Immensitas Fidem

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Immensitas Fidem

Mensagem por Overslept em Ter Nov 04, 2014 8:50 pm

Immensitas Fidem

Introdução
 Bärenfallen




Nobre, porém rude e instintiva. Com estes traços proeminentes, mesmo entre seus antigos Parentes, Vorh era em vários quesitos, solitária. Caminhava com uma trouxa às costas desde quando conseguia se lembrar, nômade, não se preocupava muito com a direção em que seguiria e muito mais com aquilo com que iria se deparar. Diferenciando-se de seus semelhantes por sua inabalável convicção na Mãe, agia para com os humanos com cautela. Suas origens eram entre a vertente primordial e, portanto, não conhecia os trejeitos e diálogos humanos - ainda assim não a impedindo de aplicar seus dons para com os bípedes em necessidade, singela protetora, pajé.



 Aqueles foram os dias antigos, quando Gaia era predominante e quase onipotente, agindo por meio de seus servos mais antigos - primogênitos da Mãe-Terra: os sábios Gurahl. Originários dos ursos, instrospectivos curandeiros, frequentemente solitários em suas viagens à serviço de Gaia, foram os primeiros combatentes da Wyrm, porém devido à sua natureza, não agiam em conjunto. Logo estavam sendo suplantados pelas forças daquele mal, que os atacava um por um. Foram os guardiões das sociedades humanas antigas e em sequência, tutores de seus irmãos mais novos, frutos do sofrimento de Gaia frente às investidas da Wyrm.
 
 Guerreiros grupais e cheios de Fúria incontrolável, os irmãos mais novos tornaram-se desconfiados de seus protetores, os quais encarecidamente pediam que seus ânimos fossem medidos com a serenidade que era primeva aos Gurahl - mas não aos Garou. Levando-os quase ao ponto da extinção, os lobos triunfaram sobre os ursos ao agirem em bandos, sobre o pretexto de que a Wyrm havia corrompido-lhes, visto que não pretendiam dividir os segredos milenares com os seus enraivecidos e incontroláveis irmãos menores.



Vorh "Espírito da Neve" refugiou-se durante aquele Guerra de Fúria e a característica pela qual fora conhecida se tornou sua melhor vantagem. Escondida entre a neve, em uma inóspita região que, séculos após o fim da longa hibernação à qual se submeteu, chegou a ser conhecida como uma maravilha geográfica, a Espírito da Neve lamentava.



 Não acordara ignorante. Os espíritos lhe contatavam mesmo em sua hibernação e por eles, soube do desastre. Estraçalhadas, linhagens milenares dos protetores de Gaia destruíram unas às outras enquanto a Fúria irremediável dos tolos Garou era contraída pelos centenários ursos como método de sobrevivência, assim tornando-os monstros bélicos. Os sopros e mensagens que recebia após acordar lhe informavam que os poucos de sua herança que restavam estavam muito longe. O mundo tinha mudado, em múltiplos sentidos. Romanos reinavam em uma terra invadida pelo mar, cheia de penínsulas e ilhas que antes eram parte integrante do continente, sua civilização aparentemente fundada por alguma lupina; Enquanto os egípcios eram guiados por servos da Wyrm. O mais próximo dos seus lhe passava informações, refugiado em uma ilha glacial, esquecida e negligenciada por ser considerada inóspita, banhada ao sul pelo Oceano Pacífico.



 Uma das primeiras lições que aprendeu ao tentar a interação com os humanos foi que mulheres com voz de contraltos não eram comuns, mesmo naquela região da Rússia - Ainda menos com aquela massiva quantidade de pêlos. Vorh era um vulto a ser observado no meio de uma multidão. A média da humanidade havia diminuido e, com os Gurahl tendo sido visivelmente mais encorpados ainda em tempos antigos, aquilo era ridículo. Em forma humanóide, chamava atenção - Risível, em contraste com sua forma Crinos, mas o suficiente para render problemas práticos de interação com os humanos, interação nunca antes boa, piorada pelo tempo.

 Desistindo, voltara a viver nas regiões polares selvagens, capturando diversos Chinooks, espíritos do Vento Norte, que serviam como úteis métodos de purificação de uma natureza cada vez mais sobrecarregada pela crescente população. Perguntava-se quando seria seguro sair de seu isolamento, crítica quanto a quando, exatamente, os lupinos não mais reconheceriam a ela e seu remetente ilhéu do Pacífico, Bikmo "Onça Pintada", que dizia ele ter, orgulhosamente, mais espirais negros contrastantes com sua pelugem branca do que o animal que lhe rendera o título. O tempo passou e passou, a convivência pacífica e isolada da ursa iluminada pelas cerimônias e rituais à sua Mãe e as mensagens por intermédio de espíritos natura a Bikmo.



 Fora assim, entre ventos frígidos, em uma terra inóspita colorida pelo mais puro e cristalino alvo, à vista da beleza de um mar congelado e diante da costa leste que, para a surpresa de Vorh, encontrara um homem. Deitado sobre a neve, a face afundando na mesma, semi-congelada e azul, de corpo rijo e gélido. Era noite e naquela época do ano, seria escuro pela maior parte do dia. Levando o homem que se aproximava muito de um cadáver à sua casa, uma caverna subterrânea escondida e parcialmente soterrada, tratou de procurar trazê-lo de volta a saúde. Após tanto tempo sem uma interação daquelas, tomava como desafio a si mesma, tendo por muito tempo tratado dos ferimentos só dos esporádicos animais que encontrava da região - que por serem esporádicos, eram difíceis de caçar nas horas de necessidade.

 Ao início de sua saudação ritualística que anunciava o começo da cerimônia de cura, o homem subitamente reagiu, erguendo o tronco até sentar-se. Observando-lhe os olhos profundamente, Vorh não detectava a Wyrm, mas algo ruim... Uma fome voraz. Aquela ânsiasede que se equiparava à Fúria nos olhos dos Garou que a séculos atrás caçaram a ela e sua espécie um por um. Intrigada mas cautelosa, inspirou e exalou sua própria essência, aquilo que era, primeva de Gaia. E a Fera no corpo do homem encolheu-se, reprimiu-se, mas não apavorou-se. O respeito que requeria sua essência era sereno, não aquele instigado pela Fúria. A criatura se arrastou, mantendo uma distância larga de Vorh e... Lambeu a neve tingida no chão da caverna.



 Dois ciclos lunares atrás, relembrava-se a Gurahl, havia enfrentado a presa que caçava. O ritual de agradecimento ao animal foi quase equiparável àquele que dava aos alces gigantes, antes de tudo aquilo ter começado. Ferida fora a anciã ursa, mas não foi de grande importância: ao chegar em sua caverna, os últimos retoques eram feitos, até mesmo sua pelugem branca voltando para cobrir o couro que regenerara-se por sí só. Uma única gota escorrera durante a emenda da injúria. Agora, os resquíscios da mesma, dissipados e esquecidos na alvura da neve que tanto se assemelhava às cãs de Vorh, eram absorvidos pela ávida complexão do jovem homem...

 Tudo seria mais dramático e impactante, concluiu ela, caso ele não tivesse prendido a língua ao gelo abaixo da neve, colando-se naquela posição desonrosa ao chão da caverna da ursa, glúteos ao ar.




OFF: Primeiro conto... Hm. Diversificando um pouco as coisas, expandindo os horizontes. Sem diálogos no início, espero que tenha gostado.


Última edição por Overslept em Ter Nov 04, 2014 10:41 pm, editado 13 vez(es) (Razão : Alguns problemas com o BBCode...)
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Re: Immensitas Fidem

Mensagem por Krauzer em Sex Abr 21, 2017 4:06 pm


Ótimo conto!
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Krauzer

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