro, gosto muito de correr. Se acordo Tao, gosto de dividir experiências que tive com ele. Sempre foi assim.

Ming acha melhor não escrever o número para evitar a possibilidade de sua infração às regras ser descoberta. E vez disso ela repete várias vezes o telefone e o memoriza.

E o carisma natural de Jeong havia aumentado, sua auto confiança e desprendimento que já era visível, havia se tornado até mesmo um atrativo. A pequena garota parecia ter subido em um salto agulha de cocaína. Se aproximou de Ming e a beijou, os sentidos mais aguçados, o cheiro doce da garota inebriando suas narinas. Mas a deixou, sorriu para ela, a respeitava e a deixou escolher falando

--Vou acordar Tao, se quiser se juntar, será um prazer. Se não, pode ficar à vontade, se somos amigas, não vou te forçar a nada. Mas uma boa estocada de um pau depois de uma cheirada, essa é nova.  

A garota riu e depois sorriu um malicioso convite.

Um cliente que espera que uma prostituta tenha vontade autêntica de praticar sexo com ele tende a ser um cliente que fica sem sexo. Ming sorri para Jeong, mas não a acompanha ao quarto.

Virou-se e foi ao quarto. Energética o foi tocando e acordando Tao. Disse em seu ouvido a frase que havia dito alguns momentos antes. Deleitou-se com a nova experiência.
Tudo havia mudado, melhorado, era mais eufórico, forte. Não havia barreiras nem nada que a impedisse de nada. Que fossem todos para o caralho, ninguém jamais teria seu talento para falsificação, muito menos sua memória.

Tao acorda com o 'ataque' de Jeong e a frase sacana em seu ouvido. Ele parece um pouco desconcertado por ver Jeong agindo daquela maneira. Ela estava se portando de uma maneira bem diferente da de costume, mas não é preciso muito esforço para convencer um sujeito que desejava uma mulher há anos a ceder às investidas libidinosas dela.

No começo apenas Jeong adota uma postura mais agressiva na cama, arranhando o peito de Tao até quase lhe tirar sangue e lhe falando obscenidades no ouvido, mas logo ele também adota uma pegada mais forte, penetrando-a com força e deixando marcas vermelhas em seu corpo, em especial em sua bunda, nos locais em que aperta com vigor. Depois de alguns minutos de sexo frenético Jeong está cavalgando seu parceiro quando sente dentro de si o calor decorrente da ejaculação dele.

Ela então olha para baixo e percebe as marcas que deixara nele. Além disso ela nota algumas cicatrizes antigas e uma nova e vermelha em um de seus ombros. Aquilo a faz lembrar de quando seu irmão dissera que Tao levou um tiro no lugar do Ling há alguns dias. Era estranho. Por mais que não tivesse grandes conhecimentos médicos, Jeong sabia que um ferimento de bala não se curava em tão pouco tempo, mas ali estava a cicatriz como única prova da regeneração do ferimento.

Fosse como fosse, Jeong se deita ao se lado de Tao e eles começam a conversar:

-Longe de mim reclamar, mas você mal parece a Jeong que eu conheço. Quem é você e o que fez com a verdadeira? Hahaha O que deu em você hoje?

{Micro, mas uma resposta curta. Considere que depois de no máximo três linhas o que está no próximo parágrafo irá acontecer}

A resposta de Jeong é interrompida pelo alarme do celular de Tao. Ele deixa escapar um palavrão e se levanta para desativar o aparelho enquanto diz.

-Deu a hora. Eu preciso levar a Ming de volta para o Jardim. Fique por aqui. Eu volto em uma meia hora.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Qua Nov 01, 2017 5:45 pm

-- É a Jeong que sempre quis sair de lá de dentro. Com o estímulo certo ela aparece. Pode ser uma pegada forte ou cocaína ou... -- Sorriu para ele, enquanto isso passava o dedo onde ele havia levado o tiro. No fundo o pensamento era sobre como ele havia melhorado tão bem, verdade que ele não havia ficado nem mais de um dia de cama. O viu levantar e levantou também.


-Deu a hora. Eu preciso levar a Ming de volta para o Jardim. Fique por aqui. Eu volto em uma meia hora.

-- Me deixa ir com você por favor, eu não saio do carro, eu juro. Me leva contigo, antes que eu não consiga evitar e escape pelos dedos -- Se aproximou dele andando em pé pela cama enquanto ele se arrumava e segurou seu rosto -- Não vou causar problema, por favor, eu não quero surtar, sair e não voltar mais. Não me deixa ir. -- Largou o rosto dele e o olhou com tristeza no olhar. Falou baixo -- Estava tudo pronto para eu morar longe. Me deixa ficar perto, até eu voltar a ficar bem. Não me abandona. -- Pegou o celular de Tao e digitou enquanto ele se trocava e digitou rápido:

"Contei sobre vcs p o Pierre, ele disse q eu poderia falar c ele smpre e n consigo calar a boca qndo estou com ele. E c alguém souber disso? e c vc ou Chayneol morrer por minha culpa? Vc que sempre foi meu ombro amigo, n outros. Sei q n devo falar, mas n estou bem. "

Enquanto ele lia, calçou a calça de qualquer jeito e a blusa sem sutiã.

--Eu estou fugindo de mim mesma, não de vocês. Eu amo vocês -- Disse com a voz embargada -- Eu quero crescer e acompanhar vocês ou ficar longe o suficiente para não fazer merda. Eu disse que não há meio termo. Meu celular está até desligado.

Talvez fosse o efeito da cocaína, mas sentia muito mais medo de ficar sozinha do que antes, ou talvez soubesse o que faria caso ficasse. Não conseguia controlar algumas de suas ações e estava sempre surtando e indo embora, estava cansada disso. Queria ser aberta com eles, contar suas aflições, seus desejos, como queria estar com eles e não contra. Desde pequena sempre havia sido cumplice de ambos, não queria deixar de sê-lo logo agora. Algumas poucas lágrimas quiseram se jutnar nos olhos e o lábio se curvou, triste.

Sentou na cama e olhou para a janela, vendo o ceu distante e a selva cinza. Como explicar os medos que passavam em sua cabeça? Talvez aquele fosse seu ultimo momento com ele. Tinha quase certeza de que Pierre apareceria e a levaria para longe, ou Ling a tiraria de perto dos dois, embora fosse apenas impressão ou neurose, sentia amor por eles mais do que qualquer coisa. Como uma música triste, as lágrimas cairam devagar como as notas de piano, salgando seu rosto. Havia diversas realidades nas quais se encaixaria, mas nenhuma delas seria tão colorida como era ao lado deles. Afundou a mente nos pensamentos enquanto limpava o rosto com os finos dedos. Se levantou e pegou o celular do bolso e deu, desligado, para Tao


-- Se eu ficar com ele, vou ligá-lo. Se o homem do aluguel da casa me ligar, eu vou acabar indo. Se o homem do evento cultural me chamar, eu também vou. Se Pierre me chamar, eu também vou... mal consegui desligar o celular. Eu nao sei o que acontece comigo, estou perdida. Talvez com depressão, não sei -- Deu de ombros e o olhou, esperou a resposta que fossse, no pior das hipóteses, havia tentado.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Qui Nov 02, 2017 8:56 am

-- Me deixa ir com você por favor, eu não saio do carro, eu juro. Me leva contigo, antes que eu não consiga evitar e escape pelos dedos -- Se aproximou dele andando em pé pela cama enquanto ele se arrumava e segurou seu rosto


-Eu não acho que seja uma boa ideia te levar ao bordel da Tríade, Jeong. Não é o tipo de lugar onde você queira ser vista.


-- Não vou causar problema, por favor, eu não quero surtar, sair e não voltar mais. Não me deixa ir. -- Largou o rosto dele e o olhou com tristeza no olhar. Falou baixo -- Estava tudo pronto para eu morar longe. Me deixa ficar perto, até eu voltar a ficar bem. Não me abandona.


Spoiler:
Jeong rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 6 para convencer que resultou 3, 3, 5, 1, 2 - Total: -1 Sucessos

Embora contrariado por recusar o pedido, Tao é irredutível em sua recusa.

-De jeito nenhum, Jeong. Aquele não é um lugar pra você ir. A Lótus Vermelha não ia gostar de ver uma mulher livre por ali e ela não é alguém que a gente queira irritar. Na verdade, acho que o melhor é que ela jamais ponha os olhos em você. Eu volto rapidinho. Eu não vou te abandonar. Espera meia horinha que eu já apareço.


-- Pegou o celular de Tao e digitou enquanto ele se trocava e digitou rápido:

"Contei sobre vcs p o Pierre, ele disse q eu poderia falar c ele smpre e n consigo calar a boca qndo estou com ele. E c alguém souber disso? e c vc ou Chayneol morrer por minha culpa? Vc que sempre foi meu ombro amigo, n outros. Sei q n devo falar, mas n estou bem. "


Cada toque no celular aumenta um crescente mal estar que se instala no peito de Jeong. Escrever aquelas palavras parece tão errado. Uma traição imperdoável com a confiança que Pierre tinha por ela. Por que ela tinha de ser tão ingrata com aquele homem maravilhoso? Talvez ela não fosse digna de tê-lo em sua vida. Coisas boas não deveriam acontecer com gente tão indigna. Ao terminar a mensagem o coração de Jeong está batendo rápido, em um misto de culpa e ansiedade.


Enquanto ele lia, calçou a calça de qualquer jeito e a blusa sem sutiã..


-Eu não sei se estou entendendo muito bem. O que foi que você falou a nosso respeito que está te preocupando tanto?


--Eu estou fugindo de mim mesma, não de vocês. Eu amo vocês -- Disse com a voz embargada -- Eu quero crescer e acompanhar vocês ou ficar longe o suficiente para não fazer merda. Eu disse que não há meio termo. Meu celular está até desligado


-Jeong, olha aqui pra mim. Fica aqui em casa com o celular desligado e espera eu voltar. A gente conversa direito então. Eu acho que você está numa bad por causa do pó que parece ter cheirado. Toma um banho, relaxa e deixa essa vibe passar um pouco. Por sinal, preciso ter uma conversinha com a Ming sobre essa cocaína...


-- Se eu ficar com ele, vou ligá-lo. Se o homem do aluguel da casa me ligar, eu vou acabar indo. Se o homem do evento cultural me chamar, eu também vou. Se Pierre me chamar, eu também vou... mal consegui desligar o celular. Eu nao sei o que acontece comigo, estou perdida. Talvez com depressão, não sei -- Deu de ombros e o olhou, esperou a resposta que fossse, no pior das hipóteses, havia tentado.


-Já sei. Eu levo seu celular pra você não cair em tentação então. Devolvo ele pra você assim que eu voltar, daqui a um meia hora, pode ser? Eu não queria te deixar sozinha aqui, mas tenho horário certo pra devolver a Ming e eu realmente não quero chegar depois do combinado com a Sra. Lótus.

{Micro}

Logo Tao vai embora, levando Ming de volta para o bordel. Jeong estava agora sozinha em sua casa, sentindo-se extremamente mal por ter falado a respeito de Pierre para Tao e com uma ansiedade desagradável que parecia pressionar seu peito.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Qui Nov 02, 2017 4:44 pm

-Eu não sei se estou entendendo muito bem. O que foi que você falou a nosso respeito que está te preocupando tanto?


-- Ora, tudo. Se fosse outra pessoa ficaria nervosa. Talvez por que seja você, não veja.

Se jogou na cama de braços abertos e olhando para o teto. As vzes via o rosto de Pierre e se sentia uma traidora, pois era o que era. Não era fiel com nenhum deles.

-- Quando estou com vocês eu sinto que tivesse traindo a confiança dele. Quando estou com ele, eu sinto trair vocês.

Levou as duas mãos à cabeça e tampou os olhos, era difícil não enxergar Pierre e seu sorriso de acalanto. Engoliu e respirou profundamente.

-Jeong, olha aqui pra mim. Fica aqui em casa com o celular desligado e espera eu voltar. A gente conversa direito então. Eu acho que você está numa bad por causa do pó que parece ter cheirado. Toma um banho, relaxa e deixa essa vibe passar um pouco. Por sinal, preciso ter uma conversinha com a Ming sobre essa cocaína...

-- Você acha que é a cocaína? Está enganado. Eu já disse desde ontem que queria falar isso. É difícil fazer força para não ir lá contar tudo. Você não entende. É mais forte do que eu, não é a cocaína. Ela foi excelente inclusive, pintar usando isso deve ser uma maravilha inclusive. Vou me jogar na água, pelo menos eu não devo sair pelada e molhada por aí.


Limpou os olhos e saiu da cama. Olhou de relance para Tao, mas parecia estar com o olhar distante. Em sua cabeça tentava tirar todos os pensamentos ruins e buscava todos os livros dos quais já havia lido. Passou a recita-los enquanto visualizava as páginas grossas dos antigos livros do avô.

-Já sei. Eu levo seu celular pra você não cair em tentação então. Devolvo ele pra você assim que eu voltar, daqui a um meia hora, pode ser? Eu não queria te deixar sozinha aqui, mas tenho horário certo pra devolver a Ming e eu realmente não quero chegar depois do combinado com a Sra. Lótus.

-- Vá. Diga a Ming que eu gostei de tudo. Que eu desejo que tudo fique bem e se resolva.


Fez um gesto com a mão que, balançando ela. Voltou a falar seus poemas, mas dessa vez em voz alta. Deixou o quarto e foi para o banheiro. Abriu o chuveiro e sentou no chão tomando água na cabeça e molhando o resto de corpo. Seria apenas meia hora. Meia hora hoje e talvez meia hora amanhã. E sempre meia hora, duas, cinco.

--

Ficaria sempre sozinha com seus estranhos pensamentos. Por que estava tão dividida se nunca havia sido assim? Nem ela conseguia entender. Talvez a Tríade tivesse certo em não trazer mulheres não leais ao clã. Era uma traidora, não era? Mas estava tentando arrumar as coisas.

Dobrou as pernas e as abraçou, enfiou a cabeça entre elas e tentou se livrar do mal estar que sentia. Era um sentimento forte que a tomava e até deixava com vontade de vomitar enquanto lutava contra ele. Seria tão mais fácil abandonar tudo e todos. Deixar para trás todos esses sentimentos ruins e conflitantes.
Levantou a cabeça e abriu um dos braços socando de lado a parede, com raiva do que sentia. Uma, duas, três até a mão doer e a dor fosse maior do que o mal estar. Entendia por que os religiosos se pensavam quando sentiam a tentação. A tentação nos tomava o sentido, a lógica. Tentou fazer o que pode para não pensar no homem que havia sido tão bondoso com ela. Tentou pensar nas ações do pai e do avô, que eram irredutíveis em suas escolhas, mesmo que tivessem que atropelar quem fosse no caminho. Aquela meia hora nunca passou tão devagar.
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por Ignus em Sex Nov 03, 2017 10:58 pm

Tao aparenta estar interessado em ouvir mais sobre o que Jeong tem a dizer a respeito da questão levantada por ela envolvendo Pierre, mas seu olhar constante para o celular, ao que tudo indicava consultando as horas, denota que sua preocupação em se atrasar impedia uma conversa mais longa ali. Logo ele se despede com a promessa de voltar logo e deixa Jeong sozinha na casa.

***


Dobrou as pernas e as abraçou, enfiou a cabeça entre elas e tentou se livrar do mal estar que sentia. Era um sentimento forte que a tomava e até deixava com vontade de vomitar enquanto lutava contra ele. Seria tão mais fácil abandonar tudo e todos. Deixar para trás todos esses sentimentos ruins e conflitantes.
Levantou a cabeça e abriu um dos braços socando de lado a parede, com raiva do que sentia. Uma, duas, três até a mão doer e a dor fosse maior do que o mal estar. Entendia por que os religiosos se pensavam quando sentiam a tentação. A tentação nos tomava o sentido, a lógica. Tentou fazer o que pode para não pensar no homem que havia sido tão bondoso com ela. Tentou pensar nas ações do pai e do avô, que eram irredutíveis em suas escolhas, mesmo que tivessem que atropelar quem fosse no caminho.


Talvez fosse um efeito deletério da droga em seu espírito, talvez fosse pela tristeza da perda recente da mãe, talvez fosse o medo de perder o irmão para o crime, talvez fosse pela sensação de estar traindo mutuamente Tao e Pierre, era difícil definir com precisão, mas o certo era que um desejo autodestrutivo e um ímpeto violento afloravam na garota enquanto ela se banhava.

O primeiro soco dado na parede foi um pouco desajeitado, típico de quem não tem o hábito de usar os punhos com essa finalidade. A dor do impacto ao reverberar através do sistema nervoso, contudo, estimula a garota. A dor era real e merecida, embora fraca demais. Resultado do golpe de uma mão delicada ou talvez do efeito anestésico do pó, provavelmente. Era insuficiente. Jeong se levanta e decide golpear de verdade aquela parede.

O segundo soco foi dado mais corretamente. E dessa vez sem a maior parte da auto contenção que ela inconscientemente exercera no primeiro golpe. Um barulho seco ressoou quando do impacto, o que apenas estimulou a garota a prosseguir. E daí que aquele era um exercício fútil de violência? E daí que as mãos dela eram seu instrumento de trabalho tanto nas contrafações como na arte? Aquilo não parecia ter qualquer importância.

O terceiro golpe, para a surpresa de Jeong trincou o azulejo. Junto com a constatação visual do retângulo na parede  rachando a partir do ponto em que ela estava golpeando finalmente veio um lampejo de dor na mão. Mas a dor não fez ela se retrair. Pelo contrário. A dor era bem-vinda. E merecida para ela, aquela traidora indigna.

No quarto soco o meio do azulejo se afundou e as rachaduras discretas se abriram quando pedaços do azulejo finalmente se desprendem por completo e caem no chão. Jeong se assusta um pouco com o estrago que foi capaz de causar com as mãos nuas, mas o dano causado causa uma sensação de invencibilidade. Ela podia ser uma traidora indigna, mas também era capaz de fazer qualquer coisa que quisesse, até mesmo colocar aquela parede abaixo se assim desejasse.

Inebriada pelo sentimento de poder e estimulada pela dor ela desfere vários outros socos nos retângulos vizinhos ao primeiro que acertara, em uma grande velocidade, destruindo a maior parte dos azulejos em um ou no máximo dois golpes. Ao dar por si a garota está arfando pelo esforço físico, mas muito satisfeita consigo mesma. Sem saber exatamente qual o motivo ela começa a rir. O riso aumenta em intensidade até se tornar uma gargalhada. Pro inferno com o mundo, ela podia agarrar um touro pelas bolas se precisasse.

A risada começa a esmaecer quando a garota começa a sentir um pouco de tontura. Sua primeira reação é não dar muita bola para aquele mal estar, afinal ela era invencível, mas a tontura insiste em não ir embora. Jeong apoia a mão que até poucos instantes atrás estava golpeando os azulejos na parede, onde o cimento cru podia ser visto dentro dos retângulos faltantes, para manter se manter em pé. Ao olhar para o ponto onde colocara a mão para se manter em pé ela percebe que sangue estava escorrendo pela parede.

Um sinal de alerta ecoa do fundo de seu cérebro. Jeong sabia que uma hemorragia pode ser algo muito sério para um hemofílico como ela. A semente do medo ainda por cima caí no fértil solo de uma mente alterada pela cocaína e algo muito próximo do pânico começa a surgir. Ela tinha que fazer algo, mas o que?

Desesperada a garota tenta sair do chuveiro, mas acaba se enrolando na cortina de plástico que separava o cubículo do banho do resto do banheiro de uma maneira que ela provavelmente não conseguiria fazer se tivesse tentado. A falta de força súbita que se abate faz ela escorregar, embolada na cortina, e cair, sentindo uma dor distante em algum lugar da lateral do corpo ao tocar o chão.

A consciência começa a ceder e uma sensação de frio começa a se instaurar. Em um segundo ao mesmo tempo terrível e reconfortante Jeong percebe que está perdendo os sentidos.


{Micro em praticamente tudo, em especial no momento prestes a perder a consciência, por favor.}
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

Mensagem por DaniEaston em Sex Nov 03, 2017 11:38 pm

Quando se contém os sentimentos, eles tendem a explodir de forma intensa. É o que se diz. Jeong não sabia que havia ainda mais sentimentos suprimidos. Com tudo que andava falando nos últimos dias, ainda havia espaço para mais problemas não resolvido. Era um abismo sem fim. Era um corpo sem alma. Sua existência servia apenas para servir os outros e esperar, odiava isso.

Quantas vezes desejou poder usar toda a força que mantinha dentro de si? Ninguém sabia como seu peito ardera todos esses anos. Teria arrastada a cara do pai no asfalto, teria batido no avô com os pedaços de madeira dos quais ele usava para bater nela. Se pudessem sentir apenas um pouco da raiva contida. Se todos pudessem sentir.

Iria seu irmão se achar mais forte se ele conseguiu sentir tanta energia quanto ela sentia agora? Ele provavelmente não tinha nem a metade. Ele não socaria a parede e a derrubaria assim como ela poderia fazer se quisesse. Poderia ser mais forte que a Lotus se tivesse a menor vontade de substituí-la.

Deixou-se explodir enquanto gritava palavras em coreano, palavras sujas que sempre apanhava quando usava, suja como ela era. Uma puta desgraçada e gostava disso, que se foda os bons costumes e toda aquela educação e submissão dos coreanos que não serve para porra nenhuma. As gargalhadas que soltava sem nem se esforçar. Imaginou-se rindo de todos os homens que a trataram como o lixo que era, sim era um lixo traidor, mas era um lixo traidor forte para caralho.

A tontura chegou e olhou as mãos sangrando. Quando criança sua mãe contou sobre sua condição, nunca mais brincou como as outras crianças. Detida novamente. Como sempre não podia fazer nada, sempre olhando todos em ação, olhando todos se divertirem e a ela nada, apenas a solidão. Maldita solidão. Essa que chega enegrecendo a visão. Por que o peito está tão alterado?

Caiu no chão se embolando. Teve a impressão de ouvir o trânsito do outro lado da rua, tentou ouvir o caro de Tao, não o reconheceria, mas era sua vontade. Depois de tantos anos não fazendo nada, vai simplesmente morrer do jeito mais idiota do mundo? Claramente lembrariam dela, hemofilica, cheirada de coca, na casa do amigo e amante, sem pais, sem família, brigada com o irmão e pelada.. por que todas as pessoas que morrem de forma imbecil estão sempre peladas? Só faltava algo enfiado no cu.

A mão latejava e o peito arfava. Buscava forças mas sabia que era muito provavel que não acharia mais nada. Por que socou a parede? Não era como se ninguém fosse ver o estrago que havia feito. Queria tanto que vissem sua força e agora veriam sua morte. Um corpo gelado em um banheiro sujo.

Tentou se arrastar pelo chão. Procurando algum pano ara cobrir o ferimento, qualquer coisa que ajudasse a não morrer.

A certeza da morte tomava seu peito, uma tristeza maior do que já havia sentido. Era o fim de uma vida de merda, mas era difícil largar a bosta da vida, gostava muito de estar viva, mesmo que não vivesse como gostaria. Sua alma purgaria no inferno?

Que se foda, talvez agora tivesse paz de espírito. Iria para o nada, deixar de existir, ou ver sua mãe, pedir desculpas. No chão gelado do paraíso. Os pés batendo na madeira do piso, o cheiro de sabonete, o paraíso parecia muito com a terra.

Se eu pudesse, faria diferente, é o que dizem em momentos como esse. Se eu tivesse uma segunda chance, o que faria? Engraçado como não vejo nenhuma luz no fim do túnel, só vejo o túnel. Se eu fechar os olhos eu provavelmente morra. Que jeito imbecil de finalmente ter um pouco de amor. É agora que vão chorar por mim? Devo eu chorar também? Não, está tudo bem, eu vou esperar alguém chegar, se não chegar eu vou apenas dormir. O frio e as sombras me chamam, como aqueles dias que ficamos horas de dormir. O sono é tão forte, não consigo mais manter as pálpebras abertas. Com quem caralhos estou falando? Tao, Chanyeol, Pierre? .... Ninguém....nem eu...
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Re: Um mundo mais escuro - parte II

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