James Leminsky - Nosferatu - Camarilla

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James Leminsky - Nosferatu - Camarilla

Mensagem por Bispo Altobello em Qui Jan 23, 2014 11:31 am

1. Dados

Nome: João Gouvêa
Personagem: James Leminsky
Clã: Nosferatu
Natureza: Sobrevivente
Comportamento: Celebrante
Geração: 11
Refúgio: Cinema
Conceito: Cinéfilo, Investigador
Saldo de XP: 0/0

________________________________________

2. Atributos

Físicos
- Força: 1+1
- Destreza: 1+2
- Vigor: 1+2

Sociais
- Carisma: 1+1
- Manipulação: 1+2
- Aparência: -

Mentais
- Percepção: 1+2
- Inteligência: 1+2
- Raciocínio: 1+3 (Emboscadas)

________________________________________

3. Habilidades

Talentos
- Prontidão: 2 (4 ptb)
- Esportes:
- Briga: 2
- Esquiva: 1
- Empatia:
- Expressão:
- Intimidação:
- Liderança:
- Manha:
- Lábia: 2

Perícias
- Empatia c/ Animais: 2
- Ofícios: 1
- Condução:
- Etiqueta: 1
- Armas de Fogo: 2
- Armas Brancas: 1 (2 ptb)
- Performance: 3
- Segurança:
- Furtividade: 2 (4 ptb)
- Sobrevivência:  

Conhecimentos
- Acadêmicos: 4 (cinema) (2 ptb)
- Computador: 1
- Finanças: 2
- Investigação: 2
- Direito: 1
- Linguística: 1 (ingês nativa e francês)
- Medicina: 1
- Ocultismo: 1
- Política:
- Ciências: 1

________________________________________

4. Vantagens

Antecedentes

Recursos 3  (1 ptb)
Geração 2
Mentor 1


Disciplinas

Ofuscação 2
Animalismo 1


Virtudes
Consciência: 1+2
- Autocontrole: 1+2
- Coragem: 1+3
________________________________________

5. Virtudes

Humanidade: 6

Força de Vontade: 4

________________________________________

Qualidades e Defeitos

Sono Pesado -1
Vicio -3 (adrenalina)
Compulsão -1 (Citar fala de Filmes)

Bom Senso +1
Concentração +1
Memória Eidética +2
Temperamento Calmo +3

Observações
-
-
-

________________________________________

6. Prelúdio

Prelúdio – O começo de tudo

Bom, nasci em uma cidade pequena do interior em 1974. Nem tão pequena assim... o nome eu nem quero lembrar. Fui criado pela minha mãe e meu padrasto. Meu pai morreu quando eu tinha 3 anos de vida. A única coisa que eu sei dele é que ele era um detetive da polícia. Morreu fazendo seu trabalho. Meu padrasto era vendedor de pneus e minha mãe ficava mais em casa e de vez em quando fazia algumas reuniões para senhoras para apresentar a maravilhosa linha de Tupperwares a venda.

A vida em uma cidade do interior pode ser maçante para um adolescente com um pingo de intelecto e sem atrativos físicos como eu. Com 12 anos de idade, nada nem ninguém naquele lugar me desafiava mais e nem queria nada comigo. Eu queria aprender, queria sentir e escutar coisas novas. Queria ser um personagem de filmes de Hollywood.  Principalmente um daqueles de suspense e investigação. Gostava de pensar que eu havia herdado algo do meu pai. A vida do Gregory como vendedor de pneus era uma lástima. Obviamente um detetive tinha muito mais adrenalina nas veias. De fato eu comecei a enveredar mais e mais pelo mundo do cinema. Fiz até parte do Clube do Retroprogetor, um grupo que tínhamos na escola encabeçado pelo nosso professor de artes. Anotava as falas mais marcantes e tentava sempre reproduzi-las pros meus colegas, imitando as vozes. Compensava minha cara feia com as brincadeiras. Era sempre engraçado.

Quando eu tinha 14 anos, um dos meus primos mais velhos, chamado Gus, foi fazer faculdade em uma grande cidade do país. Nas férias ele retornou e contou uma porrada de histórias maneiras sobre a cidade grande. Algo que me deixou ainda mais infeliz pelo lugar onde eu morava. Bom... com a adolescência vieram os conflitos. Primeiro com Gregory e suas tentativas imbecis de ser o meu pai e posteriormente com a minha mãe, dando razões a ele.

A gota d’água, acredito que tenha sido quando ela duvidou de mim quando eu contei pra ela que Gregory estava a traindo. Eu voltava pra casa numa terça-feira a noite depois de ir com uns amigos nadar no lago. Fiquei bem cansado e como terças-feiras eram os dias em que Gregory “jogava poker” com os amigos no bar do tio Joe, resolvi passar por lá pra ver se arrumava uma carona. Ao chegar no bar encontrei o tio Joe e outros jogando... mas Gregory não estava.

- Greg? Não garoto... ele não joga com a gente não... Ele não sabe a diferença entre uma dupla de valetes e um royal street flash. Ei garoto... não vai dar com a língua nos dentes hein... eu não te disse nada!

Após uma simples vasculhada nas coisas dele eu encontrei uns fósforos de um motel perto da saída para a rodovia. Na terça-feira seguinte fui “nadar” novamente. Tocaiei atrás de uns arbustos até o momento em que a van de Greg parou. Saiu de lá com uma loira de farmácia e calças de oncinha. O filho da puta nem se dava ao trabalho de disfarçar. Foi beijando a vagabunda na frente de todos até o quarto indicado pela recepcionista.

Voltei pra casa e fui dormir direto. Nem esperei ele chegar. Contei tudo pra minha mãe no dia seguinte. Ela chorou muito enquanto eu contava e eu achei que meu plano de tirar aquele escroto das nossas vidas estava certo. Mas de repente seu choro de tristeza se transformou em ira.

- Você está maluco? Greg nunca faria isso comigo! Porque você faz isso comigo? Sabe que ele é bom pra mim. Que é bom pra você!

- Mãe!! Você não entende?? Ele está te enganando... tio Joe disse que ele nem sabe jogar poker!!!

Sua cara ficou vermelha de raiva... ela foi até o quarto e quando voltou, bateu com força a base de um pequeno troféu de latão e madeira na mesa à minha frente. Uma pequena plaqueta fora gravada com a frase:

“Campeão de Poker do Torneio de Agosto do Bar do Joe”

O filho da puta tinha pensado em tudo. Provavelmente o próprio tio Joe havia alertado de que eu sabia de tudo... se fosse nos dias atuais seria mais fácil. Uma simples fotografia de um celular teria provado que eu estava falando a verdade. Sem mais argumentos contra isso eu apenas desisti. Claro, eu poderia fazer com que ela fosse comigo até o motel e visse pessoalmente... mas provavelmente o puto iria dar um tempo ou então mudar de “ninho de amor”.

Não fiquei nervoso, apenas perplexo. Com tudo isso eu decidi fazer algo que eu já pensava há alguns meses. Na madrugada do dia seguinte eu acordei, peguei um dinheiro que minha mãe guardava e fugi.

Adolescência na cidade grande

Chegando ao meu destino, eu sabia que tinha dinheiro para talvez duas semanas. Arrumei vaga em um quarto fedorento perto do centro da cidade e passava os dias procurando emprego. Obviamente eu teria de aceitar qualquer coisa, afinal não tinha experiência nenhuma. Na noite do oitavo dia eu perambulava por algumas ruas escuras do centro, depois de mais um dia sem arrumar trabalho, quando começou a chover.

Me abriguei embaixo de uma marquise de um pequeno cinema. Todo molhado eu esperava a chuva passar quando vi o nome do filme que eles iriam apresentar naquela noite. James Bond em Never Say Never Again. Não podia gastar o dinheiro em uma sessão de cinema. Fiquei admirando o cartaz e ouvi um senhor ao meu lado de repente.

- Meu Deus garoto... você está ensopado...
- “Sim, mas o meu Martini continua seco…”

Primeiramente ele achou engraçada minha resposta e quase deixou o cigarro cair da boca... depois de dois segundos tirou ele da boca e coçou a cabeça parecendo lembrar de algo e...

- Espere um minuto... essa é uma das falas do filme.
- Sim, lá pelo meio, quando Fatima molha Bond com uma mangueira...
- Caramba garoto... não vai entrar?
- Não senhor... não posso gastar.
- Ah sim... ora... que diabos! Eu sou o dono disso aqui e a sala está quase vazia mesmo... venha!

E assim eu consegui meu primeiro emprego. Como auxiliar de serviços gerais em um cinema ralé. Mas o trabalho era excelente pra mim. Poderia ver os filmes de graça e ainda morar no quartinho dos fundos. No início fiquei meio com medo, achando que o dono, o Sr. Leminsky fosse algum tipo de velho tarado ou algo assim. Mas logo pude perceber a bondade no coração daquele pobre velho. Ele me contava muito sobre os filmes e logo nos tornamos bons amigos.

Ele não tinha família, assim como eu. Menti falando que era um órfão e tinha fugido do abrigo em outra cidade. Seus únicos companheiros eram os filmes e sua pistola velha que guardava para se defender. Betsy era como ele a chamava e se vangloriava de nunca ter precisado usa-la.  Ele possuía uma grande coleção de filmes antigos e me disse que eu não precisava de estar na rua e de faculdades para aprender o que eu queria. Tudo estava condensado nos filmes. E assim eu tive acesso à sua coleção.

Em 1990 Sr. Leminsky foi diagnosticado com câncer de pulmão. Ele foi ficando doente e fraco. Não tomava os remédios, mesmo eu o forçando a fazê-lo. Comecei a tomar conta totalmente do pequeno cinema, enquanto ele ficava apenas nos fundos em sua cama.

E em janeiro de 92 ele veio a falecer, não sem antes passar o negócio pro meu nome. E lá estava eu, com 18 anos e um pequeno cinema pra cuidar. Tinha perdido meu único e verdadeiro amigo e estava totalmente sozinho de novo...

O abraço.

O ano de 1994 foi ótimo para a indústria do cinema. Pulp Fiction, Forrest Gump, O Rei Leão... foram avassaladores... mas foi no final do ano que o filme que mudaria minha história foi lançado. Entrevista com o Vampiro fizera um sucesso sem igual. O livro de Anne Rice já tinha sido um blockbuster e com o elenco escolhido.. o sucesso nas bilheterias seria óbvio. A última sessão havia terminado pouco depois da meia noite. As portas foram fechadas e eu contabilizava o lucro de mais um dia quando ouvi batidas.  Cheguei perto da porta e gritei:

- Estamos fechados... volte amanhã. Primeira sessão às 17 horas. Virei de costas e mais batidas... Amigo! Já fechamos! As batidas se intensificaram... pensei na Betsy... ora, eu tinha dado alguns tiros com ela durante esses anos sozinho. Diversão de bêbado... mas resolvi deixa-la guardada. Abri a portinhola e vi um sujeito baixo com chapéu largo, ele olhou na direção do meu rosto.

- Por favor, preciso que o senhor faça uma sessão extra para... meus amigos.
- Não fazemos sessões particulares... boa noite. E fui fechando...
- Podemos pagar bem! E não queremos pipoca... (risadas baixíssimas).
- Podem pagar bem é... pensei em pregar uma peça – Quantos são?
- Oito, comigo.
- Oito? Hmmm... já que você pode pagar... Fiz as contas e joguei o preço lá em cima – Sessão particular pra oito sai por mil dólares. Mil dólares! Hahá! O ingresso normal eram 6 dólares. É claro que todo o maquinário teria de ser ligado e tudo mais mas... mil dólares era realmente uma brincadeira.
- Isso vai dar oito mil... caramba... mas OK. Negócio fechado. Volto em meia hora.

Cada doido que me aparece... vi o homenzinho ir andando pro fim da rua e de repente sumiu nas sombras. Voltei pra contabilidade mas decidi continuar no dia seguinte. Certo de que aquilo tinha sido apenas uma peça de algum adolescente, eu comecei arrumar as coisas e fui me preparando pra dormir. Estava com a escova de dentes na boca quando ouvi batidas no portão...

- Senhor...? Senhor!?  A mesma voz de antes...
- Meu deus... você realmente voltou cara? “Show me the money!” Abri a portinhola curioso e vi ele abrindo uma bolsa de pano cheia de notas de 100.

Meus olhos quase saltaram pela portinhola. Percebi que mais figuras apareciam da rua deserta. Pedi que aguardassem 10 minutos enquanto eu arrumava tudo. Abri a porta e todos entraram em fila. O cheiro forte de colônia empesteou o ambiente. Todos vestidos de sobretudo, chapéu e cachecol. Até aí tudo bem, estávamos em novembro e a noite realmente estava fria. Indiquei a todos o caminho da sala. A sessão começou e os 8 estavam um do lado do outro. Primeiramente começaram bem calmos e sem falar muito. Mas na metade do filme já reproduziam uma algazarra. Em muitas cenas eles gritavam! Riam! Urravam! Foi bem divertido ver pessoas tão empolgadas com um filme. A sessão acabou e aquele “aaaahhhh” de pesar foi ouvido em uníssono. Na saída o homem baixinho com a bolsa de dinheiro parou na minha frente e esperou os outros sete irem saindo pela porta. Abriu me entregando a bolsa e disse:

- Estamos muito agradecidos. Tome seu pagamento.

Eu ainda não estava acreditando naquilo... havia dito mil só para afugenta-los... não seria certo aceitar os oito mil. Sr. Leminsky não o faria...

- Cara, eu tinha dito mil pra todo mundo...
- Com licença..? Me virei e vi um homem sem o chapéu que aparentava uns 65 anos, com cabelos brancos e pele desgastada. O ambiente era escuro mas podia distinguir algumas nuances de seu rosto.
- Calma... eu me chamo Alfredo e os oito mil são basicamente meus...
- Ah... bom... eu tinha conversado com o baixinho sobre isso... Quando me virei o baixinho já tinha saido...
- Não se preocupe. Foi o dinheiro mais bem gasto da minha “pigarro” vida... Me pergunto se... poderíamos conversar um pouco antes de eu partir. Imagino que você esteja cansado mas... seria uma honra conversar sobre a sétima arte com um homem do ofício.
- “You Talkin’ to me??” hehe
- Taxi Driver com Robert DeNiro? Acertei?
- Haha... sim senhor. Ponto pra você... também gosta desse jogo Sr. Alfredo?
- Sim.. deste e de muitos outros... hehe. “pigarro” Escute,toda peça da engrenagem faz parte do motor. Não é porque o senhor não estava no set de filmagens que não pertence ao espetáculo.
- Olha... tá aí... nunca tinha pensado nisso.

E a conversa se prolongou. Contei pra ele como eu tinha saído da minha cidade natal, como eu tinha chegado nesse lugar, como eu tinha conseguido o cinema e sobre o Sr. Leminsky. Ele parecia ávido por informações e eu não via mal nenhum naquele pobre velhinho. Expliquei pra ele o quanto o conhecimento me fascinava e como eu tinha achado o que eu procurava no cinema e nos filmes. Ele disse que pensava o mesmo e que aprendeu muito mais com as artes do que em bancos de escola.

Quando eram umas 4 da manhã Sr. Alfredo pediu que eu o levasse até a porta, pois precisava ir embora. Me levantei e ele disse para eu ir na frente. Confesso que não me lembro muito bem mas... você já imagina o que pode ter acontecido.

A transformação

Acho que todo o processo da transformação de um vampiro nosferatu é conhecido por você. Me senti basicamente como o personagem de Jeff Goldblum em A Mosca. Passado o processo e o terror, fui acalmado por Alfredo e alimentado por ele também. No início eu me mostrei desesperado, porém ele me lembrou de que eu teria agora tempo suficiente para adquirir o máximo de conhecimento possível e ver todos os filmes do mundo, daqui até a eternidade. Obviamente não foi algo imediato mas... com o tempo eu aceitei melhor.

Meu corpo se alterou pouco na estrutura. Meus músculos afinaram e minha pele adquiriu um tom mais escurecido. Minhas orelhas afinaram, bem como meu nariz. Meus dentes se alongaram e afinaram e muitos ficaram deformados. Não preciso dizer também que Alfredo mudou bastante desde nossa primeira conversa... provavelmente algum poder do sangue.

Ele me lembrava sempre de que era essa uma oportunidade de ser realmente um ser fora do comum. Ter acesso à coisas impossíveis antes. Me disse para eu me sentir em um filme de Hollywood e aproveitar a “sessão” e confirmou que não me abandonaria agora. Como professor e aluno. A parte da alimentação era complicada no início mas eu aprendi a “suporta-la” adicionando um pouco de drama no beijo. O sangue do pavor me satisfazia de forma plena.

Com o tempo ele trouxe a coleção particular dele para o cinema e começamos a fazer apresentações regulares para nossos irmãos, uma vez por semana. Até membros de outros clãs vinham prestigiar.

Obviamente ele também me mostrou o lado sombrio e sujo da sociedade da qual fazíamos parte. E vez por outra eu o acompanhava em missões de campo para angariarmos informações, segredos e qualquer outra coisa que nos fosse útil. Me mostrou como me ocular nas sombras e como utilizar pequenos animais para conseguir o que, para nós, seria muito difícil ou até impossível.

Em contato com demais membros nas sessões eu conheci outros personagens dessa trama de conspiração e intrigas e por muitas vezes soube utilizar meus conhecimentos adquiridos na grande tela para fazer alguns “serviços profissionais” e enfim pude realizar o meu sonho de ser detetive, de maneira torta (sem ofensa aos presentes...) Com efeito, esqueci por completo meu nome antigo... e adotei um pseudônimo combinando duas figuras importantes para mim. Quando me perguntam o meu nome eu respondo “Leminsky... James Leminsky.”.

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"Subirei aos céus, erguerei meu trono acima das estrelas de Deus
E lá, mais alto que as nuvens, serei como o Altíssimo." 
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