Dinheiro e Problemas.

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Dinheiro e Problemas.

Mensagem por Killer Instinct em Seg Dez 23, 2013 1:16 pm

Rawson levou o dinheiro e colocou na caixa registradora. Ele tinha planejado ir embora cedo para casa, estava terminando de atender os últimos clientes, desejando que acabasse logo. Afinal de contas, seu pequeno filho estava doente. Ele havia dito para sua esposa que iria terminar cedo, mas foi pego de surpresa quando viu que uma noite lotada estava pela frente por causa do jogo. Os clientes estavam amontoados no pequeno bar, todos assistindo ao seu jogo e time favorito, tomando uma garrafa de cerveja ou duas. Quando o jogo finalmente acabou, a lua já brilhava no firmamento e todas as luzes deveriam estar acesas pelas ruas. Ele estava ansioso para o dia de serviço terminar, voltar para casa e ficar perto do filho apesar do forte cheiro de doença que infestava o ambiente em volta.

Mas ainda não podia ir, ele precisava de dinheiro. De muito mais dinheiro. Era essa a esperança, conseguir o suficiente para oferecer um tratamento melhor para o filho. Mas é nesses momentos que notamos verdadeiramente o qual difícil é encontrar dinheiro. Apenas por causa disso ele estava esperando pelo fim da noite e que os clientes fossem embora, ele desejava que eles optassem em irem embora logo, para qualquer outro lugar. Muitos nem bebiam mais, apenas conversam sobre tudo e nada, alguns poucos bebiam lentamente cada gole de cerveja, parecia que era uma tarefa difícil beber uma garrafa por inteira. Eles pensavam sobre tudo que já viveram e ouviram da vida dos outros, será que o gosto era tão amargo? Uma demora que deixava Rawson triste e cansado, ele mesmo tem sua bebida amarga, uma que ele não pode demorar para lidar, seu filho não tem tempo para isso.
Na mesa mais distante, a única ainda ocupada depois de o jogo já ter acabado há tempos um homem gordo conversa com um magro, ambos parecem nervosos e falam mais alto do que esperado, afinal Rawson no balcão conseguia escutar eles.


Gordo - O número para abrir é doze. Doze. O armário é seguro, o dinheiro está lá. - Ele pegou uma caneta do bolso e escreveu algo no rotulo da garrafa de cerveja em sua mão e mostrou para o companheiro, em seguida pousou a garrafa com cuidado próximo do magrelo. - Sua memória é uma bosta. Está aí. -

Magro - Não sei como conseguimos. Tudo parecia o.k na segurança, ainda sinto que um pequeno erro e estaremos no xadrez. - Enquanto falava ele olhava para garrafa e parecia estudar o que tinha sido escrito. Seu rosto mostrava preocupação.

Gordo - Temos dois milhões para dividirmos. Em dinheiro. Você espera o quê? Trabalhamos duro. Tem que trabalhar duro para conseguir essa grana, e calma para não sair gastando tudo de uma vez.

Magro - Admito, você fez um bom plano. Nada de pistas para trás, eu acho... nada de câmeras e vestígios. E escondemos a mochila em um lugar que podemos tomar conta, na sua cidade, no seu armário. Sim, agradável esse seu plano, especialmente essa última parte. - O magro fala com uma certa dose de sarcasmo no final, sua expressão também não é nada boa. Porém o gordo parece não notar nada de errado. - Está debaixo desse seu nariz.

O celular do magro toca, um toque musical sem personalidade. Ele atende sem demora, nada responde, apenas escuta atento. O gordo não gosta nada disso e fecha a cara, com o outro ainda no telefone ele reclama.

Gordo - Falei que não deveríamos usar nada disso durante a viagem. Desliga. Onde diabos arrumou esse aparelho? Desliga.

Magro - Um homem sempre faz bem carregar algo assim, entende, não é?

Ele coloca o celular fechado em cima da mesa, longe das mãos do companheiro e toma um leve gole da cerveja com o rotulo marcado por tinta de caneta. O homem gordo fica vermelho de raiva, mas fala de maneira lenta e calma apesar de estar quase explodindo por dentro.

Gordo - Isso foi errado. Foi contra meu plano. Como vou confiar que você não contou sobre tudo isso para várias pessoas. Devia ser apenas nós, sem terceiros envolvidos.

O gordo esticou sua mão inchada para pegar o celular, mas o magro foi mais rápido e agarra o aparelho colocando em um dos seus muitos bolsos. O gordo com isso fica ainda mais irritado, seu rosto agora tem um forte tom vermelho, seu rosto como um todo parece quase pronto para uma explosão violenta.

Magro - Pare com isso, seu saco de banha. É meu celular. Foi seu plano, mas isso não faz de você o chefão. Ainda quer levar 70%? Sem essa. É meio a meio. Eu fiz todo o verdadeiro trabalho duro, seu gordo de m...

Uma arma pequena já estava apontada para o magrelo que desabafava. Rawson que estava tão imerso na conversa finalmente lembra de onde está. Seu corpo parece estar congelado, não consegue falar, nem correr. Cinco segundos parecem demorar minutos, ele pensa durante esse tempo no filho, na mulher esperando em casa, cansada e desesperada, no dinheiro. Seu corpo apresenta novamente vida e seu instinto fez com que ele começasse discar em silencio para policia usando o telefone escondido no balcão, entre garrafas de vinho barato e panos de limpeza.

Ambos os bandidos, o gordo e o magro estavam em sua disputa interna, concentrados. O magro tentou ser mais usar sua agilidade, sua mão direita estava indo em direção a arma, mas o gordo foi mais rápido e apertou o gatilho com calma. O barulho foi menos impactante do que a cena de um buraco surgindo no meio da testa de um homem e o banco indo para trás junto com o corpo baleado. Pareceu levar três segundos para o corpo perder o equilíbrio por completo e cair para trás junto com a cadeira, a mão que iria agarrar a arma quase derrubou tudo que estava na mesa, inclusive a garrafa.

Por um tempo o gordo ainda com o rosto vermelho ficou fitando concentrado o companheiro morto no chão. Ele lentamente pareceu recobrar a consciência de onde estava e o que tinha feito. Seu rosto foi ficando pálido e sua mão cedeu, largando a arma. Ele já ia correr para fora sem nem olhar em volta quando lembrou da garrafa de cerveja com o código do armário. Ele agarrou bem a garrafa. Rawson estava escondido atrás do balcão, torcendo para o homem não estar vindo para acabar com ele quando escutou os passos apressados e pesados do assassino. Mas ele não procurou o barman, apenas correu a toda velocidade para fora passando ao lado do balcão. Ainda abaixado Rawson escutou um carro em velocidade, e um som de impacto. Era o carro da policia chegando em frente ao bar.

A policia foi rápida, poucas perguntas e pouco interesse. Rawson não tinha muito para falar, estava cansado, já era tarde. Os policiais recuperaram pouco da cena do crime, apenas uma arma no chão e uma garrafa de cerveja que o homem gordo tinha segurado em seus momentos finais. Para os policias nada de importante tinha ocorrido, apenas mais uma briga de bar, uma das muitas que eles tinham presenciado nessa noite de jogos e bebedeiras. Rawson logo estava sozinho, limpando o bar após tudo ter terminado e a policia ter levado o corpo e a arma. Durante a limpeza ele encontrou novamente a garrafa, ela tinha sido rachada, mas o rotulo com uma longa sequência de dígitos anotados ainda inteiro o suficiente para se ler. A polícia tinha obviamente achei desinteressante, recolhido e largado no bar. Uma garrafa meio vazia e rachada que um bêbado segurava quando fugia correndo sem olhar para os lados, não era uma peça importante do crime. Rawson segurou com algum cuidado a garrafa, olhou para os números e um endereço escrito, sem pensar muito jogou ela no saco de lixo. Ele queria ir para casa, sentir o calor da esposa, o cheiro no quarto do filho, cheiro de doença, mas ainda sim o cheiro do filho único deitado e doente na cama barata. Estava querendo dormir, desejando um sono sem sonhos.
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Re: Dinheiro e Problemas.

Mensagem por Killer Instinct em Seg Dez 23, 2013 1:27 pm

Escrevi na correria, provavelmente deve estar cheio de erros essa bosta. Mas tinha que voltar escrevendo algo...
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Re: Dinheiro e Problemas.

Mensagem por Killer Instinct em Ter Jan 28, 2014 10:21 pm

Faltou vampiros, né? Tenho que começar enfiando vampiros nesses meus pequenos contos. Faz sucesso.
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