A História de Hana

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A História de Hana

Mensagem por Rian em Qui Out 05, 2017 4:41 pm



Chicago é a cidade mais populosa do estado de Illinois, nos Estados Unidos com cerca de 2,7 milhões de habitantes, segundo o censo de 2010. Os principais problemas sociais de Chicago são a criminalidade, a pobreza, discriminação racial e a desigualdade sócio-econômica entre os habitantes da cidade. As taxas de criminalidade de Chicago tem sido altas desde a década de 1960. O número de homicídios chegou a um máximo de 970, em 1974 (a população da cidade então era de pouco mais de três milhões de habitantes, resultando em uma taxa de 29 homicídios para cada 100 mil habitantes), e chegando a um máximo de 34 homicídios para cada 100 mil habitantes novamente em 1992 (943 homicídios).

A segregação étnica e racial é muito alta em Chicago, com pessoas brancas morando em bairros com uma população predominantemente branca; hispânicos, em bairros predominantemente hispânicos, e afro-americanos, em bairros predominantemente negros. A criminalidade e problemas de saúde afetam muito mais bairros hispânicos e afro-americanos. A taxa de mortalidade infantil é sensivelmente mais alta entre a população afro-americanos do que entre a população branca. Outro grande problema em Chicago são as altas taxas de problemas familiares na cidade. (Fonte: Wikipédia)

Obs.: Chicago é tão somente um pano de fundo para a nossa história. Não usarei o mapa real nem as construções reais da cidade. A maioria dos lugares serão imaginários, considerando apenas uma característica geral de uma cidade grande afetada por uma criminalidade alta e facções do crime organizado atuando às escuras. Os dados acima, retirados do wikipedia é tão somente para se ter uma ideia de que a cidade em que Hana vive enfrenta graves problemas sociais.


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Re: A História de Hana

Mensagem por Rian em Qui Out 05, 2017 4:45 pm

University of Chicago Medicine



Chicago, Illinois, EUA – 01h23min a.m

Era mais um plantão noturno de Hana no Hospital da Universidade de Chicago. Ela havia entrado no plantão no início da noite de domingo e já era madrugada de segunda-feira. Como estava tranqüilo até aquele momento enfermeiros e médicos que estavam sem pacientes conversavam em uma sala enquanto não fossem chamados. Hanna estava ali, entre seus colegas de trabalho. Pelo menos ali no hospital ela era menos afetada pelo estigma de uma menina oriental que morava em um bairro pobre. O uniforme do hospital deixavam todos os médicos em um aparente nível de igualdade. Hana não podia conversar, era muda, mas pelo menos podia interagir minimamente e ouvir sobre o que conversavam. Diana, uma enfermeira loira, ainda jovem, estava contando sobre o último encontro que ela tivera com um ricaço. Ela era uma mulher bonita, mas tinha uma auto-estima baixa e esperava encontrar uma vida melhor se casando com algum magnata. Toda semana ela estava com um namorado novo e seus relacionamentos nunca prosperavam. Era a mesma coisa sempre. No primeiro encontro ela parecia empolgada, mas logo ela descobria que o sujeito já era casado, só queria algo casual, um pobre que não tinha onde cair morto mas tirava onda de ricão, etc.

A prosa era interrompida pela campainha que tocava. Um novo paciente chegava na emergência. Diana exclamava: - Droga! Depois eu termino de contar pra vocês!
O atendimento de emergência era a especialidade de Hanna e ela sabia que deveria ser a médica da linha de frente. Ela saía logo atrás de Diana. Após virar os corredores logo os enfermeiros já traziam o paciente na maca. Havia um policial que acompanhava e anotava algumas coisas em um papel. O paramédico da UTI móvel entregava rapidamente o relatório para Hanna: - Ferimento de faca no tórax, provável hemorragia interna. Deve ter acontecido há cerca de 30minutos.
- Tem passagem pela polícia e provavelmente deve ser vítima de disputa entre gangues. Não conseguimos muita coisa sobre o autor. Se ele se lembrar de algo, por favor coloque no prontuário médico pra que possamos checar a informação. Dizia o policial enquanto saía. Alguns prontuários médicos que provavelmente envolviam vítimas ou autores de algum crime recebiam uma qualificação especial e era disponibilizado online para que a delegacia de Chicago investigasse os casos. Geralmente, ficava  a cargo do médico responsável pelo paciente essa observação no prontuário.

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Re: A História de Hana

Mensagem por DaniEaston em Qui Out 05, 2017 7:32 pm



Se abraçava ao turno da noite como um morcego à sua caverna. A primeira vez que trabalhou à noite, teve medo do sono. Há sempre quem diga que ele te pega de surpresa e te arrasta para a inconsciência, como bela adormecida, que os olhos fechariam quando mais precisasse.  Nunca aconteceu, estava sempre disposta.

A conversa fluia, mas mal carregava Hanna com ela. Apesar de ouvir, não se importaria de perder uma conversa ou duas. A repetição virara motonia. O Ruim dos plantões era que se conhecia muito bem seus colegas de turno. Quem eram e o que faziam fora daquelas parede. Até mesmo ela se pegou contando um caso ou dois, embora jamais fosse revelar a essência do que havia vivido.

Quando Diana correu, seguiu atrás apressada. Pegou a prancheta do paramédico e passou o olho enquanto p ouvia. Olhou para o policial e concordou com a cabeça. Relatos sobre a vida do paciente era uma das últimas coisas que ouviria. Nesse estado, eles procuravam por cura, podiam até implorar, ali, sangrando na maca, todos sabiam que não importava qualquer crime que haviam feito. A ética dos profissionais da saúde os impossibilitada de deixá-los morrer. Ela não deixaria que ocorresse sem tentar o máximo que pudesse.

Olhou rapidamente para o paciente e mentalmente estipulou um peso. Escreveu na prancheta e falou com sua língua enrolada que as vezes era entendida pelos colegas acostumados a ouvir as mesmas repetidas medicações e indicações.

Apertou o passo e foi para a sala de cirurgia, lavou as mãos com força e apressadamente. Lavar as mãos daquela forma sempre machucava sua pele, era assim que sabia que estava devidamente limpa. Escorrendo pela pia, ia todas suas preocupações. Como se sua personalidade se esvairisse e se tornasse a personificação de qualquer agente da saúde. Era sua missão.

Foi ajudada a se paramentar enquanto a sedação leve ao paciente havia sido dado e a anestesia local aplicada. A equipe toda colocada. Havia disposto os instrumentos cirurgicos de forma que fosse mais fácil de pedir para os enfermeiros instrumentistas, assim por indicação de local e pouca fala, conseguia não se atrapalhar. Dava sempre o seu melhor, nem sempre era o suficiente.

Sempre achou que dependia do qual o paciente era agarrado à vida. Enquanto ele a quisesse, a equipe faria o máximo. Era o momento tenso mais calmo que conhecia. Manter seu coração longe e seus olhos afiados. Abriu o ferimento à procura de maiores danos nos tecidos além da camada externa.

Abrir alguém, conter sangramento, saturar, tomar cuidado com os batimentos cardíacos. Sentia sempre que era uma outra pessoa enquanto estava ali, guiando suas mãos e usando seus olhos como lentes. Via apenas as inúmeras compressas sendo usada. A transferência de bolsa se sangue estava devidamente inserida para não deixá-lo morrer de choque hipovolêmico.

Havia novamente uma vida em suas mãos e na de sua equipe. Conhecerá alguns médicos que sentiam prazer por esse controle, como semi Deuses, não Hanna. Nunca pensou ser mais do que aquilo que era, uma mulher fazendo seu melhor no trabalho. À cada paciente que deitava naquela mesa de operações, uma nova esperança, fosse quem fosse. Não deixaria um paciente seu, morrer em suas mãos, não sabia ela, que de seu próprio jeito, distorcia uma verdade interna e também brincava de Deus.
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Re: A História de Hana

Mensagem por Rian em Seg Out 09, 2017 6:50 pm

Hanna; FV 7/7; Vit. Ok


Spoiler:
Hanna rolou 7 dados de 10 lados com dificuldade 7 para inteligência + medicina que resultou 9, 8, 1, 7, 9, 6, 8 - Total: 4 Sucessos

A cirurgia era um sucesso. Hanna conseguia conter a hemorragia interna, reconstituir o que tinha sido atingido e suturava sabendo que era apenas questão de tempo para que o paciente se recuperasse. A equipe médica se retirava e ninguém comemorava. Era apenas mais um paciente. Se tinham conseguido salvá-lo ou não, a impressão é que nem todos se envolviam, se davam à causa como Hanna fazia.

Após 2 horas na sala de cirurgia, o dia já estava perto de amanhecer, e então Hanna via que pouco depois que o paciente havia chegado sua mãe havia lhe enviado uma mensagem no celular perguntando como estava o plantão. Comum ou incomum ela agir daquela forma, o fato é que ultimamente a mãe de Hanna parecia mais interessada em se aproximar da filha, suprir a ausência, a mãe que ela não tinha sido no passado?

O tempo passava e antes de sair do plantão, inevitavelmente Hanna teria que checar o paciente mais uma vez.

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Re: A História de Hana

Mensagem por DaniEaston em Seg Out 09, 2017 9:48 pm

Olhando para as próprias luvas, retirou-as com cuidado enquanto tinha noção do ambiente. Seus colegas andavam ao seu lado com pressa. Era mais um daqueles momentos que se sentia não fazer parte. Porém, ela mesma deu as costas. Tinha que seguir adiante.

Recebeu a mensagem de sua mãe biológica. Franziu o rosto de início e depois soltou o ar cansada. Educadamente respondeu a mãe, até se forçou à um pouco de carinho, tentando fazer virar algo que realmente sentisse
"Está tudo bem mãe. Operamos um rapaz e ele vai se recuperar, tudo ocorreu bem, obrigado por perguntar. Também me alimentei e estou descansada. A senhora também, cuide da saúde, descanse. Um beijo."
Releu mais de uma vez e achou estranho. Mas enviou mesmo assim. Sentiu vontade de mandar uma mensagem para sua Omma, quem sentia um carinho maior, mas a relação com elas era complicado. Uma mãe honesta é distante, uma mãe presente é desonesta.

Pegou seu celular e enfiou no bolso do jaleco. Limpou à mão no álcool como de costume. Saiu da sala empurrando a porta com o quadril. Caminhou até o paciente para uma última visita.

" Provavelmente ele vai estar dormindo ainda. Não deve ter muita diferença de antes. Se tivesse, talvez tivessem chamado. Também deve ter alguns policiais ali. Não gostam quando ficam na porta do quarto em casos assim, ou rezam para vítima sobreviver para depor ou para o criminoso morrer ali mesmo. Ficam olhando pra mim enquanto cuido dos pacientes. Que incômodo."

Passou na frente do posto de enfermagem e disse para uma delas "Tezeseis " seguido de "ui-mo" e fez um gesto de circular em cima de onde era a ferida do homem. Se referia ao leito 306 e 'ultimo', relembrando o fim de seu plantão. Então seguiu com o prontuário na mão. Com um pouco de confiança na melhora dele. Se precisasse falar, usaria um app de texto no celular que lesse a frase que ela escrevesse nele
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Re: A História de Hana

Mensagem por Rian em Dom Out 29, 2017 12:48 pm

Hanna; FV 7/7; Vit. Ok

Após falar com sua mãe, Hanna se dirigia ao paciente para averiguar seu estado clínico. Logo que chegava ao quarto e fazia uma análise prévia ela notava que ele se recuperava bem da cirurgia. Estava sedado e portanto dormia profundamente. As dores viriam a incomodar um pouco depois que ele acordasse, mas Hanna já não estaria mais ali, certamente. Após o checkup ela fazia as anotações no prontuário para que o próximo médico que assumisse em seu lugar pudesse dar prosseguimento com o paciente. Ela então deixava o prontuário e por fim caminhava até o vestiário, onde trocava de roupa. Seu plantão chegava ao fim, o dia estava amanhecendo e agora Hanna tinha um dia inteiro pela frente.

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Re: A História de Hana

Mensagem por Undead Freak em Sab Nov 11, 2017 3:54 am

Posso entrar?
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