Um Mundo Mais Escuro

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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Sab Ago 12, 2017 10:45 am

"Senhor Pierre, me desculpe incomodá-lo. Mas no local onde eu fiquei, aconteceu um... problema e a polícia está por aqui no prédio, eu não sei quando vão sair. Se quiser marcar outro horário ou se virá da mesma forma, por favor me avise. Embora eu vá continuar aqui da mesma maneira. Está tudo fluindo, apesar dos pesares."


Pierre não responde imediatamente. Talvez eles estivesse ocupado ou talvez fossem alguém que não fica de olho no celular constantemente. Fosse pelo motivo que fosse o fato era que não havia resposta imediata.


Achou melhor ligar para o irmão. Não conseguia ignorar tudo, não sairia dali, mas não podia dar as costas totalmente. Então ligou para o irmão, enquanto preparava as tintas, com os fones no ouvido e o cel do lado do corpo.


O telefone toca algumas vezes até ser atendido.

-Oi, Jeong. -O irmão parece um pouco em dúvida sobre como prosseguir, vacilando por alguns segundos. Jeong supõe que por conta de suas últimas palavras rudes para com ela, mas podia ser por conta da saúde da mãe também -Eu tenho péssimas notícias. A mamãe caiu porque estava tendo um derrame.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Sab Ago 12, 2017 6:09 pm

O telefone toca algumas vezes até ser atendido.
-Oi, Jeong. -O irmão parece um pouco em dúvida sobre como prosseguir, vacilando por alguns segundos. Jeong supõe que por conta de suas últimas palavras rudes para com ela, mas podia ser por conta da saúde da mãe também -Eu tenho péssimas notícias. A mamãe caiu porque estava tendo um derrame.


Jeong puxou o ar fazendo um barulho de surpresa. Ofegou e tentou falar, mas se engasgou. Sabendo da situação da mãe, entendia que era apenas um começo, muito provável que a mãe agora tivesse mais fragilidade ainda em sua saúde. Apenas se deixou chorar, novamente, por alguns minutos e no meio dos soluços disse:

-- Eu sinto mt Chanyeol...Ela, vai ter sequelas? Eles... eles já sabem como ela está ou se recuperará bem? A mãe sempre foi tão forte, isso não é justo -- Disse em meio aos soluços -- Não é justo Chanyeol ... Chanyeol, você está no hospital? -- Disse de sobressalto - Você, precisa tomar cuidado. Ontem, teve tiroteio por aqui, não fica andando pelo bairro de madrugada. Se quiser -- Disse baixo e soluçando menos. Fungava o nariz - Pode passar aqui, podemos nos ver um pouco. Só não posso te mostrar o que estou fazendo, mas você pode ficar aqui um pouco. Eu assinei um contrato, se eu não terminar isso ou mostrar para alguém, eu tenho que pagar uma multa muito alta, não temos essa quantia de dinheiro, ainda mais com os gastos .... -- Parou de falar. Limpava os olhos com a parte de dentro do pulso -- Só não fique andando por aí de noite. Estou falando sério Chanyeol, por favor. Aconteceu aqui do lado, não são tempos bons... Eu sinto falta da mamãe bem de saúde - Sentia o peito batendo forte e as lágrimas escorrendo.

---
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Dom Ago 13, 2017 11:54 pm

-- Eu sinto mt Chanyeol...Ela, vai ter sequelas? Eles... eles já sabem como ela está ou se recuperará bem? A mãe sempre foi tão forte, isso não é justo -- Disse em meio aos soluços --

O jovem responde em uma voz monocórdia. A experiência provavelmente havia extenuado ele emocionalmente.

-Ela está em observação. Os médicos disseram que não é possível ter certeza. Mas que temos que nos preparar. É provável que haja complicações sim. O problema foi que a mamãe não reclamou assim que apareceram os primeiros sintomas.

-- Não é justo Chanyeol ... Chanyeol, você está no hospital?  -- Disse de sobressalto - Você, precisa tomar cuidado. Ontem, teve tiroteio por aqui, não fica andando pelo bairro de madrugada. Se quiser -- Disse baixo e soluçando menos. Fungava o nariz - Pode passar aqui, podemos nos ver um pouco. Só não posso te mostrar o que estou fazendo, mas você pode ficar aqui um pouco. Eu assinei um contrato, se eu não terminar isso ou mostrar para alguém, eu tenho que pagar uma multa muito alta, não temos essa quantia de dinheiro, ainda mais com os gastos .... -- Parou de falar. Limpava os olhos com a parte de dentro do pulso -- Só não fique andando por aí de noite. Estou falando sério Chanyeol, por favor. Aconteceu aqui do lado, não são tempos bons... Eu sinto falta da mamãe bem de saúde - Sentia o peito batendo forte e as lágrimas escorrendo.

-Sim, claro que sim. Eu não saí daqui desde que cheguei com a mamãe. Falando nisso preciso dormir um pouco pelo menos. Você não pode ficar aqui com a mamãe por algumas horas pelo menos?


{Micro}
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Dom Ago 13, 2017 11:55 pm

OFF: Provavelmente converteremos essa crônica livre em uma oficial. Tudo bem de sua parte?
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Seg Ago 14, 2017 12:15 am

Ouviu o que ele falou e ponderou, talvez se usasse os horários de dormir para ficar ali, não gastaria horas à mais, mas precisaria esperar por Pierre, pelo menos, para conseguir arranjar os horários corretamente. Enquanto chorava e limpava os olhos, disse:


-- Preciso pelo menos esperar o homem vir aqui ver o negócio. Depois, então posso ajeitar os horários e te cobrir. De qualquer forma, se precisar, você pode ir para casa, dê meu telefone para eles se precisarem de alguma coisa podem me ligar. Na maioria das vezes, o quadro não muda e ficar na sala de espera não adianta de muita coisa. Volte para casa, deixe meu número que irei dar um jeito para ver as coisas por aí. Talvez eu peça para o homem levar o quadro para o atelier dele e eu ir terminar lá. Meu medo é ficar andando com isso para lá e para cá e então algo acontecer. Mas vou ver isso, volte, sério. Vá para casa, aposto que já até mesmo lhe falaram isso...descanse um pouco, você fez o possível..agora é esperar.


Tentou se recompor, dando um suspiro tremido. Talvez estivesse exigindo muito de seu irmão, talvez pudesse pelo menos ajudar um pouco. Talvez sr. Pierre fosse entender, estava já tão adiantava. Adiantaria ainda mais. Tomaria mais energético e o que fosse para correr ainda mais. Com certeza acabaria tudo, precisava apenas ir lá, render o irmão, poderia até mesmo ser o último adeus à mãe.

Colocou o celular em voz alta para continuar conversando, enquanto isso, voltou a ajeitar as tintas e prestar atenção ao que iria pintar. Havia muita dor no coração e queria exteriorizar em forma de beleza naquela tela. Talvez virasse o seu trabalho mais sensível, por conta de tudo que aconteceu. Que valesse de alguma coisa.






(Acho que tudo bem. Eu fico um pouco tímida, mas estou mais confiante agora. Eu acho...E se morrer, tudo bem, XD faz parte.. Fico feliz de poder ter espaço para trabalhar a personagem, seu psicológico e jeito e tudo mais ^^. Então, tudo bem..
Mas tipo, entra mais pessoas e tudo mais? ou vai continuar assim, mas as coisas vao influenciar no mundo, com o povo?)
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Ter Ago 15, 2017 3:24 pm

Jeong reflete se não poderia afinal reservar parte de seu tempo para ajudar na crise familiar que surgira. Certamente não era justo o irmão segurar aquela barra sozinha. E existia sempre a possibilidade de que a mãe viesse a falecer em breve. Por outro lado, sua consciência não podia deixar de registrar que se ela queria entregar uma obra fantástica fatalmente as horas que seriam gastas fariam falta.

Spoiler:
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 6 para turno 8 que resultou 8, 9, 5, 1, 7, 8 - Total: 3 Sucessos

Fosse como fosse, ela coloca essa decisão em segundo plano enquanto emerge na tarefa diante de si. Essa sessão flui bem e a obra começa já parecer um quadro de verdade. Daqui para frente ela precisaria trabalhar mais nos detalhes, no fundo e na caligrafia, que seriam partes mais sensíveis.

Pontualmente às 14h, momento em que a garota acabara de iniciar uma pausa ela recebe uma mensagem de Pierre.

"Oi, Jeong. Desculpe pelo aviso em cima da hora, mas vou precisar passar um pouco mais tarde. Minha manhã foi corridíssima e ainda estou em um compromisso com um cliente sem perspectiva de acabar rápido. Passarei aí às 21h, ok? Um beijo e bom trabalho."


{Macro} Por favor defina se passará as próximas horas pintando ou se as utilizará de outra forma, detalhando se for o caso.


Última edição por Ignus em Ter Ago 15, 2017 3:28 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Ter Ago 15, 2017 3:25 pm

OFF: Não precisa ficar tímida. Seu desempenho aqui é mais do que digno de um jogo oficial.

Devemos ter mais 2 jogadores. Se vcs se encontrarão ou não vai depender da ficha deles e das decisões em on de vcs. Não forçarei encontros, nem os impedirei deliberadamente. Os demais jogadores também serão humanos sem conhecimento do sobrenatural.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Ter Ago 15, 2017 5:20 pm

Quando acabou de pintar leu a mensagem de Pierre. Ficou nervosa, o tempo estava todo bagunçado e o irmão tinha que ir descansar assim como ela. Se levantou e andou de um lado para o outro. Ainda um pouco confusa, ponderando. Acabou por se decidir em ir ao hospital, pelo menos por algum punhado de tempo, o tempo que usaria também para dormir. voltaria antes do anoitecer e se possível, não dormiria mais, ficaria direto apenas fazendo o que tinha que fazer. Mas havia aguentado o máximo que podia. Devia isso à família. Mas onde deixaria o quadro? Poderia andar com ele, mas e se fosse roubada? Poderia deixá-lo, mas se alguém roubasse? Sentou no chão e balançou a cabeça negativamente, enfiando os dedos por entre os fios. Sabia que não sairia daquele quarto. Era difícil dar sua palavra, mas quando fazia, iria até o fim. Não havia nada que pudesse fazer para melhorar o estado de saúde da mãe e dessa vez, era ela quem precisava do irmão e não o contrário. A vida inteira cuidando deles. Ainda sim, se sentia egoísta. Talvez fosse. Mas os riscos de sair daquele quarto eram muitos.

Colocou uma das blusas velhas, com algumas manchas de tinta e um short. Pegou umas bolachas para comer.  Foi para o lado de fora do quarto, fechando a porta atrás de si. Deixando os problemas ali preso e respirou fundo e começou a comer. Olhando as núvens andando sem preocupações. Recitou, em sua cabeça, os poemos que o avô a obrigava a ler. Lembrou das vezes, que mesmo doente, tinha que fazer as obrigações que ele impunha, talvez por isso fosse tão dificil dar as costas para as responsabilidades. Era assim que vivia a vida, aparentemente, assim que cuidava do irmão, da mãe, de Tao, de tudo, sem pensar em nada além do cumprimento da tarefa, que as vezes nem deveria ser sua.

Desejou ter o vício de fumar, talvez fosse sentir um pouco mais de calmaria. Perdeu alguns minutos ali. Então voltou, se sentia dividida em mais do que duas, todos esses pedaços de si, gritavam com ela, mas a decisão final, a mais forte, era aquela que voltava para dentro fechando a conexão com o mundo externo. Que retirava as vestes e sentava novamente no mesmo lugar. Pegava o mesmo pincel e voltava para as mesmas tintas.

Em voz alta recitava os poemos que havia decorado, em coreano. Deixou as horas e o mundo correrem. Estava presa em sua própria maneira de agir. Talvez, quando estivesse livre, pudesse mudar isso, mas agora, era prisioneira de seus próprios costumes.

Chegou a deixar algumas mensagens de voz para Tao, enquanto falava os poemos que conhecia, no tom que havia aprendido, com a mesma emoção, para se distrair dos pensamentos ruins enquanto se concentrava no trabalho. As vezes a voz embargava, mas continuava. Poemos que falavam sobre amor, sobre a vida, poemos longos, fortes e delicados.

"Desde que eu deixei o palácio imperial como um pássaro ressentido
Eu arrastei minha sombra solitária entre as montanhas azuis.
Eu imploro para dormir noite após noite, mas o sono não virá
ano após ano passa em dor, mas a dor não acaba.
Cantar parado, a lua está pálido sobre os picos ao amanhecer;
o sangue escorria, pétalas caídas são vermelhos nos vales de primavera.
Quando o céu é surdo para o canto de um rouxinol,
por que são as orelhas de um homem de luto tão interessado?"




Assim continuou, o máximo que pode. Sem se importar mais com horários de sono ou fome. Apenas para o tempo passar e tudo terminar logo.




(=O ..=D tnks
Bom, tudo bem, só me avisa colando o link ou sei la..pq eu vejo mt se tem resposta olhando o e-mail.. não fico olhando muito o forum pq as vezes estou em lugares nd a ve , tipo trabalho... Se tiver, tb, alguma coisa sobre como estou jogando, pode falar...uma melhora sei la...o/)
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Sab Ago 19, 2017 8:22 pm

Confrontada com o dilema Jeong acaba por decidir em prol do profissionalismo. Para o bem ou para o mal ela se comprometera com Pierre e iria entregar exatamente aquilo que prometera independentemente dos sacrifícios necessários para tanto.

Spoiler:
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 7 para detalhes 2 que resultou 3, 2, 6, 8, 6, 10 - Total: 2 Sucessos
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 7 para detalhes 1 que resultou 2, 3, 10, 8, 4, 6 - Total: 2 Sucessos

Depois de decidir que pintaria Jeong entra em um quase transe. A garota abstrai fome e cansaço, talvez em parte em uma postura psicológica de fuga, e trabalha enquanto recita as poesias que evocam seu passado na Coréia. Ela passa só percebe que passou 9 horas pintando - e com sucesso em uma etapa delicada do trabalho - quando é chamada para o mundo exterior por uma batida na porta. Era Pierre que chegara para fazer sua pequena inspeção da obra. Ele estava vestido com jeans, uma camisa cinza e um paletó esportivo e trazia consigo um saco de papel com o logotipo de uma lanchonete e um copo plástico em um suporte de papel.

Jeong, que sequer se trocara para ficar 'apresentável' o convida para entrar. Após se cumprimentarem e ele se acomodar o homem diz:

-Imaginei que você estaria exausta por trabalhar dia e noite para cumprir nosso prazo e minha falecida mãe sempre me disse para trazer um presente quando fosse visitar alguém. Trouxe um smooth, um cookie e um sanduíche para você. Espero que goste de queijo branco e peperoni.

{Micro}

-Não pude deixar de notar que tem uma fita de "cena de crime" em um dos quartos no final do seu corredor. Você sabe o que aconteceu?


Não precisa ficar com receio. Sua interpretação está ótima. o único pequeno puxão de orelha que eu daria é que vc tem etiqueta 0, então talvez fosse apropriado ser um pouco menos educada no trato com os outros. Em uma escala de 0 a 10, 9,5 portanto.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Sab Ago 19, 2017 11:11 pm

(puta merda, etiqueta... pior q eu nem pensei nisso pq achei que estaria englobado na parte do camaleão, tipo saber agir imitando o outro.. mas acho q poderia ter perguntando isso antes =O ...pior q eu meio q coloquei outras coisas por achar q não precisaria disso.. E agora não da mais para arrumar, né? Caraca, q mandaca. Vou continuar educada usando reverencia por conta da cultura, mas vou tirar um pouco das maneiras e ficar menos polida... vlw pela dica.... =/ q droga XD)

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quando é chamada para o mundo exterior por uma batida na porta. Era Pierre que chegara para fazer sua pequena inspeção da obra. Ele estava vestido com jeans, uma camisa cinza e um paletó esportivo e trazia consigo um saco de papel com o logotipo de uma lanchonete e um copo plástico em um suporte de papel.


Olha para a porta na direção da batida e se levanta impressionada por até mesmo ter anoitecido e não ter reparado. Colocou a camiseta que parecia masculina, antiga e manchada com tinta com vários tons. Abriu a porta e o deixou entrar fazendo uma reverencia. Fechou a porta atrás dos dois a trancando, ainda estava com receio de que qualquer um entrasse. Ao sentir o cheiro da comida a barriga roncou e notou que não comia à horas. Posou a mão um pouco suja de tinta na camisa que marcou o corpo. Andou e sentou ajoelhada no chão ao lado da pintura e na frente de Pierre.


-Imaginei que você estaria exausta por trabalhar dia e noite para cumprir nosso prazo e minha falecida mãe sempre me disse para trazer um presente quando fosse visitar alguém. Trouxe um smooth, um cookie e um sanduíche para você. Espero que goste de queijo branco e peperoni.


Olhou para baixo quando ele começou a falar. Se virou para ele e fez uma reverencia meio torta. Os lábios estavam tremendo. Ela evitou olhá-lo e sentiu os olhos marejados. Balançou a cabeça positivamente quando ele perguntou se gostava. Pousou a comida do outro lado, para que Pierre não chutasse ou ela derrubasse nele. Pegou o sanduíche e a barriga roncou um pouco mais alto, talvez instigada pela salivação da boca e o cheiro do sanduiche. Deu a primeira mordida e sentiu a lágrima escorrer. No entanto, comeu com verocidade, estava faminta e quase se engasgou pelo choro que queria sair e a comida que queria entrar. Havia mantido todos os pensamentos longe, mas Pierre falar da mãe falecida a deixou com um mal estar, um frio na barriga que não seria saciado com um sanduiche. Sentiu mais lágrimas escorrerem e se abaixou um pouco mais deixando os longos cabelos tamparem o rosto.


--Sua mãe era muito gentil. Obrigada.

Disse um pouco baixo, com a voz falhando e a boca cheia.


-Não pude deixar de notar que tem uma fita de "cena de crime" em um dos quartos no final do seu corredor. Você sabe o que aconteceu?


-- A policia chegou a passar aqui. Eu não deixei ninguém entrar. -- Engoliu e começou a falar mais rapido -- Eu coloquei a comoda atrás da porta. Teve um tiroteio. Eu achei que fosse mais ao longe, mas pelo visto foi logo aqui bem perto. Eu fiquei com medo que alguém entrasse e visse a pintura ou a estragasse. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, nunca acontece essas coisas, só aconteceram por que não podia acontecer -- Mordeu novamente e mastigou chorando -- Eu não queria chorar na sua frente. Mas eu não consigo evitar, você entrou falando da sua mãe e eu nem pude sair para ver a minha -- Engoliu e olhou para ele. Com os lábios tremendo e nariz vermelho, disse --  A minha mãe sofreu um derrame e caiu. Ela está no hospital e meu irmão disse que queria descansar e eu nem atendi o telefone por que eu não consigo mais pedir para ele aguentar firme, eu não posso sair mas também não to mais aguentando e se ela morrer? Ela pode já ter morrido e eu não sei. Só tem eu e eles dois de família. Nem Tao pode nos ajudar pq ele tb tem as coisas dele. Eu não posso deixar as coisas aqui e ir -- Colocou a mão com um pouco de tinta no rosto e se encolheu se escondendo. Mas levou o resto do sanduíche para a boca e mastigou enquanto chorava. Sentia as mãos tremendo.

Pegou o smooth e o consumiu enquanto ia se acalmando. Se levantou e de costas para ele passou a mão pelo rosto, sujando de leve com o vermelho da rosa.


-- Eu não devia ter falado nada, não é algo que você precise resolver. Não é educado. Eu só preciso dormir, eu não sei à quanto tempo estou fazendo as coisas. Pq toda minha programação foi pro caralho com o tiroteio e minha mãe. Quem consegue se concentrar com o irmão te chamando de egoísta e pessoas se atirando logo ali do lado. Falta pouco, amanhã eu vou terminar, antes do horário. Então tudo volta ao normal e eu vou poder descansar. Acho que preciso de um banho antes de dormir. Pode olhar a obra, ver o que acha ou eu sei lá.


Deixou o copo na primeira superfície que viu e ainda limpava o rosto com as mãos enquanto as lágrimas escorriam, mas foi em direção a toalha limpa e o roupão, no qual percebeu que era o que deveria estar vestindo e não uma roupa tão suja. Mas quem se importa com o que o artista está vestido ou se sua mãe está morrendo, contato que termine sua criação, não é verdade? - Pensou, baixo, declamou em Coreano


"Eu imploro para dormir noite após noite, mas o sono não virá
ano após ano passa em dor, mas a dor não acaba."


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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Qui Ago 24, 2017 10:39 am

Olha para a porta na direção da batida e se levanta impressionada por até mesmo ter anoitecido e não ter reparado. Colocou a camiseta que parecia masculina, antiga e manchada com tinta com vários tons. Abriu a porta e o deixou entrar fazendo uma reverencia. Fechou a porta atrás dos dois a trancando, ainda estava com receio de que qualquer um entrasse. Ao sentir o cheiro da comida a barriga roncou e notou que não comia à horas. Posou a mão um pouco suja de tinta na camisa que marcou o corpo. Andou e sentou ajoelhada no chão ao lado da pintura e na frente de Pierre.



Pierre olha para a camisa surrada com uma expressão divertida. Alguém que vive em contato com artistas - se ele próprio não pudesse já ser considerado um - certamente compreendia a necessidade de se estar confortável ao pintar.



Olhou para baixo quando ele começou a falar. Se virou para ele e fez uma reverencia meio torta. Os lábios estavam tremendo. Ela evitou olhá-lo e sentiu os olhos marejados. Balançou a cabeça positivamente quando ele perguntou se gostava. Pousou a comida do outro lado, para que Pierre não chutasse ou ela derrubasse nele. Pegou o sanduíche e a barriga roncou um pouco mais alto, talvez instigada pela salivação da boca e o cheiro do sanduiche. Deu a primeira mordida e sentiu a lágrima escorrer. No entanto, comeu com verocidade, estava faminta e quase se engasgou pelo choro que queria sair e a comida que queria entrar. Havia mantido todos os pensamentos longe, mas Pierre falar da mãe falecida a deixou com um mal estar, um frio na barriga que não seria saciado com um sanduiche. Sentiu mais lágrimas escorrerem e se abaixou um pouco mais deixando os longos cabelos tamparem o rosto.



Embora Jeong estivesse tão centrada em si mesmo que não era capaz de perceber perfeitamente o que acontecia a seu redor Pierre claramente nota que ela está lutando para não chorar enquanto mantém a boca ocupada comendo. Ele, contudo, não faz perguntas a respeito disso. Talvez por polidez, talvez por não se importar ou talvez apenas por não saber como abordar o assunto.



--Sua mãe era muito gentil. Obrigada.

Disse um pouco baixo, com a voz falhando e a boca cheia.



-Mamãe era uma mulher fantástica. Apesar de todas as adversidades para criar os filhos sozinha depois que meu pai faleceu ela jamais perdeu a doçura. Eu espero um dia ter metade da fibra moral dela.



-- A policia chegou a passar aqui. Eu não deixei ninguém entrar. -- Engoliu e começou a falar mais rapido -- Eu coloquei a comoda atrás da porta. Teve um tiroteio. Eu achei que fosse mais ao longe, mas pelo visto foi logo aqui bem perto. Eu fiquei com medo que alguém entrasse e visse a pintura ou a estragasse. Aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, nunca acontece essas coisas, só aconteceram por que não podia acontecer



-Um tiroteiro aqui do lado? Meu Deus do céu, onde é que esse mundo vai parar. Fico feliz por ver que você está bem.



-- Mordeu novamente e mastigou chorando -- Eu não queria chorar na sua frente. Mas eu não consigo evitar, você entrou falando da sua mãe e eu nem pude sair para ver a minha -- Engoliu e olhou para ele. Com os lábios tremendo e nariz vermelho, disse --  A minha mãe sofreu um derrame e caiu. Ela está no hospital e meu irmão disse que queria descansar e eu nem atendi o telefone por que eu não consigo mais pedir para ele aguentar firme, eu não posso sair mas também não to mais aguentando e se ela morrer? Ela pode já ter morrido e eu não sei. Só tem eu e eles dois de família. Nem Tao pode nos ajudar pq ele tb tem as coisas dele. Eu não posso deixar as coisas aqui e ir -- Colocou a mão com um pouco de tinta no rosto e se encolheu se escondendo. Mas levou o resto do sanduíche para a boca e mastigou enquanto chorava. Sentia as mãos tremendo.



Sem dizer palavra, Pierre avança até Jeong e lhe dá um abraço apertado. Aquela proximidade toda com um quase desconhecido normalmente poderia ser recebida com estranheza pela garota, mas naquele momento ela se permite abraçar enquanto lágrimas escorrem por seu rosto. Com efeito, aquele pequeno gesto de conforto em um momento tão difícil parece fazer com que a carga emocional fique bem mais leve.

Depois de longos momentos o homem finalmente encerra o abraço e passa gentilmente os dedos na face da mulher, removendo as lágrimas que estavam escorrendo.

-Eu lamento tanto por ouvir sobre a saúde de sua mãe. Eu me sinto um verdadeiro monstro por não poder falar para você parar tudo e correr imediatamente ao hospital. Será que há algo que eu poderia fazer para ajudar?



Pegou o smooth e o consumiu enquanto ia se acalmando. Se levantou e de costas para ele passou a mão pelo rosto, sujando de leve com o vermelho da rosa.


-- Eu não devia ter falado nada, não é algo que você precise resolver. Não é educado. Eu só preciso dormir, eu não sei à quanto tempo estou fazendo as coisas. Pq toda minha programação foi pro caralho com o tiroteio e minha mãe. Quem consegue se concentrar com o irmão te chamando de egoísta e pessoas se atirando logo ali do lado. Falta pouco, amanhã eu vou terminar, antes do horário. Então tudo volta ao normal e eu vou poder descansar. Acho que preciso de um banho antes de dormir. Pode olhar a obra, ver o que acha ou eu sei lá.



Jeong se sente muito melhor em comparação com 5 minutos atrás, fosse pela glicose que a alimentação lhe propiciara, fosse pela solidariedade recebida ela se sente mais forte naquele momento.

Sem se mexer para ir inspecionar o quadro Pierre prossegue:

-Por favor não me entenda mal, eu não quero ser um estranho intrometido então se você preferir que eu me mantenha afastado não me sentirei ofendido, mas friso que a oferta de apoio é sincera. Eu posso ir agora mesmo ao hospital para ver se seu irmão precisa de algum suporte se você me permitir.



OFF: Conserto sempre tem. rs. Eu sugiro que vc gaste alguns pontinhos da XP que receberá ao final do ciclo pra comprar um pouco de etiqueta pra sanar essa pequena inconsistência.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Qui Ago 24, 2017 11:58 am

Sem dizer palavra, Pierre avança até Jeong e lhe dá um abraço apertado. Aquela proximidade toda com um quase desconhecido normalmente poderia ser recebida com estranheza pela garota, mas naquele momento ela se permite abraçar enquanto lágrimas escorrem por seu rosto. Com efeito, aquele pequeno gesto de conforto em um momento tão difícil parece fazer com que a carga emocional fique bem mais leve.  


Se deixa chorar ainda mais forte, colocando para fora. Fazia tempo que não encontrava alguém em quem pudesse só deixar os sentimentos vazarem, mesmo tendo àqueles que amava, era sempre receosa e odiava deixá-los preocupados. Pela primeiva vez em muito tempo, não havia essa preocupação, já havia soltado o monstro que a devorava por dentro. Se comoveu ainda mais por sentir o calor humano de um (quase) desconhecido, alguém que não devia nada à ela, havia se empatizado.



Depois de longos momentos o homem finalmente encerra o abraço e passa gentilmente os dedos na face da mulher, removendo as lágrimas que estavam escorrendo.

-Eu lamento tanto por ouvir sobre a saúde de sua mãe. Eu me sinto um verdadeiro monstro por não poder falar para você parar tudo e correr imediatamente ao hospital. Será que há algo que eu poderia fazer para ajudar?


Nesse momento ela procura pelos olhos dele e o rosto inconscientemente segue o dedo de leve. Olhou para baixo chateada consigo mesma por ter pensado que ele não se importava. Puxou o ar com força e a respiração saiu tremida, mas por fim aliviada, voltou a respirar normal. Limpou o nariz com o dorso da mão e deu de ombros, balançando a cabeça negativamente. Estava confusa.



-Por favor não me entenda mal, eu não quero ser um estranho intrometido então se você preferir que eu me mantenha afastado não me sentirei ofendido, mas friso que a oferta de apoio é sincera. Eu posso ir agora mesmo ao hospital para ver se seu irmão precisa de algum suporte se você me permitir.


Apesar de se sentir melhor, era nítido que ainda lutava com seus pensamentos, ponderando sobre o que deveria e poderia fazer. Estava quase no limite e sentia medo do que poderia fazer. Engoliu seco e o olhou com a feição triste.


-- Eu.. eu queria vê-la. Pq...pq se ela morrer eu não vou ter dado adeus e vou me arrepender. Eu posso até tentar dormir lá no hospital, eu preciso dormir mesmo. Você poderia levar o quadro para o atelier e então eu o pegaria amanhã e voltaria aqui ou pintaria lá mesmo. Qualquer coisa. Se não der só fica com o quadro enquanto eu a visito um pouco... Só...eu só quero vê-la .. Depois que me pai se matou, ela fez de tudo por nós e eu estou retribuindo virando as costas. Não posso deixar o quadro aqui.


Limpou novamente os olhos com o dorso das mãos, como crianças fazem. Fungou forte. Inconscientemente, estava se apoiando na compaixão de Pierre, talvez se não tivesse contado todos os detalhes de forma vomitada, ele não teria se compadecido, mas havia aproveitado e falado ainda mais para que ele a ajudasse, já que era o único ali que podia fazê-lo. Não tirou os olhos dos deles, deixando de lado os costumes de criação, mas usou desse contato como faziam aqueles do ocidente, até que ele a respondesse de forma positiva. A ajudando, de uma forma ou outra, para que ela pudesse ver a mãe.



[Potz, verdade, vou fazer isso. Até que faz sentido se ela ganhar isso depois, pq pode ser a parte camaleão que absorveu pq achou necessário... vou gastar em etiqueta.. o povo gastando em umas habilidades ninjas e eu gastando em etiqueta XD ]
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Sex Ago 25, 2017 12:57 am

-- Eu.. eu queria vê-la. Pq...pq se ela morrer eu não vou ter dado adeus e vou me arrepender. Eu posso até tentar dormir lá no hospital, eu preciso dormir mesmo. Você poderia levar o quadro para o atelier e então eu o pegaria amanhã e voltaria aqui ou pintaria lá mesmo. Qualquer coisa. Se não der só fica com o quadro enquanto eu a visito um pouco... Só...eu só quero vê-la .. Depois que me pai se matou, ela fez de tudo por nós e eu estou retribuindo virando as costas. Não posso deixar o quadro aqui.


Pierre parece um pouco aflito com aquele pedido. Ao mesmo tempo em que ele aparenta querer ajudar ele parece um pouco preocupado.


Limpou novamente os olhos com o dorso das mãos, como crianças fazem. Fungou forte. Inconscientemente, estava se apoiando na compaixão de Pierre, talvez se não tivesse contado todos os detalhes de forma vomitada, ele não teria se compadecido, mas havia aproveitado e falado ainda mais para que ele a ajudasse, já que era o único ali que podia fazê-lo. Não tirou os olhos dos deles, deixando de lado os costumes de criação, mas usou desse contato como faziam aqueles do ocidente, até que ele a respondesse de forma positiva. A ajudando, de uma forma ou outra, para que ela pudesse ver a mãe.


Depois de meio segundo de hesitação ele diz:

-Sim, claro que eu posso levar a tela em meu ateliê. Você também é muito bem-vinda para terminar de pintar lá. Tenho também um quarto extra para você descansar se você prometer não se incomodar com a simplicidade dele. Você pode usar o espaço que eu próprio uso para pintar. Falando na obra, será que eu poderia vê-la agora?

Quando a tela lhe é apresentada o homem faz um sinal de 'me dê um segundo' e a contempla profundamente. Depois de já ter visto ele analisando seus outros quadros Jeong percebe que ele estava realizando a imersão na obra que tinha por hábito, então ela não estranha a atitude. Quase 3 minutos se passam com o homem contemplando a tela quando ele finalmente diz:

-O trabalho está ficando muito bom. Gostei da imponência do tigre e da leveza da rosa. A escolha dos tons me agradou também. Mas vejo que ainda falta a parte da caligrafia, não é mesmo? Jeong, eu peço perdão por ser tão sincero, mas se vamos ser parceiros não podemos ficar com receio de falarmos um com o outro. Você irá conseguir terminar no prazo?

Olhando para o que fora até então produzido Jeong se vê forçada a reconhecer para si mesma que ela estava ligeiramente atrás do que deveria para ter certeza de que acabaria a tela com pelo menos 1 hora de antecedência.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Sex Ago 25, 2017 2:40 am

Ficou quieta em quanto ele falava, pensando nas reações dele e o que ele dizia. Na própria proposta que havia feito, talvez tivesse exagerado. Enquanto ele olhava o quadro, sentiu o nervosismo crescer, mas estava tão cansada, que mal se mexia. Quando ele perguntou sobre o prazo, ela olhou para baixo, reconhecendo que havia razão no que ele pedia. Mais uma vez, o lado racional tomou conta. Alguns segundos de silêncio e então ela disse:

-- É, ainda faltam algumas coisas, mesmo eu indo o mais rápido que posso, o prazo é por sí só muito curto. Eu queria ver minha mãe, mas se meu irmão estiver lá, provavelmente vai ser pior e vou perder algumas horas. Tanto faz se vou pintar aqui ou em outro lugar... -- Deu de ombros, falava devagar, emocionalmente exausta e desapontada -- À menos que queira ficar de olho no que estou fazendo. Eu vou tomar um banho e vou dormir -- Virou de costas, com a toalha e o robe já em mãos -- Se for embora e precisar falar comigo depois, não me ligue, não estou atendendo o telefone, nem vou chegar perto do telefone, inclusive. Se for e precisar, pode vir aqui direto.

Sem esperar pela decisão dele, entrou no banheiro ecostando a porta sem fechar, apenas para não deixar escancarada. Retirou as roupas e ficou recebendo a àgua da cabeça aos pés, tão cansada que não conseguia nem mais chorar, anestesiada e psicológicamente afetada. No entanto, havia voltado à determinação de acabar o que havia começado.

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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Sab Ago 26, 2017 3:55 pm

Ao se ver forçada a escolher Jeong opta por priorizar a vida profissional em relação à família. A garota desligaria o celular e permaneceria completamente inacessível naquele momento de crise para conseguir terminar a pintura. Uma decisão difícil, mas considerada necessária.


-- É, ainda faltam algumas coisas, mesmo eu indo o mais rápido que posso, o prazo é por sí só muito curto. Eu queria ver minha mãe, mas se meu irmão estiver lá, provavelmente vai ser pior e vou perder algumas horas. Tanto faz se vou pintar aqui ou em outro lugar... -- Deu de ombros, falava devagar, emocionalmente exausta e desapontada -- À menos que queira ficar de olho no que estou fazendo. Eu vou tomar um banho e vou dormir -- Virou de costas, com a toalha e o robe já em mãos -- Se for embora e precisar falar comigo depois, não me ligue, não estou atendendo o telefone, nem vou chegar perto do telefone, inclusive. Se for e precisar, pode vir aqui direto.


-Longe de mim tal coisa. Acho melhor eu ir logo para não perturbá-la ainda mais enquanto faz sua arte. - Pierre se levanta e caminha para a porta, Já com a mão na maçaneta ele diz  -Uma outra coisa. Eu não pude deixar de ouvir falar sobre rumores acerca de uma briga de gangues no seu bairro. O tiroteiro que você me narrou parece confirmar essses rumores. Você sabe o motivo dessa disputa? Eu tenho outros negócios a tratar aqui em Chinatown e não gostaria de ficar perambulando por aí sem saber o que está se passando ao meu redor.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Sab Ago 26, 2017 10:24 pm

Franziu o rosto quando ele fez a pergunta. Claro que sabia o que era, mas não era assunto que deveria compartilhar com ninguém, havia aprendido a ficar quieta quando Tao lhe contava algo, para o bem estar do próprio amigo. De longe, já no banho disse


-- Não sei o motivo. Mas meu conselho é que você não fique andando por aí à noite. Não me parece que seguro. Pode ocorrer novamente. Se puder, resolva as coisas por telefone, pelo menos por um tempo. Alias, quando sair, feche a porta com chave e jogue por debaixo da porta por favor. Eu também pretendo continuar segura...

--

Exausta, tomou seu banho para se acalmar. Saiu do chuveiro e vestiu o robe. Foi até a porta para ter certeza de que estava fechada. Por via das dúvidas, empurrou a comoda para trampar a porta novamente. Então foi dormir e se deixou descansar, sem mais pensar em nada. No outro dia, se concentraria para terminar a obra, pelo menos a caligrafia era algo que gostava muito de fazer.

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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Dom Ago 27, 2017 12:37 pm

-Pode deixar. Obrigado de toda forma e até amanhã.


Sozinha, Jeong deixa a água quente do banho cair no corpo. Aparentemente o banho era o que ela precisava., pois a despeito de ter trabalhado duro o dia todo e estar naquela situação familiar delicada todo o cansaço parece ir embora pelo ralo. Ela se sentia fisicamente muito bem quando finalmente fechou a torneira.

Do ponto de vista psicológico, uma coisa em particular ficava cutucando sua consciência. Deveria ela ter mesmo mentido para Pierre? Claro que ela tinha uma amizade muito mais antigo com Tao, mas uma resposta sincera poderia ter sido útil para Pierre e provavelmente não comprometeria Tao, já que ela poderia ter ficado sabendo do motivo por uma infinidade de fontes que não o envolvessem. Além de um ótimo contato profissional, Pierre parecia ser uma pessoa tão boa - até se dispôs a ir ao hospital para apoiar ela e sua família naquele momento de dificuldade - e a mulher lhe pagara a bondade com uma mentira.

Ao deitar na cama Jeong não está mais se sentindo cansada de verdade, mas insiste na ideia de dormir para que falta de sono não comprometa a parte final de seu trabalho. Os pensamentos dela se revezam basicamente entre a preocupação com a mãe, o remorso por ter mentido para Pierre e o senso de dever de terminar a obra no dia seguinte até ela pegar no sono.

Finalmente ela adormece. Ao acordar cerca de 4 horas depois com o alarme ela está completamente renovada - pelo menos no que diz respeito à parte física. as preocupações tem o mau hábito de não irem embora apenas ao se colocar o sono em dia -, como se tivesse dormido a note toda. Ela mantém o celular desligado para não ser perturbada e inicia a parte final da obra: a caligrafia.

Spoiler:
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 8 para caligrafia 004 que resultou 9, 10, 8, 3, 7, 10 - Total: 4 Sucessos
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 8 para caligrafia 003 que resultou 8, 1, 9, 5, 10, 9 - Total: 3 Sucessos
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 8 para caligrafia 002 que resultou 1, 2, 1, 5, 4, 8 - Total: -1 Sucessos
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 8 para caligrafia 001 que resultou 10, 2, 10, 5, 8, 10 - Total: 4 Sucessos

A etapa final do trabalho não começa particularmente bem. Jeong conhece bem a tecnica, mas arte não se trata de mera reprodução mecânica de uma rotina. Possivelmente pelo estado de espírito ou pela pressão de ter de acabar em breve a garota chega a cometer um erro na expressão "honra" que faz ela pensar que tinha estragado tudo, mas felizmente ela consegue sobrepor o equívoco e fazer um trabalho decente ao colocar as palavras na tela.

Por volta das 13h ela tem uma visão geral de sua obra.  A rigor ela poderia entregá-la como estava - e se ver livre para ir ao hospital logo-, mas sem dúvida havia espaço para aprimoramento.

Considerando que a tinta precisaria secar e o tempo de deslocamento necessário para chegar ao atelie Jeong tem cerca de 6 horas para se dedicar aos retoque finais caso queira continuar mexendo na tela.

{Para fins de sistema, considere os seguintes dados:
Desenho 'principal' - Jeong obteve 21 sucessos. Com 10 a obra é mediana, com 15 a obra está boa, com 20 está ótima e com 25 beira a perfeição.
Detalhes - Jeong obteve 4 sucessos. Com 4 a obra é mediana, com 6 está boa, com 8 está ótima e com 10 beira a perfeição
Caligrafia - Jeong obteve 7 sucessos (a falha crítica cancelou a primeira rolagem). Com 4 a obra é mediana, com 6 está boa, com 8 está ótima e com 10 beira a perfeição
A dificuldade dos testes foi escalonada com base na complexidade crescente de cada fase}



{Por favor informe o que pretende fazer. Considerarei que cada sessão para mexer no quadro consumirá 3 horas. Caso deseje você pode gastar fdv individualmente para cada sessão}
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Dom Ago 27, 2017 1:16 pm

(Ia falar sobre isso, pretendia gastar fdv. Pode gastar fdv começando por Detalhes. Depois a Caligrafia - Eu acho que não da tempo para aprimorar o desenho principal, pois tenho q entregar antes das 21, se não 3h p cada...Então pode deixar o desenho principal como está. Se cair dado ruim no detalhe, em vez de ir para Caligrafia, pode usar esse tempo à mais para corrigir em vez de fazer a caligrafia. Preferiria que não ficasse nada ruim. Mas paro antes de entregar, melhor do que perder o tempo
PS: Para de me fazer sentir culpada uauhahau, ela disse p ele nao ficar andndo por ai uai XD)

----------------

Aliviada por estar quase tudo terminando, corre em sua rotina com energia, estava com ansiosa para finalmente poder entrar a obra e resolver as coisas pendentes.
Ficou feliz por ter conseguido descansar sem ser acordada no meio da madrugada ou algo parecido. Quando havia terminado de seguir a estranha rotinha que tinha agora, voltou ao quadro.

Era visível os problemas que havia tido com o quadro, a falta de tempo era um problema grande se unindo com os problemas da mente. Mas haviam ainda algumas horas, respirou fundo e então se dedicou a melhorar os quadros, deu tudo de si, pensou no quanto sofreu naquele quarto e em todo sofrimento que havia tido em sua vida e em como tudo poderia sair pelo pincel e talvez assim, atingir uma outra pessoa, que vissem o seu esforço na pintura excelente que estava tentando pintar.

Era uma pena que não pudesse assinar, pois aquele seria, provavelmente, o trabalho de sua vida. Talvez não o mais belo, mas o divisor de águas e possivelmente o mais trabalhoso. Representaria sua luta entre os extremos do mundo que sempre surgiam em sua vida, a morte e a vida, a culpa e a inocência, o êxito e a desistência, a companhia e a solidão.

Terminada a obra, iria ligar para Pierre, dizendo que ele poderia buscar. E então, finalmente iria para casa. O coração batia acelerado, com medo do que ouviria do irmão, de lembrar que poderia ter acontecido alguma coisa com qualquer um deles...

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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Dom Ago 27, 2017 3:57 pm

@FV 4/6

Sem parar para comer ou ir ao banheiro Jeong pinta freneticamente por mais 6 horas. Havia sempre o risco de ela cometer algum erro, o que seria fatal nessa reta final pois não havia tempo para consertá-lo, mas a garota empenha toda sua concentração para evitar que isso ocorra.

Spoiler:
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 8 para caligrafia que resultou 9, 9, 7, 1, 10, 8 - Total: 3 Sucessos
1 sucesso extra para caligrafia com fdv
Jeong rolou 6 dados de 10 lados com dificuldade 7 para detalhes que resultou 10, 3, 10, 5, 10, 4 - Total: 3 Sucessos
1 sucesso extra para detalhes com fdv

Ao final ela contempla o resultado muito satisfeita. O quadro ficou muito bom como um todo, em especial a caligrafia, que decerto chamaria a atenção de qualquer um que apreciasse aquela arte. Para falar a verdade, e sem qualquer falsa modéstia nisso, Jeong poderia dizer que a caligrafia ficara perfeita.

Pierre chega no hotel pouco depois das 20h. A simples visão dele faz com que Jeong sinta-se envergonhada por ter mentido para ele na noite anterior.

Depois de se cumprimentarem ele pede para ver a obra e realiza sua usual imersão ao olhar para ela. Essa parece ser a mais demorada de todas até agora. Demorada a ponto de Jeong começar a temer que algo possa estar errado. Quase 15 minutos depois ele finalmente quebra o silêncio.

-Vejo que eu estava certo em confiar essa missão a você. A obra está magnífica. Chega a me doer o coração eu não poder mantê-la em minha coleção particular... Uma verdadeira pena que ainda hoje terei de entregá-la ao Sr. Francis. Mas ele pretende presentear o destinatário final com ela ainda hoje e eu sou conhecido por não deixar meus clientes na mão.

Ele então tira um cheque de sua carteira, preenche a cártula com uma bela caligrafia, indicando o valor combinado, torna o título nominal para Jeong e o assina. A seguir ele se oferece para dar uma carona para a garota até sua casa.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Dom Ago 27, 2017 4:42 pm

Jeong ficou olhando para o final de sua obra. Nunca havia sentido tanto orgulho e jamais imaginou que seria tão difícil mas tão recompensador criar alguma coisa assim. A sensação de missão cumprida a deixou mais leve e com um sorriso no rosto.

Mas quando viu Pierre, o comprimentou e esquivou o olhar. Estava se sentindo mal, talvez contasse sobre o outro ataque, não custava nada frizar que parecia que as ruas não estariam seguras. Ficou próxima à ele, mas acabou se agachando e segurando as pernas por conta da ansiedade, tentou não fazer nenhum barulho como sabia que ele queria e era como se fizesse parte dos móveis. Assim que ele falou, ela amoleceu o corpo, mas se levantou


-- Que alívio. Estou feliz que tenha gostado. Eu também gostei, mas fiquei nervosa agora. Ainda bem
Olhou para ele e sorriu verdadeiramente
--Bom, posso fazer algum para você e trabalhar sério nele. Mas sem esse prazo maluco -- Sorriu sem jeito -- Eu também sinto uma pontada de tristeza, sem assinar, nunca mais ver -- Deu de ombros -- É como colocar um filho no mundo e não vê-lo crescer

Enquanto Pierre escreve o cheque, Jeong traz as malas mais para perto da porta, as tintas e os pinceis já estavam limpos e guardados. Ela, que já esperava Pierre, estava com roupas simples, mas limpas e cabelos amarrados em um rabo de cavalo.
Pegou o cheque na mão e ficou olhando por alguns segundos. Um pedaço de papel nunca pesou tanto. Colocou-o na carteira e fechou os olhos, respirando fundo, depois olhou-o.


-- Eu aceito a carona Pierre -- Colocou a mão no braço dele -- Olha, sobre o que eu falei ontem, eu estava estressada, foram dias ... foi complicado. Mas cuidado com as ruas de Chinatown, eu acho que vão acontecer mais coisas como essa. Não me veio na hora, mas um mercado perto de casa também sofreu um ataque, um cara bacana ele, uma pena. Então, tome cuidado, tá. -- Tirou a mão e sorriu de canto, com o olhar um pouco triste, mas desviou o olhar e foi até sua mala. Então pegou as coisas e se dirigiu até o carro, para pegar uma carona e finalmente ir para casa, deixar as coisas e provavelmente ir ao hospital se não houvesse ninguém em casa. No carro disse: -- Obrigado pela carona e o apoio ontem. Eu não sei se teria conseguido continuar se você não tivesse aparecido ontem --Olhou para ele de canto de olho.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Qua Ago 30, 2017 2:57 am

-- Eu aceito a carona Pierre -- Colocou a mão no braço dele -- Olha, sobre o que eu falei ontem, eu estava estressada, foram dias ... foi complicado. Mas cuidado com as ruas de Chinatown, eu acho que vão acontecer mais coisas como essa. Não me veio na hora, mas um mercado perto de casa também sofreu um ataque, um cara bacana ele, uma pena. Então, tome cuidado, tá. -- Tirou a mão e sorriu de canto, com o olhar um pouco triste, mas desviou o olhar e foi até sua mala.


Jeong se sente muito melhor após dar aquele aviso para Pierre. Por algum motivo a ideia de que ele pudesse se ferir nas ruas de seu bairro, especialmente por culpa de uma omissão dela, parecia terrível.


Então pegou as coisas e se dirigiu até o carro, para pegar uma carona e finalmente ir para casa, deixar as coisas e provavelmente ir ao hospital se não houvesse ninguém em casa. No carro disse: -- Obrigado pela carona e o apoio ontem. Eu não sei se teria conseguido continuar se você não tivesse aparecido ontem --Olhou para ele de canto de olho.


Pierre pega na mão de Jeong e diz:

-Eu fico muito feliz por ter ajudado de alguma forma. E reitero aqui que você pode contar comigo se precisar de algo.

Jeong sente-se profundamente reconfortada com a oferta de ajuda que o homem lhe fizera. Mais do que reconfortada até. Tê-lo ali segurando sua mão faz parecer que nada poderia dar errado enquanto ele estivesse por perto.

No caminho para sua casa os dois conversam sobre amenidades, em especial sobre arte e gastronomia. Ao falarem sobre gastronomia Pierre pede também algumas dicas sobre restaurantes orientais na área que sirvam pratos tradicionais.


{Micro: Considere que Jeong sabe que o melhor restaurante chinês de Chinatown se chama Min Jiang e que ele é de propriedade da Máfia chinesa. Ela sabe também que eles atendem o público em geral como um negócio legítimo em 2 andares e exclusivamente membros da Máfia no terceiro andar, onde a entrada do público comum não é permitida. Ocasionalmente o lugar é utilizado para reuniões pela Máfia. Naturalmente o Min Jiang não é o único restaurante bom do bairro e Jeong conhece também pelo menos outros 2 lugares que acredita que seriam boas escolhas gastronômicas. Se alguma ou todas essas informações serão ditas fica por sua conta.}
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Qua Ago 30, 2017 4:43 am

Pierre pega na mão de Jeong


Olhou para a mão dele na sua e abriu um pouco os olhos, sobressaltada. Aos poucos levou os olhos até os dele e o ouviu falar. Poucas pessoas a tinham feito sentir bem. A pupila dilatou, mas os olhos se fecharam por conta do sorriso que escapou. Ela desviou o olhar e apenas concordou com a cabeça, seguindo. Pensativa

No carro, se sentia mais leve, conversar com Pierre havia se tornado algo fácil, pelo menos quando o assunto era arte, havia perdido o nervosismo inicial e a tentativa de impressioná-lo, qualquer coisa que ele havia visto era o máximo que ela poderia mostrar, não havia necessidade de tentar alguma coisa se não ser ela mesma.

Sorriu e o olhou de canto de olho. Tirou os pés do tênis e colocou um encostado no banco, a coxa próxima ao peitoral e abraçou a perna, encostou a cabeça no joelho e virou o rosto para ele. Disse:


-- Tem bastante lugar que você pode comer qualquer coisa boa ou ruim, mas a comida chinesa daqui vai ser sempre diferente da que você come ou comeu, em outros lugares. O...gosto é diferente, o modo de fazer. Eu prefiro os daqui.

Apoiou o tronco e a cabeça no tronco. Esticou as pernas apoiando na parte do painel à sua frente. Escorregou um pouco o corpo, se afundando no banco. Olhou para as mãos que nervosamente massageavam a coxa, indo para frente e para trás, inconscientemente tentando soltar a tensão. Com a voz um pouco baixa, começou a falar:


- Pierre, eu sei que você não conhece muito ChinaTown e ver outro povo e coisas diferentes deve ser muito agradável, eu mesma achei muito surpreendente quando vim para cá. Mas olha, eu falei que está rolando algo aqui, né. Do mesmo jeito que tem as gangues no Brooklyn, ou Al capone na época da lei seca -- Deu de ombros -- Temos a gangue daqui. Eu não faço parte dela, claro, mas todo mundo sabe que existe e ninguém fala sobre, por motivos óbvios. E, bem, eu posso te falar todos os lugares legais, mas não é um bom momento para ficar dando bobeira por aqui. -- Abaixou as pernas e virou o corpo um pouco de lado. Encostou os dedos suavemente na coxa de Pierre -- Eu falo sério, não fique andando por lá, não procure por problemas. Por que uma hora você vai encontrar e eu odiaria isso. -- Retirou a mão. Voltou a se afundar no banco, com os pés no banco onde estava sentada, encolhida, apesar de tudo, confortável. Mas sentia a angústia da preocupação. Era o que faltava, mais uma pessoa que desejava que ficasse bem. Por que ninguém a ouvia? -- Mesmo assim, se quiser comer de teimoso, tem o Min Jiang, é um excelente restaurante, a comida é muito boa, e também temos mais dois outros lugares -- Disse os tais -- Servem boas refeições...-- Olhou para ele -- Vai jantar à negócios ou experimentar a comida? Por que se for apenas pela comida, eu posso cozinhar para você, assim você não fica zanzando por aí -- Deu de ombros -- Estou acostumada a fazer essas coisas. Se for à negócios, leva o cara para o Empire States-- Sorriu, mas desviou o olhar para o outro lado, encarando a rua.


(Ps: Hahah tu fica me colocando na berlinda caramba XD )
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Qua Ago 30, 2017 11:36 am

Olhou para a mão dele na sua e abriu um pouco os olhos, sobressaltada. Aos poucos levou os olhos até os dele e o ouviu falar. Poucas pessoas a tinham feito sentir bem. A pupila dilatou, mas os olhos se fecharam por conta do sorriso que escapou. Ela desviou o olhar e apenas concordou com a cabeça, seguindo. Pensativa

No carro, se sentia mais leve, conversar com Pierre havia se tornado algo fácil, pelo menos quando o assunto era arte, havia perdido o nervosismo inicial e a tentativa de impressioná-lo, qualquer coisa que ele havia visto era o máximo que ela poderia mostrar, não havia necessidade de tentar alguma coisa se não ser ela mesma.

Uma das vantagens de ter produzido a obra que entregara há pouco - além do ganho financeiro, claro - era que agora Jeong não tinha mais necessidade de tentar impressionar o vendedor de arte. O trabalho por si só faria isso. Ou se não fizesse nada faria. Sem essa preocupação a garota começa a construir um vínculo mais humano e menos profissional com Pierre.


Sorriu e o olhou de canto de olho. Tirou os pés do tênis e colocou um encostado no banco, a coxa próxima ao peitoral e abraçou a perna, encostou a cabeça no joelho e virou o rosto para ele. Disse:

-- Tem bastante lugar que você pode comer qualquer coisa boa ou ruim, mas a comida chinesa daqui vai ser sempre diferente da que você come ou comeu, em outros lugares. O...gosto é diferente, o modo de fazer. Eu prefiro os daqui.


-Ah sim, o gosto da comida de um lugar nunca fica igual quando feita por estrangeiros. Acredite em mim. A dita comida francesa que eles servem aqui nem se compara com a original.


- Pierre, eu sei que você não conhece muito ChinaTown e ver outro povo e coisas diferentes deve ser muito agradável, eu mesma achei muito surpreendente quando vim para cá. Mas olha, eu falei que está rolando algo aqui, né. Do mesmo jeito que tem as gangues no Brooklyn, ou Al capone na época da lei seca -- Deu de ombros -- Temos a gangue daqui. Eu não faço parte dela, claro, mas todo mundo sabe que existe e ninguém fala sobre, por motivos óbvios. E, bem, eu posso te falar todos os lugares legais, mas não é um bom momento para ficar dando bobeira por aqui.



-Ah, mas o risco da criminalidade sempre existe. Como poderíamos viver a vida se ficássemos com medo constante disso a ponto de deixar de fazer as coisas?



-- Abaixou as pernas e virou o corpo um pouco de lado. Encostou os dedos suavemente na coxa de Pierre -- Eu falo sério, não fique andando por lá, não procure por problemas. Por que uma hora você vai encontrar e eu odiaria isso. -- Retirou a mão. Voltou a se afundar no banco, com os pés no banco onde estava sentada, encolhida, apesar de tudo, confortável. Mas sentia a angústia da preocupação. Era o que faltava, mais uma pessoa que desejava que ficasse bem. Por que ninguém a ouvia?



-Pela minha experiência apesar de serem um câncer para a sociedade o crime organizado ao menos traz o benefício de assegurar que bandidos menores não incomodam as pessoas nas ruas. Eu já tive uma galeria em um bairro controlado pela máfia italiana. Os bandidos me extorquiam uma 'taxa de proteção' todo mês. Ela tinha a função principal de comprar proteção contra eles próprios. Mas além disso eles se encarregavam de fazer com que qualquer bandido menor que ousasse atuar na região nunca mais fosse visto, então objetivamente falando a violência caiu depois que eles chegaram. Aqui em Chinatown o crime organizado não age de maneira parecida?

{Micro para responder essa pergunta}



-- Mesmo assim, se quiser comer de teimoso, tem o Min Jiang, é um excelente restaurante, a comida é muito boa, e também temos mais dois outros lugares -- Disse os tais -- Servem boas refeições...-- Olhou para ele -- Vai jantar à negócios ou experimentar a comida? Por que se for apenas pela comida, eu posso cozinhar para você, assim você não fica zanzando por aí -- Deu de ombros -- Estou acostumada a fazer essas coisas. Se for à negócios, leva o cara para o Empire States-- Sorriu, mas desviou o olhar para o outro lado, encarando a rua.



-Acho que um pouco de cada. A beleza de se trabalhar com o que se ama é que no fundo você nunca está apenas trabalhando. - Pierre abre um sorriso - E eu adoraria provar sua comida. Se não for incomodar, claro.

Logo após a aceitação do convite - que deixou Jeong bastante feliz - o GPS do celular de Pierre informa que 'você chegou a seu destino'. Ele confirma com a garota qual exatamente era o prédio e estaciona em frente. Depois de desligar o carro, sem que Jeong se desse muito conta, eles acabam conversando por mais alguns minutos em frente a sua casa.

Ao tirar os olhos de seu interlocutor para apontar para frente indicando a direção onde ficava uma loja de artigos orientais Jeong nota um rosto conhecido na rua. Ele estava sozinho na esquina, caminhando na direção deles. Demoraria alguns segundos para ele passar bem ao lado do carro.

Spoiler:



PS: Mas essa é a graça do jogo. rs
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por DaniEaston em Qua Ago 30, 2017 12:18 pm

Aqui em Chinatown o crime organizado não age de maneira parecida?


Apertou os lábios comprimendo-os para drentro e desviou o olhar para a janela. Se inclinou para perto da porta de leve.

-- Hmm ... Eu não saberia responder essa pergunta. Pois não sei exatamente o que acontece por aí. Nem fico me enfiando em assuntos desse tipo. Para que não me venha problemas. Pelo que eu sei é que as ruas são tranquilas, eu ando de noite por elas e nunca me aconteceu nada -- Deu de ombros -- Também nunca vi nenhuma coisa violência agravante. Exceto esses dois dias que soube do que ouve.  Mesmo sem saber exatamente o que aconteceu. Está certo que ninguém pode ficar trancado em casa para toda a vida. Mas também não precisa sair correndo no meio de algum tiroteio, desavenças ou o que for. Se há algum problema aqui, é bom se manter distante, até ele cessar.

----


-Acho que um pouco de cada. A beleza de se trabalhar com o que se ama é que no fundo você nunca está apenas trabalhando. - Pierre abre um sorriso - E eu adoraria provar sua comida. Se não for incomodar, claro.


Sorriu um pouco vermelha e olhou para ele. Falou um pouco mais alto, meio rindo e em coreano.
-- Mas é para não sair por aí indo em restaurantes, por isso vou cozinhar. Tsc!

Ali estacionados, jogou conversa fora, calçou o tênis e soltou o cinto de segurança. Ao notar Ling seu sorriso vacilou um pouco, mas disfarçou ajeitando o cabelo. Depois, olhando para Pierre disse

-- Eu preciso ir Pierre, tenho um monte de coisa para resolver, mas vamos conversar mais. Ainda temos aquele quadro para vender. -- Esticou a mão ele e então pegou as coisas para sair e ir para casa. Deu um ultimo sorriso enquanto saia.

A presença de Ling a incomodava um pouco. Sentia que estava fazendo algo errado, como se estivesse traindo seus irmãos. Talvez fosse a criação e o costume de não poder se envolver com ocidental, ou por conta de quem eles eram (mafia), no fundo não sabia, mas preferia ficar longe de qualquer problema e também que Pierre ficasse bem.
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Re: Um Mundo Mais Escuro

Mensagem por Ignus em Qua Ago 30, 2017 10:34 pm

Ali estacionados, jogou conversa fora, calçou o tênis e soltou o cinto de segurança. Ao notar Ling seu sorriso vacilou um pouco, mas disfarçou ajeitando o cabelo. Depois, olhando para Pierre disse

-- Eu preciso ir Pierre, tenho um monte de coisa para resolver, mas vamos conversar mais. Ainda temos aquele quadro para vender. -- Esticou a mão ele e então pegou as coisas para sair e ir para casa. Deu um ultimo sorriso enquanto saia.

A presença de Ling a incomodava um pouco. Sentia que estava fazendo algo errado, como se estivesse traindo seus irmãos. Talvez fosse a criação e o costume de não poder se envolver com ocidental, ou por conta de quem eles eram (mafia), no fundo não sabia, mas preferia ficar longe de qualquer problema e também que Pierre ficasse bem.


Ao decidir sair rapidamente Jeong acabou chamando mais atenção do que chamaria caso tivesse permanecido no carro enquanto Ling passava por eles. Quando ela bate a porta e se volta para com a chave na mão para entrar no seu prédio ela nota o oriental fitando com atenção o veículo de Pierre.

Chegando em casa Jeong não encontra ninguém. Como tudo levava a crer que a família estava no hospital ela segue para lá assim que larga as malas no seu quarto.

{Favor esclarecer com qual meio de transporte irá para lá. Diga também se pretender deixar ou levar algo da casa}

***

Chegando ao hospital, se identificando e dando o nome da mãe na recepção a garota é logo encaminhada para o 'centro cirúrgico verde'. A recepcionista diz não ter no sistema informações precisas sobre a condição clínica da paciente, então Jeong segue para lá.

Assim que chega ao local ela vê o irmão e Tao sentados em um cadeiras em uma sala de espera.
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