O Diário de Nero Bertoli

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O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Sab Ago 20, 2016 9:20 pm


20/08/2016

Um ano atrás eu tomei uma decisão que mudou minha vida pra sempre. Larguei tudo e fui atrás daquilo que amava, ou melhor, de quem eu amava. Fiquei sem trabalho, parei os estudos, briguei com minha família e meti o pé pra outro Estado.
Por meses fui o homem mais feliz do mundo e apesar das cicatrizes que já carregava na alma eu perseverei. Altos e baixos ocorriam mas com quem não ocorre? Aprendi a me virar e a cuidar de uma casa e o quão difícil era isso. Não demorou e comecei a me sentir pra baixo e infeliz, aparentemente sem motivo (depressão era um ótimo motivo). Busquei ajuda e me deparei com o fato de se você está doente no Brasil você está fodido.
Trabalhava e estudava, ela por sua vez ficava cada vez mais distante e percebia uma sombra a cobrindo ou seria eu que estava sendo engolido por essa sombra? O mundo se tornava cada vez mais frio e sem vida, acho que posso dizer que essa é a definição de vazio. Alguns dizem que o inferno é assim, ausente de tudo, sendo assim eu vivi meu inferno logo após ir ao paraíso, contraditório? Era como se Deus tivesse descoberto que eu havia falsificado minha lista de pecados X boas ações.
Bem, não dava pra ficar daquele jeito. Numa madrugada o que eu achei que não fosse piorar finalmente melhorou, pois chegou à uma definição e acabou. Sofrimento foi a única coisa que conheci durante alguns dias, mas eu meio que já havia me preparado psicologicamente para aquilo. Mais uma vez eu tinha que desfazer minha vida e começar tudo de novo. Sem trabalho e sem estudo, retornei ao ninho onde fui paparicado pela minha família e me recuperei, ainda que tudo isso tenha sido como queimar a língua, eu perdi o paladar para relacionamentos, a diferença é que eu não sei quando irei recuperá-lo, mas mesmo queimando a língua nunca deixei de tomar café, o mesmo vale para relacionamentos, ainda que estes não sejam tão profundos, dependendo do ponto de vista.
Levar uma vida sem sal nos últimos meses fez bem pra mim, na verdade me faz já que ela permanece assim.
Tô procurando um novo emprego e voltei a estudar, fiz alguns juramentos como todo ser humano após uma desilusão,aprendi algumas duras lições e isso tudo me modificou,se pra melhor ou pior? Não sei,afinal, o que sabemos ser bom ou ruim de verdade? Posso afirma que estou estável e controlado, cheio de esperança no meu futuro, até resolvi escrever um diário! Sinto que consigo ser uma pessoa mais controlada e centrada agora, talvez eu realmente precisasse desse impacto, talvez fosse isso que eu buscava com aquela aposta arriscada, encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris ou cair na real de vez.

Essa semana eu recebi uma carta bem estranha. Sério, se liga nos detalhes, primeira coisa que percebi foi o aroma, sim a carta era perfumada, um belo aroma eu diria, algo amadeirado e com um toque meio "natureba". Virei a carta e pude sentir a textura ligeiramente incomum do papel porém mais incomum que isso era o selo vermelho nas costas da mesma, meu primeiro pensamento foi que eu estivesse sendo chamado pra algum encontro ocultista já que eu ando me metendo muito nesse meio ultimamente (quando você fica muito desocupado seus hobbys podem ficar cada vez mais profundos e bizarros)já que eu andei trocando informações com uma galera pela internet sobre diversos assuntos desde rituais até simbologia, mas nada muito além de teoria e história. Meus dedos correram e rasgaram o envelope com cuidado pra não danificar o conteúdo. Me deparei como uma caligrafia que talvez minha avó dominasse mas a muito não via, na verdade nunca vi nos tempos atuais que não fosse uma reprodução de máquina, eram letras clássicas feitas com cuidado à base de tinta nanquim e provavelmente uma pena (reconheci pois já havia visto um amigo utilizar a técnica pra desenhar). Era surreal, esse povo do ocultismo leva muito a sério essas coisas - eu pensei - mas o texto levou essa ideia de minha mente:

"São Paulo, 13 de Agosto de 2016 da era comum
Caro Senhor Nero Bertoli,
É com imenso prazer que te convido a participar de um petit comité, que se realizará às vinte e duas horas da noite de 27 de Agosto, sábado, no Hotel Fasano.
Teremos uma vernissage com obras dos novos expoentes da família de Lamare, além da exposição de um seleto acervo de pinturas famosas expostas no MASP e na Pinacoteca de São Paulo. Haverá também um sarau, onde todos os presentes poderão apresentar o que há de mais profundo em suas artes próprias - compartilhar, afinal, também é o que nos mantém vivos. Aproveitando deste espaço, faremos anúncios importantes para todos os que vivem, visitam ou representam essa comarca.
Apenas os convidados terão acesso ao evento, mas se necessário levar algum acompanhante, farei as vezes de anfitrião e resolveremos pontualmente. No entanto, adoraria contar com a vossa gentileza em manter este evento restrito, para que possamos aproveitar de um momento intimista e voltado para as artes.
Estou ansioso por sua resposta.
RSVP
Hagnar Faur de Lamare"


Era um convite pra um sarau, talvez fosse das vertentes góticas da cidade. Em todo o caso o evento parece promissor e eu irei conferir, estou pensando até em fazer uma apresentação de flauta doce.

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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Sex Ago 26, 2016 7:19 pm





26/08/2016

Nada de muito relevante ocorreu nos últimos dias, exceto que eu notei o desaparecimento de minha flauta, pelo visto terei que apelar para a poesia. Não me julgo um grande escritor, mas alguns colegas dizem que sou bom, sendo assim eu arriscarei.

Estou a alguns dias com um bloquei literário, não consigo escrever nada que não seja triste e depressivo. Cada vez que a caneta dança na folha eu deixo minha dor fluir e consigo revivê-la em cada instante torturante, mas não em minha própria pele e sim como um espectador, um observador soturno de mim mesmo. Seria este o auto-julgamento que costumam falar?

Me sinto um tolo cada vez que observo e analiso a minha história. Tantas vezes eu me deixei abater por coisas que poderiam ser facilmente superadas com persistência, tantos tropeços devido minha imprudência, me envergonho de minha última empreitada, é claro, mas ela foi só a cereja no topo do bolo. Tenho um histórico longo de choramingos e desistências fúteis. Agora que provei do sabor amargo porém verdadeiro da vida não posso mais deixar o controle da minha vida para os outros.

Há uma moça na faculdade, uma amiga pra ser sincero. Venho fazendo dela minha musa secretamente, escrevo algumas coisas sobre ela, mas não tenho o intuito de lhe mostrar nunca, na verdade me sinto como um pai pra ela. Dou conselhos amorosos e falo sobre a vida, me sinto mais confortável desta forma, mas confesso que às vezes queria provar de seus lábios.

Chega, estou divagando e não trabalhando. Preciso de uma poesia pra amanhã!
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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Sex Ago 26, 2016 7:56 pm



A página parece manchada com algo vermelho.
Não há data, somente um texto solitário em caneta azul com algumas rasuras ilegíveis.

O que a dor faz?
Ela nos mata;
Nos faz sofrer;
Nos enlouquece;

Mas o que mais a dor faz?
Ela nos amadurece;
Nos ensina;
Nos lápida;

O que é a dor?
É veneno que mata o amor;
É remédio que cura a estupidez;
É droga que vicia o louco.

Mas afinal, que droga não é veneno ou remédio dependendo de sua dosagem?
Em nosso mundo nada é gratuito, pagamos com dinheiro, suor ou lágrimas;
Compramos sustento, conforto ou prazer.

A dor me transformou e hoje vendo minha alma;
Sou o menestrel da desgraça;
Me embriago de vinho e escrevo com o sangue de minhas feridas aquilo que quero esquecer.
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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Sab Ago 27, 2016 1:03 pm





27/08/2016


Nossa, acordei com uma ressaca terrível, mas minha bebedeira rendeu belos versos.
Passarei a limpo essa poesia, tomarei um banho e rumarei ao Fasano. Usarei meu melhor chapéu, um colete preto, gravata preta, camisa branca, calça social preta e sapatos igualmente pretos. Esse estilo Coco Chanel nunca me fez passar vergonha.
Questão interessante, não encontrei nada na internet sobre meu anfitrião, bem, nem todos nós somos relevantes, mas isso é um tanto estranho, mas irei mesmo assim. Na pior das hipóteses darei de cara na porta.

Minha nossa, fui até a cozinha e perto do lixo há DUAS GARRAFAS DE VINHO! Minha mãe vai me matar! Hahahaha.

Sonhei com algo estranho esta noite. Eu matava alguns garoto em uma praia deserta a noite, usei de tudo, de facas e armas de fogo até minhas próprias mãos. Eu os enterrei próximo de uma cabana que havia na mesma praia. Me lembro do sentimento forte de vergonha misturado com satisfação. Era como se eu detestasse aqueles garotos, mas eu não os conhecia. Para Freud sonhos são uma manifestação de desejos reprimidos em nosso subconsciente, entendo que o desejo de matar não é sinal de insanidade, mas confesso que o fato de não haver um motivo do qual me lembre causa um certo desconforto, principalmente pela cena ainda nítida em minha mente em que descarrego uma metralhadora na cabeça de um deles.

Droga, estou atrasado.
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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Dom Ago 28, 2016 11:27 am





28/08/2016

Não sei ao certo por onde começar. Na verdade eu devo começar pelo mais óbvio que é o começo, mas qual seria o começo realmente? Foi quando recebi a carta ou quando passei na barreira policial próxima ao Fasano? Bem, vamos falar da noite do dia 27 de agosto.

Fui de metro, não tão lotado como o de costume já que era um final de semana, era noite e poucas costumam sair à esse horário em São Paulo, sabe, violência e falta de dinheiro são alguns do motivos, ou seja, se posso chamar de sorte ou privilégio eu não sei só sei que pude ir sentado por toda a viagem.

O caminho pelas ruas escuras não me assustou, afinal o problema nunca foi a escuridão, mas sim o que ela guarda, hoje entendo isso melhor que nunca.
Cheguei na barreira policial, sim os ricos e poderosos criam muros virtuais para impedir que individuos "menos favorecidos" se aproximem.Não tive muita dificuldade em convencer o sargento que eu estava indo como um freelancer de última hora, afinal, o que um cara de chapéu podia fazer? Eu nem se quer portava uma mochila ou algo do tipo. Ele me revistou e me deixou seguir até o Fasano e é aqui que as coisas realmente começam.

Adentrei o hotel e me dirigi à recepção onde fui informado de onde estaria sendo realizado o sarau. chegando na porta do salão de festas fui abordado por um homem homem peculiar, no decorrer da noite eu iria conhece-lo melhor, ele também usava chapéu e parecia dar cartões pra algumas pessoas, mas eu não ganhei um, ignorei e adentrei o ambiente.
Os seguranças eram jovens, quase da minha idade, uma moça bem atraente e que não parecia compatível com a função que lhe foi designada ao seu lado um rapaz jovem e um tanto calado. Apresentei o convite e ela me olhou de um jeito estranho, mas me permitiu entrar.
Percorri o salão com belas pinturas, algumas eu tinha praticamente certeza de que já as havia visto no MASP ou na Pinacoteca, já haviam alguns convidados, todos muito bem trajados, pareciam fazer fila para adentrar uma outra sala no final do salão, eu me aproximei da tal sala e me permiti bisbilhotar as conversas. Eu deveria ter notado que havia algo muito errado ali, mas na hora pensei que fossem assuntos muito além da minha compreensão, coisa de gente rica e eram, porém não era pelo dinheiro que falavam coisas como "corte" e "hospitalidade". Não demorou e o rapaz que recebia as pessoa sna porta veio me cumprimentar. Quando apertamos as mãos ele fitou meu punho e com um leve semblante de surpresa disse em voz baixa - Quente... - De fato minha mão era muito quente perto da dele que era fria como de um cadáver, eu suspeitei que fosse o ar-condicionado. Malac era seu nome (não sei qual a escrita correta) me recebeu bem e me apresentou à outros convidados que estavam na fila e por algum motivo todos estravam o calor das minhas mãos e juro que em algum momento eu percebi que um deles me "farejou", a situação ficara muito estranha e logo saí dali e fui andar pela festa. Por cada grupinho que eu passava eu escutava coisas peculiares sobre cortes, princípes, reinados, famílias, clãs, casas. Questionei a moça que fazia a segunrança, já que dos dois ela parecia a mais simpática, ela deixou escapar um pouco da verdade, a perguntei por qual motivo as pessoas falavam como se fossem da era vitoriana e ela me disse - Alguns realmente são dessa época - logo ela percebeu que não devia ter dito aquilo e desconversou.
Mais uma vez estava sozinho rodando o salão quando encontrei uma das figuras mais peculiares do noite, Padre Balbi. Ele me recebeu muito bem e não me deu nenhuma encarada, pelo contrário, fez questão de que eu fosse até Hagnar com ele. Pegamos a fila e em fim conheci o meu anfitrião que foi extremamente caloroso e me disse que tinham algo especial pra mim aquela noite. Pouco depois fui informado de que seria o primeiro a apresentar, eu nunca havia recitado uma poesia em público e seria o primeiro, fiquei nervoso e sentia um forte calor diferente do restante da festa que parecia frio como gelo.
Pouco depois me sentei em um uma mesa com Padre Balbi, que havia sido encarregado de me ambientar, eis que surge uma figura bem peculiar a qual eu já havia cumprimentado rapidamente, a "Vó". Sim, um velha bem estranha mas que parecia saber muito sobre todos, a questionei sobre o motivo do linguajar da maioria ser tão arcaico e ela respondeu com naturalidade que muitos queriam apenas aparecer, mas logo ela percebeu que minha ignorância denotava minha verdadeira natureza oque a levou a desconversar. O estranho é que quando questionei Balbi ele disse que era devido à educação da maioria, muitos estudaram em escolas francesas. Não era difícil notar a insconsistência das informações e logo percebi que algo estava sendo ocultado de mim. Me senti sofrendo preconceito por não ser da alta sociedade, ainda que muitos dos convidados fossem educados e amigáveis.
Num dado momento Hagnar me pegou pela mão e iria me levar a um canto mais isolado do salão, ele foi interrompido por alguém, uma mulher ruiva, disse que precisava ter com ele urgentemente, foi quando algo realmente apavorante ocorreu, Hagnar se virou e me disse pra que eu ficasse ali até que ele voltasse, é evidente que isso por si só não é aterrador, o que foi de fato estranho e assustador foi que eu não consegui tirar os pés de onde eu estava, sim, fiquei ali como se tivesse grilhões nos caucanhares. Eis que Malac reapareceu e me apresentou Jéssica, a única pessoa que parecia destoar daquele ambiente tanto quanto eu, porém ela parecia saber mais do que eu sobre o que se tratava. Aquilo me incomodou mais ainda, pois quem parecia estar no memso nível que eu na verdade sabia mais.
Quando Hagnar finalmente retornou e me disse que queria que eu fosse o primeiro a apresentar, entenda, até então só haviam me dito, mas ele fez questão de me dizer isso pessoalmente, um homem que acompanhava Jéssica veio conversar com ele e eu apenas confirmei minhas suspeitas, Jéssica me disse que nem tdoso eram humanos, fiquei atormentado com aquilo mas não entendi o que ela quis dizer. Fiquei um tanto atordoado com a situação, bebi um pouco mais de champagne e respirei. Me perguntava onde eu havia me metido enquanto relia meu poema, não demorou e as apresentações iriam começar.
Fui chamado à frente, gagueijei um pouco e então comecei a recitar a poesia, ao menos essa parte realizei bem, quando terminei fui aplaudido de pé por todos e retirado do palco rapidamente. Fui levado para uma antesala atrás do palco. Agora sim, lembra-se do homem do início da festa que estava distribuindo cartões? Ele é conhecido como "Monitor", ele é o representante de um tal "Clube Imortal" e comprou minha poesia da noite e mais uma que deverei apresentar, quando solicitado, no Clobe Imortal. Não estranhe, mas o pagamento não foi em dinheiro, o Monitor me deu um "cartão em branco", isso quer dizer que eu posso pedir qualquer coisa que esteja no alcance do Clube. Ainda naquela noite eu viria a ficar tentado à utilizar este "favor" para forçar-lo a me dizer a verdade sobre tudo ali, mas acabei não usando e acho que foi a coisa certa.
Antes de pular para o auge da noite, na minha visão é claro, gostaria de deixar claro que escutei outras apresentações, algumas de canto, outras de poesia, em dado momento saí de fininho e retornei ao meio dos convidados que agora falavam mais do que nunca sobre os as famílias Toreador e Ventrue. Só havia um grupo de pessoas, com nomes árabes em sua maioria, que eram muito mais discretas em suas conversas e mudavam de assunto quando eu passava, os demais não ligavam e falavam abertamente.
As obras continuavam a ser apresentadas, os lances variavam de alguns milhares até peças de prata ou "favores menores". O clima ficava cada vez mais ameaçador ao meu ver, ao menos as atenções não estavam mais voltadas à mim, na verdade houve um pequeno alvoroço quando uma obra foi exposta no telão, algo muito... "Peculiar" para dizer o mínimo. Uma mulher ruiva em situação de coito com um cachorro. Muitos riram, outros se espantaram, dentre eles o Padre Balbi que se retirou rapidamente, o que me faz pensar que ele possa ter ligação com a "arte" apresentada. Quando finalmente os ânimos se acalmaram o senhor Hagnar convocou um tipo de reunião e nesse momento eu pude ouvi-lo falar claramente - Representantes do clã, Ventrue, Toreador, Nosferatu, Brujah, Malkavian... - Seriam todas famílias? Era impossível. Tentei entender melhor o que estava ocorrendo, cheguei a confrontar o Monitor nesse momento, mas antes que ele me desse uma resposta satisfatória eu fui chamado até a sala de Hagnar junto com Malac e um outro homem, este eu havia reparado que ele me olhava por diversas vezes durante a noite e que também havia declamado uma poesia. Foi então que tudo me foi explicado, eles haviam recebido os maiores lances e portanto receberiam o "prêmio" que no caso era o direito de progênie, mais do que isso, era o direito de me abraçar.
Malac é um Toreador de alta classe e de uma postura notória, além é claro de ser um cantor formidável. Quanto ao homem, bem, naquele momento não sabia quem era o senhor Pedro, apenas que ele e Malac teriam que decidir de alguma forma quem seria meu mentor. Fiquei revoltado com aquilo, mas com um olhar e poucas palavras Hagnar me deixou sonolento e tranquilo. Foi então que Malac abdicou do da disputa por Pedro ter arrematado algo anteriormente (posso estar enganado, naquele momento não estava com os sentidos perfeitos). Fui levado para um quarto como um boi para o abate. Pedro foi gentil e me disse que ficava feliz de poder fazer aquilo comigo, por dentro eu queria fugir, pensei que seria estuprado ou algo assim, no entanto ele pegou meu braço direito e mordeu meu pulso. Eu pude ver suas presas por um único instante, então senti um prazer iniguálavel, melhor que qualquer sexo que eu já tenha feito, melhor que qualquer comida que eu tenha provado, estava a mercê de Pedro e prestes a deixar este mundo, mas só por alguns instantes...



Tudo ficou escuro, me senti caindo em um abismo sem fim, senti um frio que jamais havia sentido em toda minha vida e um desespero que não encontro palavras em nenhuma língua, mesmo que morta, para descrever o que senti. Pense, eu estava caindo eternamente na escuridão, não conseguia olhar pra baixo, o vento que tocava minha pele era gélido e forte o que me deu a sensação de estar caindo em uma velocidade absurda, porém senti um súbito porém suave toque em minhas costas, eu pisquei e estava em um barco, o céu era cinza e a água parecia prata derretida, a sensação de frio permanecia. Eu estava à deriva no nada absoluto. Olhei ao redor do barco de madeira em que me encontrava, a prata derretida começou a borbulhar e algumas mãos saíram dela movendo o barco de um lado pro outro, tentei me equilibrar mas em um dado momento o "mar de prata" se tornou revolto e me derrubou nele, eu tentei nadar pra superfície mesmo tendo engolido um pouco daquilo, ou muito na verdade, fiquei desesperado novamente e as mãos me puxaram em meios as ondas, logo eu podia ouvir vozes de milhares de pessoas e não conseguia distinguir de quem ou do que eram ou sobre o que falavam, fui me afogando e até que parei de respirar e tudo ficou preto novamente. Senti como se alguém pegasse meu corpo e me tirasse daquele mar, quando abri os olhos era o Senhor Pedro, naquele momento tive certeza que poderia contar com ele pra tudo, que ele havia me salvado daquele inferno e que eu estaria em dívida eterna com ele. Pedro deu um telefonema e me disse com um sorriso gentil - Logo irá entender tudo - Não demorou até que no quarto adentraram 3 dos convidados, mas consigo lembrar o nome deles, exceto o do senhor Francisco, psicólogo, pessoa bacana, um dos convidados mais aprasíveis lá, mas me tratou diferente, com desconfiança. Na verdade todos me trataram com desconfiança ou como não merecedor do abraço. Me explicaram sobre ser um vampiro e sobre minha sede sanguinária, bem como sobre o clã Malkaviano e o motivo de eu escutar vozes na minha cabeça como se eu fosse uma estação de grampo da polícia. Me disseram para abandonar minha família e esquecer que ela existe, compreendo a situação e acho melhor sumir pra sempre do que acabar jantando minha mãe ou algum amigo. Trocamos contato e passado um tempo foi decidido que eu seria levado pra um tipo de refúgio secreto da "família". Um lugar seguro que só alguns malkavianos sabiam da existência e localização. Tive um pouco de dificuldade pra pegar no sono, sentia muita fome e as vozes iam e vinham.

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Acordei cedo pra um vampiro, creio eu, sonhei com aqueles garotos na praia novamente, sonhei que me deliciava com seu sangue e do nada escutei como se uma mulher berrasse no meu ouvido por socorro, então acordei. Sol havia acabado de se pôr, ninguém estava acordado então resolvi escrever, mas acho que vou procurar alguém na casa, realmente estou sentindo muita fome.


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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Gam em Dom Ago 28, 2016 4:41 pm

IRADO. Esse foi seu primeiro dia na live ou ainda não começou?

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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Seg Ago 29, 2016 8:59 pm

O primeiro dia de live corresponde aos dias 27 e 28 do diário. =D
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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Dom Set 11, 2016 9:12 pm



10/09/2016



Tenho passado os últimos di as últimas noites ocupado aprendendo sobre minha nova condição.
Por motivos de segurança da "família" eu não posso nem ao menos escrever onde estou. Há notícias sobre meu desaparecimento, mas não quis ver a imagem da minha mãe desolada, prometi que ficaria longe dela e assim o farei para seu próprio bem.

Venho me alimentando com quantidades fartas de sangue todos os dias, essa sede é insaciável, Deus como odeio e ao mesmo tempo amo isso. Na verdade eu odeio a sede, mas amo a sensação do sangue quente descendo pela minha garganta. E os sabores? Ah, tão variados.

Pedro me levou pra caçar uma noite, ele havia ensinado o básico sobre minhas Disciplinas (esse é o termo para poderes vampíricos). Fomos à um bar, eu gostaria de me lembrar onde era, Vila Madalena talvez? Minha memória fica confusa às vezes. São essas visões e sintonias estranhas com outros membros do clã, mas antes que meu registro se torne um reflexo do labirinto que há em minha mente hoje, irei focar na caçada.
Bem, estava nós sentados "bebendo" uma cerveja - Eu tenho saudades de beber de verdade - ele me falou com alguns vampiros conseguem ingerir alimentos e bebidas mortais normalmente, eu por outro lado conservei apenas uma aparência mais saudável e uma aura mais viva, aos olhos comuns eu sou um mortal. Bem, estávamos lá e então ele me encorajou a ir uma das moças do bar, entenda sedução nunca foi meu forte, mas algo havia mudado em mim e eu só podia atribuir a duas coisas: Minha loucura ou a minha Besta, independentemente de qual fosse estava dando certo. Cara, até minha postura era diferente, eu me sentia confiante, por um instante breve eu pude ver os contornos coloridos, era uma como se a garota tivesse luz própria, era uma mistura de violeta com escarlate ou os dois se alternavam, era um alvo fácil, eu só precisava deixá-la "bêbada de alegria" e foi o que fiz, no tempo que dei os dois últimos passos em sua direção eu podia sentir minha mente junto da dela e como alguém que liga um interruptor eu fiz as emoções dela se intensificarem, a aura dela crescia e ficava radiante não precisei nem fazer força, estendi a mão e ela veio dançar comigo, sim havia música no lugar e algumas pessoas até dançavam. Eu estava bem alimentado mas era como se estivesse em um deserto, não devo ter disfarçado bem um olhar psicótico para o seu pescoço, de qualquer forma ela ignorou e em 30 segundos eu estava saboreando seus lábios, aquilo era como sentir o cheiro de um prato saboroso. Lembro-me bem da sensação, era como se eu estivesse sentindo o cheiro do estrogonofe da minha mãe, mas eu tivesse que comer do corpo de uma mulher muito bonita, era uma morena de atributos médios um tipo natural me atrevo a dizer que era como um frango sem hormônios. Pra mim não era algo sexual, apesar de que 2 minutos após beijá-la eu cravei minhas presas em seu pescoço e posso jurar que ouvi um gemido dela, pra mim era alimentação mas diferente de quando se é mortal não é só o sabor que afetando seu paladar, eu podia sentir todo o caminho do sangue da minha boca até meu estômago atrofiado, aquilo me fazia vivo novamente eu quase podia respirar novamente. Lembrei de duas coisas que Pedro me disse antes de ir até a moça:

1 - Nunca é tão doce como da primeira vez

2 - Não importa quanta fome sinta, não beba muito!


Eu abracei a moça e a apertei contra meu corpo, eu iria matá-la, eu queria beber cada gota de seu sangue, mas Pedro percebeu e mesmo que eu estivesse usando o cabelo dela pra cobrir a região do "beijo" em algum momento eu poderia quebrar a máscara caso o cabelo saísse do lugar, então eu senti a euforia baixar e me contive a tempo de lamber a ferida e sentar moça desmaiada na mesa. Implorei por ajuda, disse que ela desmaiou, acharam que ela havia bebido de mais. Eu sei que Pedro me ajudou pois quando me voltei pra ele o infeliz me cumprimentou de longe erguendo a garrafa de cerveja.
Tudo aquilo foi um monte de "brancos", creio que em dados momentos eu não me controlei bem, desde então eu me alimento com frequência, seja de animais ou de humanos eu procuro beber toda noite para não perder mais o controle, não quero matar ninguém e nem correr o risco de quebrar a máscara e acabar sendo caçado por isso.

Ah sim, minha mente. Mais conturbada impossível. Eu escuto vozes e tenho visões com frequência, Pedro meu senhor e mentor é esquizofrênico e eu herdei essa "característica" e como se não bastasse isso eu também sinto essa sede anormal. Bem, a esquizofrenia não se mostra de todo ruim, na verdade algumas das visões que tenho revelam padrões do mundo ao meu redor, coisas que pessoas fizeram ou farão, intenções, mentiras, nada passa desapercebido pela minha mente, eu sinto como se eu estivesse conectado com minha cabeça na internet e pudesse ouvir cada pessoa no mundo clicando e digitando, mais do que isso, eu sei o que há no histórico de navegação.
Toda a noite isso se intensifica, algumas vezes eu sonho com lugares prazerosos e em outras é como se eu estivesse em Auschwitz, na verdade eu acho que já estive lá, mas na pele de outra pessoa. É difícil, mas é possível extrair um conteúdo proveitoso da loucura. Foucault falava sobre a sabedoria que existia na loucura, acho que hoje entendo o que ele queria dizer, só não sei se funciona assim para os loucos que não são vampiros.

Estou com uma ideias de como ser mais útil tanto para a "família" como para a seita em geral, pretendo documenta meus avanços.

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Re: O Diário de Nero Bertoli

Mensagem por Dylan Dog em Qua Fev 08, 2017 4:50 pm

22/10/2016

Conheci a anciã do meu clã. Uma portuguesa da época da escravidão, qualquer um que não seja europeu ela chama de negrinho, mesmo com um jeito tão afetado ela parece tratar bem os negros que a servem e a mim também, mesmo sendo um vampiro infinitamente mais jovem.
Fui instruído a buscar na casa de Hagnar uma criança. Chegando lá descobri que se tratava de um homem já feito, um membro do clã que pra ela era uma criança, Antônio era seu nome. Sujeito interessante, parece que teve problemas no plano astral e ficou preso lá por um ano até que o próprio Hagnar o tirou de lá. Havia uma outra "prima" comigo, garota bonita de cabelos dourados, mas muito nervosa.
Terminada a minha tarefa para a anciã eu tive um pouco de paz, ao menos não fiquei ouvindo mais nada dela durante o sono.



29/10/2016


Tomei uma decisão arriscada essa semana. Já que continuo a ser inferiorizado pelos demais primos eu então decidir tomar uma providência e mostrar meu valor.
Fui até a região central da cidade, invadi um prédio comercial alto perto do largo São Bento, ofuscado, devidamente mascarado e de capuz para evitar registros da minha identidade nas câmeras, subi até o telhado do prédio. Foi meio chato pois só quando cheguei na porta que dava para o telhado eu me dei conta que não poderia passar pois não tinha chave, voltei tudo e peguei a chave do zelador.
Lá no topo eu tinha uma visão privilegiada de toda a região, entenda, eu sei que o Sabá se esconde aqui, tudo que eu precisava era de um bom ângulo para encontrar algum, eis que olhei em direção ao mosteiro de São Bento que deveria estar em reforma já que a estrutura parecia ter sofrido grandes danos segundo notícias, mas o que presenciei era totalmente diferente de qualquer coisa que eu já tenha visto. Uma mulher estava no topo do mosteiro e ela manipulava as sobras, talvez fosse uma La sombra, o tal clã que possui tal habilidade, porém quando atentei mais para o que as sombras faziam eu senti um frio, um medo, como se seja lá o que fosse aquela massa negra ela estivesse olhando pra mim, fui tomado por um medo primal e fugi de lá o mais rápido possível. Não parece que ela tenha me visto.
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Re: O Diário de Nero Bertoli

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