Matt - Ventrue - Camarilla

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Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por corujAzul em Ter Dez 20, 2016 11:43 pm

1. Dados

Nome: corujAzul
Personagem: Matt
Clã: Ventrue
Natureza: Sobrevivente
Comportamento: Arquiteto
Geração: 10ª geração
Refúgio: antigo apartamento que pertencia ao seu Senhor
Conceito: órfão
Saldo de XP: 0/0

2. Atributos

Físicos (Primários)
- Força: 2
- Destreza: 5 (velocidade e reflexos rápidos)
- Vigor: 3

Sociais (Terciários)
- Carisma: 2
- Manipulação: 1
- Aparência: 3

Mentais (Secundários)
- Percepção: 4 (cuidadoso)
- Inteligência: 2
- Raciocínio: 2

3. Habilidades

Talentos (Primários)
- Prontidão: 3
- Esportes: 2
- Briga: 2
- Esquiva: 3 + 1 (2PB) (esquivar-se)
- Empatia: 2
- Expressão:
- Intimidação:
- Liderança:
- Manha: 1
- Lábia:

Perícias (Secundários)
- Empatia c/ Animais:
- Ofícios:
- Condução:
- Etiqueta:
- Armas de Fogo:
- Armas Brancas: 3
- Performance:
- Segurança: 1
- Furtividade: 3
- Sobrevivência: 2 + 1 (2PB)

Conhecimentos (Terciários)
- Acadêmicos:
- Computador:
- Finanças:
- Investigação: 1
- Direito:
- Linguística: 1 (Inglês + Espanhol)
- Medicina: 2
- Ocultismo:
- Política: 1 (já escutou muitos debates e conversas, além das ideias de Cassian)
- Ciências:

4. Vantagens

Antecedentes
- Mentor: 2
- Status: 1
- Fama: 1 (1PB)
- Geração: 2 + 1 (1 PB)

Disciplinas
- Rapidez: 2
- Ofuscação: 1

5. Virtudes

Virtudes
- Consciência: 3
- Autocontrole: 4
- Coragem: 3

Humanidade: 7 + 1 bônus

Força de Vontade: 3 + 6 bônus

Qualidades
- Equilíbrio perfeito (1 bônus)
- Sono leve (2 bônus)
- Vontade de ferro (3 bônus)

Defeitos
- Pesadelos (+1 bônus)
- Segredo Sombrio (+1 bônus): a forma como Cassian morreu (e o fato de a tribo que ele matou ter consciência da existência de vampiros e de alguns poderem ter escapado)
- Sem presas (+2 bônus)

Observações
Fraqueza: bebe o sangue apenas de adolescentes (entre 14 e 18 anos)

6. Prelúdio

Por volta do ano 1800.
A vida de Matt nunca foi fácil. Mas então, quando a vida de uma criança órfã e pobre era fácil? Ao menos Matt tinha a casa de Martha. Casa de Martha... Era como chamavam o orfanato que ele vivia. Não propriamente um orfanato, mais para a casa de uma velha senhorinha que tinha um ar caridoso e uma alma especialmente sensível às pobres crianças abandonadas daquele lugar esquecido por Deus.
Matt nunca soube exatamente como fora parar lá, ou sequer se "Matt" fora um nome dado a ele por seus pais ou por Martha ou mesmo por alguma das outras crianças. Ele também nunca se importara.
No entanto, havia coisas com as quais ele se importava. Luca, em particular, seu irmão. Não de sangue, mas de coração. Luca era o oposto de Matt. Loiro, quando ele era moreno, gentil e contente e sempre positivo, enquanto Matt era soturno, calado e conhecia o quanto o mundo podia ser cruel. Luca viera de uma boa família, que tivera o azar de desagradar governantes locais, e tivera de fugir quando sua casa fora queimada e sua família morta.
Apesar dos constantes apelos de Luca para que o irmão ficasse longe de confusão, Matt sempre fugia do orfanato. Passava mais tempo nas ruas do que dentro de casa, roubando o que pudesse para as crianças da Casa de Martha - comida, remédio, cobertores - ou aprendendo como se virar sozinho. Como encontrar abrigo, brigar, se esconder ou fugir.
Ele era bom nisso. Descobriu que poucas pessoas podiam acompanhá-lo quando se tratava de velocidade, que era habilidoso com facas e tinha o passo silencioso de um gato. Parte disso era talento, parte era fruto de constante prática, muitas vezes com um preço duro a pagar se ele fosse pego. Não a toa ele também aprendeu como fazer curativos em si próprio. Luca o ajudou com isso, seus pais haviam sido médicos, e apesar dos protestos do irmão mais novo, Matt sabia que não podia parar. Eles não seriam crianças para sempre, um dia teriam de enfrentar o mundo sozinhos e ele precisaria estar pronto para proteger Luca e a si mesmo.
Sua vida poderia ter seguido pelos rumos que ele sempre esperou, se não fosse pelas horas em que tudo virou pelo avesso. Em que o mundo em que conhecia desmoronou e outro, completamente diferente, se ergueu dos escombros.
Aconteceu quando ele tinha 17 anos. A princípio não havia nada de anormal. Um adolescente magrelo correndo por ruelas escuras, fugindo de homens bem maiores que o perseguiam com raiva e um desejo de violência. A diferença: o garoto em questão não era bem, e sim Luca. Matt evitava roubar perto da Casa de Martha, justamente para não expor as outras crianças ao perigo, mas daquela vez Luca havia ido atrás dele. Matt nunca descobriria por quê. Ele nunca teria a chance. O que ele teria para sempre é a lembrança do desespero ao ver a figura loira surgir a sua frente, enquanto corria para fugir dos homens que o perseguiam, ainda segurando as bolsas que roubara.
Ele poderia ser rápido, mas Luca não era. E Matt não iria abandoná-lo. Mais tarde, quando seu corpo quebrado e quase morto jazia no canto da ruela escura em que fora jogado quando os homens terminaram com ele, Matt sentiu um quase orgulho por ter tentado salvar a vida do irmão, ainda que tivesse fracassado.

--//--

Você não pode compreender quem é Matt se não entender, ao menos superficialmente, quem foi Cassian.
Cassian era um vampiro antigo, e um idealista. Quando seu senhor Ventrue o Abraçara, ele o fizera por seu carisma e liderança, dissera que Cassian era especial e tinha potencial para deixar sua marca no mundo.
Cassian levara as palavras dele a sério, apenas não da forma como seu Senhor esperara. Poucos vampiros eram tão humanos quanto ele, ou se preocupavam tanto com a sociedade humana. Cassian era um político, um líder natural, e um bom samaritano. Ajudar os que não podiam ajudar a si mesmos, especialmente os que provavam merecer ser salvos, dava sentido à sua existência.
Assim, quando vagava pela pobre cidade e encontrou uma garota pequena sendo espancada na rua ele quase interviu.
A Máscara. Lembrara a si mesmo. Era difícil escolher quais batalhas lutar.
Seu conflito interno durou pouco, entretanto, pois logo um garoto surgia das sombras. Ele atacou o homem com a ferocidade de um animal selvagem, apenas o necessário para distraí-lo e afastá-lo da garota. Então correu com ela para longe.
Cassian admirou, a princípio perguntando-se se o garoto poderia não ser humano. Depois intrigado. Instigado. Ele voltou lá alguns dias depois, seguiu os rastros do garoto até uma casa velha e decadente, onde muitas outras crianças viviam.
Observar aquela casa, aquele garoto, por algum tempo foi seu passatempo pessoal. Após viver muitos anos você acaba se afastando do mundo, deixando de sentir, e para um vampiro como Cassian aquilo era seu pior pesadelo. O garoto o fazia lembrar de quem ele era, de quem gostava de ser. O fazia voltar a sentir.
Ele soube que transformaria esse garoto algum dia, apenas precisaria esperar. Deixaria que ele vivesse sua vida mortal primeiro. O clã não gostou da decisão, não viam no garoto o que ele via. Cassian não se importava, sabia que iria convencê-los. Sua persuasão era sua maior arma. Um dia ele abraçaria o garoto.
O momento veio antes do esperado, e Cassian não hesitou. Fora uma irônica vantagem, na verdade que o garoto estivesse para morrer tão jovem. Cassian apenas bebia o sangue de adolescentes e precisaria que outro vampiro o transformasse se Matt houvesse vivido por mais tempo.

--//--

Os primeiros meses de Matt como vampiro foram conflituosos. Ele sempre se imaginara como algo sombrio, errado, e agora havia de fato se transformado em um monstro. Isso nem de longe o incomodava tanto quanto o fato que ele estava vivo e Luca não. Se no momento de sua morte ele se orgulhara de tentar proteger Luca, agora só sentia a culpa e vergonha. O irmão morrera por sua causa.
E havia aquele estranho, Cassian, o... vampiro... que o transformara. Ele não era como Matt imaginaria um vampiro, para ser sincero, se em algum momento de sua vida tivesse assumido que vampiros eram reais. Cassian era gentil, paciente e parecia determinado a fazer alguma diferença positiva no mundo. Era quase impossível discutir com ele sem acabar argumentando por vontade própria contra si mesmo e a favor da opinião de Cassian. E isso tudo sem gerar conflito, na verdade as pessoas pareciam gostar ainda mais dele após as discussões. "Aquele é um homem de espírito! E grandes opiniões."
Matt, que nunca tivera talento com palavras ou em fazer os outros gostarem dele, não conseguia deixar de admirar cada vez que Cassian manobrava forças a seu favor com palavras e sorrisos. Ele também entendia como, apesar de não gostar disso, a Camarilla não se opunha diretamente a seu envolvimento no mundo humano. Ao menos enquanto ele não ameaçasse a Máscara.
Era um poder incrível e perigoso, mas nos anos que passou com Cassian, Matt sentia-se cada vez mais grato por ser ele quem tinha tal poder. O loiro não usaria essa habilidade para o mal.
Juntos eles partiram na missão de Cassian de fazer algo mais pelo mundo. Viajaram por terras distantes realizando pequenos gestou caridosos, com cautela. Não era o suficiente. Influenciaram sutilmente a política humana e um pouco menos sutilmente a vampírica. Ou melhor, Cassian o fez. Matt o acompanhava, observando com cuidado cada passo do seu Senhor. Nunca era tão bem-vindo pelos anfitriões de banquetes e debates quanto "tolerável" como a cria de Cassian. O loiro, no entanto, sempre pedia sua opinião e parecia verdadeiramente levá-la em consideração ao definir seus próximos passos.
Embora não pudesse fazer o mesmo que Cassian, Matt tinha seus próprios talentos. Ele se escondia nas sombras e ouvia segredos, roubava itens pequenos e vitais. Ocasionalmente, e normalmente contra a vontade de Cassian, lutava contra alguém.
Cassian era a luz e Matt, como sempre fora, a sombra.
Exceto que Cassian também era um vampiro, e como todos os vampiros, fraco contra a luz do Sol.
Engraçado como alguns poucos momentos definem a sua vida. Você pode passar anos em uma rotina e no entanto algumas poucas horas definem o que será de você e quem você será.
Matt sempre fora muito consciente do ambiente ao seu redor. Dos perigos do ambiente ao seu redor. No lugar em que vivera como humano e com a vida que tivera um dia era a única forma de se manter vivo.
Ainda assim, o tempo que passara com Cassian o afrouxara. A consciência constante de que havia alguém ao seu lado todo o tempo, não alguém que ele precisava proteger, como Luca, mas que poderia protegê-lo, o permitiu relaxar. E isso foi sua ruína.

--//--

Era uma tribo pequena que encontraram em uma viagem. Na noite anterior haviam desacordado um casal de adolescentes que se afastara em direção à floresta. Tanto Cassian quanto Matt bebiam o sangue apenas de membros de adolescentes, entre 14 e 18 anos, uma fraqueza herdada pela seletividade do clã Ventrue (embora Matt preferisse pensar nisso como uma consequência de seu convívio com Cassian). Cassian furou o homem com suas presas e sorveu um pouco de seu sangue, passando o mortal depois à Matt. Suas presas nunca haviam se desenvolvido e ele tinha o inconveniente de precisar cortar os humanos para beber seu sangue. Algumas vezes, como aquela, Cassian mordia os humanos para ele, perfurando a carne de seus pescoços com suas próprias presas.
Depois de se alimentarem, deixaram os jovens desacordado na borda da floresta onde seriam encontrados e seguiram seu caminho. Deveria ter sido assim.
Mas Matt voltara. Próximo ao amanhecer retornara a vila. Era uma tribo pobre, em um canto quase abandonado do mundo. Talvez pudesse fazer alguma coisa, algo para provar que poderia, merecia, estar ao lado de Cassian.
Ele não esperava pelo ataque. Não notou as flechas atrás de si até que atingissem as suas costas. Tentou fugir, mas os homens da tribo eram muitos e surpreendentemente habilidosos. Mais do isso, de alguma forma sabiam o que ele era e qual seu ponto fraco. Quando ele caiu, fincaram uma estaca em seu coração e o prenderam a um poste de madeira para esperar pela luz do Sol.
Foi assim que Cassian o encontrou. Quando o loiro chegou, seu olhar era o mais sombrio que Matt já havia visto. Ele atacou os homens da tribo com força e selvageria. Libertou Matt das amarras e esconde-o na floresta, antes de voltar-se novamente contra os homens que o perseguiam. Gravemente ferido, Matt não pode ajudar e levou pouco tempo para perder a consciência.
Cassian lutou. Ele era um vampiro antigo, mas nunca fora um guerreiro brilhante, suas armas eram outras. Os homens conheciam a região e, de alguma forma, as fraquezas dos vampiros.
Quando Matt acordou e voltou ao local em que fora capturado, encontrou apenas fogo e o corpo de Cassian em chamas.
Ele vivera anos tentando ajudar os humanos de alguma forma, junto de Cassian, que era o vampiro mais humano que poderia existir. E mesmo assim, frente àquela cena, Matt perdeu o controle e entrou em frenesi. Ele perseguiu os habitantes que restavam da tribo e destruiu a aldeia, embora tivesse a quase certeza que alguns dos humanos conseguiram escapar.
No fundo nada disso importava. Quando Matt voltou a si, voltou por um mundo onde Cassian não mais existia.

--//--

Nos primeiros anos após a morte de Cassian, Matt afastou-se do mundo, abandonou seu clã ao qual nunca sentira pertencer e pelo qual fora sempre visto com ceticismo crítico. Ele entendia o porquê: nunca se encaixaria no perfil Ventrue, sequer desejava fazê-lo. Ele treinou suas habilidades, determinado a não deixar que nenhuma flecha o atingisse novamente, que nenhum sinal de perigo lhe passasse despercebido. Determinado a passar o resto da sua não-vida em solidão.
Até que não conseguiu mais.
Ele precisava fazer alguma coisa para seguir o sonho de Cassian. Devia isso a ele, não podia deixar aquele sonho morrer. E, todavia, o que podia ele fazer? Não era carismático e convincente como o loiro. Não podia liderar ou influenciar as pessoas. Tudo o que sabia fazer era correr, fugir, lutar com facas e adagas, ser silencioso e discreto, se esconder nas sombras.
Hoje Matt procura uma forma de fazê-lo. Alguém para ajudá-lo a reassumir o legado de Cassian. Uma forma de lutar por aquele ideal.
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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por Gam em Dom Dez 25, 2016 11:16 pm

Oi! Vou avaliar sua ficha. Só me dê um tempo pra verificar algumas regras x)

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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por Gam em Dom Dez 25, 2016 11:52 pm

Em tempo, sugiro que você considere um ou dois destes defeitos.

Senhor Indigno (1 ponto)
O seu senhor era, e talvez ainda seja, indigno de confiança e detestado por muitos Membros da cidade. Como resultado, você também é considerado indigno de confiança e detestado.
(Vampiro, a Máscara; Livro Básico 3ª ed, pág 300)

Alvo de Risos (5 pontos)
De alguma forma, você conseguiu atrair o desprezo das hárpias locais, que fizeram de você seu alvo favorito e mais reflexivo. No Elísio, a dificuldade de todos os seus testes Sociais aumenta em 2, enquanto no restante da cidade, aumenta em 1. Além disso, a dificuldade de todos os testes de Intimidação ou Dominação contra alguém que já ouviu alguma piada sobre você também aumenta em 2.
(Vampiro, a Máscara; Guia da Camarilla 3ª ed, pág 78)


Não apenas vai encaixar bem com a sua história, como te dar vários PB por algo que seu char honestamente não se interessa. Um mentor fora do padrão como o seu não passaria em branco na sociedade cainita.

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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por corujAzul em Qua Dez 28, 2016 11:48 pm

Oi, Gam! Primeiramente, obrigado por avaliar a ficha do Matt!

Gostei das sugestões, não tinha pensado nesses defeitos mas realmente combinam. Eu vou colocar o Alvo de Risos, acho que fica melhor. Apesar do mestre dele ser claramente fora do padrão, o ponto forte do Cassian era justamente o carisma e poder de convencimento.
Era quase impossível discutir com ele sem acabar argumentando por vontade própria contra si mesmo e a favor da opinião de Cassian. E isso tudo sem gerar conflito, na verdade as pessoas pareciam gostar ainda mais dele após as discussões. "Aquele é um homem de espírito! E grandes opiniões."
Certamente muitos teriam uma opinião no mínimo questionável sobre ele, mas não acho que chegaria a Senhor Indigno. Infelizmente, o Matt não tem a mesma habilidade, então Alvo de Risos combina bem, rs.

A ficha com alterações, fico no aguardo dos próximos comentários:

1. Dados

Nome: corujAzul
Personagem: Matt
Clã: Ventrue
Natureza: Sobrevivente
Comportamento: Arquiteto
Geração: 10ª geração
Refúgio: antigo apartamento que pertencia ao seu Senhor
Conceito: órfão
Saldo de XP: 0/0

2. Atributos

Físicos (Primários)
- Força: 2
- Destreza: 5 (velocidade e reflexos rápidos)
- Vigor: 3

Sociais (Terciários)
- Carisma: 2
- Manipulação: 1
- Aparência: 3

Mentais (Secundários)
- Percepção: 4 (cuidadoso)
- Inteligência: 2
- Raciocínio: 2

3. Habilidades

Talentos (Primários)
- Prontidão: 3
- Esportes: 2
- Briga: 2
- Esquiva: 3 + 1 (2PB) (esquivar-se)
- Empatia: 2
- Expressão:
- Intimidação:
- Liderança:
- Manha: 1
- Lábia:

Perícias (Secundários)
- Empatia c/ Animais:
- Ofícios:
- Condução:
- Etiqueta:
- Armas de Fogo:
- Armas Brancas: 3
- Performance:
- Segurança: 1
- Furtividade: 3
- Sobrevivência: 2 + 1 (2PB)

Conhecimentos (Terciários)
- Acadêmicos:
- Computador:
- Finanças:
- Investigação: 1
- Direito:
- Linguística: 1 (Inglês + Espanhol)
- Medicina: 2
- Ocultismo:
- Política: 1 + 1 (2 PB) (já escutou muitos debates e conversas, além das ideias de Cassian)
- Ciências:

4. Vantagens

Antecedentes
- Mentor: 2
- Status: 1
- Fama: 1 (1 PB)
- Geração: 2 + 1 (1 PB)

Disciplinas
- Rapidez: 2
- Ofuscação: 1

5. Virtudes

Virtudes
- Consciência: 3
- Autocontrole: 4
- Coragem: 3 + 1 (2 PB)

Humanidade: 7 + 1 (1 PB)

Força de Vontade: 3 + 5 (5 PB)

Qualidades
- Equilíbrio perfeito (1 PB)
- Sono leve (2 PB)
- Vontade de ferro (3 PB)

Defeitos
- Segredo Sombrio (+1 PB): a forma como Cassian morreu (e o fato de a tribo que ele matou ter consciência da existência de vampiros e de alguns poderem ter escapado)
- Sem presas (+2 PB)
- Alvo de Risos (+5 PB)
(O total estoura o máximo 7PB por defeitos, então são usados no restante da ficha apenas 7PB por defeitos)


Observações

Fraqueza: bebe o sangue apenas de adolescentes (entre 14 e 18 anos)

6. Prelúdio
Por volta do ano 1800.
A vida de Matt nunca foi fácil. Mas então, quando a vida de uma criança órfã e pobre era fácil? Ao menos Matt tinha a casa de Martha. Casa de Martha... Era como chamavam o orfanato que ele vivia. Não propriamente um orfanato, mais para a casa de uma velha senhorinha que tinha um ar caridoso e uma alma especialmente sensível às pobres crianças abandonadas daquele lugar esquecido por Deus.
Matt nunca soube exatamente como fora parar lá, ou sequer se "Matt" fora um nome dado a ele por seus pais ou por Martha ou mesmo por alguma das outras crianças. Ele também nunca se importara.
No entanto, havia coisas com as quais ele se importava. Luca, em particular, seu irmão. Não de sangue, mas de coração. Luca era o oposto de Matt. Loiro, quando ele era moreno, gentil e contente e sempre positivo, enquanto Matt era soturno, calado e conhecia o quanto o mundo podia ser cruel. Luca viera de uma boa família, que tivera o azar de desagradar governantes locais, e tivera de fugir quando sua casa fora queimada e sua família morta.
Apesar dos constantes apelos de Luca para que o irmão ficasse longe de confusão, Matt sempre fugia do orfanato. Passava mais tempo nas ruas do que dentro de casa, roubando o que pudesse para as crianças da Casa de Martha - comida, remédio, cobertores - ou aprendendo como se virar sozinho. Como encontrar abrigo, brigar, se esconder ou fugir.
Ele era bom nisso. Descobriu que poucas pessoas podiam acompanhá-lo quando se tratava de velocidade, que era habilidoso com facas e tinha o passo silencioso de um gato. Parte disso era talento, parte era fruto de constante prática, muitas vezes com um preço duro a pagar se ele fosse pego. Não a toa ele também aprendeu como fazer curativos em si próprio. Luca o ajudou com isso, seus pais haviam sido médicos, e apesar dos protestos do irmão mais novo, Matt sabia que não podia parar. Eles não seriam crianças para sempre, um dia teriam de enfrentar o mundo sozinhos e ele precisaria estar pronto para proteger Luca e a si mesmo.
Sua vida poderia ter seguido pelos rumos que ele sempre esperou, se não fosse pelas horas em que tudo virou pelo avesso. Em que o mundo em que conhecia desmoronou e outro, completamente diferente, se ergueu dos escombros.
Aconteceu quando ele tinha 17 anos. A princípio não havia nada de anormal. Um adolescente magrelo correndo por ruelas escuras, fugindo de homens bem maiores que o perseguiam com raiva e um desejo de violência. A diferença: o garoto em questão não era bem, e sim Luca. Matt evitava roubar perto da Casa de Martha, justamente para não expor as outras crianças ao perigo, mas daquela vez Luca havia ido atrás dele. Matt nunca descobriria por quê. Ele nunca teria a chance. O que ele teria para sempre é a lembrança do desespero ao ver a figura loira surgir a sua frente, enquanto corria para fugir dos homens que o perseguiam, ainda segurando as bolsas que roubara.
Ele poderia ser rápido, mas Luca não era. E Matt não iria abandoná-lo. Mais tarde, quando seu corpo quebrado e quase morto jazia no canto da ruela escura em que fora jogado quando os homens terminaram com ele, Matt sentiu um quase orgulho por ter tentado salvar a vida do irmão, ainda que tivesse fracassado.
--//--
Você não pode compreender quem é Matt se não entender, ao menos superficialmente, quem foi Cassian.
Cassian era um vampiro antigo, e um idealista. Quando seu senhor Ventrue o Abraçara, ele o fizera por seu carisma e liderança, dissera que Cassian era especial e tinha potencial para deixar sua marca no mundo.
Cassian levara as palavras dele a sério, apenas não da forma como seu Senhor esperara. Poucos vampiros eram tão humanos quanto ele, ou se preocupavam tanto com a sociedade humana. Cassian era um político, um líder natural, e um bom samaritano. Ajudar os que não podiam ajudar a si mesmos, especialmente os que provavam merecer ser salvos, dava sentido à sua existência.
Assim, quando vagava pela pobre cidade e encontrou uma garota pequena sendo espancada na rua ele quase interviu.
A Máscara. Lembrara a si mesmo. Era difícil escolher quais batalhas lutar.
Seu conflito interno durou pouco, entretanto, pois logo um garoto surgia das sombras. Ele atacou o homem com a ferocidade de um animal selvagem, apenas o necessário para distraí-lo e afastá-lo da garota. Então correu com ela para longe.
Cassian admirou, a princípio perguntando-se se o garoto poderia não ser humano. Depois intrigado. Instigado. Ele voltou lá alguns dias depois, seguiu os rastros do garoto até uma casa velha e decadente, onde muitas outras crianças viviam.
Observar aquela casa, aquele garoto, por algum tempo foi seu passatempo pessoal. Após viver muitos anos você acaba se afastando do mundo, deixando de sentir, e para um vampiro como Cassian aquilo era seu pior pesadelo. O garoto o fazia lembrar de quem ele era, de quem gostava de ser. O fazia voltar a sentir.
Ele soube que transformaria esse garoto algum dia, apenas precisaria esperar. Deixaria que ele vivesse sua vida mortal primeiro. O clã não gostou da decisão, não viam no garoto o que ele via. Cassian não se importava, sabia que iria convencê-los. Sua persuasão era sua maior arma. Um dia ele abraçaria o garoto.
O momento veio antes do esperado, e Cassian não hesitou. Fora uma irônica vantagem, na verdade que o garoto estivesse para morrer tão jovem. Cassian apenas bebia o sangue de adolescentes e precisaria que outro vampiro o transformasse se Matt houvesse vivido por mais tempo.
--//--
Os primeiros meses de Matt como vampiro foram conflituosos. Ele sempre se imaginara como algo sombrio, errado, e agora havia de fato se transformado em um monstro. Isso nem de longe o incomodava tanto quanto o fato que ele estava vivo e Luca não. Se no momento de sua morte ele se orgulhara de tentar proteger Luca, agora só sentia a culpa e vergonha. O irmão morrera por sua causa.
E havia aquele estranho, Cassian, o... vampiro... que o transformara. Ele não era como Matt imaginaria um vampiro, para ser sincero, se em algum momento de sua vida tivesse assumido que vampiros eram reais. Cassian era gentil, paciente e parecia determinado a fazer alguma diferença positiva no mundo. Era quase impossível discutir com ele sem acabar argumentando por vontade própria contra si mesmo e a favor da opinião de Cassian. E isso tudo sem gerar conflito, na verdade as pessoas pareciam gostar ainda mais dele após as discussões. "Aquele é um homem de espírito! E grandes opiniões."
Matt, que nunca tivera talento com palavras ou em fazer os outros gostarem dele, não conseguia deixar de admirar cada vez que Cassian manobrava forças a seu favor com palavras e sorrisos. Ele também entendia como, apesar de não gostar disso, a Camarilla não se opunha diretamente a seu envolvimento no mundo humano. Ao menos enquanto ele não ameaçasse a Máscara.
Era um poder incrível e perigoso, mas nos anos que passou com Cassian, Matt sentia-se cada vez mais grato por ser ele quem tinha tal poder. O loiro não usaria essa habilidade para o mal.
Juntos eles partiram na missão de Cassian de fazer algo mais pelo mundo. Viajaram por terras distantes realizando pequenos gestou caridosos, com cautela. Não era o suficiente. Influenciaram sutilmente a política humana e um pouco menos sutilmente a vampírica. Ou melhor, Cassian o fez. Matt o acompanhava, observando com cuidado cada passo do seu Senhor. Nunca era tão bem-vindo pelos anfitriões de banquetes e debates quanto "tolerável" como a cria de Cassian. O loiro, no entanto, sempre pedia sua opinião e parecia verdadeiramente levá-la em consideração ao definir seus próximos passos.
Embora não pudesse fazer o mesmo que Cassian, Matt tinha seus próprios talentos. Ele se escondia nas sombras e ouvia segredos, roubava itens pequenos e vitais. Ocasionalmente, e normalmente contra a vontade de Cassian, lutava contra alguém.
Cassian era a luz e Matt, como sempre fora, a sombra.
Exceto que Cassian também era um vampiro, e como todos os vampiros, fraco contra a luz do Sol.
Engraçado como alguns poucos momentos definem a sua vida. Você pode passar anos em uma rotina e no entanto algumas poucas horas definem o que será de você e quem você será.
Matt sempre fora muito consciente do ambiente ao seu redor. Dos perigos do ambiente ao seu redor. No lugar em que vivera como humano e com a vida que tivera um dia era a única forma de se manter vivo.
Ainda assim, o tempo que passara com Cassian o afrouxara. A consciência constante de que havia alguém ao seu lado todo o tempo, não alguém que ele precisava proteger, como Luca, mas que poderia protegê-lo, o permitiu relaxar. E isso foi sua ruína.
--//--
Era uma tribo pequena que encontraram em uma viagem. Na noite anterior haviam desacordado um casal de adolescentes que se afastara em direção à floresta. Tanto Cassian quanto Matt bebiam o sangue apenas de membros de adolescentes, entre 14 e 18 anos, uma fraqueza herdada pela seletividade do clã Ventrue (embora Matt preferisse pensar nisso como uma consequência de seu convívio com Cassian). Cassian furou o homem com suas presas e sorveu um pouco de seu sangue, passando o mortal depois à Matt. Suas presas nunca haviam se desenvolvido e ele tinha o inconveniente de precisar cortar os humanos para beber seu sangue. Algumas vezes, como aquela, Cassian mordia os humanos para ele, perfurando a carne de seus pescoços com suas próprias presas.
Depois de se alimentarem, deixaram os jovens desacordado na borda da floresta onde seriam encontrados e seguiram seu caminho. Deveria ter sido assim.
Mas Matt voltara. Próximo ao amanhecer retornara a vila. Era uma tribo pobre, em um canto quase abandonado do mundo. Talvez pudesse fazer alguma coisa, algo para provar que poderia, merecia, estar ao lado de Cassian.
Ele não esperava pelo ataque. Não notou as flechas atrás de si até que atingissem as suas costas. Tentou fugir, mas os homens da tribo eram muitos e surpreendentemente habilidosos. Mais do isso, de alguma forma sabiam o que ele era e qual seu ponto fraco. Quando ele caiu, fincaram uma estaca em seu coração e o prenderam a um poste de madeira para esperar pela luz do Sol.
Foi assim que Cassian o encontrou. Quando o loiro chegou, seu olhar era o mais sombrio que Matt já havia visto. Ele atacou os homens da tribo com força e selvageria. Libertou Matt das amarras e esconde-o na floresta, antes de voltar-se novamente contra os homens que o perseguiam. Gravemente ferido, Matt não pode ajudar e levou pouco tempo para perder a consciência.
Cassian lutou. Ele era um vampiro antigo, mas nunca fora um guerreiro brilhante, suas armas eram outras. Os homens conheciam a região e, de alguma forma, as fraquezas dos vampiros.
Quando Matt acordou e voltou ao local em que fora capturado, encontrou apenas fogo e o corpo de Cassian em chamas.
Ele vivera anos tentando ajudar os humanos de alguma forma, junto de Cassian, que era o vampiro mais humano que poderia existir. E mesmo assim, frente àquela cena, Matt perdeu o controle e entrou em frenesi. Ele perseguiu os habitantes que restavam da tribo e destruiu a aldeia, embora tivesse a quase certeza que alguns dos humanos conseguiram escapar.
No fundo nada disso importava. Quando Matt voltou a si, voltou por um mundo onde Cassian não mais existia.
--//--
Nos primeiros anos após a morte de Cassian, Matt afastou-se do mundo, abandonou seu clã ao qual nunca sentira pertencer e pelo qual fora sempre visto com ceticismo crítico. Ele entendia o porquê: nunca se encaixaria no perfil Ventrue, sequer desejava fazê-lo. Ele treinou suas habilidades, determinado a não deixar que nenhuma flecha o atingisse novamente, que nenhum sinal de perigo lhe passasse despercebido. Determinado a passar o resto da sua não-vida em solidão.
Até que não conseguiu mais.
Ele precisava fazer alguma coisa para seguir o sonho de Cassian. Devia isso a ele, não podia deixar aquele sonho morrer. E, todavia, o que podia ele fazer? Não era carismático e convincente como o loiro. Não podia liderar ou influenciar as pessoas. Tudo o que sabia fazer era correr, fugir, lutar com facas e adagas, ser silencioso e discreto, se esconder nas sombras.
Hoje Matt procura uma forma de fazê-lo. Alguém para ajudá-lo a reassumir o legado de Cassian. Uma forma de lutar por aquele ideal.
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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por Gam em Dom Jan 01, 2017 10:36 pm

Opa! Desculpe o sumiço, passei o ano novo fora hehe n_n

Seguinte, eu não tinha começado sua avaliação logo de cara porque fui verificar se você podia iniciar com essas disciplinas fora de clã. Infelizmente não pode. Sei que isso vai ser um soco na sua ficha, mas regras são regras xP

Seus pontos iniciais de disciplinas necessariamente terão de ser gastos nas disciplinas de clã (no caso Dominação, Presença e Fortitude). Você pode, contudo, comprar qualquer outra disciplina básica mais tarde, com XP.

Se fizer MUITA questão, dá pra você começar com Rapidez ou Ofuscação se comprar a qualidade "Disciplina Adicional". Nesse caso uma disciplina fora do seu clã é contada como padrão pro seu personagem, incluindo a redução de XP pra upar ela posteriormente.
Mas eu não vou mentir pra você, a qualidade é cara. =P

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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por corujAzul em Seg Jan 02, 2017 12:52 am

Oi! Sem problemas. Eu mudei algumas outras coisas também, acho que combina mais desse jeito. Aqui vai com todas as alterações:

1. Dados

Nome: corujAzul
Personagem: Matt
Clã: Ventrue
Natureza: Sobrevivente
Comportamento: Arquiteto
Geração: 10ª geração
Refúgio: antigo apartamento que pertencia ao seu Senhor
Conceito: órfão
Saldo de XP: 0/0

2. Atributos

Físicos (Primários)
- Força: 2
- Destreza: 4 (reflexos rápidos)
- Vigor: 4 (determinado)


Sociais (Terciários)
- Carisma: 2
- Manipulação: 2
- Aparência: 2

Mentais (Secundários)
- Percepção: 4 (cuidadoso)
- Inteligência: 2
- Raciocínio: 2

3. Habilidades

Talentos (Primários)
- Prontidão: 3
- Esportes: 2
- Briga: 2
- Esquiva: 3 + 1 (2PB) (esquivar-se)
- Empatia: 2
- Expressão:
- Intimidação: 1 (2PB)
- Liderança:
- Manha: 1
- Lábia:

Perícias (Secundários)
- Empatia c/ Animais:
- Ofícios:
- Condução: 1 (2 PB)
- Etiqueta:
- Armas de Fogo: 1 (2 PB)
- Armas Brancas: 3
- Performance:
- Segurança: 1
- Furtividade: 3
- Sobrevivência: 2

Conhecimentos (Terciários)
- Acadêmicos:
- Computador:
- Finanças:
- Investigação: 1
- Direito:
- Linguística: 1 (Inglês + Espanhol)
- Medicina: 1
- Ocultismo:
- Política: 2 (já escutou muitos debates e conversas, além das ideias de Cassian)
- Ciências:

4. Vantagens

Antecedentes
- Mentor: 2
- Geração: 3


Disciplinas
- Dominação: 1
- Fortitude: 2


5. Virtudes

Virtudes
- Consciência: 3
- Autocontrole: 4
- Coragem: 3 + 1 (2 PB)

Humanidade: 7 + 1 (1 PB)

Força de Vontade: 3 + 5 (5 PB)

Qualidades
- Equilíbrio perfeito (1 PB)
- Sono leve (2 PB)
- Vontade de ferro (3 PB)

Defeitos
- Segredo Sombrio (+1 PB): a forma como Cassian morreu (e o fato de a tribo que ele matou ter consciência da existência de vampiros e de alguns poderem ter escapado)
- Sem presas (+2 PB)
- Alvo de Risos (+5 PB)
(O total estoura o máximo 7PB por defeitos, então são usados no restante da ficha apenas 7PB por defeitos)

Observações

Fraqueza: bebe o sangue apenas de adolescentes (entre 14 e 18 anos)

6. Prelúdio
Por volta do ano 1800.
A vida de Matt nunca foi fácil. Mas então, quando a vida de uma criança órfã e pobre era fácil? Ao menos Matt tinha a casa de Martha. Casa de Martha... Era como chamavam o orfanato que ele vivia. Não propriamente um orfanato, mais para a casa de uma velha senhorinha que tinha um ar caridoso e uma alma especialmente sensível às pobres crianças abandonadas daquele lugar esquecido por Deus.
Matt nunca soube exatamente como fora parar lá, ou sequer se "Matt" fora um nome dado a ele por seus pais ou por Martha ou mesmo por alguma das outras crianças. Ele também nunca se importara.
No entanto, havia coisas com as quais ele se importava. Luca, em particular, seu irmão. Não de sangue, mas de coração. Luca era o oposto de Matt. Loiro, quando ele era moreno, gentil e contente e sempre positivo, enquanto Matt era soturno, calado e conhecia o quanto o mundo podia ser cruel. Luca viera de uma boa família, que tivera o azar de desagradar governantes locais, e tivera de fugir quando sua casa fora queimada e sua família morta.
Apesar dos constantes apelos de Luca para que o irmão ficasse longe de confusão, Matt sempre fugia do orfanato. Passava mais tempo nas ruas do que dentro de casa, roubando o que pudesse para as crianças da Casa de Martha - comida, remédio, cobertores - ou aprendendo como se virar sozinho. Como encontrar abrigo, brigar, se esconder ou fugir.
Ele era bom nisso. Descobriu que poucas pessoas podiam acompanhá-lo quando se tratava de velocidade, que era habilidoso com facas e tinha o passo silencioso de um gato. Parte disso era talento, parte era fruto de constante prática, muitas vezes com um preço duro a pagar se ele fosse pego. Não a toa ele também aprendeu como fazer curativos em si próprio. Luca o ajudou com isso, seus pais haviam sido médicos, e apesar dos protestos do irmão mais novo, Matt sabia que não podia parar. Eles não seriam crianças para sempre, um dia teriam de enfrentar o mundo sozinhos e ele precisaria estar pronto para proteger Luca e a si mesmo.
Sua vida poderia ter seguido pelos rumos que ele sempre esperou, se não fosse pelas horas em que tudo virou pelo avesso. Em que o mundo em que conhecia desmoronou e outro, completamente diferente, se ergueu dos escombros.
Aconteceu quando ele tinha 17 anos. A princípio não havia nada de anormal. Um adolescente magrelo correndo por ruelas escuras, fugindo de homens bem maiores que o perseguiam com raiva e um desejo de violência. A diferença: o garoto em questão não era bem, e sim Luca. Matt evitava roubar perto da Casa de Martha, justamente para não expor as outras crianças ao perigo, mas daquela vez Luca havia ido atrás dele. Matt nunca descobriria por quê. Ele nunca teria a chance. O que ele teria para sempre é a lembrança do desespero ao ver a figura loira surgir a sua frente, enquanto corria para fugir dos homens que o perseguiam, ainda segurando as bolsas que roubara.
Ele poderia ser rápido, mas Luca não era. E Matt não iria abandoná-lo. Mais tarde, quando seu corpo quebrado e quase morto jazia no canto da ruela escura em que fora jogado quando os homens terminaram com ele, Matt sentiu um quase orgulho por ter tentado salvar a vida do irmão, ainda que tivesse fracassado.
--//--
Você não pode compreender quem é Matt se não entender, ao menos superficialmente, quem foi Cassian.
Cassian era um vampiro antigo, e um idealista. Quando seu senhor Ventrue o Abraçara, ele o fizera por seu carisma e liderança, dissera que Cassian era especial e tinha potencial para deixar sua marca no mundo.
Cassian levara as palavras dele a sério, apenas não da forma como seu Senhor esperara. Poucos vampiros eram tão humanos quanto ele, ou se preocupavam tanto com a sociedade humana. Cassian era um político, um líder natural, e um bom samaritano. Ajudar os que não podiam ajudar a si mesmos, especialmente os que provavam merecer ser salvos, dava sentido à sua existência.
Assim, quando vagava pela pobre cidade e encontrou uma garota pequena sendo espancada na rua ele quase interviu.
A Máscara. Lembrara a si mesmo. Era difícil escolher quais batalhas lutar.
Seu conflito interno durou pouco, entretanto, pois logo um garoto surgia das sombras. Ele atacou o homem com a ferocidade de um animal selvagem, apenas o necessário para distraí-lo e afastá-lo da garota. Então correu com ela para longe.
Cassian admirou, a princípio perguntando-se se o garoto poderia não ser humano. Depois intrigado. Instigado. Ele voltou lá alguns dias depois, seguiu os rastros do garoto até uma casa velha e decadente, onde muitas outras crianças viviam.
Observar aquela casa, aquele garoto, por algum tempo foi seu passatempo pessoal. Após viver muitos anos você acaba se afastando do mundo, deixando de sentir, e para um vampiro como Cassian aquilo era seu pior pesadelo. O garoto o fazia lembrar de quem ele era, de quem gostava de ser. O fazia voltar a sentir.
Ele soube que transformaria esse garoto algum dia, apenas precisaria esperar. Deixaria que ele vivesse sua vida mortal primeiro. O clã não gostou da decisão, não viam no garoto o que ele via. Cassian não se importava, sabia que iria convencê-los. Sua persuasão era sua maior arma. Um dia ele abraçaria o garoto.
O momento veio antes do esperado, e Cassian não hesitou. Fora uma irônica vantagem, na verdade que o garoto estivesse para morrer tão jovem. Cassian apenas bebia o sangue de adolescentes e precisaria que outro vampiro o transformasse se Matt houvesse vivido por mais tempo.
--//--
Os primeiros meses de Matt como vampiro foram conflituosos. Ele sempre se imaginara como algo sombrio, errado, e agora havia de fato se transformado em um monstro. Isso nem de longe o incomodava tanto quanto o fato que ele estava vivo e Luca não. Se no momento de sua morte ele se orgulhara de tentar proteger Luca, agora só sentia a culpa e vergonha. O irmão morrera por sua causa.
E havia aquele estranho, Cassian, o... vampiro... que o transformara. Ele não era como Matt imaginaria um vampiro, para ser sincero, se em algum momento de sua vida tivesse assumido que vampiros eram reais. Cassian era gentil, paciente e parecia determinado a fazer alguma diferença positiva no mundo. Era quase impossível discutir com ele sem acabar argumentando por vontade própria contra si mesmo e a favor da opinião de Cassian. E isso tudo sem gerar conflito, na verdade as pessoas pareciam gostar ainda mais dele após as discussões. "Aquele é um homem de espírito! E grandes opiniões."
Matt, que nunca tivera talento com palavras ou em fazer os outros gostarem dele, não conseguia deixar de admirar cada vez que Cassian manobrava forças a seu favor com palavras e sorrisos. Ele também entendia como, apesar de não gostar disso, a Camarilla não se opunha diretamente a seu envolvimento no mundo humano. Ao menos enquanto ele não ameaçasse a Máscara.
Era um poder incrível e perigoso, mas nos anos que passou com Cassian, Matt sentia-se cada vez mais grato por ser ele quem tinha tal poder. O loiro não usaria essa habilidade para o mal.
Juntos eles partiram na missão de Cassian de fazer algo mais pelo mundo. Viajaram por terras distantes realizando pequenos gestou caridosos, com cautela. Não era o suficiente. Influenciaram sutilmente a política humana e um pouco menos sutilmente a vampírica. Ou melhor, Cassian o fez. Matt o acompanhava, observando com cuidado cada passo do seu Senhor. Nunca era tão bem-vindo pelos anfitriões de banquetes e debates quanto "tolerável" como a cria de Cassian. O loiro, no entanto, sempre pedia sua opinião e parecia verdadeiramente levá-la em consideração ao definir seus próximos passos.
Embora não pudesse fazer o mesmo que Cassian, Matt tinha seus próprios talentos. Ele se escondia nas sombras e ouvia segredos, roubava itens pequenos e vitais. Ocasionalmente, e normalmente contra a vontade de Cassian, lutava contra alguém.
Cassian era a luz e Matt, como sempre fora, a sombra.
Exceto que Cassian também era um vampiro, e como todos os vampiros, fraco contra a luz do Sol.
Engraçado como alguns poucos momentos definem a sua vida. Você pode passar anos em uma rotina e no entanto algumas poucas horas definem o que será de você e quem você será.
Matt sempre fora muito consciente do ambiente ao seu redor. Dos perigos do ambiente ao seu redor. No lugar em que vivera como humano e com a vida que tivera um dia era a única forma de se manter vivo.
Ainda assim, o tempo que passara com Cassian o afrouxara. A consciência constante de que havia alguém ao seu lado todo o tempo, não alguém que ele precisava proteger, como Luca, mas que poderia protegê-lo, o permitiu relaxar. E isso foi sua ruína.
--//--
Era uma tribo pequena que encontraram em uma viagem. Na noite anterior haviam desacordado um casal de adolescentes que se afastara em direção à floresta. Tanto Cassian quanto Matt bebiam o sangue apenas de membros de adolescentes, entre 14 e 18 anos, uma fraqueza herdada pela seletividade do clã Ventrue (embora Matt preferisse pensar nisso como uma consequência de seu convívio com Cassian). Cassian furou o homem com suas presas e sorveu um pouco de seu sangue, passando o mortal depois à Matt. Suas presas nunca haviam se desenvolvido e ele tinha o inconveniente de precisar cortar os humanos para beber seu sangue. Algumas vezes, como aquela, Cassian mordia os humanos para ele, perfurando a carne de seus pescoços com suas próprias presas.
Depois de se alimentarem, deixaram os jovens desacordado na borda da floresta onde seriam encontrados e seguiram seu caminho. Deveria ter sido assim.
Mas Matt voltara. Próximo ao amanhecer retornara a vila. Era uma tribo pobre, em um canto quase abandonado do mundo. Talvez pudesse fazer alguma coisa, algo para provar que poderia, merecia, estar ao lado de Cassian.
Ele não esperava pelo ataque. Não notou as flechas atrás de si até que atingissem as suas costas. Tentou fugir, mas os homens da tribo eram muitos e surpreendentemente habilidosos. Mais do isso, de alguma forma sabiam o que ele era e qual seu ponto fraco. Quando ele caiu, fincaram uma estaca em seu coração e o prenderam a um poste de madeira para esperar pela luz do Sol.
Foi assim que Cassian o encontrou. Quando o loiro chegou, seu olhar era o mais sombrio que Matt já havia visto. Ele atacou os homens da tribo com força e selvageria. Libertou Matt das amarras e esconde-o na floresta, antes de voltar-se novamente contra os homens que o perseguiam. Gravemente ferido, Matt não pode ajudar e levou pouco tempo para perder a consciência.
Cassian lutou. Ele era um vampiro antigo, mas nunca fora um guerreiro brilhante, suas armas eram outras. Os homens conheciam a região e, de alguma forma, as fraquezas dos vampiros.
Quando Matt acordou e voltou ao local em que fora capturado, encontrou apenas fogo e o corpo de Cassian em chamas.
Ele vivera anos tentando ajudar os humanos de alguma forma, junto de Cassian, que era o vampiro mais humano que poderia existir. E mesmo assim, frente àquela cena, Matt perdeu o controle e entrou em frenesi. Ele perseguiu os habitantes que restavam da tribo e destruiu a aldeia, embora tivesse a quase certeza que alguns dos humanos conseguiram escapar.
No fundo nada disso importava. Quando Matt voltou a si, voltou por um mundo onde Cassian não mais existia.
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Nos primeiros anos após a morte de Cassian, Matt afastou-se do mundo, abandonou seu clã ao qual nunca sentira pertencer e pelo qual fora sempre visto com ceticismo crítico. Ele entendia o porquê: nunca se encaixaria no perfil Ventrue, sequer desejava fazê-lo. Ele treinou suas habilidades, determinado a não deixar que nenhuma flecha o atingisse novamente, que nenhum sinal de perigo lhe passasse despercebido. Determinado a passar o resto da sua não-vida em solidão.
Até que não conseguiu mais.
Ele precisava fazer alguma coisa para seguir o sonho de Cassian. Devia isso a ele, não podia deixar aquele sonho morrer. E, todavia, o que podia ele fazer? Não era carismático e convincente como o loiro. Não podia liderar ou influenciar as pessoas. Tudo o que sabia fazer era correr, fugir, lutar com facas e adagas, ser silencioso e discreto, se esconder nas sombras.
Hoje Matt procura uma forma de fazê-lo. Alguém para ajudá-lo a reassumir o legado de Cassian. Uma forma de lutar por aquele ideal.
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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por Gam em Seg Jan 09, 2017 10:00 pm

Ficha aprovada, desculpe a demora!

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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

Mensagem por corujAzul em Ter Jan 10, 2017 10:07 am

Obrigado!!
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Re: Matt - Ventrue - Camarilla

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