Amadeo Schöenen

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Amadeo Schöenen

Mensagem por Miriam StCecília em Dom Ago 02, 2015 7:21 pm

Em um apartamento localizado próximo as baladas mais concorridas, uma jovem termina de se arrumar para sair com a galera.

- Alo? Ah, sim. Já vou descer – responde ela. A jovem guarda o celular na bolsa, perfuma-se e passa rapidamente pela sala. Uma mulher folheia uma revista de moda, enquanto toma um aperitivo.

- Vai sair, Lorena? – Pergunta a mulher.

- Vou sim, Eva, até mais tarde.

- O que eu digo ao seu pai? – quer saber a mulher sem tirar os olhos da revista.

- Diga que saí...  – responde a jovem olhando pelo espelho.

- Ok. Ah, feliz aniversário, tá?

- Obrigada.

Lorena sai pensando: “Até essa bruxa lembrou... e meu pai... nada”.

A “bruxa” em questão, é sua madrasta.

Lorena tem certeza de que Eva está traindo seu pai. Ao fechar a porta, ainda pôde ouvi-la ao telefone combinando um encontro para aquela noite.

- Amanhã passo o dia com meus avós... Lá pelo menos eu sei que vai ter um bolinho para mim – diz ela para si mesma.

- Lorena entra no carro com as amigas. Em meio a uma conversa animada o celular toca.

- Alo? – Lorena atende.

- Oi, sou eu!

- Oi Pai...

- Olha, não me esqueci do seu aniversário filha, mas hoje nem vou chegar sabe? Reunião para fecharmos novos negócios, números, estatísticas... muito chato sabe? Mas amanhã prometo, podemos sair e comemorar juntos, que tal?

- Tudo bem pai  – responde ela ouvindo uma risada abafada de mulher ao fundo.

Lorena desliga o telefone pensando: “eles se merecem”.

Chegam finalmente à casa noturna escolhida.

Pulseirinha para entra, as mesmas caras de sempre e ela já começa a ficar entediada antes mesmo da noite rolar.

Lorena é uma bela jovem, seus cabelos loiros e lisos emolduram um rosto expressivo e seus olhos cor de mel estão sempre buscando algo em que se fixar.

Enquanto isso, lá fora, um homem dentro de um carro observa a entrada da casa noturna. Um carro esporte chega. O seu dono entrega as chaves ao manobrista. Prepara-se para entrar quando...

- Oi Dimitri!!

- Miriam! Que faz por aqui?

- Vim agitar um pouco. Você também?

- Sim... vamos entrar?

- Vamos... mas espere ai... olhe para aquele carro parado com um cara dentro... não encare Dimitri. Disfarce... reconhece?

Dimitri sorri e diz:

- Vem comigo?

- Sim.

- Veja, ele está cochilando – fala Dimitri.

Sorrio.

Dimitri bate no vidro do carro. O Homem parece dormir pesadamente.

- É Miriam, acho que vou ter que abrir esta porta de outra maneira... - fala Dimitri piscando para mim.

O homem acorda rapidamente.

- Você não vai fazer nada seu bolchevique duma figa! Humpf!

Ao que Dimitri responde:

- Não sou um bolchevique! Se quiser fazer alguma alusão, diga menchevique!

- Oi Durval! Dormindo em serviço ou está seguindo a gente? – Pergunto.

- Nem uma coisa nem outra. Por favor seres das trevas, saiam que vocês estão atrapalhando uma investigação e  o meu disfarce também.

- Disfarce de quê? Só se for de soneca ai dormindo – brinca Dimitri.

- Eu estava fingindo para vocês irem embora.

- Não nos subestime Durval – respondo sorrindo.

- Está bem vou lhes contar e depois vão embora!

Entramos no carro.

- O que há? - Pergunta Dimitri sentando-se ao lado de Durval.

- Acho que estou prestes a desmascarar um Serial Killer.

- Como assim? – indago.

- Bem, na verdade eu não tenho provas, corpos, vestígios, nada...

- Ah, então você tem um assassino que não é assassino?  - Questiona Dimitri.

- Digamos que pode ser um criminoso em potencial. As vítimas somem por certo tempo, são dadas como mortas, mas depois reaparecem com um comportamento diferente. Algumas famílias ou pessoas próximas relataram o fato a polícia. Estou investigando porque eu mesmo gosto de tratar de alguns detalhes.

Dimitri e eu nos entreolhamos.

- Existem dois elos ligação no caso. Esta casa noturna e um rapaz...

- É suspeito? – indaga Dimitri.

- Humpf...  É e não é. Alguma coisa acontece ai nessa boate, o suspeito sai, a vítima vai em seguida e depois some por uns dias. Então é aquilo que contei para vocês.

- Por que não entra na boate? – pergunto ao delegado.

- Sendo uma pessoa comum não deixam, é difícil e eu já tentei, precisa de pulseirinha e o escambau. Como delegado, eu poria a perder o meu disfarce.

- Nos temos pulseirinhas né Dimitri?...

- Sim... quer ajuda Durval?

- Não, vocês estragariam tudo!  Vão sair mordendo todo mundo por ai...

- Que é isso Durval? Assim você nos ofende! – Interrompo com ironia.

- Podemos “morder” você também, ai fica tudo certo, que tal? – Pergunta Dimitri sorrindo.

- Sai prá lá hein! E justo hoje que eu estou sem crucifixo! – resmunga Durval.

- Ora, vamos! Nossa ajuda é preciosa! - Insisto – Eu adoro mistérios!

- Vamos embora Miriam – Fala Dimitri.

- Esperem... Vou aceitar... Mas não estraguem meu plano, apenas observem e relatem.

Entramos, casa legal, tocam Rock e música eletrônica. Escolhemos um ponto privilegiado para observar o ambiente.

Lorena e suas amigas estão próximas a nós e formão um grupo bem animado.

Chegam uns rapazes e se juntam a elas, vão dançar mas Lorena fica só na mesa. Dali a pouco chega um rapaz vestido de um modo exótico e inicia uma conversa com Lorena.

É bonito... cabelos loiros, tão claros que parecem brancos, um pouco compridos, sobrancelhas negras emoldurando belos olhos verdes, pele clara... Usa uma calça preta justa, camisa de mangas compridas branca e uma casaca preta também, como se tivesse saído de alguma estória do século 19.

Apuramos os ouvidos, embora o som atrapalhe um pouco.

- Sozinha? – pergunta ele.

- Não... – responde Lorena observando a figura estranha.

- Como é o seu nome mesmo? Sabia que é muito bonita? – ele galanteia.

- Meu nome é Lorena e o seu?

- Meu nome é Amadeo Schöenen, gosta de fotografia? Sou fotógrafo de moda. Toparia posar para mim?

Enquanto fala os olhos dele percorrem todo o lugar como se procurassem algo, mas ao contrário de Lorena, não se fixam em nada, contudo buscam ver além da alma de quem lhes interessa.

- Eu... bem... sei lá cara – responde a moça atordoada com tantas perguntas.

Repentinamente Amadeo nos encontra. Sinto uma perturbação que me impede de falar. Dimitri sente também.

Amadeo levanta-se e entrega um cartão a moça.

- Se ficou interessada, procure-me neste endereço – diz Amadeo saindo rapidamente.

Lorena pega o cartão do fotógrafo como se estivesse hipnotizada. Amadeu deixara em sua mente uma impressão perturbadora.

Lorena pega sua bolsa, o cartão e sai sem falar com ninguém.

- Até que enfim consegui me livrar da emanação de poder desse cara – falo para Dimitri.

- Eu também, vamos avisar o delegado. O cara não é normal.

Saímos, Durval esperava-nos com o carro ligado.

- Durval, é o seguinte... – Começo a falar.

- Entrem não temos tempo a perder! Acho que é o nosso peixe, porque uma garota saiu logo atrás dele e pegou um taxi!

- Acho que ele não é exatamente um peixe Durval... eu diria que é um morcego muito arisco... - Comenta Dimitri entrando no carro do delegado.

- Mor... morcego?! – repete Durval arregalando os olhos.

- Isso mesmo, você vai precisar da gente – Respondo.

Durval sai a toda. Sem dificuldade alcançamos o taxi.

Lorena sai do carro que está parado em frente a uma casa alta e com janelas fechadas. A jovem toca a campainha. A porta se abre e ela entra.

- Vocês podem saber o que acontece lá? – indaga Durval ansioso.

- Podemos tentar... não vai ser fácil, pois ele  nos bloqueou lá na boate – respondo.

- Não consigo perceber nada, Miriam – fala Dimitri.

- É parece que há uma névoa densa dentro da casa... reflete como espelho a nós mesmos aqui fora – concluo

- Tentem, por favor – pede Durval.

- Só faço isso porque não gostei do sujeito – fala Dimitri.

- Esperem... de novo a perturbação... – falo pressentindo o perigo.

Sem que percebêssemos, surgem lobos a nossa volta e com uma força descomunal, põem se a atacar o carro quebrando os vidros e tentando virá-lo.

Durval, muito assustado, acelera o carro sem sucesso, estamos móveis.

- Temos que sair Dimitri. Atraímos atenção desses carniçais enquanto Durval arranca daqui.

- Ok – Dimitri concorda.

- Durval, cai fora e não olhe para trás. Depois nos falamos - oriento com pressa.

- Mas e a moça? – grita Durval desesperado.

- Tarde demais! - Responde Dimitri saltando do carro. Faço o mesmo.

O delegado livra-se dos lobos assim que saímos. Eles se voltam contra nós.

Dentro da casa o clima é outro.

Amadeu recebe sua convidada com gentilezas.

- Fique à vontade - diz ele.

Ela sorri timidamente.

- Acho que você será uma ótima modelo.

- Sério? Levo jeito?

- Todas levam...

- Como? – ela surpreende-se.

- Vamos fazer uns testes?

- Que testes?

- Eu quero naturalidade Lorena, seja você mesma, quando eu pedir você interpreta o que eu disser.

- Está bem.

Amadeo pega uma câmera fotográfica antiga, com filme e diz:

- Vamos começar, sente-se neste banquinho.

Lorena assim o faz.

- Olhe para a câmera e sorria. Ótimo, agora vire-se para o lado... esquerdo... isso.

Lorena agora mais a vontade, inventa expressões.

Enquanto isso, em frente a casa, Dimitri e eu ficamos cercados por lobos-carniçais que subitamente cessaram o ataque.

- Eles queriam a nós – fala Dimitri em tom mais baixo.

- Estão medindo forças conosco, mas não nos atacam – comento.

- É... eles são muito fortes, não se iluda olhos da noite.

- Estão rosnando agora... prepare-se Dimitri.

Subitamente dois deles saltam na direção de Dimitri, que cai no chão. Com extrema rapidez e força dimitri joga-os lobos-carniçais longe, outros vão em sua direção.

Olho para o lado. Um enorme lobo cinzento me derruba e tenta morder o meu pescoço, sinto que há uma força muito diferente emanado dessa criatura. Não consigo me mover.

- Olhos da noite! Reaja! – grita Dimitri.

A criatura está me dominando, mas como?

Os olhos amarelos e brilhantes da criatura me ofuscam... sinto dor... é como se ela subtraísse minhas forças... é... é... diablerie! Não é um carniçal!

- Resista! Ative suas disciplinas – Grita Dimitri.

- Sim... eu sou...eu sou... uma criança da noite... sou uma criança da noite e nada pode deter-me... sou... uma criança da ... noite!!! – grito atirando o lobo para longe.

Levanto-me e vou em sua direção.

- Eu comando você... eu paraliso seu corpo...

O lobo tenta escapar.

Os outros lobos fugiram e Dimitri estraçalhou uns cinco. Ele é muito forte e agora uma luz vermelha paralisa os lobos-carniçais enquanto Dimitri induz um frenesi alucinante... as criaturas tomadas por uma loucura repentina, começam a devorar-se. A luz vermelha cessa. Ali restam apenas ossos e muito sangue pelo chão.

- Você quis me diablerizar... e eu agora explodirei sua cabeça... - repito continuamente.

Sinto uma aura perversa me envolvendo. Há alguma coisa espantosamente forte tentando se apoderar do meu corpo. Fixo meu olhar no lobo, se fosse um animal de verdade eu não faria nada, mas não é. Jogo o lobo para longe... minhas forças se renovam quando ele se distancia. Aponto com a mão direita para sua cabeça, minha aura está vermelha também e ela chega até a criatura como uma lança, tocando sua fronte. O animal emana ódio, mas eu controlo. Sei que existe ali um poder diferente, mas ele agora sente imensa dor e eu o estou manipulando. Ele estremece, entra em convulsão e sua cabeça explode. Muito bom!

Aos poucos sinto que volto ao normal, Dimitri olha para mim surpreso.

- Acho que exagerei Dimitri...

- Você fez o que devia. Ativou a diablerie de alguém? – pergunta ele curioso.

- Não. Só as minhas disciplinas mesmo.

- Achei que pudesse ser da Drieda para você ficar assim... tão selvagem... – diz ele sorrindo.

- Vamos tentar descobrir que se passa lá dentro? – pergunto.

- Vamos.

Na sala Amadeo percebe que seus carniçais levaram a pior, ele terá que agir rápido.

- Lorena... eu quero captar a síntese dos sentimentos aqui na minha câmera.

Amadeo pede a Lorena que encoste na parede. Em seguida, ele faz o mesmo perguntando-lhe sem olhar para ela:

- Você tem medo de alguma coisa? Responda sem olhar para mim.

- Sei lá... acho que sim... não gosto de ficar sozinha...  e você?

- Eu não gosto de dogmas... superstições baratas... eu sou anticlerical.

- Eu não entendo...

- Tudo bem... – diz Amadeo observando Lorena com o canto dos olhos.

- E se eu disser que você não sairá daqui viva?

- O quê?! – Lorena perde o prumo e a pose.

- Sim, eu quero fotografa-la sofrendo.

- Você é louco?! Vou embora!

- Tente!

Lorena tenta em vão.

- Socorro!!! Alguém me ajude – grita desesperada a jovem.

- Perfeito! Continue assim! Boa expressão – diz ele fotografando sem cessar.

Lorena tenta em vão abrir as portas e janelas. Ela grita muito, joga objetos em direção a Amadeo.

- Perfeito – ele diz fotografando.

- Me deixa sair!          

Amadeo pega a moça pelo pescoço empurrando-a contra a parede.

Com um gesto apenas, faz a moça cair no chão. Ela grita apavorada. Ele clica a sua expressão.

- Grite! – ele ordena – Grite!

- Mas...

- Grite!

- Pare! Socorro!

- Do que mais você tem medo? – pergunta Amadeo, esboçando um sorriso cínico.

- Por favor!

- Eu acho que você tem medo de seres rastejantes... que tal?

Lorena começa a ver insetos, aranhas, ratos, cobrindo o seu corpo.

- Tire eles daqui! Tire!!!

Amadeo clica as expressões da jovem sem parar.

Lorena agita-se, batendo os braços e pernas, como se assim pudesse retirar a ilusão que Amadeo incutiu em sua mente.

- Ótimo!

- Por favor – ela implora.

Amadeo levanta Lorena pelo pescoço e bate sua cabeça violentamente contra a parede.

- Chegou a hora de eu ver se o seu corpo produzir outro tipo de arte!

- Quem é você? – pergunta Lorena com um fio de voz.

- Você já vai saber.

Amadeo permite que a jovem horrorizada veja seu rosto enquanto a fotografa sem parar, segurando a câmera com a mão direita.

- Não! Não!!!

Lorena grita muito. Agora Amadeo solta a moça e ela vai escorregando até o chão. O sangue faz riscos na parede.

- Ótimo! Muito bom! – diz ele sem parar de clicar.

Lorena permanece calada, encostada na parede, apoiando-se no chão.

Amadeo termina sua sessão de fotos.

- Você ficará aqui alguns dias – diz ele.

Os dias realmente passaram lentos, a família de Lorena procura incessantemente o seu paradeiro.

Durval não tem provas contra Amadeo.

Nós conseguimos vê-lo em ação, mas quem acreditaria em pessoas que não existem?

Contrariando as expectativas dos outros casos, a jovem nunca voltou para casa.

Entre nós circula um fato novo: Existe agora rondando aquela casa, um lobo chamado Lorena.

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