Redenção

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Redenção

Mensagem por Krauzer em Seg Jan 09, 2017 1:54 pm

Parte 1





        A lua cortou com um facho de luz as nuvens cinzas enquanto Christof chegava ao topo da colina. O vento noturno atravessava sua armadura danificada, arrepiando seu corpo aquecido. Seus braços e pernas doíam como nunca e imploravam por descanso. Mas ele não havia orado o dia todo, e não deixaria seu corpo cair até que o tivesse feito.
        Os Cruzados da Ordem Swordbrethren haviam estado em marcha forçada desde o amanhecer, perseguindo os bárbaros, mais rápidos e menos protegidos. Sir Cuthbert havia relutantemente permitido que eles parassem apenas quando a noite tornasse a viagem impossível.
        Depois de armar suas barracas, os Cruzados agradecidamente desmaiaram em suas esteiras. mas Christof não o fez. Ele tinha uma necessidade maior que o sono. As enérgicas orações de Frei Bertrand contra os bárbaros eram inspiradoras, mas suas preces rotineiras pouco consolavam o Cruzado de dezoito anos. O Salvador havia decretado que os Cristãos rezassem sozinhos, em seus próprios quartos, e Christof havia seguido esta regra á risca todo dia, desde a infância. Mas não haviam quartos nas terras estéreis da Morávia, portanto o desolado topo da colina teria que bastar. Christof parou no pico da colina e olhou para baixo. De lá, ele podia ver todo o acampamento alinhado sob a luz fria da lua. Uma dúzia de fogueiras brilhavam em volta do perímetro, afastando os terrores da noite. A maioria dos Cruzados dormia profundamente, cansados até os ossos da marcha forçada do dia. Até mesmo alguns dos vigilantes hesitavam em seus postos. Tudo estava quieto, exceto por alguns servos andando pelo campo, colhendo sacos de grãos, cavando um fosso e preparando a refeição da manhã.
        Pela primeira vez naquele dia, Christof se sentia seguro. Ele tirou seu elmo pesado e batido, deixando que caísse no chão. O ar frio da noite soprava em seus cabelos longos e castanhos, embaraçados e molhados de suor. Ele esfregou seus olhos com um punho da malha, limpando a ferrugem e suor misturados com a poeira da estrada. Sua armadura estava maltratada e precisava de reparos. A roupa branca sobre sua cota de malha estava rasgada em vários pontos, e suja com sangue seco. Mas a cruz vermelha no peito estava tão brilhante quanto no primeiro dia em que ele a usou. Seus braços e pernas doíam das semanas de marcha. Mas Christof não estava pronto para descansar.
        Ele tirou sua espada larga da bainha, enterrou sua ponta na crosta da terra seca e se ajoelhou diante dela. Ele pressionou sua sobrancelha febril no cabo, fechou seus olhos e rezou quietamente.
        "Pai Nosso, que estais no Céu..."
        Mas sua mente não permaneceu na prece. A tensão que havia se acumulado em sua espinha de guerreiro lentamente esvaiu-se. E enquanto a tensão se extinguia, uma corrente de memórias se levantou, inconscientemente. E indesejada.

***


        Em seus dezesseis anos, Christof nunca havia desferido um golpe sequer levado pela fúria. Na pequena vila francesa de St. Claire, ele havia lutado e duelado com todo rapaz e homem capaz. Ele vencia a maioria das disputas e sempre saía sem um arranhão, como um protegido dos céus. Até o dia em que um javali selvagem passou correndo pelo gramado da vila.
        O javali perseguia os aldeões, que se espalhavam à frente dele como gansos, aterrorizados, enquanto o javali bufava e feria. Dois vigias entraram em pânico e fugiram, largando as armas enquanto corriam entre os aldeões mais lentos. Christof se distanciou facilmente do grande porco, mas um grito mais estridente que todos os outros cortou seus ouvidos como uma navalha. Ele virou-se e viu que o javali havia derrubado uma criança pequena, que ficou caída no gramado, chorando. Uma fúria quente ascendeu-se no peito de Christof. Ele parou, e manteve-se parado enquanto os aldeões passavam por ele. Num momento, o gramado da vila estava vazio, exceto pela criança, o javali e Christof.
        O grande porco olhou em volta para examinar o dano que havia causado. Bufou com satisfação e abaixou suas presas amareladas para correr em direção à chorosa criança novamente. Então ele notou Christof, agora completamente sozinho no gramado> Ele correu na direção de Christof, testando a solitária e imprudente criatura que não fugiu de sua ira. Christof rapidamente desviou-se para o lado, correndo em direção a uma cabana, por muito pouco desviando da criatura. O javali passou por ele e voltou ao gramado. satisfeito por Christof não mais o desafiar, voltando novamente sua atenção para a criança.
        Christof pegou uma vara afiada da cabana e se aproximou da criança. O javali bufou de raiva, pisoteou o gramado e correu para Christof, determinado a punir este ato de desafio. Christof se agachou, enterrou a ponta cega do espeto no chão e se agarrou a ele, encarou a besta e se abaixou, colocando a ponta na direção de suas mandíbulas.
        O espeto estalou como um galho seco quando o javali derrubou Christof e perfurou seu ombro direito. A besta deu um sopro quente de frustração, quando percebeu que havia caído, de boca aberta, bem no espeto. Ele pisou com seus cascos e furou o peito de Christof, com as presas a centímetros de sua face. Mas o espeto havia atravessado a boca da fera e quebrado seu pescoço. Sua cabeça monstruosa olhou ameaçadoramente com uma raiva impotente e incrédula, enquanto a luz lentamente sumia de seus olhos.
        Os aldeões invadiram o gramado, comemorando. Eles afastaram o monstro de Christof, que respirava com dificuldade e sangrava. Os anciões da vila fizeram um festival de uma semana em honra a Christof, e durante aqueles sete dias, ele era como o Rei David. "Christof, Deus lhe deu de presente uma grande coragem," os anciões diziam "A você está destinada glória maior que a vida como um mero padeiro ou sapateiro! Talvez você se torne o mais jovem ancião da vila". A glória era doce, mas também o embaraçava. As damas o adoravam com lascívia e o olhavam com segundas intenções. "Christof, você é o homem mais valente entre os Cristãos! Abençoada seja aquela que for sua esposa!" Os rapazes também o admiravam. "Christof, você deve lutar pela glória de Deus! Vá! Vá para muito além de St. Claire! Vá para as Cruzadas, e traga fama para nossa vila!' Mas Christof quase não os ouvia.
        Tudo que ele podia ver era a grande e opressiva face da besta, a centímetros da sua. Nervosa. Cheia de ódio. E o fogo em seus olhos mortos.
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Re: Redenção

Mensagem por Krauzer em Seg Jan 09, 2017 2:12 pm

Parte 2







       Christof meneou a cabeça para afastar a memória e novamente se concentrou em sua prece. Ele estava ansioso para terminar e ir dormir. Ele continuou silenciosamente, "Perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos aqueles que nos tenham ofendido..."


***


       Nos seus dezessete anos, Christof nunca havia matado um homem. O sol quente batia nele e um zumbido enchia seus ouvidos, afogando o nervoso abater de ferros. Faíscas voavam em frente a seus olhos, e sua cabeça rodava enquanto o machado do bárbaro acertava seu elmo na direita.
        Christof estava certe de que iria ser morto. Ele rezou para que o senhor encontrasse sua alma no meio do campo de batalha e cegamente deu o golpe de misericórdia. O cabo da espada doía em sua mão enquanto a lâmina entrava na carne e atingia os ossos. O bárbaro caiu como palha em um festival de colheita e ficou imóvel.
       O zumbido nos ouvidos de Christof sumiu e sua visão lentamente ficou mais clara. Ele puxou sua espada, que havia perfurado o coração do bárbaro. Mas a arma não saiu. Ela estava presa nas costelas do homem, e não se soltava. Christof agarrou o cabo com as duas mãos e puxou furiosamente. O cadáver do bárbaro subiu junto, como se erguesse dos mortos. Os ossos quebrados do peito gemeram como as profundezas do inferno e se abriram enquanto a espada se soltava. Mas uma mão manteve-se erguida, como se implorasse a Christof por misericórdia.
       Christof olhou nos olhos profundos e vazios do homem morto. As pupilas negras olhavam de volta com o mesmo olhar acusador e incrédulo do javali. Christof se afastou, mas sabia que aquela visão permaneceria com ele até o fim de seus dias.
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Re: Redenção

Mensagem por Krauzer em Seg Jan 09, 2017 3:52 pm

Parte 3


       Novamente Christof tentou afastar as lembranças e concentrou-se na sua oração. Mas ele sentia-se mal, e a prece não lhe trazia conforto. "E não nos deixei cair em tentação, mas livrai..."
       Sua atenção se desviou da prece, mas não para outra memória. Ele abriu os olhos e olhou colina abaixo para as tropas que dormiam. O acampamento estava quieto, exceto por alguns servos que terminavam suas tarefas. Embora eles carregassem pacotes tão pesados quanto as armas e armaduras dos Cruzados, eles tinham que trabalhar enquanto as tropas dormiam. Tudo parecia bem. Christof estava fechando os olhos novamente quando percebeu que um guarda fora da barraca de Sir Cuthbert estava balançando como um bêbado em seu posto. Christof abriu os olhos e assistiu enquanto um pequeno servo com capuz e túnica sussurrou algo no ouvido do guarda. O guarda caiu para trás, quase em cima da barraca de Sir Cuthbert. Mas o servo, sem esforço, puxou o grande homem da barraca e colocou seu corpo no chão em silêncio. Então, o servo pulou para cima do homem na entrada da barraca, o segundo guarda.
      Christof puxou sua espada do chão e se levantou rapidamente. Ele tentou gritar, mas nenhum som saiu de sua boca. Ele correu colina abaixo, enquanto o pequeno servo gentilmente colocou o segundo guarda no chão. Cruzados exaustos olharam estranhamente para Christof enquanto ele passava. Apenas quando o servo entrou na barraca de Sir Cuthbert foi que Christof finalmente pôde gritar.
      "Alarum! Alarum!" ele gritou quase sem fôlego, irrompendo na barraca. O servo já estava se agachando sobre Sir Cuthbert, deitado em sua esteira, dormindo profundamente. A espada de Christof brilhou com a luz da tocha e atingiu a cabeça do servo, cortando profundamente, com um barulho terrível. O crânio afundou, e um pedaço de osso e cartilagem voou pela barraca. Mas o servo não caiu. Ao invés disso, ele se virou e encarou Christof com olhos que eram fossos negros de ódio. Christof congelou. Por um momento, tudo estava parado na barraca enquanto o servo olhava em seus olhos. olhos mortos, cheios de ódio.
      Então o servo rosnou e feriu Christof com garras longas e quebradas, incrustadas de sujeira. Christof deixou sua espada cair silenciosamente no chão duro a seus pé, e seu braço direito de repente ficou frio e distante. O servo parou para limpar os olhos do sangue que jorrava livremente do ferimento na cabeça. Ele enrugou sua face cinzenta numa expressão maliciosa e perversa. Seus lábios pequenos e finos se abriram para revelar presas longas e amarelas.


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Re: Redenção

Mensagem por Krauzer em Seg Jan 09, 2017 4:27 pm

Parte 4







          As presas amareladas brilhavam à luz da tocha, enquanto ele silenciosamente avançava em direção à cabeça desprotegida de Christof.
         O silêncio se quebrou de repente, quando homens armados irromperam na barraca. O servo soltou o braço de Christof e o empurrou contra os Cruzados. Christof caiu para trás, bloqueando a passagem dos outros. O servo uivou de forma estridente e virou-se, rasgando a parte de trás da barraca com um golpe de suas garras afiadas. Ele pulou através do buraco e correu, derrubando os Cruzados em seu caminho.
         Como se tivesse despertado, Christof consegue se mover novamente, e correu atrás do servo. Passou voando pelas tropas, que se levantaram do seu sono profundo. Formou-se um alvoroço por todo o acampamento. Finalmente, Christof diminuiu a marcha. Ele olhou através da escuridão, mas de nada adiantou. A criatura havia desaparecido na noite fria.
         O medo tomou o lugar da exaustão nos corações da Ordem de Swordbrethren e afastou qualquer esperança de sono, enquanto cada homem tomava conhecimento sobre o demônio louco por sangue. Dois dos oficiais de Sir Cuthbert encontraram Christof e o levaram de volta á barraca do Lorde. A barraca balançava ao vento noturno apesar dos esforços de alguns servos em consertá-la e agora estava cercada por uma barreira feita pelos guarda-costas de Cuthbert, que resmungavam nervosamente entre si. O auxiliar de Sir Cuthbert passou por eles e pediu que Christof entrasse. Os guarda-costas abriram caminho para os oficiais de Cuthbert passarem, mas olharam de forma suspeita para Christof, que parecia irreconhecível para qualquer outro jovem soldado da infantaria.
         Dentro da barraca, o médico grisalho estava examinando um pálido Sir Cuthbert, que parecia exausto, mas sólido como um granito. Então, o velho anunciou, "Pela vontade de Deus, Sir Cuthbert escapou do demônio! Ele está inteiro."
        Os oficiais gritaram de alívio e brindaram por sua saúde. Mas um impaciente Sir Cuthbert passou por eles e andou para fora da barraca. Lá fora, as tropas ansiosas irromperam em alegria. Com um movimento abrupto de sua mão, Sir Cuthbert interrompeu-os, e o acampamento ficou em silêncio. Sir Cuthbert examinou seus homens por um longo momento antes de falar.
         "Salvo," ele urrou com a voz rouca, "pela graça de Deus!'. As tropas novamente o saudaram, mais alto ainda.
         Christof tentou seguir Sir Cuthbert, mas o médico bloqueou seu caminho. O velho tirou a malha encharcada de sangue do braço direito de Christof e segurou seu bíceps para estancar o sangue. Ele forçou Christof a sentar em um barril.
         "O demônio arrancou uma torrente de sangue de teu braço," o velho bronqueou, derramando vinho sobre as marcas de garras. "Tua própria vida escorreu para o solo maltratado!" Ele gentilmente limpou a poeira do ferimento e apertou-o com um pano de linho. "Não mexa nesse tecido," ele disse severamente. Quando terminou, o empírico ergueu a espada larga de Christof do chão. O velho franziu a testa enquanto entregava a arma a seu jovem dono, dizendo"Da próxima vez que fordes perseguir um servo do inferno...reze para lembrar de levar tua espada!" E apenas por um momento Christof pensou ter visto uma ponta de sorriso no rosto azedo do velho que havia testemunhado tanto sofrimento e morte.
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Re: Redenção

Mensagem por Krauzer em Seg Jan 09, 2017 5:00 pm

Parte 5


         Fora da barraca, Frei Bertrand entoava, "Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo e nosso deus, por sua glória e pela exaltação de sua fé sagrada. Amém. Os cães bárbaros sentiram o ferrão da ira de Deus em nossas espadas, e nos temem. Eles fogem de nossa ira como covardes! Eles não podem vencer honestamente a força de nossas armas, então enviaram um demônio ao nosso acampamento para matar nosso mestre, Sir Cuthbert. Mas hoje, o senhor estava conosco e levou o demônio para longe das vistas dos homens de bem!"
         Os Cruzados gritaram novamente de alegria. Enqanto Frei Bertrand continuava sua litania, Sir Cuthbert voltou para dentro da barraca. Ele chamou seu auxiliar e disse, "Dê aos homens uma dose extra de conhaque hoje à noite, ou eles nunca irão descansar."
         "Mas isso é sábio?" o auxiliar perguntou.
         "Temos que partir antes do amanhecer! Se nos demorarmos mais, aquela horda bárbara com certeza irá..."
         "Perdemos aqueles chacais," Sir Cuthbert interrompeu. "Podemos andar por estas colinas por semanas e não encontraremos a trilha deles. Os bárbaros vestem armaduras de pele, para que possam correr como corsas e se esconderem como ratos. Mas elas não os protegerá mais do que protegeu o animal que eles despelaram!' Ele parou e se recompôs.
         "Não. Deixe os homens dormirem até depois do amanhecer. Nós forçamos demais para uma semana."
         "Para onde iremos depois?" o auxiliar perguntou.
        "Para o acampamento de suprimento dos bárbaros! Devemos procurar por ele aqui nestas colinas. Não há duvidas sobre o destino das hordas. E estamos perto, por Deus, ou o mestre demônio deles nunca teria arriscado entrar em nosso acampamento, mesmo à noite!"
         "Sim, meu lorde!" o auxiliar respondeu. "Mas eles vão continuar a procura pelo assassino!"
         "Sim, meu protetorado me protegerá, se assim for a vontade de deus. Agora dê aos homens o conhaque. Amanhã vamos procurar pelas colinas. Quero os homens cheios de vigor quando encontrarmos o acampamento dos bárbaros.
         "Assim será," disse o auxiliar saindo.
         Sir Cuthbert olhou para Christof.
         "Quem é este garoto?" ele perguntou ao auxiliar.
         "O próprio que feriu o demônio e o expulsou da barraca!"
         Cuthbert estudou Christof por um momento, então fez sinal para que se aproximasse. Christof avançou, tentando controlar seus joelhos que tremiam. Ele nunca havia estado tão perto do grande Cruzado.
         Christof tremia enquanto desajeitadamente colocava a ponta da espada no chão e se ajoelhava.
        "Qual o seu nome, garoto?" perguntou Sir Cuthbert.
         "Christof Romuald, de St. Claire."
         "És um rapaz valente e leal, Christof Romuald de St. Claire. Você ama Deus?"
         "Sim, milorde."
         "Não mais irá lutar na linha de frente. Você se juntará a meu protetorado e combaterá todos que tentarem me matar."
         Christof ficou de cabeça leve. Quase tonto. "Obedeço, milorde," disse, sem fôlego.
         "Você partiu o crânio do demônio ao meio e viveu para contar a história."
         Christof balançou a cabeça lentamente.
         "Deus sorriu ´para você. Ele o poupou da morte certa, pois Ele concebeu um destino maior para você. Assim sendo, não tema a batalha, mas dê ao demônio o que ele merece, pois você é um abençoado.
         "Sim." Respondia Christof, embora não estivesse tão tranquilizado.
         Christof dormiu profundamente naquela noite, arrastado pelo cansaço e pelo vinho. Pela primeira vez, os olhos odiosos e profundos do javali e do bárbaro morto não mais o assombravam. Ao invés disso, tudo o que ele podia ver eram os olhos cheios de ódios e vivos de um homem morto.

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