Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

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Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Beaumont em Sex Maio 22, 2015 6:19 pm


Eu estava remexendo umas caixas e envelopes antigos no armário quando achei anotações e fichas antigas de quando ainda mestrava sessões de Vampiro. Meu primeiro impulso foi de rasgar tudo e jogar fora, abrindo assim um pouco de espaço. Mas carinhosamente guardei tudo de volta… É, eu sou desses, eu sei. Mas relendo algumas daquelas coisas eu percebi como era estranho algumas campanhas que a gente jogava e fiquei pensando em como cada grupo meio que se adaptava a um estilo diferente de narrativa. Digo isso porque eu fui tanto mestre como jogador em um numero considerável de mesas e era sempre diferente. Por isso resolvi fazer um apanhado de estilos diferentes de se jogar vampiro pelas mesas afora. Vejamos se você que também jogou este clássico se identifica com alguma delas:
O Estilo “Vampiro Filosófico”
Eu não vou abrir meu livro agora, mas lembro que logo no inicio havia um texto que dizia algo como:
“Este é um jogo de horror pessoal. Vampiro trata sobre a besta interior que ameaça nos dominar e sobrepujar nossa humanidade e etc…”
Realmente, se formos analisar a natureza do jogo é disso que se trata. Esqueça os poderes vampirescos, a ação e o confronto político. A maior luta de um vampiro é para manter a sua Humanidade. Já conheci narradores que adoravam explorar esse lado, criando um cenário mais intimista. Considero um dos melhores métodos de jogo para quem preza a interpretação acima de tudo e viaja longe na criação de seus personagens. É um tipo de jogo que te dá margem para explorar situações em que a moral do jogador confronta a do personagem, gerando bons debates e reflexões.
Por outro lado é um estilo bem individualista. Diferente de outros sistemas como GURPS eD&DVampiro a Máscara não estimula grupos muito grandes de jogadores. Sendo uma boa média 3 a 4 pessoas fora o Mestre. Quanto mais jogadores haverem na mesa mais difícil será dar o tempo e a profundidade necessária para um jogo mais “cabeça” e adulto, para se debater essas questões filosóficas e humanistas. Sem contar que a falta de ação pode espantar jogadores não tão acostumados a uma narrativa mais densa.
Jogos de Crossover
O universo do Mundo das Trevas é gigantesco. Um cenário repleto de terror e monstros em cada sombra. Os humanos vivem uma realidade medíocre sem desconfiar do que se esconde na obscuridade: Vampiros, Magos, Lobisomens, Fantasmas, Múmias… Quanto mais você conhece do sistema mais elementos você quer inserir no seu jogo. Mas aquilo que pode ser um plus e um diferencial bem bacana na sua campanha também pode acabar com ela.
Nada é mais assustador para um jogador de Vampiro do que quando um narrador diz algo do tipo:
“Vocês estão caminhando entre as arvores quando de repente ouvem um uivo estrondoso e assustador. É possível ouvir algo atrás de vocês, e é mais de um, e se movem muito rápido. Talvez vocês devessem correr”
Já vi combates lendários entre vampiros e lobisomens, ou tramas que envolvem elementos bem sombrios e sobrenaturais com Magos e Fantasmas. O elemento surpresa e o medo do desconhecido conseguem a atenção total dos jogadores. Fazer crossover entre cenários pode ser bem legal nas mãos de um narrador experiente. Mas por outro lado também pode ser uma grande confusão.
É imprescindível que o Mestre conheça bem os cenários que ele quer misturar. Um dos grandes problemas do antigo Mundo das Trevas era isso, havia um conjunto de regras muito especifico para cada cenário, eram praticamente jogos totalmente diferentes. Claro que sempre era possível adaptar uma coisa ou outra, mas mesmo assim ficava confuso às vezes. Ainda mais quando os encontros iam além da ação, envolvendo elementos narrativos de dois ou mais cenários. Já vi boas campanhas acabarem porque o narrador colocou tanta coisa na mistura que o caldo acabou azedando.
“Vampiros Power Rangers”

Ou “Vampiros Street Fighter” como eu já ouvi também, é aquele estilo de jogo que preza a ação e a pancadaria acima de tudo. Não há nada que um jogador de Vampiro goste mais do que encher “bolinhas”. Dá certo orgulho você olhar a fica e ver aquele monte de pontinhos pretos mostrando o quanto seu personagem é demais, principalmente nos Atributos e nas Disciplinas. Que Brujah não gosta de ter 5 de Potência na ficha para quebrar todo mundo de porrada, um Assamita com Ofuscação e Rapidez altas para ser como o vento da morte, ou um Ventrue com Presença e Dominação lá em cima para botar ordem no negócio. É inegável que cenas de ação geram histórias épicas entre os jogadores para sempre, seja pelo sucesso ou pelas falhas críticas. Além, é claro, de ser muito divertido. O problema é que Vampiro não possui um sistema de batalha muito bem construído. Primeiro que é muito fácil criar uma ficha desequilibrada. Um personagem pode ter altos níveis nas Habilidades de Briga e Armas Brancas e também em Expressão e Informática. Mas como justificar isso? O cara consegue treinar o suficiente para ser um mestre em kung-fu e ao mesmo tempo é um ator de primeira e hacker profissional??? Muitos narradores experientes fazem uma série de restrições e pedem justificativas para essa ou aquela habilidade. Sem contar que quanto mais combates houver durante a sessão maior será a quantidade de dados rolados. E essa nunca foi à premissa do sistema. Não que você não possa jogar dessa forma, mas às vezes você passa horas, literalmente HORAS para terminar um combate, só fazendo anotações e rolando dados… O que é muito chato.

O Jogo Político
Sou suspeito a dizer por que esse sempre foi meu estilo de jogo predileto. Eu adorava criar tramas profundas de mistério e espionagem envolvendo os Clãs e Seitas. Lembro de ter narrado uma aventura onde os jogadores eram membros de um grupo do Sabá que deveria tomar o controle de uma cidade da Camarilla. Ahhh, que época! A mitologia de Vampiro a Máscara é muito rica e te dá todos os elementos necessários para crias boas tramas políticas.
Jogadores mais experientes podem tomar o papel de anciões, mexendo e influenciando a decisões de outros indivíduos como peças em um tabuleiro de xadrez. Personagens mais jovens podem estar em busca de poder e status enquanto tentam não morrer no meio do fogo cruzado dos mais velhos. As possibilidades são diversas, principalmente para grupos que gostem de explorar a interpretação e a oratória.
Os problemas nesse estilo de jogo são os mesmos do filosófico. A coisa pode ficar monótona às vezes. Uma boa cena de ação aqui e ali é um tempero bacana numa campanha, mas pode ficar meio forçado se aparecer muito fora do contexto. Sem contar que é preciso haver uma química bem bacana entre os jogadores da mesa. É um tipo de jogo bem coletivo e que exige que cada um faça a sua parte, se algum dos personagens não estiver em sincronia com os outros pode acabar em confusão, dentro ou fora do jogo.
O Estilo Alternativo
Depois de anos jogando um cenário todo mundo acaba enjoando ou querendo tentar algo diferente. Mestres ou jogadores experientes às vezes se arriscam criando seu próprio cenário. Já vi sessões de Vampiro em cenários pós-apocalípticos, na Roma antiga, em um futuro tecnológico… Realmente muita coisa interessante surge daí, mas é necessário dizer que a maioria esmagadora desses cenários alternativos não vai pra frente.
A razão é que exige muita dedicação por parte do criador para abastecer um cenário inteiro com conteúdo e informações. Já vi alguns narradores escreverem quase um livro para uma campanha que não chegou a durar meia dúzia de sessões. Jogar em um cenário alternativo pode ser legal, mas saiba que é muito trabalhoso e requer certa dedicação e organização.
O Estilo “Live Action”
Ahh, o Live! Talvez seja um estilo meio marginalizado, até mesmo entre outros jogadores. Um grupo de pessoas que se veste e age como seus personagens na vida real sempre gera estranheza. Admito que eu só fui a uma sessão de Live uma vez, e achei meio constrangedor. Mas acredito que possa funcionar como uma boa interação social para algumas pessoas.

Durante muito tempo o estilo Live acabou sendo algo meio vago no sistema de Vampiro, a Máscara. Até que foi lançado o complemento “Leis da Noite – Teatro da Mente” que trazia regras e fichas específicas para jogar ao vivo. Eu recomendo para quem tenha curiosidade em saber ou ver como é uma sessão de Live RPG, mas é preciso ter muita atenção a uma série de condutas a serem seguidas para que a brincadeira não extrapole certos limites, causando assim alguns problemas.

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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Dylan Dog em Seg Maio 25, 2015 9:26 am

Hahaha Beau, você é fascinante mesmo!

Parabéns pelo post, gostei muito. Acho que curto todos os estilos, realmente é um sistema que eu amo e ainda quero jogar um LiveAction pra ver como é HAHA
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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Gam em Seg Jun 15, 2015 12:31 am

O que é fatal nas minhas crônicas é o crossover, como já devem ter notado. Me fascina demais a imensidão do Mundo das Trevas, sendo quase um pecado narrar algo fingindo que "os outros" não existem.

Na hora de jogar, por outro lado, meu estilo preferido são os jogos políticos. Me divirto a beça com as maquinações, as intenções secretas e o escambal.

Tenho curiosidade em explorar o lado de terror pessoal (o tal filosófico), mas nunca narrei nem fui narrado numa vibe dessas. Nas minhas crônicas ele é presente, mas mais como um ingrediente do que como um fator principal. Em pouco tempo canso da monotonia e explodo alguma coisa.

Os malas que me perdoem, mas o tal "power rangers" é essencial. Um jogo sem um pouco de ação e facas voando não tem graça. Mas não foco minhas crônicas nisso.

E, por fim, já joguei um live uma vez com o Mezenga. Sendo um entusiasta antigo de teatro, pra mim foi muito divertido. Mas as ações são mais limitadas, então eu ainda prefiro jogar em mesa (ou fórum).

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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Beaumont em Qui Jul 23, 2015 7:36 pm

A Trupe em seus esteriótipos !

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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Fuuma Monou em Qui Jul 23, 2015 7:55 pm

Acredito que a melhor crônica que já joguei até hoje foi aqui no fórum. Houve uma junção dos gêneros citados acima e no final o Beau colocou um capeta, onde praticamente todos os jogadores estavam indo para cima dele... Bons tempos de Assamita, onde meu personagem não começava sua participação em monomancia....kkkkkk

Faz um bom tempo que não narro e estou me re-acostumando a fazer isso, mas sempre gostei de juntar 'mundos'. Dentro do mundo das trevas, para mim, os melhores são Vampiro e Mago. Assim gosto de juntá-los em uma mesma história. Mas penso que os melhores jogos tem uma pitada de cada um desses pontos

A muitos anos atrás uns amigos e eu tentamos jogar um live, mas escolhemos o lugar errado e fomos expulsos... Nunca é bom fazer isso num shopping... Very Happy Very Happy Very Happy

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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Aradia em Qui Jul 23, 2015 10:33 pm

Puta quiu pariu! No Shopping? Kkkkkkk

Eu gosto de misturar universos. Exceto mago. Acho que se não for adaptado não tem disputa.
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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Dave em Qui Jul 23, 2015 10:51 pm

Nunca é bom fazer isso num shopping...

Coloca enfase pq... Céloko XD

As primeiras vezes que joguei, diga-se de passagem não tinha nem lido o livro, só a parte do clãs, jogava Street Fighter com vampiros.

Hj eu só gosto de espalhar o Caos em fórum e no skype What a Face
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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por MacDowell em Sex Jul 24, 2015 12:38 am

Estilo :                                


hora de morfar What a Face
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Re:

Mensagem por draculino em Dom Jul 26, 2015 6:14 am

Draculino está mais pra vampiro filosófico. Não parece uma tragédia a perda da humanidade (no sentido de que nada que é humano me é estranho)?
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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Gam em Dom Jul 26, 2015 5:06 pm

Ah sim.
Sei lá, jogando de ancilla esse lance do horror pessoal meio que amenizou já. Precisa de um bom gancho, algum tipo de estalo pra fazer o personagem repensar essas coisas.

E jogando de neófito, como eu disse, nunca explorei essa parte. Meu personagem tentava se agarrar à humanidade dele, mas nunca houve nada como um diálogo interno profundo ou algo do tipo

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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

Mensagem por Dylan Dog em Sab Ago 01, 2015 9:26 pm

Isso é fato. Jogar de Ancillae não permite o horror pessoal e nem uma vibe sobre o que vc se tornou, pois você só está vivo ainda pq aceitou o que houve.
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Re: Vampiro A Máscara – Qual Era O Seu Estilo De Jogo? - Texto de Thiago Almeida

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